sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Arvoredo"

Alguns subsídios para sua história

Por Rubesn Antonio

Cangaceiro Arvoredo... cujo nome real era Hortêncio Gomes da Costa. Também ficou conhecido, por assim se identificar, como Hortêncio Gomes da Silva, Hortêncio Gomes de Lima, José Lima e José Lima de Sá.


Em Pombal, BA 1928
Depoimento de "Arvoredo", quando preso. 1927, copiado em extrato em inquérito policial de 1929:
José Lima, (que é o mesmo Hortencio Gomes de Lima ou José Lima de Sá, vulgo “Arvoredo”) estava;em Juazeiro, onde foi preso a pedido da autoridade policial de Jaguarary, alli;chegou a 5 sendo ouvido em auto de perguntas. Declarou “ser filho de Faustino Gomes, vulgo “Banzé” e Maria de Jesus, natural de “Salgado do Melão”; que dalli partiu;com destino a São Paulo, encontrando–se em Varzea da Ema com João de Souza,;(Cicero Vieira Noia) seu conhecido e João Baptista (que é o mesmo Christino ou “Curisco”); que em caminho se encontraram com Manuel Francellino, vindo em sua; companhia para Jaguarary, pernoitado em casa delle os tres; que moraram cerca de oito dias em casa de Antonio Piahy, até que alugaram uma casa a Demosthenes Barboza, por intermedio de João Baptista, seguindo na terça feira, 30 de Agosto para Juazeiro, a negocios, sendo alli preso na sexta feira ultima, dois do corrente; que antes de chegar á “Santa Rosa” com seus companheiros de viagem, o de nome João Baptista propoz para todos mudar de nome, ficando o depoente com o de Jose Lima, lembrando–se tambem que depois de se acharem nesta Villa, com João Baptista e João de Souza ou Cicero, foram á cidade de Bomfim, alli se hospedando na pensão de Piroca, por indicação do cel. Alfredo Barboza; que pretende não se juntar mais com João Baptista e João de Souza, caso se encontre ainda com os mesmos, pretende se retirar desta Villa depois de pagar o que deve ao senhor coronel Alfredo Barbosa”. (fls.208–210).

De depoimento da mãe de "Arvoredo", colhido em inquérito policial, em 1929:
"Maria de Jesus e tambem da Conceição, mulher de Faustino Gomes da Costa (“Banzé”) ou “Pae Velho”, do grupo de “Lampeão)) foi ouvida nesta mesma data e affirmou que ha tres mezes reside em “Olhos d’Agua”; que o apellido de “Arvoredo” foi posto em Hortencio por seus irmãos, quando era pequeno; que tem cinco filhos – Hortencio, Ambrosio, Raphael, Sylvestre e Manoel, vulgo “pé de meia”, os quais têm sobrenome de Gomes da Costa que Hortencio tem, alem deste nome, o de José Lima; que seu filho “Arvoredo” acompanha “Lampeão”, por ser amigo de infancia de Christino, conhecido por João Baptista da Silva, vulgo “Corisco”; que João Baptista é filho de Firmina, empregada na fabrica de linhas da Pedra, Estado de Alagoas e Manoel de tal, já fallecido, na Matinha de Agua Branca, com parentes residentes na fazenda “Sitio”, de Salgado do Melão."

Como referência não tanto inédita, mas completamente esquecida no estudo do Cangaço, ressurge aqui informação de que Pae Velho, o cangaceiro que morreu junto com Mariano e Zeppelin, era pai do também cangaceiro Arvoredo.


Pai velho está ao centro

Outro ponto discutido é se "Arvoredo" e "Corisco" eram primos. Estes trechos, tirados de inquérito policial com o depoimento de dois dos irmãos de "Arvoredo", confirmam este ponto:

"Declararam, então Raphael Gomes da Costa, filho de Faustino Gomes da Costa e Maria de Jesus que: “seu pae é criminoso em Santo Antonio da Gloria; que seu pae ha pouco chegou em Salgado do Melão devido á perseguição da força contra o mesmo; que no grupo denominado “Lampeão” tem os parentes Hortencio Gomes de Lima ou José Lima de Sá, vulgo “Arvoredo”, irmão do depoente, e Christino de tal, vulgo “Curisco”, ex soldado da policia de Sergipe, primo do depoente; que o grupo de “Lampeão” ha cerca de um mez fôra visto no “Serrote da Macambira”, de Santo Antonio da Gloria, com destino a Sergipe, de cujo grupo constavam entre outros, “Lampeão”, Curiscu, Arvoredo, o menino conhecido por “Volta Secca” e outros; que “Arvoredo”, seu irmão, já lhe escreveu por duas vezes e mandou recado convidando o respondente a fazer parte do bando “Lampeão” que tambem já mandou fazer esse convite. Perguntado que respostas deu a esse convite, respondeu que por hora ainda não decidiu nada.” José Gomes da Costa fez quase identicas declarações, referindo tambem que recebera convite de “Arvoredo” e “Lampeão” para fazer parte do seu bando, não tendo ainda resolvido nada a respeito."

Arvoredo, colorizado por Rubens Antonio

Arvoredo morreu em 26 de maio de 1934, na serra, próximo à estação ferroviária da Barrinha, por então conhecida como "Angicos". Os dois matadores foram Cícero José Ferreira, o Xisto, que nasceu em 1911, e João Biano da Silva, que nasceu em 1913.

Uma imagem cuja dificuldade para conseguir foi grande, mas, graças ao senhor Raimundo, de Jaguarari, ex-cunhado de João Biano, e a gentileza imensa da filha e do filho deste valente matador de Arvoredo, aqui a única foto existente... de João Biano:



Muito chamado por "João Biana" é uma alteração posterior ao evento da morte de Arvoredo. O nome correto é João Biano da Silva. No texto de Oleone Fontes, em seu livro "Lampião na Bahia", aparecem os matadores citados como Xisto e João Martins da Silva... Este erro apenas reproduz o cometido pelo coronel Alfredo Barbosa, de Jaguarary, que, à época do evento, relatou-o, errando no nome de João. João Biano está enterrado na Fazenda Saco, em Jaguarari.

Partícipe, com o amigo João Biano, na morte do cangaceiro Arvoredo, esta é a única foto restante de Cícero Ferreira, o Xisto.
 

A dificuldade para se conseguir esta foto foi imensa, mas, finalmente, graças ao sobrinho de Xisto, Messias, e à filha adotiva daquele, a "Neguinha", consegui esta imagem. Xisto está sepultado na Fazenda Mulungu, em Jaguarari.


Sepultura do cangaceiro Arvoredo, em Jaguarari:

Detalhe na cruz - "AC" = Arvoredo Cangaceiro:

Está lá no Cangaço na Bahia.com

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O documentário que faltava por aqui

De Maurice Capovilla  "O último dia de Lampião" 1975 

Sinopse:

"Depoimentos documentais somam-se à reconstituição das últimas 24 horas de Virgulino Ferreira, o Lampião.

Com narração de Sérgio Chapelin registram-se imagens e vozes de soldados da Volante e, também, de cangaceiros sobreviventes da emboscada (ocorrida em 28 de julho de 1938), na qual morreram Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros.

O cineasta pergunta a todos eles: 'onde você estava aquele dia?'. As filmagens contaram o episódio narrado, tanto sob o ponto de vista dos cangaceiros, quanto do ponto de vista dos 'macacos' (Soldados da Volante).

