quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Novo livro na praça

"Curiosidades e fatos sobre Lampião"
Depois do escritor Ângelo Osmiro agora é a vez dos confrades cearenses e os que estiverem de passagem prestigiarem a noite de autógrafos do amigo Haroldo Felinto. Natural de Acopiara-CE, pesquisador e escritor presidente da ACE - Associação Cearense de Escritores e membro do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará. Não é o seu primeiro trabalho sobre o tema, em 2008 ele estreava com "Lampião, Cangaceiros, contos e coisas do Sertão".


Vera Ferreira, e o autor Haroldo Felinto.*
Haroldo Felinto nos traz nesse trabalho, baseado na leitura de vários livros que abordam o tema, alguns fatos referentes à vida pregressa de Virgulino ferreira da Silva, o Lampião. O autor não aborda a história cronologicamente, nos trazendo assim, fatos esparsos desse movimento que abalou o Nordeste brasileiro.

Algumas narrativas aqui encontradas estão próximas das lendas, enquanto outras devidamente comprovadas historicamente. Mas de uma forma ou de outra arraigada na memória do povo nordestino.

A pretensão do autor, percebe-se, não é nos trazer fatos novos ou revelações, seu propósito é de maneira leve, sucinta, sem o compromisso científico do historiador, mas com a pena do cronista, apresentar fatos da vida do maior bandoleiro do sertão"

(Trecho do Prefácio por Ângelo Osmiro Barreto).
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"Curiosidades e fatos sobre Lampião" Editora Premius, 206 páginas. O lançamento será neste sábado dia 29/09 na Rua General Sampaio, 1128 - Centro - Fortaleza, CE.

Você que não poderá comparecer pode adquirir o seu agora, ao valor de R$ 30,00 (Trinta reais) com frete incluso, através do E-mail franpelima@bol.com.br ou pelos tels. (83) 9911 8286 (TIM) - (83) 8706 2819 (OI).

Abraços Professor Pereira!

*Vera Ferreira é neta de Lampião e Maria. Foto pescada in: Blog da A.C.E.

Super tiras

Enquadrando o cangaço

por Paulo Goethe

No especial do Jonal Diário de Perambuco produzido em 2008 sobre os 70 anos da morte de Lampião, uma das coisas mais legais dos quatro cadernos publicados no mês de julho daquele ano foi criar as histórias em quadrinhos idealizadas para fechar a contracapa de cada edição. Da ideia à concepção, restou pouco tempo para a execução. O diretor de arte Christiano Mascaro indicou o ilustrador Greg Holanda para a empreitada.


Nunca havia feito texto para quadrinhos e confesso que não é fácil. É preciso ter uma memória visual para que o texto dê margem às imagens do artista. Greg foi fera. Com pouco mais de uma semana, ele conseguia concluir uma história. Os temas seguiram uma ordem cronológica. A primeira narrativa de página inteira, Terror em Água Branca, destaca o primeiro grande ataque de Lampião. No município alagoano de mesmo nome, ele conseguiu roubar as joias da baronesa e ficar conhecido em todo o Nordeste.



A segunda história, A morte veio de rede, retrata o drama vivido por Lampião ao perder o seu irmão, Antônio Ferreira, num acidente depois de uma grande batalha. Ao se levantar de uma rede, disputada com o cangaceiro Luiz Pedro, Antônio Ferreira morreu de um disparo acidental. Lampião, ao invés de matar Luiz Pedro por causa da brincadeira mortal, diz que ele vai ocupar o lugar do irmão. E isto se dá até o momento do ataque em Angicos. Promessa é promessa.


O terceiro episódio, Amor sangrento, narra o drama da morte de Lídia, a companheira de Zé Baiano, considerado o mais brutal dos cangaceiros, o ferrador de mulheres. Por ter sido flagrada traindo o marido brabo com Bem-te-vi, ela se recusou a se entregar a Coqueiro, o cangaceiro delator. Bem-te-vi nunca mais foi visto, Coqueiro foi executado por ser traíra, e Lídia ficou para enfrentar seu destino. Dizem que Zé Baiano chorou depois de matar a mulher a pauladas. Dizem.


A última história, Vingança do “diabo”, narra a reação de Corisco ao saber da morte de Lampião. Ele mata e corta as cabeça de uma família inteira que julgava ter delatado o maior dos bandoleiros. Seis pessoas são degoladas e as cabeças enviadas para o tenente Bezerra, o homem que comandou o ataque em Angicos. Pode-se ver claramente a evolução da parceria com Greg. As imagens estão com mais riqueza de detalhes.

Tanto foi assim que Greg conseguiu o terceiro lugar no Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro com Vingança do “diabo”, na categoria "Desenho de humor". Não sei onde viram o humor, mas o desenho estava lá. Vocês é que podem julgar. Sou suspeitíssimo para elogiar.