Começa em Piranhas, Alagoas, onde a tropa iniciou sua movimentação, até montar a emboscada na grota de Angico. Os sobreviventes foram levados aos locais onde tudo se passou. Atores e populares (alguns parentes dos envolvidos no conflito) atuaram.

A Polícia Militar de Alagoas forneceu o armamento e soldados da PM." , sinopse extraída do livro 'Cangaço, o Nordestern no Cinema Brasileiro', org.: Maria do Rosário Caetano, Avathar Soluções Gráficas, DF, 2005.)

Observações do Diretor

O tema do cangaço chegou à Blimp Film por acaso. *Um dentista, pesquisador do cangaço, era conhecido do diretor de produção da Blimp. Por isso, ele nos deixou, para nossa avaliação, enorme texto com dados importantes dos diversos bandos de cangaceiros, especialmente do bando de Lampião. O Guga (Carlos Augusto de Oliveira) me deu o material para eu dar uma olhada. Eram informações gerais e dispersas, abarcando um amplo universo dos conflitos do cangaço.

Achei interessante, pois a pesquisa citava nomes de cangaceiros e suas localizações no espaço geográfico do Nordeste. Entre eles, muitos se encontravam no coito de Angico por ocasião da morte de Lampião.

Propus então realizar um programa que centrasse o foco nos últimos dias de Lampião, isto é, as últimas 24 horas do bando. O Guga topou na hora e o Boni (José Bonifácio Oliveira Sobrinho, irmão dele e executivo da Globo) analisou e aprovou o projeto. Necessitávamos da aprovação dele, uma vez que o orçamento para esse filme extrapolava custos habituais.

'O último dia de Lampião' foi realizado em duas etapas. Na primeira viajei com a equipe precursora e subi de Salvador, passando por Alagoas e Sergipe, Até chegar ao Recife. Fui encontrando e captando depoimento dos cangaceiros. Em Alagoas encontrei dois soldados da volante, Abdon e Panta - este foi o militar que matou Maria Bonita.



Soldados Abdon e José Panta de Godoy


Em Piranhas, consegui o depoimento dos traidores, Joca Bernardes e Durval, o irmão de Pedro de Cândido, os dois coiteiros de Lampião, que nunca tinham confessado a traição.

João de Almeida Santos, o Joca Bernardes.

Voltei a São Paulo com o material, montei e segui para a segunda etapa, que consistia em reconstituir, a partir das entrevistas feitas, os fatos que culminaram com a morte de Lampião. De grande ajuda foi Cila, mulher de José Sereno - que estava hospitalizada em São Paulo. O depoimento dela tem valor de confirmar informações contraditórias. Cila era a melhor amiga de Maria Bonita, era também a figurinista do bando e foi a nossa também. Os chapéus foram confeccionados por Dadá, mulher de , na Bahia. 


Soldado João Bengo

Enfim, tive sorte de encontrar testemunhas oculares da história, que deram a credibilidade necessária à reconstituição dos fatos (...)'

- Trecho de depoimento de Maurice Capovilla, extraído do livro 'Cangaço, o Nordestern no Cinema Brasileiro', org.: Maria do Rosário Caetano, Avathar Soluções Gráficas, DF, 2005."

"Depoimentos dos remanescentes do grupo residentes na capital paulistana que se achavam presentes no dia da morte de Lampião e daquele que deu o tiro inicial, Abdon, nunca antes entrevistado".

Vamos ao deleite...



Fonte: Canal do Dj Fr3d no You Tube. Texto: www.cinemateca.gov.br
Fotos: DocsPrimus e Prints do vídeo.

*O dentista em questão é nosso estimado amigo Antonio Amaury

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC, Comunica

Nota de falecimento

É com imenso pesar que comunicamos aos nossos sócios e amigos o falecimento do nosso historiador -mor, sócio fundador da entidade RAIMUNDO SOARES DE BRITO, ocorrido hoje 27 de Novembro na cidade de Natal/RN.
 
Raimundo Soares de Brito, por ocasião da Inauguração da Biblioteca Virtual, onde está digitalizado todo seu vasto acervo de pesquisas com mais de 150 mil documentos.
Fonte:  www.jornalporanduba.com

O corpo será velado no Salão Marieta Lima da Biblioteca Ney Pontes Duarte, Praça da Liberdade (Dorian Jorge Freire) - Centro - Mossoró - RN. A partir das 08:30h desta Quarta-feira 28/11/2012

Nossos pêsames aos familiares e amigos de RAIBRITO, como era carinhosamente chamado.

Um breve histórico de Raibrito

RAIMUNDO SOARES DE BRITO – Tinha 92 ano de idade. Nasceu no dia 23 de abril de 1920, na cidade de Caraúbas - RN. Filho de José Soares de Brito e Raimunda Saúl da Costa. Casado com Dinorah Brito, pais de Socorro Brito de Figueiredo e ‘adotivos’ do sobrinho Marcos Antonio.

 Raibrito em foto de Ricardo Lopes, durante lançamento do livro Eu, Ego e os outros.
Fonte:  www.clandestinorn.blogspot.com.br

Começou sua vida profissional como comerciante, e ingressou na vida pública como Agente de Estatística; posteriormente foi agente postal dos Correios e Telégrafos, Diretor do Museu Municipal de Mossoró e da Biblioteca Pública Ney Pontes Duarte; historiador, pesquisador, palestrante e conferencista.
Sócio das seguintes entidades culturais:
•    Instituto Cultural do Oeste Potiguar – ICOP;
•    Academia Mossoroense de Letras – AMOL;
•    Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN;
•    Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC;
•    Membro Honorário da Academia de Letras de Uruguaiana – RS.
Livros publicados:
•    Notícia biográfica de alguns patronos de ruas de Mossoró. ESAM, 1978.
•    Estudos de História do Oeste Potiguar. ESAM, 1979.
•    Alferes Teófilo Olegário de Brito Guerra - Um memorialista esquecido. 1980.
•    Uma viagem pelo arquivo epistolar de Adauto Câmara. 1981.
•    Pioneiros da História da Indústria e Comércio do Oeste Potiguar. ESAM/FGD, 1982.
•    Indústria e Comércio do Oeste Potiguar – Um pouco de história. ESAM/FGD, 1982.
•    Legislativo e Executivo de Mossoró numa viagem mais que centenária. ESAM/FGD, 1985.
 

•    Luiz da Câmara Cascudo e a Batalha da Cultura. FVR/CM.
•    Apostila do Afeto: Câmara Cascudo. FVR/CM.
•    Notas genealógicas sobre a família de Dona Amélia de Souza Melo Galvão. PMM/SEC, 1982.
•    Nas garras de Lampião (Diário do Coronel Gurgel) - (1996).
•    Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário). FVR/CM.
•    Eu, Ego e os Outros (Memórias de Tipos Populares). Editora Queima-Bucha / Petrobras.
•    AMOL – Seus Patronos e Acadêmicos. Editora Queima-Bucha / Petrobras.



*Com informações de Lemuel Rodrigues da Silva, Presidente da SBEC e do pesquisador e escritor Kydelmir Dantas.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

O ATAQUE DE LAMPIÃO À MOSSÓRÓ

Quarta teoria: O ataque resultou de um plano político (Parte 3)

QUESTÕES SEM RESPOSTA (continuação), SEGUIDO DE MASSILON E O PLANO DENTRO DO PLANO

Vigésima-quarta: nos primeiros dias de setembro de 1927 a fazenda Bálsamo, da família Hollanda, fronteira do Ceará com o RN, foi invadida pela polícia à cata de cangaceiros, à procura de Júlio Porto, Francisco Brilhante e dois irmãos seus, envolvidos no assalto a Apodi. Por que lá não estavam Massilon nem Décio Hollanda, o proprietário da Fazenda?