Sobre o autor:  Paulo Goethe, 44 anos, no Diario de 1990 a 1997 e desde 2001


Pesquei no: Diário de Pernambuco

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Bonita Maria do Capitão está no páreo

Obra patrocinada pelo Banese é finalista do Prêmio Jabuti

 Vera Ferreira e Germana Araújo, autoras do livro Bonita Maria do Capitão.
(Foto: Divulgação)

O livro Bonita Maria do Capitão, que contou com o patrocínio do Instituto Banese (Banco do Estado de Sergipe) e do Banese Card, é finalista do Prêmio Jabuti 2012, um dos mais importantes da literatura brasileira. A publicação, que trata da história de Maria Bonita, mulher do capitão Virgulino Ferreira da Silva, o famoso cangaceiro Lampião, ficou entre os 10 melhores livros do Brasil em duas das 29 categorias do Prêmio Jabuti: Capa e Projeto Gráfico.

Organizado pela neta de Lampião e Maria Bonita, Vera Ferreira, e pela pesquisadora e designer Germana Gonçalves de Araújo, o livro mostra a participação de Maria Bonita nas artes, a sua presença na música, no cinema, no teatro, dança e xilogravura. “O livro é uma obra de arte, que atesta o trabalho criterioso de Vera Ferreira e a competência técnica e o apuro estético do talento de Germana”, afirma o superintendente do Instituto Banese, Ézio Déda.

De acordo com Ézio, o Banese tem feito investimentos em projetos significativos que estão se destacando no cenário cultural sergipano e nacional.

“O projeto de restauração do Museu da Gente Sergipana está entre os três finalistas do Prêmio Nacional O Melhor da Arquitetura 2012,  cujo vencedor será anunciado em uma solenidade no Memorial da América Latina, no próximo dia 30 de outubro. Agora, recebemos esta boa notícia sobre a publicação Bonita Maria do Capitão”, festejou Ézio ao informar que o resultado final do Prêmio Jabuti será divulgado no dia 18 de outubro de 2012.


Pesquei em: Infonet

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

João Sá e Virgulino

Encontro do Coronel e do cangaceiro

Por Rostand Medeiros

Lampião e seu bando, depois de vários anos atuando nos sertões dos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, passaram a sofrer uma grande perseguição dos aparatos policiais destes estados.


Jornal recifense “A Província”, 
edição de sexta feira, 28 de agosto de 1928, 1ª página.

Ciente da perseguição que as volantes infligiam a seu debilitado grupo, Lampião precisava de repouso para repor as energias, recrutar novos homens e procurar novas áreas de atuação. Nesse sentido, em agosto de 1928, ele resolveu atravessar o grande Rio São Francisco e se internar nos sertões baianos.

Em um primeiro momento, buscando refúgio nas fazendas de novos amigos, Virgulino Ferreira da Silva, o nome real do “Rei do Cangaço”, encontrou nestas paragens a almejada paz para recompor suas forças.

Primeiramente a polícia da Bahia fez vista grossa em relação ao ilustre visitante. Lampião aproveitou para firmar contatos, compor alianças, ampliar sua rede de coiteiros que lhe dariam apoio e proteção.
Propalou que estava “em paz” no território baiano, utilizava a velha cantilena que “havia entrado no cangaço pelos sofrimentos sofridos pela sua família” e que se “houvesse condições”, ele largaria aquela vida em armas e buscaria ficar em paz.

Mesmo divulgando estas novas intenções, não deixou de coagir os fazendeiros baianos, pedindo para estes lhe “ajudar” no sustento do seu bando.

E assim, ao seu modo, durante quase três meses, Lampião e seus cangaceiros viveram tranquilos junto ao povo do sertão da “Boa Terra”.

Foto famosa

Sua primeira aparição pública ocorreu na antiga vila do Cumbe, atual município de Euclides da Cunha, em um sábado, dia 15 de dezembro de 1928.

Ali não houve alterações. Mas o chefe não deixou de fazer uma arrecadação pecuniária com os abonados do lugar e chegou até mesmo a almoçar e beber cerveja com o delegado. A tranquilidade era tanta que deu até para alguns alfaiates do lugar confeccionar novos uniformes para seus homens.

Depois do Cumbe os cangaceiros seguiram para a cidade de Tucano, onde novamente nada de anormal ocorreu. Ali os bandoleiros das caatingas chamaram a atenção de todos, tratavam todos bem e foram bem acolhidos pelos moradores.


Mercado Público de Ribeira do Pombal na década de 1950.

Para Oleone Coelho Fontes, autor de “Lampião na Bahia” (4ª Edição), após a estada em Tucano, o chefe cangaceiro e seus homens, seguiram em direção nordeste, por cerca de 40 quilômetros, até a vila, atualmente município, de Ribeira de Pombal, já próximo a fronteira sergipana. Para este deslocamento consta que Lampião obrigou o padre de Tucano a ceder o seu carro e um motorista.
Segundo o pesquisador baiano, o chefe e mais sete cangaceiros chegaram ao lugarejo às seis da manhã do domingo, 16 de dezembro. Os moradores locais sabiam através da passagem de viajantes, que Lampião encontrava-se em Tucano e que certamente logo chegaria a Pombal.