Vigésima-quinta: por qual razão os cangaceiros não atacaram a residência do Gerente do Banco do Brasil para sequestrá-lo em busca de resgate, como supostamente queriam fazer com o Prefeito?

Vigésima-sexta: a que se atribui a lenda de que Jerônimo Rosado, correligionário do Coronel Rodolpho Fernandes e personalidade influente em Mossoró desde os tempos do Coronel Francisco de Almeida Castro, líder político que havia falecido há pouco tempo, estaria por trás do ataque, e não permitira saque ao comércio? Seria em decorrência de sua estranha omissão quanto à defesa da cidade?


Jerônimo Rosado

Em relação a esta última questão, é interessante a transcrição, feita por Kydelmir Dantas [1], de uma entrevista com Jerônimo Lahyre de Melo Rosado, 78 anos, farmacêutico e funcionário público federal aposentado [2]:

E seus familiares, onde estavam?

“O velho Rosado, meu avô, com quem eu morava desde a morte do meu pai, Jerônimo Rosado Filho, não queria sair da casa do centro da cidade. Ele chegou a fazer uma seteira (buracos enviesados nas paredes da sala), pois queria se defender dentro de casa com a família. Duó (Duodécimo), seu filho, ponderou que ele deveria retirá-la para um lugar seguro, pois ele tinha muitas filhas e o bando era terrível. Então ele passou a transportar todos, em várias viagens de automóvel, na manhã do dia do ataque. Foram todos para o “Canto do Junco”, de propriedade do Sr. Dobinha, no caminho de Tibau. Imagine, umas casinhas de palha num descampado, sem proteção... Mas era fora da cidade. Na casa da rua só ficaram o velho Enéias, avô de Wilson Rosado, e seu Chico, antigo empregado da Farmácia, com as portas e janelas trancadas.”

E o que fizeram com ele? [3]

“Acho que pensavam que ele ia morrer; mas como isso não aconteceu, resolveram matá-lo, temendo que Lampião voltasse para buscá-lo. Aí, ninguém teria sossego. Natal reclamou muito porque ele foi morto. O Major Laurentino, de Mossoró, se justificou com esse argumento.”

Faz sentido o quê Lahyre de Melo Rosado diz, ou teria sido ele industriado por seu avô?

Elencadas todas essas indagações extremamente sérias e ainda não respondidas, que teimam em parecerem importantes na justa medida em que as outras teorias acerca da invasão de Mossoró por Lampião não se sustentam, como visto antes, passemos então para o “x” da questão, conscientes que os indícios existentes acerca do viés político no ataque são muitos, e o difícil é conectar os fatos e lhes dar unidade de propósitos, tornando verossímil a conjectura exposta a seguir.

Sabemos que quando da invasão de Apodi por Massilon, o projeto de atacar Mossoró já existia, como noticiou o jornal “O Mossoroense”, em 15 de maio de 1927 [4], insinuando, sem rodeios, que a invasão à cidade, a ocorrer em dias vindouros, integrava empreitada [5] (grifo do Autor) de grande vulto, e dele dera conhecimento, ao Coronel Rodolpho Fernandes, a carta de Argemiro Liberato.

Tudo isso foi abordado antes, neste livro.

Agora é preciso aprofundar o estudo do papel de Massilon no ataque a Apodi para, somente então, realmente começarmos a entender o cerne da teoria que atribui a um complô político o ataque de Mossoró por Lampião.

MASSILON E O “PLANO DENTRO DO PLANO”
                 
Para tanto, recordemo-nos que foi dito, antes, que a idéia de atacar Apodi e Mossoró não fora do Coronel Isaías Arruda. Do Coronel havia sido o planejamento e a “logística”, digamos assim.

A idéia do ataque a Apodi chegara ao Coronel Isaías Arruda por intermédio de Décio Hollanda, fidalgote de Pereiro, Ceará, levado a ele por José Cardoso, seu [6] primo, residente em Aurora, no mesmo Estado, e responsável por apresentar Massilon a Lampião [7].

Décio Hollanda era genro de Tylon Gurgel, o principal líder de oposição ao Coronel Francisco Pinto em Apodi, Rio Grande do Norte.


Casa de Tilon Gurgel em Pedra de Abelhas

Dá-nos conta de tudo isso o pesquisador Marcos Pinto [8]:

Em 10 de maio de 1927, a pequena e pacata cidade de Apody é assaltada por uma horda de cangaceiros comandados pelo célebre bandido Massilon Leite ou Massilon Benevides, chefiando parte do bando de Lampião [9].


Igreja Matriz de Apodi. Foto de 1918.

 A malta de desordeiros procedia do Pereiro, no Ceará, por determinação de Décio Holanda, Tilon Gurgel e Martiniano de Queiroz Porto, ferrenhos e virulentos adversários da família Pinto, do Apody.

Chegaram à cidade por volta das três horas da madrugada tendo início, de imediato, uma série de truculências, culminando com o assassinato do comerciante Manoel Rodrigues.

O bandido Mormaço, preso posteriormente nas imediações de Martins, RN, em princípio de junho, afirmou, em seu depoimento, que Décio Holanda os acompanhou até a fazenda Pau de Leite, próximo a Apody. Décio era genro de Tilon Gurgel.


Mormaço

De início os bandidos inutilizaram os aparelhos do telégrafo nacional. Dando seqüência à macabra missão de que estavam contratados, aprisionaram alguns cidadãos. Saquearam e incendiaram totalmente a casa comercial ‘Jázimo & Pinto’, da viúva do Coronel João Jázimo Pinto, a Senhora Isabel Sabina Filha, conhecida como Dona Bebela de João Jázimo.

Dentre os cidadãos presos estava o Coronel Francisco Pinto, prefeito municipal, que obteve sua liberdade mediante pagamento de vultuosa quantia e pela eficaz e enérgica intervenção do padre Benedito Alves, vigário da cidade, que intercedia piedosamente pelo preso já condenado à morte.

O ataque terminou às 11 horas, para alívio da pequena urbe oestana.

O eminente historiador Válter Guerra escreveu minucioso artigo sobre este episódio, intitulado “A Madrugada do Terror”, publicado no jornal “Gazeta do Oeste”.

Neste mesmo dia o Coronel Francisco Pinto enviou mensageiro especial a Mossoró, montado em fogoso alazão, com a missão de procurar o seu parente Rodolfo Fernandes e entregar uma missiva, com pormenores que soubera por terceiros, de que o celerado grupo de Lampião tencionava atacar Mossoró. O historiador Raimundo Nonato aborda este fato em seu livro ‘Lampião em Mossoró’, à pág. 53 [10].

Por ocasião do ataque, Apody assumira o aspecto de cidade saqueada e sitiada, invadida que fora pelos bandidos comandados por Massilon, deflagrando os mais hediondos crimes, enormes pela truculência e brutalidade com que foram perpetrados.

Esse episódio fora antecedido, em 12 de maio de 1925, pelo denominado “Fogo de Pedra de Abelhas”, também relatado na obra mencionada do historiador Marcos Pinto, e que tem relação direta com os acontecimentos acima relatados:

Neste dia ocorreu o famoso “Fogo de Pedra de Abelhas”. Os truculentos Décio Holanda e seu sogro Tilon Gurgel arregimentaram vultoso grupo de jagunços, em consonância com Martiniano Porto, primo do bandido Júlio Porto, componente do bando de Lampião, espalhando o terror em Apody e região.

Como era do seu dever, o Coronel João Jázimo comunicou ao governador José Augusto a triste e vexatória situação vivida no Apody e região circunvizinha. De imediato o chefe do Executivo Estadual encaminhou um contingente policial composto por 40 praças, comandado pelo Capitão Jacinto Tavares, exemplar oficial da Polícia Militar do Estado que ficou aquartelada em Apody.

Na manhã de 12 de maio a tropa dirigiu-se até a povoação de “Pedra de Abelhas” objetivando efetuar a prisão de Décio, Tilon Gurgel e toda a jagunçada. Antes da força policial chegar ao seu destino, já Décio era sabedor de que o contingente estava vindo ao seu encontro, por mensageiro enviado por Martiniano Porto.

Quando Décio preparava-se com seus “cabras” para empreenderem fuga rumo ao Ceará, eis que surge a tropa policial, travando-se cerrado tiroteio, culminando com a debandada da jagunçada rumo ao Rio Apody, morrendo na ocasião um “cabra” de Tylon Gurgel, por nome Mamédio Belarmino dos Santos, da família dos “Caboclos”, daquela paragem.

Após esse entrevero bélico, a tropa policial retornou ao Apody, com a missão de retornar no dia seguinte, o que não se efetivou pelas informações concretas de que o grupo armado se homiziara no Ceará.

Depois desta ocorrência coibitiva, voltou a reinar a paz naqueles rincões, mas não satisfeitos com a reprimenda policial, eis que Martiniano, Tilon, e seu genro Décio (primo do coiteiro Izaías Arruda, protetor de Lampião [11]) tramam e efetivam o famoso ataque de 10 de maio de 1927 à cidade do Apody, contando com o empenho de Massilon Leite, comandando parte do grupo de Lampião.

Continua...
[1] “MOSSORÓ E O CANGAÇO”; Coleção Sociedade Brasileira do Cangaço; volume V; Fundação Vingt-Un; Coleção Mossoroense; Série “C”; Vol. 950; junho de 1997; Co-edição com EFERN-UNED de Mossoró; Mossoró, RN.

[2] Jerônimo Lahyre era neto de Jerônimo Rosado com quem morava desde a morte de seu pai Jerônimo Rosado Filho. A entrevista foi concedida a Ilná Rosado.

[3] Jararaca.

[4] Sérgio Dantas, em “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”, obra citada.

[5] O termo utilizado foi exatamente esse.

[6] Do Coronel.

[7] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; Dantas, Sérgio; Cartgraf Gráfica Editora; 2005; 1ª edição; Natal, RN.

[8] “DATAS E NOTAS PARA A HISTÓRIA DO APODY”; Coleção Mossoroense; Série “C”; Volume 1.164; Mossoró, RN; 2001.

[9] Aqui há um evidente equívoco. Não se tratava de “parte do bando de Lampião”.

[10] Grifei.

[11] Aqui se trata de outro equívoco. Não havia qualquer parentesco entre Décio Hollanda e Isaías Arruda.
Está lá no Honório.com

sábado, 24 de novembro de 2012

Falando nisso...

Luiz Cazuza e as rapaduras de Lampião

Por Ângelo Osmiro Barreto



 


 


 


 


 



Só um capitulo do seu mais recente livro "ASSIM ERA LAMPIÃO e Outras Histórias ", pgs 169/174.


Escaneada por
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal/RN

Carta de agradecimento

Acervo de Hilário repousa no gabinete do coroné

Na tarde do último dia 20 de novembro o pesquisador e escritor Ângelo Osmiro foi intimado a comparecer na casa de Andrea Lucetti, filha do saudoso e também escritor cearense Hilário Lucetti. Cada visita feita ao velho amigo lhe contagiava e proporcionando mais conhecimento e dedicação pela pesquisa.

 Hilário Lucetti
 (1927 - 2007) 
Foto: Acervo da família

Esta ocasião não foi diferente, o coroné aumentou sua responsabilidade, pois acaba de receber dela e de sua mãe, dona Meire Lucetti, em nome da família, o restante do material que auxiliou Hillário Lucetti em sua produções literárias.

Trata-se de um baú constando alguns livros, uma coleção de Revistas "A Provincia", fotos, vários recortes de jornais e revistas que ele colecionava, além de algumas correspondencias (cartas) que Hilário recebia de pesquisadores. Estas evidente, recheadas de informações.

Repousar? Homi, é só força de expressão, quem visita o Gabinete do coroné em Fortaleza sabe que os livros estão sempre a mercê de consultas diárias para auxilio e troca de informações com toda a rede de cangaceirólogos. A pesquisa de Hilario está presente inclusive no mais recente livro de Ângelo Osmiro, "Assim era Lampião e outras histórias".
 

A primeira doação ocorreu em 2010 Clique e reveja a matéria

O presente artigo é uma simples forma de registrar a agradecer à família de Hilário Lucetti pela confiança e gentileza. 


Att Angelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE



-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
OBS. Para adquirir o novo livro de Ângelo Osmiro Clique Aqui e confira informações

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Documentário

"O Caldeirão do Beato José Lourenço". TV Assembleia do Ceará.
  
O Caldeirão de Santa Cruz do deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras do Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.

No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na religião.


Apresentação: Robério Diógenes

Participação especial dos pesquisadores e confrades de Cariri Cangaço Domingos Sávio Cordeiro e Sandro Leonel Tavares.

Primeira parte
  


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Fonte: Canal da TV Assembleia no Youtube

domingo, 18 de novembro de 2012

Cangaceiros de Lampiao "de A a Z"

É o mais novo livro de Bismarck Martins

Como conseguir dados e informações biográficas confiáveis dos cangaceiros que atuaram diretamente com Lampião, inicialmente, como  companheiro de grupos e depois de 1922 e até 1938 sobre suas ordens?

O autor usou como fontes, centenas de livros, revistas, jornais, processos criminais, entrevista com ex- cangaceiros , ex-volantes e seus familiares, coiteiros e roceiros, documentários, entre outros. Foram , aproximadamente, trinta anos de dedicação, trabalho,  pesquisa , paciência e sabedoria na montagem de cada peça desse quebra-cabeça com grau de dificuldade máxima.

Haja vista que, principalmente, os jornais, na sua grande maioria, eram ligados aos governantes e estes veículos de informações,  recebiam informações desencontradas e incompletas  do distante  e remoto interior.  Para completar o grau de dificuldade, podemos constatar  a existência de vários cangaceiros chamados Jararaca, Balão, Gavião, Moreno e tantos outros. Esta estratégia era uma prática de Lampião para despistar as baixas dos grupos cangaceiros. A existência dos homônimos, sempre foi  um  grande obstáculo   àqueles que se dedicam ao estudo da biografia dos “bandoleiros das caatingas”, pois somente resta, como norte, ao pesquisador,  a cronologia  e a geografia . Mas as dificuldades não abalaram a vontade e a determinação de Bismarck Martins, que conseguiu reunir um extraordinário conteúdo biográfico dos “Cabras de Lampião”.