O intendente local era Paulo Cardoso de Oliveira Brito, mais conhecido como Seu Cardoso, e foi ele quem recebeu Virgulino e seus homens.

Foi ofertado café a todos os bandoleiros e Lampião avisou que não queria brigar com os poucos policiais que estavam de serviço no lugarejo, comandados pelo cabo Esmeraldo. Com a boa hospitalidade oferecida, Lampião se sentiu a vontade e logo procurou saber se havia um fotógrafo no lugar.

A famosa foto de Lampião e seu bando, batida por Alcides Fraga em Ribeira do Pombal e divulgada na edição de quarta feira, 30 de janeiro de 1929, no jornal carioca “A Noite”. Coloquei a notícia na íntegra para que seja visto e analisado o cangaceiros ali nomeados.

Foi chamado Alcides Fraga, alfaiate e maestro da Filarmônica XV de outubro, que prontamente bateu uma chapa. Esta é uma das mais célebres fotografias do ciclo do cangaço, que inclusive circulou com destaque em jornais do Rio de Janeiro, em janeiro de 1929.

Por volta de oito horas da manhã o bando saiu da vila, acompanhados do cabo Esmeraldo, partindo em direção destino ao município de Bom Conselho, atual Cícero Dantas, 30 quilômetros em direção nordeste.

Bom Conselho, atual Cícero Dantas, na década de 1950.

A chegada dos cangaceiros ocorreu em um dia de feira, com o cabo baiano já rouco de tanto gritar: – Viva Lampião! – Viva o Capitão Virgulino!

Apesar deste detalhe, a única outra alteração praticada pelos cangaceiros, foi terem se apoderado dos fuzis dos quatro soldados da polícia baiana destacados no lugar.
Após saírem de Bom Conselho, ainda motorizados, o bando seguiu em direção mais ao norte, cerca de 40 quilômetros, para um pequeno aglomerado de casas denominado Sítio do Quinto.

A hora exata que os facínoras chegaram de caminhão a esta localidade não sabemos, mas lá onde procuraram a casa de José Hermenegildo.

Por volta da meia noite de 16 para 17 de dezembro de 1928, um pequeno automóvel modelo Ford, que transportava três homens, também chegou ao mesmo lugar.

Ao encontro do perigo

Enquanto Lampião e seus homens passavam por Pombal, Bom Conselho e chegavam a Sítio do Quinto, da cidade baiana de Jeremoabo, cerca de 50 quilômetros ao norte, partia um automóvel conduzindo três homens, entre estes estava um dos mais importantes coronéis do interior baiano.


Este era João Gonçalves de Sá, referência regional, prestigiado líder político e rico proprietário de muitas fazendas com grande extensão territorial, que englobava muitos dos municípios da região Nordeste da Bahia. Naquele dezembro de 1928 o coronel João Sá exercia os cargos de presidência da Intendência de Jeremoabo e, pela segunda vez, o mandato de deputado estadual pelo legislativo baiano.

Junto ao coronel João Sá seguia seu pai Jesuíno Martins de Sá e um dos secretários da Intendência de Jeremoabo, o jovem José da Costa Dórea. O destino de todos era Salvador, onde o trajeto naquele tempo exigia seguirem pelo território sergipano e depois todos continuariam o trajeto por via ferroviária, utilizando os trens da ferrovia conhecida como Leste Brasileira.

Segundo nos conta Oleone Coelho Fontes, no capítulo 5 do seu livro “Lampião na Bahia”, através de extenso relato descritivo feito por Dórea (e até hoje, aparentemente, inédito na sua íntegra), devido a um problema mecânico no automóvel, a viagem foi realizada a noite, tendo a saída ocorrido às seis horas.
Mesmo sabendo que o grupo de Lampião circulava pela região, o coronel Sá confiou que guiando durante grande parte da noite, seguindo pelas antigas estradas poeirentas da região, eles poderiam passar despercebidos pelo bando.

Ao realizarem uma parada para tomar café na fazenda Abobreira, o medo de um encontro com Lampião e seus cangaceiros se tornou mais real, pois o proprietário do lugar, José Saturnino de Carvalho Nilo, confirmou que eles estavam nas redondezas. Mesmo assim seguiram adiante, em direção ao lugarejo Sítio do Quinto.

Já na edição do dia 30 de dezembro de 1928 do jornal carioca “A Crítica” (cujo proprietário era o pernambucano Mário Rodrigues, pai do dramaturgo Nelson Rodrigues), na sua página 5, encontramos um relato inédito sobre o encontro do coronel João Sá com Lampião e seus homens.





Nas duas descrições desta aventura, consta que os viajantes de Jeremoabo, ao entrarem no pequeno arruado, viram diante de uma casa um veículo parado, com alguns homens ao seu redor.
A reportagem do jornal carioca informa que um deles estava com um candeeiro. O coronel João Sá imaginou que a casa onde o veículo e os homens estavam deveria oferecer algum tipo de apoio aos viajantes.