Um trabalho sério, audacioso, que o autor dedica aos estudiosos, pesquisadores e a memória histórica destes personagens, que agiram no palco das caatingas e carrascais do cangaço lampiônico. O autor tem a consciência que essa obra será eternamente inconclusa, pois sempre haverá o que corrigir, alterar e acrescentar, pois as  informações sobre os cangaceiros são infinitas.

O autor  inicia sua obra dissertando sobre Lampião, sua infância e adolescência; os primeiros atritos com José Saturnino; a mudança da família Ferreira para o poço do Negro, próximo à vila de Nazaré, atual Carqueja; as divergência com os Nazarenos e a entrada definitiva dos irmãos, Virgolino, Antônio e Levino,  na vida bandoleira; as primeiras lutas com a polícia, em Nazaré e a mudança para Água Branca, em Alagoas.

Em seguida, os irmãos Ferreira  integram-se no bando dos Porcinos  e a morte dos pais. A entrada  de Lampião e seus irmãos no grupo de Sinhô Pereira. Continua a partir de 1922, quando Lampião passou a chefiar o grupo e iniciar uma nova fase do Cangaço Nordestino, o período do terror, com mortes, vingança e crueldade, tanto da parte dos cangaceiros como das volantes.

Na sequência, vem a longa relação de Cangaceiros  de Lampião, com os respectivos dados biográficos, notas e informações, que foram possíveis reunir. À primeira vista, parece monótona a leitura, mas se faz necessário repetir as informações sobre cada cangaceiro, pois não é um livro de leitura, e sim  um livro de consulta.

O livro tem 308 páginas... e atenção! baixou! Está saindo ao preço de R$ 35,00 (Trinta e cinco reais) com frete incluso.

Onde comprar? Com nosso revendedor oficial Professor Pereira através do E-mail fplima1956@gmail.com ou pelos tels. (83) 9911 8286 (TIM) - (83) 8706 2819 (OI)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

OS MISTÉRIOS DO ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ

Quarta e ultima teoria: O ataque a Mossoró resultou de um plano político (Parte I)

Por Honório de Medeiros

Questões sem resposta

Essa teoria vem sendo construída lentamente, ao sabor do tempo, pelos estudiosos do assunto, perplexos ante a imensa quantidade de fatos inexplicados alusivos ao ataque a Mossoró, aguardando quem se habilite a relacioná-los e, a eles, dar unidade, ou seja, coerência e completude.

Antes, entretanto, é necessário que sejam elencadas algumas indagações, até hoje não respondidas, acerca do episódio, para construir-se o contexto adequado à entrada na questão, melindrosa e complexa por sua própria natureza, tendo em vista os personagens que dela fazem parte direta ou indiretamente.

São elas:

Primeiro: estamos na última quinzena de abril de 1927. Argemiro Liberato, de Pombal, Paraíba, escreve a seu compadre Coronel Rodolpho Fernandes, e lhe põe a par da pretensão de chefes de bandidos daquela região de atacar Mossoró. Que chefes de bandidos seriam esses?

Como Massilon era chefe de bandidos, haja vista o ataque a Brejo do Cruz, no mesmo estado, e ligado aos detentores do poder na Região que incluía Pombal, teria ele essa pretensão [1]? Haveria relação entre essa pretensão de atacar Mossoró e o interesse de coronéis paraibanos, associados a norte-rio-grandenses, em relação a Apodi, Mossoró e o Rio Grande do Norte? Saberia a oposição ao Coronel Rodolpho Fernandes, que era ligada à oposição ao Coronel Francisco Pinto (líder político e Prefeito do Apodi), esta, por sua vez, ligada aos coronéis paraibanos, da existência dessa pretensão?

Coronel Chico Pinto

Segunda: por qual razão, Massilon não matou o Coronel Chico Pinto quando atacou Apodi, se aparentemente era esse o intuito? Bronzeado [2] não soube explicar.


Cangaceiro "Bronzeado"

O objetivo de Massilon, acertado com seus verdadeiros chefes e desconhecido de seus parceiros, teria sido apenas desmoralizar o Coronel Chico Pinto, preparando-se o caminho para se criar, na imprensa e população, a noção, a consciência da presença corriqueira do cangaço e cangaceiros no Rio Grande do Norte [3], banalizando possíveis homicídios por eles realizados, algo até então inexistente no estado, como preparativo para alguma ação específica a ser realizada durante o ataque a Mossoró?

Terceira: por qual razão o Coronel Rodolpho Fernandes estava em franco dissídio com o Governador José Augusto e seu chefe de polícia Manoel Benício de Melo [4], ao ponto de alertá-lo acerca de sua crescente impopularidade, tendo, inclusive, lhe ameaçado por duas vezes com um rompimento político, e quais as consequências desse litígio na política mossoroense e oestana?

Governador José Augusto Bezerra de Medeiros

Por qual razão foi sustado, na última hora, o embarque de policiais natalenses escalados para defenderem Mossoró [5]?

Quarta: quem era a oposição ao Coronel Rodolpho Fernandes que, na última quinzena de abril de 1927, em reunião por ele convocada, enquanto Prefeito, para expor o problema da futura invasão da cidade, desfruta do seu receio[6], ridiculariza suas advertências à população, critica suas providências tomadas, chama-o de velho medroso, semeia boatos e intrigas políticas na cidade, principalmente ameaças de que o Governo do Estado cogitava desarmar os civis que lhe eram afeiçoados?

Quinta: de quem teriam sido as “murmurações tendenciosas” que se seguiram ao discurso do médico José Fernandes Gurjão, orador que sucedeu Rodolpho Fernandes no dia 12 de junho, em reunião ao meio-dia, no salão da Prefeitura de Mossoró, mencionadas por Raul Fernandes [7], filho do Prefeito?

Sexta: por qual razão a edição de 15 de maio de 1927, quase um mês antes do ataque, do jornal “O Mossoroense [8]” insinua, sem rodeios, que a invasão a Mossoró, a ocorrer em dias vindouros, integra empreitada de grande vulto?

Sétima: saberia Lampião que sua incursão ao Rio Grande do Norte, Estado onde nunca estivera, a percorrer região plana, descampada, larga e extensa[9], sem elevações importantes desde Luis Gomes até Mossoró, tirante a Serra do Martins, feita com barulho, saques, depredações, tiros, mortes, contrariando toda sua experiência anterior, contaria com a omissão do Governo estadual?

Oitava: por qual razão o valor do “pedido” de Lampião ao Coronel Rodolpho Fernandes, quatrocentos mil réis [10], foi irreal, de tão exorbitante, induzindo a crença de que teria sido mera “cortina de fumaça”?

Nona: por qual razão Lampião não atacou a agência do Banco do Brasil em Mossoró, onde eram feitos os depósitos em dinheiro grosso de toda a região, e que no dia da invasão contava com mais de novecentos contos de réis em depósitos?

Décima: por qual razão Lampião não atacou o rico comércio da cidade, localizado em área razoavelmente distante da residência do Coronel Rodolpho Fernandes [11], conhecido por Massilon desde seus tempos de almocreve?

Décima-Primeira: por qual razão a residência do Coronel Rodolpho Fernandes foi o ponto preferencialmente visado pelos cangaceiros [12]?

 Residência do Coronel Rodolpho Fernandes, durante a invasão, 
vendo-se, ao fundo, a Igreja de São Vicente.

Décima-Segunda: por qual razão Massilon ficou responsável por atacar a residência do Coronel Rodolpho Fernandes pelos fundos (garagem), onde supostamente estava o ponto mais frágil da defesa do palacete, enquanto o grupo de Jararaca distraía, pela frente, os defensores, e Lampião, no cemitério, com o grosso do bando, apenas dava cobertura, ao invés de atacar o centro da cidade, onde se localizava o comércio?


[1] O episódio do ataque de Massilon a Brejo do Cruz, na Paraíba, foi explicado em textos anteriores desta série.

[2] “LAMPIÃO EM MOSSORÓ”; NONATO, Raimundo; sexta edição; Coleção Mossoroense; 2005; Mossoró. No famoso relatório da agência do Banco do Brasil em Mossoró referente ao primeiro semestre de 1927, da lavra de Jaime Guedes, então seu gerente, encontramos um trecho que traduz sua perplexidade com esse fato: “O assalto visava a morte e aplicação de surras em determinadas pessoas que o chefe do grupo, não se sabe por que, não levou a efeito” (“LAMPIÃO EM MOSSORÓ”; NONATO, Raimundo sexta edição; Coleção Mossoroense; 2005; Mossoró).

[3] Em tática de guerrilha esse tipo de ação se denomina “manobra diversionista”.

[4] Mirabeau Melo, chefe do telégrafo em Mossoró e irmão de Manoel Benício de Melo, atuava como informante local e porta-voz do governo, e era um medíocre intrigante, nos diz Paulo Fernandes, filho do Coronel Rodolpho Fernandes, em carta a Nertan Macedo, neste livro parcialmente reproduzida. Acerca de Manoel Benício de Melo nos informa o escritor Marcos Pinto: “Amigo HONÓRIO. Bom dia. Garimpando novidades no vetusto jornal "O MOSSOROENSE", edição de 18.03.1914, encontrei os laços da grande amizade entre FELIPE GUERRA (Felipe Guerra era casado com uma irmã de Tylon Gurgel) e BENÍCIO FILHO, sendo certo que o FELIPE foi padrinho de casamento do Benício que ocorreu em 14 de Março de 1914, em Mossoró. Escoimando-se os fatos ocorridos antes e depois do ataque de Lampião à Mossoró, o fato de que o Benício era o Diretor Geral da Segurança Pública do RN (cargo que corresponde ao atual de Secretário de Segurança), depreende-se que o mesmo deveria ter tido todo o empenho para o envio de força policial  para  guarnecer  Mossoró. Não o fez, de sorte que o nosso bravo Rodolfo Fernandes defendeu a cidade convocando amigos e civis voluntários. Ora, se o FELIPE GUERRA era compadre e amigo íntimo do Jerônimo Rosado, e exercia influência sobre o Benício Melo Filho, deve-se atribuir, dentre outros fatores, que o Felipe Guerra, já Desembargador desde 1919 e residente em Natal tenha traficado influência para que o Benício Filho adotasse posição pusilânime e que deixou muito à  desejar, em  relação  à  defesa   de  Mossoró. Qualquer  novidade enviarei pra Vosmincê. Abraço. Marcos Pinto.”

[5] Gil Soares nos conta esse episódio (“O PASSADO VISTO POR GIL SOARES”; MUINIZ, Caio Cézar; Coleção Mossoroense; Série “C”; V. 1.477; 2005; Mossoró): “Mas Cascardo preferiu manter à frente da Municipalidade o jovem médico Paulo Fernandes, já estudioso de problemas econômicos da região. Nomeado na segunda fase política da Interventoria Aluísio Moura, começara destinando à Associação de Damas de Caridade os subsídios do cargo. Quatro anos antes, seu pai, esse admirável Prefeito Rodolfo Fernandes – depois de sustado inexplicavelmente, à última hora, na estação ferroviária de Natal, o embarque de contingente da Política para enfrentar o numeroso bando de cangaceiros chefiado por Lampião (grifei) – organizara e dirigia, com recursos locais e a decisiva cooperação de numerosos habitantes, a defesa de sua cidade, sendo rechaçada, dentro das ruas, a horda invasora.” Raimundo Nonato: “No dia 13 de junho, Mossoró contava só com 22 soldados” (“LAMPIÃO EM MOSSORÓ”; Sexta edição; Coleção Mossoroense; 2005; Mossoró).

[6] Raul Fernandes em “A MARCHA DE LAMPIÃO”; Paulo Fernandes em carta a Nertan Macedo.

[7] Raul Fernandes em “A MARCHA DE LAMPIÃO”.

[8] Jornal dirigido por Rafael Fernandes, principal líder político situacionista mossoroense desde o falecimento do Coronel Francisco Pinheiro de Almeida Castro, e primo de Rodolpho Fernandes.

[9] Em quatro dias os cangaceiros cobriram aproximadamente 900 quilômetros entre ida e volta. Raimundo Nonato observa: “Constituída, em menor parte, de vasto descampado e larga área de terreno plano, quase sem outras elevações importantes, depois dos prolongamentos subordinados às ramificações e contrafortes das Serras de Luis Gomes e Martins, a região era precariamente escassa de abrigos e desprotegida aos elementos essenciais de amparo, defesa e esconderijos naturais” (“ LAMPIÃO EM MOSSORÓ”; Sexta edição; Coleção Mossoroense; 2005; Mossoró).

[10]  Para se ter uma idéia do valor do montante, em 1927, 1 (hum) mil-réis valia US$ 8.457 (oito mil, quatrocentos e cinquenta e sete dólares). Portanto Lampião exigiu US$ 3.382.800 (três milhões, trezentos e oitenta e dois mil dólares) ao Coronel Rodolpho Fernandes. Esse valor, corrigido pela inflação da moeda americana implicaria, hoje, maio de 2012, em U$ 43.130.700 (quarenta e três milhões, cento e trinta mil dólares). O cálculo foi feito de acordo com a TABELA DE CONVERSÃO DE MIL-RÉIS EM DÓLARES constante de “OS CANGACEIROS” (PERICÁS, Luiz Bernardo; Boitempo; 1ª edição; 20120; Rio de Janeiro) e http://www.dollartimes.com/calculators/inflation.htm

[11] Rodolpho Fernandes residia no “Bairro Novo”, distante do centro da cidade, quase deserto, nas vizinhanças da Igreja de São Vicente e próximo ao Cemitério.

[12] Jornal “O NORDESTE”, e Jornal “A REPÚBLICA”, este último colhendo depoimento do Professor Eliseu Viana (“LAMPIÃO EM MOSSORÓ”; NONATO, Raimundo; Sexta edição; Coleção Mossoroense; 2005; Mossoró): “O Sr. Prefeito da Cidade, Cel. Rodolfo Fernandes, a entidade mais visitada pelos bandidos (...)”. O próprio Rodolpho Fernandes assim aludiu ao assunto em correspondência a seu Compadre Almeida Barreto: “Pelos jornais terá lido que a 13 de junho, Lampeão atacou Mossoró, tendo de preferência cercado minha residência pela frente, pelo lado da casa de Alfredo e pelos fundos” (“RODOLPHO FERNANDES”; GASTÃO, Paulo; Coleção Mossoroense; Série “B”; nº 1.637; 1999; Mossoró.
Quarta e ultima teoria: O ataque a Mossoró resultou de um plano político (segunda parte)

Décima-terceira: por qual razão aqueles que atenderam ao apelo do Prefeito em defesa de Mossoró eram, em sua grande maioria, da família Fernandes ou seus correligionários, como os Duarte, enquanto a oposição sumiu?