Após brecarem, os passageiros do Ford foram cercados por homens armados e intimados a informarem quem eram. Após isso o coronel João Sá descobriu que estava diante do cangaceiro Lampião. E como para confirmar, o homem armado aproximou o candeeiro de seu rosto, mostrando a característico defeito em seu olho.

Momentos entre o Coronel e o Cangaceiro

Em um primeiro momento o medo e o pavor com o que iria acontecer tomou conta dos viajantes, mas o chefe cangaceiro, prontamente lhes garantiu que nada de ruim lhe aconteceria.
Conduzidos por Lampião e seus homens, todos entraram na casa de José Hermenegildo e foram se acomodando em cima de sacos de algodão e de peles de animais, que na época era um produto mais fácil de encontrar no sertão e tinha mercado nas capitais.

O informante Dórea afirma que em certo momento Lampião chamou o coronel João Sá para uma conversa particular na parte de fora da casa, fato que o deixou assustado, imaginando que o chefe político de Jeremoabo seria fuzilado. Mas nada aconteceu.

Enquanto isso Dórea e Jesuíno Martins de Sá, então com 76 anos, entabulavam conversa com alguns cangaceiros, entre estes o irmão do chefe, Ezequiel, conhecido pela alcunha de Ponto Fino. Dórea afirmou que o coronel João Sá não transportava dinheiro vivo, apenas ordens bancárias, assim este lhe chamou fora da casa e lhe solicitou 200$000 réis para dar a Lampião. Este por sua vez deixou que os viajantes do Ford escrevessem cartas as suas famílias, que um portador levaria as missivas para Jeremoabo.


As duas versões apontam que em dado momento a tensão se desvaneceu e o clima ficou mais tranquilo. Segundo o coronel João Sá observou, e assim ficou registrado no jornal carioca, os cabelos do chefe cangaceiro chegavam aos seus ombros, seu uniforme de mescla azul se mostrava já bastante gasto e Lampião trazia um semblante abatido.

Na sequência Lampião pediu a José Hermenegildo que colocasse três redes para acomodar a ele, ao coronel e a seu pai no mesmo quarto. Neste momento o líder político do Nordeste da Bahia pediu ao maior cangaceiro do Brasil que narrasse a epopeia de sua vida. Lampião descreveu as perseguições que sofreu ao longo da vida como bandoleiro das caatingas, mas que estava “a fim de descansar” no sertão baiano.

O coronel João Sá descreveu nas páginas de “A Crítica” que depois das narrativas feitas por Lampião, este foi dormir. Mesmo com a vida atribulada que levava, em meio a tantos combates e com tantas mortes nas costas, o coronel descreveu que o chefe cangaceiro dormiu um “sono profundo”. Mesmo estando em companhia de estranhos “adormeceu como um justo”. Logo todos os homens, “cavaleiros e salteadores”, como descreveu a reportagem, dormiram “confiantes e tranquilos”.

No “tranco”

No capítulo 5 do livro de Oleone, o texto em que José da Costa Dórea conta este episódio sobre Lampião, este afirma que foi ele quem fez a solicitação para que o chefe cangaceiro narrasse a sua vida e que anotou tudo em um bloco escolar.

O livro de Oleone Coelho Fontes, “Lampião na Bahia”. 
Para mim esta é uma das obras mais inspiradoras e interessantes sobre o tema cangaço.

Segundo a opinião do autor de “Lampião na Bahia”, esta entrevista é seguramente a mais longa que o “Rei do Cangaço” fez em toda a sua vida e que seria parte integrante de um livro de Dórea intitulado “Vida e morte do cangaceiro Lampião”. Vale ressaltar que Oleone Coelho Fontes informou em seu livro possuir os originais deste material, mas que, salvo engano, até o momento continua inédito.

Nas páginas de “A Crítica”, nos primeiros albores da manhã, após o despertar, o coronel João Sá comenta a Lampião que na condição de deputado estadual teria de informar as autoridades sobre aquele encontro. Consta que Lampião não se alterou com as palavras do político baiano.
Quando o coronel deu na partida do seu automóvel, provavelmente devido ao frio noturno do sertão, a máquina não pegou. Na mesma hora, vários comandados de Lampião deram uma mãozinha ao coronel João Sá, empurrando o carro que pegou no “tranco” e estes seguiram viagem.

Simpatia ou necessidade?

Dali Lampião continuaria seu caminho pela Bahia e logo a sua lua de mel com os habitantes daquele estado estaria encerrada. O fato se deu com o combate ocorrido no lugar Curralinho, no dia 28 de dezembro de 1928, onde foram mortos o sargento José Joaquim de Miranda, apelidado “Bigode de Ouro” e os soldados Juvenal Olavo da Silva, e Francellino Gonçalves Filho. Depois destas primeiras mortes na Bahia, Lampião e seus homens, ainda no primeiro semestre de 1929, cobrariam um alto preço a polícia baiana. Logo veio o combate do Arraial de Abóbora, em Jaguarary, hoje povoado de Juazeiro, ocorrido no dia 7 de janeiro e que ocasionou a morte de dois soldados. Depois veio Novo Amparo, no dia 26 de fevereiro de 1929, com a morte de mais outros dois soldados. Ainda no primeiro semestre de 1929 temos o sangrento combate do Brejão da Caatinga, município de Campo Formoso, no dia 4 de junho, com a morte de um cabo e quatro soldados.

Quanto ao coronel Sá e sua família, segundo Oleone Coelho Fontes afirma em seu livro (Pág. 39), enquanto Lampião na Bahia jamais ocorreu nada com suas terras e seus protegidos. O pesquisador afirma que, fosse por simpatia, ou por necessidade de preservar seus bens, ou por ter vislumbrando vantagens outras nesta aliança com o grande cangaceiro, o coronel Sá se tornou um dos mais importantes protetores de Lampião na Bahia.

E tudo aparentemente começou naquele encontro divulgado até em jornais cariocas.


Pesquei no: Tok de História

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Nordeste em fúria

Historiador Ângelo Osmiro Barreto reconstitui episódios da história do cangaço, para além de Lampião

Por Adriana Martins
REPÓRTER/Diário do Nordeste


Ângelo Osmiro em foto de Manoel Severo.
Durante a pesquisa para a construção do livro, o autor foi alvo de críticas vindas tanto de amigos quanto de membros da academia: "A violência com certeza é inerente ao cangaço, naquele período a lei do mais forte imperava"

Nem só de Lampião se fez o cangaço. Foi dessa premissa que partiu o historiador Ângelo Osmiro Barreto para escrever o livro "Assim era Lampião e outras histórias", cujo lançamento aconteceu na última terça-feira 18. A partir de pesquisa bibliográfica e de campo, Barreto percorre o rico universo do sertão nordestino entre meados do século 19 até os anos 1930 - período em que a região padeceu sob os conflitos entre coronéis e cangaceiros, alimentados pela ausência do poder público.

A delimitação temporal adotada por Barreto toma como referência, em parte, a morte de Lampião, assassinado junto com integrantes do seu bando em 1938, em uma fazenda no sertão de Sergipe. "Embora não tenha sido o único personagem do cangaço, é um dos principais, o que mais percorreu Estados e que, por isso, o que mais deixou miséria pelo que fez", justifica o historiador.

O raciocínio de Barreto vai na contramão da romantização empreendida por muitos dos produtos culturais sobre o cangaço - desde músicas até filmes, livros, cordéis e outros. "Lampião não foi um herói que lutou contra os coronéis, assim como nenhum outro cangaceiro", frisa ele.

No texto de abertura do livro, o autor complementa a argumentação: "A violência com certeza é inerente ao cangaço, naquele período a lei do mais forte imperava, onde o Estado pouco ou nada contribuía para a melhoria de vida das pessoas, o poder do coronel representado pelo tamanho de suas terras e o número de seus jagunços era de fato a lei".

Exatamente pelo fator da violência, Barreto acredita serem importantes as pesquisas sobre o cangaço - tema que precisou justificar repetidas vezes frente aos olhares e comentários de desmerecimento lançados por alguns amigos e até por colegas acadêmicos.

Para ele, no entanto, pesquisar o cangaço não significa endossar, mascarar ou romantizar a violência característica desse universo. "Deve-se estudar o cangaço assim como outros períodos e episódios de nossa história, que nos ajudam a entender o Nordeste e o Brasil. Ao mesmo tempo, as pesquisas permitem corrigir as distorções sobre as figuras desse universo, a exemplo do ´heroísmo´. Por fim, entender o cangaço ajuda a evitar que se cometam os mesmos erros", explica.

A paixão pelo cangaço vem desde a adolescência, graças, em parte, à coleção de livros formada em casa pelo pai professor - entre eles, alguns volumes sobre o tema. "Depois de me afastar por um tempo, retomei as leituras sobre o assunto e me interessei em conhecer os locais onde ocorreram os episódios", conta.

Foi essa paixão que levou Barreto à presidência do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará (GECC); antes, também foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC).

Continuação

As pesquisas para "Assim era Lampião e outras histórias" são, na verdade, uma continuação daquela iniciada para o primeiro livro de Barreto, "Curiosidades do Cangaço" (2002). "Após um intervalo que se segue ao lançamento, volta-se a coletar informações e entrevistas, a viajar. É um trabalho contínuo", esclarece.

Entre essas viagens estão passagens por locais onde aconteceram episódios relevantes ou onde nasceram, morreram ou ainda residem personagens relacionados ao cangaço. "Fomos, por exemplo, em Angico, hoje uma fazenda no interior de Sergipe, onde ocorreu a chacina do bando de Lampião", cita Barreto.