Décima-quarta: por qual razão calaram-se o juiz e o promotor de Mossoró em relação ao ataque e à morte de Jararaca? Por qual razão o juiz da cidade não foi à reunião na casa de Rodolfo Fernandes, nem participou da defesa de Mossoró? 

Décima-quinta: por qual razão “Pinga-Fogo”, irmão de Massilon, este ligado aos Coronéis Quincas e Benedito Saldanha, estava sempre ao lado de Antônio Gurgel, irmão de Tylon Gurgel [1], e não dava a mesma atenção aos outros reféns [2]? Ordens de Massilon? Tylon Gurger era correligionário dos Saldanha e sogro de Décio Holanda [3].

Pinga-Fogo é o mais velho [4].

Décima-sexta: o que o Tenente Laurentino de Morais foi fazer em Natal, na terça-feira, dia 16 de junho de 1927, três dias depois do ataque a Mossoró, de onde voltou na quarta-feira, 17, e esperou a quinta, 18, para, alta hora da noite, comandar o assassinato de Jararaca [5]. Teria ido receber ordens de seus superiores?

Décima-sétima: por qual razão em 25 de junho de 1927 Sabino liberou “graciosamente” Antônio Gurgel do sequestro e ainda lhe deu dinheiro para sua partida [6]?



Antônio Gurgel


Décima-oitava: por qual razão Massilon se despediu de Lampião na Fazenda “Letrado” e não procurou, em seguida, o Coronel Isaías Arruda ou Décio Holanda?

Décima-nona: por qual razão o Coronel Rodolpho Fernandes publicou carta no jornal “Correio do Povo”, em 10 de julho de 1927, lamentando ter encontrado referências desairosas a sua pessoa e depreciação aos seus esforços pelas deliberações alusivas ao dia 13 de junho?

Vigésima: por qual razão Jararaca pediu a um policial, na tarde que antecedeu sua morte, para falar em particular com o Coronel Rodolpho Fernandes? O que Jararaca queria conversar em particular com o Coronel? Porque ele foi assassinado na noite seguinte ao pedido? Há alguma relação entre um fato e outro [7]?

Vigésima-primeira: por qual razão os executores de Jararaca não foram processados durante o Governo José Augusto e Juvenal Lamartine?

Façamos um intervalo e nos dediquemos a analisar o episódio da morte de Jararaca, que é bastante revelador.

Sérgio Dantas [8] nos conta, acerca do episódio, o seguinte:
(...) no mesmo dia em que fora preso, Jararaca concedera bombástica entrevista ao jornalista Lauro da Escóssia, do noticiário “O Mossoroense”. Não mediu palavras.

 Mais a frente, continua o historiador: 
 Jararaca pisou em terreno minado. Logo percebeu que tornara pública parte de uma teia intocável. Suas incisivas declarações puseram em dúvida a probidade moral de destacados chefes políticos de estados vizinhos. A repercussão das declarações, claro, fora inevitável. Decerto, o bandido temeu pela própria vida. Pressentira algum perigo. Chamou um militar, ainda cedo da tarde. Expressou-lhe o desejo de falar em particular com o Intendente Rodolpho Fernandes. O pedido, no entanto, lhe foi negado sem maiores explicações. A caserna tinha outros planos para o cangaceiro. À surdina, ensaiou conspiração. Tramaram abjeto extermínio e apostaram no sigilo. Sem mais demora executou-se o plano.
Em tudo e por tudo está certo Sérgio Dantas.

Somente errou ao afirmar que as declarações de Jararaca puseram em dúvida a probidade moral de chefes políticos de estados vizinhos, e por essa razão temeu pela própria vida.

Não colocou em dúvida a probidade moral de ninguém fora dos limites de Mossoró ou circunvizinhança, ou, se colocou, por certo sabia que esses chefes políticos tinham amigos poderosos em Mossoró e vizinhança. Colocou sim, provavelmente, em dúvida, a probidade moral de alguns próceres que estavam próximo, bem próximo a ele e aos fatos.

Como seria possível as declarações de Jararaca chegarem ao Ceará, se a alusão é ao Coronel Isaías Arruda, com a rapidez necessária para que Jararaca, ao perceber que falara demais, ficasse com medo de morrer? Naquele tempo não havia telefone. Havia telégrafo. Quem, no entanto, enviaria informações comprometedoras pelo telégrafo e, através dele, discutiria um plano para a eliminação do cangaceiro que envolvesse a Polícia, comandada pelo Tenente Laurentino de Morais e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte?

Tenente Laurentino de Moraes

Também não seria possível enviar, a cavalo ou de automóvel, notícias alusivas à entrevista de Jararaca para os estados vizinhos, em tempo suficiente – cinco dias - para que houvesse uma decisão acerca de sua eliminação pela Polícia do Rio Grande do Norte.

Não. O que Jararaca disse e o que queria dizer ainda mais ao Coronel Rodolpho Fernandes provavelmente incomodou alguém ou alguns que estavam por perto, perto o suficiente para querer, planejar e mandar mata-lo. Somente esta hipótese faz sentido em relação ao contexto que vem sendo montado a partir das indagações anteriores.

Finaliza o pesquisador Sérgio Dantas:
Jararaca sucumbira. Morreu porque sabia demasiado.

A seguir:

Findou o terrível salteador nas primeiras horas da manhã. Sua morte, entretanto, já havia sido decretada há dias. O laudo do exame cadavérico, por exemplo, fora assinado ainda na tarde do dia dezoito. E assim foi. Horas antes da execução e sob escuso pretexto de rotina, examinavam-se ferimentos de um corpo, sofridos durante uma batalha. Logo depois se chancelava, com base em conclusões médico-legais, documento de óbito de homem ainda vivo.
Vigésima-segunda: por qual razão as forças policiais sediadas em Mossoró obedeciam ao comando do oficial Abdon Nunes, e, não, ao Tenente Laurentino de Morais [9]?

Vigésima-terceira: por qual razão o laudo cadavérico de Jararaca foi assinado na tarde do dia 18 de junho, antes de sua morte [10]? De onde partiu a ordem para sua morte? Por qual razão o Juiz Eufrázio Mário de Oliveira não determinou que fosse aberto um processo-crime pela morte de Jararaca? Por qual razão o Promotor de Justiça Abel Coelho não apresentou Denúncia [11] quanto ao crime?

Continua...
[1] Tilon Gurgel do Amaral era irmão do memorialista, agropecuarista e pecuarista Antônio Gurgel, autor das célebres memórias do cativeiro ao qual o submeteu Lampião quando atacou Mossoró. “Nasceu no sítio Brejo, antes pertencente a Apodi, hoje município de Felipe Guerra, a 7 de janeiro de 1881. Faleceu em 22 de junho de 1968, sendo sepultado no dia seguinte em Felipe Guerra, cidade do seu nascimento” (“NAS GARRAS DE LAMPIÃO”; GURGEL, Antônio; BRITO, Raimundo Soares de; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.513; 2ª edição; Mossoró).

[2] Conforme comentário do próprio Antônio Gurgel em seu famoso diário do fato (ver “NAS GARRAS DE LAMPIÃO”; GURGEL, Antônio; BRITO, Raimundo Soares de; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.513; 2ª edição; Mossoró).