"Lá conversamos com ex-policiais, inclusive com a pessoa que arrumou as cabeças degoladas dos integrantes do bando na escadaria da Prefeitura de Piranha, cidade alagoana localizada na divisa com Sergipe. À época, esse indivíduo contava com mais de noventa anos. Faleceu 2010", recorda o historiador.

A lista de entrevistados inclui ainda ex-cangaceiros, ex-soldados volantes (como se chamavam as tropas que combatiam cangaceiros) e sertanejos em geral, "os que mais sofriam pela situação, fosse com a polícia, fosse com os cangaceiros", lamenta. A variedade de personagens enfatiza a percepção sobre a pluralidade do cangaço, "que não é só Lampião. Para entender o tema é preciso explorar a religiosidade, a política e outros aspectos, a partir de personagens como Padre Cícero, coronéis e outros", ressalta Barreto.

Essa mesma pluralidade também garante o interesse do público geral pelo livro, não apenas de outros pesquisadores, historiadores e profissionais da área. "Embora seja um trabalho mais aprofundado que o primeiro, não chega a mergulhar fundo em todos os aspectos do cangaço, mesmo porque isso não caberia em um único livro", destaca o autor. Um exemplo de "personagem-satélite" é Zé Saturnino, inimigo de Lampião. "Nos anos 1990 conheci Luiz Cazuza, que morreu em 2011, quase com 101 anos, porém lúcido.

Ele era sobrinho de Saturnino, no livro conto um pouco de sua trajetória no período do cangaço, de seu contato direto com Lampião", comenta Barreto.

No Ceará, o autor visitou Limoeiro do Norte e Juazeiro do Norte - foi nessa última que, em 1926, Lampião recebeu do batalhão patriótico a patente de capitão, além de armas e munição, sob pretexto de combater a Coluna Prestes. "Mas ele nunca fez isso", adverte o autor. "A partir desse momento ganhou a alcunha de capitão Virgulino Ferreira da Silva". Em Juazeiro, porém, as pesquisas foram feitas em livros e documentos no Arquivo Público, ou com pessoas quer conheceram outras que estiveram entre os conflitos. "Daqui para frente essa será a regra. Indivíduos que tenham vivido naquela época estão morrendo por conta da idade. Ficam os descendentes", observa Barreto.


Serviço

"Assim era Lampião e outras histórias"
Ângelo Osmiro Barreto
LC Gráfica e Editora
2012, 238 páginas
R$ 35 (com frete incluso)


Contato para aquisição
Email : angelosmirio@zipmail.com.br
Fone  : (85) 9987 1646


Matéria do Diário do Nordeste enviada pelo Coroné Osmiro

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Faca cega... Fé amolada

Antônio  Silvino e a Rolinha "menininha"

O célebre "Governador do Sertão" foi o cangaceiro que cumpriu maior pena, pelos crimes cometidos durante o ciclo do cangaço em que conviveu. Pagara pelos seus crimes 23 anos, dois meses e 18 dias de prisão, nas dependências imundas da velha Casa de Detenção do Recife.

Cliquem para melhor visualização e leiam abaixo um texto extraído do magnífico livro : "Antônio Silvino, o cangaceiro, o homem e o mito ", página 238,  do renomado autor  e pesquisador, Sérgio Augusto de Souza Dantas.




Matéria sugerida pelo confrade: Ivanildo Alves  Silveira
Colecionador do cangaço, Membro  da  SBEC e do Cariri-Cangaço
Natal/RN

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Relíquias do Cangaço

Uma oferenda de apetrechos 
Cobiçados por colecionadores, os objetos do grupo do cangaceiro Lampião foram disputados por autoridades políticas e intelectuais

Por: Davi Roberto Bandeira da Silva,
para a Revista Leituras da História, Edição 52 - Agosto de 2012.

O hábito de organizar coleções de objetos de arte, raros ou exóticos, ou de amostras reunidas por curiosidade científica era comum na Grécia e Roma antigas, segundo referências que se estendem de Homero (século 9 a.C.) ao ano 125 da Era Cristã, quando morreu Plutarco. Logo, as coleções se formavam a partir da época helenística, e daí passaram à Roma do fim da República e do Império. Portanto, é bastante remoto o gosto de colecionar, especialmente com a preocupação de guardar o testemunho do passado, em que pudessem ser admiradas e estudadas as coleções de objetos históricos.

A morte do cangaceiro Lampião (1898-1938) é um assunto polêmico. Para alguns, revestido de grande complexidade, de inimagináveis controvérsias. Fato é que o ataque, em 28 de julho de 1938, da tropa do 2º Batalhão Policial Militar de Alagoas ao esconderijo Angico, sertão de Sergipe, onde descansavam Lampião, Maria Bonita (1910-1938) e toda a patota, liquidou 11 cangaceiros no confronto - se é que houve realmente confronto. Mas qual o destino dos objetos que estavam com os cangaceiros derrotados em Angico?

Após a refrega, o jornalista alagoano e redator do periódico carioca A Noite, Melchiades da Rocha (1899-1996), relata no livro Bandoleiros das Catingas as "verdadeiras obras de arte" que "a polícia alagoana arrecadou na Grota de Angicos". Tratava-se dos "apetrechos e material de guerra que se encontravam nas barracas do rústico acampamento do Rei do Cangaço". Algumas dessas peças se encontram, hoje, no Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, em Maceió, uma vez que seu acervo reúne objetos e documentos dos mais valiosos subsídios autênticos, de valor indefinível, dos acontecimentos que envolveram as volantes e os grupos de cangaceiros no sertão alagoano.

O referido acervo é constituído por óculos, punhal, cartucheira, chapéu, cantil, armaria, mochilas, alpercata, colchas, além de uma moldagem da cabeça de Lampião. Além disso, o acervo possui fotografias, processos jurídicos e diversos bilhetes redigidos por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seus livrinhos de oração.

A doação ao Instituto Histórico de Alagoas dos objetos recolhidos após o combate em Angico foi realizada por ordem do interventor Osman Loureiro (1895-1979), por meio do ofício nº 1521, datado de 29 de novembro de 1938, em Maceió, assinado por José Maria Correia das Neves (1886-1953), então secretário do Interior, Educação e Saúde do Estado de Alagoas. O aviso da oferenda dos "trophéos pertencentes ao celerado Virgulino" - palavras de Correia das Neves - mereceu espaço nas atas das reuniões da instituição cultural.

 1. Artista plástico Lourenço Peixoto / 
2. Interior do museu do Instituto Histórico - ao fundo a representação de Lampião / 
3. Presidente Getúlio Vargas e Interventor Osman Loureiro em Maceió


Despojos do Cangaço

O jornalista Melchiades da Rocha teve influência direta no manejo dessas peças, inclusive, cabendo a ele a responsabilidade de "trazer os referidos objetos ao Rio e levá-los depois a Maceió". Inicialmente, após terem chegado a Maceió, trazidas do esconderijo Angico, as peças ficaram expostas no Rio de Janeiro em um esforço de "proporcionar à população carioca a excelente oportunidade de tão interessante exposição", salientou Melchiades. Até o ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (1900-1985), reforçou junto ao governo alagoano o pedido de envio dos "trophéos" para o Rio, justificando a aquisição dos "objetos encontrados entre os despojos do grupo do cangaceiro Lampião e que apresentam interesse do ponto de vista da Etnographia e da arte popular".

1. O Lampião do Instituto Histórico / 
2. Santinho da primeira comunhão que pertencia a Lampião / 
3. Vestido e chapéu que pertenceram a Maria Bonita / 
 4. Noticiário no Jornal de Alagoas em 1938.

Atendeu ao pedido do nobre ministro o interventor alagoano Osman Loureiro, no envio dos apetrechos, entretanto, a imprensa alagoana alertava em suas manchetes que "após a exposição, os troféus voltarão para Maceió, para que lhe seja dado o destino que se resolver". Seguindo no navio Itanagé, em 12 de agosto de 1938, com destino ao Rio de Janeiro, Melchiades da Rocha levou consigo os referidos "trophéos" para serem exibidos ao público carioca.

Por sua vez, em reunião no Instituto Histórico, em 11 de agosto de 1938, o presidente Orlando Araújo (1882-1953) agradeceu aos sócios Paulino Santiago, Ezechias da Rocha e Théo Brandão "pelo desempenho cabal da missão que lhes fora confiada, de conseguir para o Instituto a maquete da cabeça e a indumentária do famoso Lampião". Em encontro posterior, o secretário perpétuo Luiz Lavenère (1868-1966) informa que "pedira ao governo do Estado que entregasse ao Instituto a guarda dos objetos que pertenceram ao célebre cangaceiro, obtendo promessa favorável ao seu apelo, o que o levou a estranhar que tais objetos estejam sendo exibidos pelo jornal A Noite, do Rio". Mas o apelo do sócio foi atendido, conforme atesta em ofício dirigido ao instituto, no qual o interventor Osman Loureiro se manifestou "anunciando haver providenciado o retorno a esta Capital dos troféus do bando de Lampião".

Orlando Araújo

Na capital Maceió, aliás, corriam as primeiras notícias a respeito da modelagem da cabeça de Lampião, pode-se dizer, executada com esmero pelo escultor Lourenço Peixoto (1897-1986). Na edição concernente ao dia 6 de agosto de 1938, o Jornal de Alagoas registraria aos leitores que "por solicitação do Instituto Histórico de Alagoas, o professor Lourenço Peixoto está modelando em gesso a máscara de Lampião". Segundo o noticiário, pretendia o "Instituto Histórico reconstituir a figura do 'Rei do Cangaço', nos mesmos moldes como se pratica nos museus antropológicos".