[3] Acerca de Décio Holanda, informa o escritor Marcos Pinto: “Prezado AMIGO HONÓRIO. Saúde e fraternidade. Estive conversando ontem com um filho de Tilon Gurgel por apelido caboclo, ocasião em que o interroguei acerca do lugar onde o cunhado dele DÉCIO HOLANDA residia quando faleceu.  Segundo o mesmo, o pai Tilon esteve visitando-o na cidade de Araguarí, na década de 40, em Minas Gerais, onde o Décio era próspero fazendeiro.  Afirmou o caboclo que o Décio está sepultado nesta cidade Araguari.  Sugiro que o amigo envide meios no sentido de conseguir uma segunda via do óbito do Décio, observando, todavia, que  o  mesmo  tinha  três  nomes:  DÉCIO  SEBASTIÃO DE  ALBUQUERQUE,  DÉCIO  HOLANDA  DE  ALBUQUERQUE  e  DÉCIO  ALBUQUERQUE DE   HOLANDA. Qualquer notícia inédita a enviarei pra Vosmincê. Afetuoso abraço, Marcos Pinto”.

[4] Quanto a essa fotografia, postada em meu livro “MASSILON” como sendo de Zé Leite, pai de Pinga-Fogo e de Massilon, recebi um e-mail do Professor e estudioso José Tavares de Araújo Neto, de Pombal, Paraíba, nos seguintes termos: “Prezado Professor Honório. Acuso o recebimento do livro, o qual ja entreguei nesta tarde ao Sr. Valdecir. Ele ficou radiante de alegria e pediu para eu retransmiti-lo os seus sinceros agradecimentos. Quanto à fotografia, ele disse que tinha 100% de certeza que Pinga Fogo é o senhor mais idoso que encontra-se a direita. Disse que a moça é filha de pinga fogo e chama-se Mista, mas não tem certeza se o senhor do centro é seu esposo ou irmão. Mas segundo Valdecir o certo é que Mista é sua prima, filha de seu tio Pinga Fogo. No Maranhão Pinga Fogo contituiu uma familia de 10 filhos, entre homens e mulheres. Valdecir disse que esta fotografia foi trazida do Maranhão  pelo seu tio Anezio e distribuida com os parentes mais proximos aqui na Paraiba e sua mãe ganhou uma dessa fotos! Sem mais para o momento, agradeço a atenção!”.

[5] Artigo de Lauro da Escócia, “Ataque de Lampião”, em “MOSSORÓ E O CANGAÇO”, SBEC, vol. V; Fundação Vingt-Un Rosado; Coleção Mossoroense; série “C”; volume 950; 1997; Mossoró, RN.

[6] Raimundo Nonato, “LAMPIÃO EM MOSSORÓ”.

[7] “MOSSORÓ E O CANGAÇO”, SBEC, vol. V; Fundação Vingt-Un Rosado; Coleção Mossoroense; série “C”; volume 950; 1997; Mossoró, RN.

[8] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”.

[9] Em 9 de janeiro de 2012 recebi, como comentário a texto postado em meu blog www.honoriodemedeiros.blogspot.com, a seguinte contribuição do Coronel Ângelo Dantas, autor de “Cronologia da Polícia Militar do Rio Grande do Norte”: “Amigo Honório: Sobre mais esse excelente artigo seu, desejo fazer alguns comentários. Por enquanto farei apenas um: Em relação à observação de nº 14 - quem dava as ordens era Laurentino ou Abdon Nunes. Esclareço o seguinte: O delegado e comandante da fração de tropa em Mossoró (em junho de 1927) realmente era o SEGUNDO (2º) TENENTE Laurentino Ferreira de Morais. O PRIMEIRO (1º) TENENTE Abdon Nunes de Carvalho estava ali apenas como reforço - tinha ido de Angicos para lá. Em razão de uma das pilastras básicas da vida militar (HIERARQUIA), necessariamente o PRIMEIRO tenente Abdon Nunes passou a ter SUPERIORIDADE sobre o SEGUNDO tenente Laurentino. Salvo engano tinha um outro 2º tenente empenhado na mesma operação. Assim, realmente quando Abdon Nunes chegou a Mossoró ele assumiu o comando militar local, por força do imperativo hierarquico reinante. Mas de fato e de direito a autoridade de policia judiciária continuou sendo o 2º tenente Laurentino Ferreira de Morais (pai do tenente coronel médico Leide Morais - já falecido, e avô do capitão médico da reserva não remunerada Kleber de Melo Morais - atual diretor da maternidade Januário Cicco). Hoje em dia os postos dos oficiais da PM são representadas por estrelas nos uniformes. Naquele tempo de Lampião as insignias eram representadas pelo chamado "Laço Hungaro". Particularmente eu acho muito mais bonito o laço. Espero ter contribuído de alguma forma. Grande abraço. Angelo Mário.”

[10] Sérgio Dantas, “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”.

[11] Sérgio Dantas me lembrou, por e-mail, que Raimundo Soares de Brito lhe dissera ter Vingt-Un Rosado, filho de Jerônimo Rosado, lhe informardo que os processos-crimes alusivos a esses crimes queimaram em um incêndio no Cartório local.  Não encontrei qualquer informação a esse respeito em lugar algum. Um interrogatório realizado em Mossoró, com Bronzeado, a mando da justiça de Pau dos Ferros, aparece isolado, fazendo parte do processo-crime lá instaurado. Claro que se houve esse incêndio, e não há registro de tal, nada impediria que os autos fossem refeitos e os responsáveis julgados.

Tá tudo aqui no Blog do confrade Honório

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Para todo Brasil!!!

Nesta Quinta-feira 15, Sedição de Juazeiro, estreia em rede nacional




Jonasluis DA SILVA, de Icapui conclama a nação. A TV Senado orgulhosamente apresenta para todo o Brasil, em canal aberto e TV por assinatura. A minissérie Sedição de Juazeiro: A guerra de 1914, em 4 capítulos. Estreia nesta Quinta 15 com reprise no Domingo 18. 

Na segunda década do século XX, o poder central no Brasil era exercido pelo chamado homem forte do regime, Pinheiro Machado, presidente do senado. O presidente da república, Hermes da Fonseca, homem medíocre e fraco, lhe era submisso. 

Cena da Minissérie
Pinheiro Machado trata de criar condições para, a menos de dois anos da sucessão presidencial suprema, substituí-lo com o apoio das chefias dos Estados. Em Juazeiro reúne-se uma assembléia estadual insubmissa, sob a presidência de Floro Bartolomeu, aliado do Senador Pinheiro Machado. Declara-se assim uma dualidade de poderes legislativos no Estado. Na segunda quinzena de janeiro de 1914, tropas enviadas de Fortaleza pelo governador Franco Rabelo atacam Juazeiro. Floro e seus soldados esperavam o ataque. 

As forças atacantes foram logo repelidas e postas em fuga. Os sediciosos de Floro Bartolomeu marcharam-lhes ao encalço e não deixaram pedra sobre pedra. Invadiram e saquearam sucessivamente o Crato, Barbalha, Missão Velha e Iguatu. Dali os combatentes de Floro tomam o trem e saem ocupando as cidades de Quixeramobim, Quixadá, Baturité, Redenção, até atingem a periferia da Capital, em Parangaba. O governo central decreta a intervenção federal no Ceará a 14 de março de 1914. 

Os jagunços de Floro Bartolomeu chegam a capital Fortaleza. Franco Rabelo embarca de volta ao Rio de Janeiro. Triunfa a SEDIÇÃO DE JUAZEIRO: A GUERRA DE 1914.

Espie o Trailer


Um trabalho produzido pela FGF-TV de Fortaleza e co produção da Laser Video Produções de cumpadi Aderbal Nogueira.

Quem me gritou foi confrade Jorge Remígio via Face