Ofício de doação dos pertences de Lampião
Entretanto, Lourenço Peixoto executou seu trabalho artístico bem antes que o professor Arnaldo Silveira, docente da renomada Faculdade de Medicina da Bahia, fizesse o traslado para Salvador apenas das cabeças de Lampião e Maria Bonita. Enquanto isso, Lavenère, em um resmungo descabido, quis apressar o regresso dos objetos dos cangaceiros a Alagoas, talvez receoso de que pudessem permanecer no Rio de Janeiro, por causa da prontidão com que o interventor atendia aos pedidos dos interessados.

E assim, o Diário Oficial do Estado publicou, em 1º de dezembro de 1938, o mencionado ofício nº 1.521 ofertando os objetos ao Instituto Histórico, discriminados em inventário conforme o script. Ao mesmo tempo em que as reuniões na entidade cultural aconteciam quase vazias, pelo diminuto número de sócios presentes, por outro lado, a exibição dos objetos capturados em Angico adornava as vitrinas do museu, atraindo os olhares de jornalistas, letrados e autoridades.

Objetos de Lampião: no detalhe os óculos 
e a maquete da cabeça.

Estado atual das peças de Lampião 
expostos no Museu do Instituto Histórico de Alagoas.


Espólio causou intriga estadual

Ao entardecer do longínquo maio de 1939, quando uma comitiva, encabeçada pelo secretário Luiz Lavenère, visitava o museu do Instituto Histórico, por um descuido, notou-se o sumiço de dois objetos pertencentes a Lampião. O desaparecimento logo provocou vozerio. A correria e um sentimento de urgência atingiram o esguio Lavenère. Diante desse incômodo, talvez rememorando o empenho em que pôde triunfar após a conquista na captura dos objetos - que tudo isso, decerto, seria a maior das vaidades -, fragilizou-se o destemido secretário.

Preocupado com o fato - ou melhor, o furto -, o próprio Lavenère, na sessão ordinária de 31 de maio de 1939, pedindo para constar na ata "ad perpetuam rei memoriam (para perpétua lembrança)", solicitou o registro do "desaparecimento de dois anéis que pertenceram a Lampião, fato ocorrido por ocasião da visita que o exmo. sr. interventor do Rio Grande do Norte e seu secretário fizeram ao instituto". Os objetos desaparecidos, provavelmente, seriam as seguintes peças: um anel de ouro com as iniciais na parte exterior C.V.L. e uma aliança de ouro com a inscrição "Capitão Lampião", na parte interna, conforme descreve o inventário.

Como em qualquer coleção, o que não faltam são vestígios dispersos e, recuperar a sua história é, no mínimo, revelador. Do rico acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, uma peça se destaca, particularmente, pela cadente história de como ali fora identificada: o vestido de Maria Bonita. Consta nos arquivos do museu que "o vestido de Maria Bonita foi, de certa forma, 'esquecido' ao longo do tempo". Mas este "esquecimento" durou somente até o momento em que um pesquisador, aficionado pelo cangacismo, procurou a instituição. Ele indagou sobre ali se encontrar a peça pertencente à baiana Maria de Déa ou simplesmente Maria Gomes Oliveira - nome de nascimento de Maria Bonita (1910-1938) -, que "teria sido doada ao museu nos anos 70".

Volante alagoana que derrotou Lampião
Segundo os registros, o pesquisador "tinha informações precisas e descreveu a peça em detalhes", desencadeando o "procura daqui, procura dali, [até que] o vestido foi identificado. Salvo do esquecimento, passou [finalmente] a constituir uma relíquia" do acervo, o vistoso objeto da mulher que perambulava sertão adentro. A doação do vestido foi feita pela atriz Nádia Maria, cujos familiares o receberam por meio do jornalista Melchiades da Rocha, o qual, por sua vez, foi agraciado pela oferta da vestimenta por intermédio do aspirante Francisco Ferreira Melo, da Polícia de Alagoas.

Com vistas à preservação da memória regional, essas peças que constituem um expressivo valor histórico, como resgate de uma época marcada pelo banditismo, continuam a provocar reflexões sobre as possibilidades e direções relativas aos estudos de nossa formação e identidade. São fragmentos de uma natureza simbólica num encontro imaginário, nos quais a memória preservada ocupa espaço nos dias atuais, em uma época em que as lições do passado são tragadas pelo esquecimento.

Destino inglório, na vitrina que atenua a luminosidade no Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde assentam vestígios materiais do cangaço, não para reverência, mas somente ressoando os ecos da história.

Acervo Sociedade do Cangaço
Cangaceiro Venerado

Na trajetória de vida de Lampião há muitas contradições e muita imaginação. Nem poderia ser diferente. De bandido e facínora a "herói" e defensor dos pobres, há de tudo nas definições populares dessa personagem histórica. Inclusive em setores da sociedade, a partir de tentativas de recuperar a memória de quem sacrificou apavoradas vítimas e empreendeu audaciosos assaltos.

Pode-se destacar que o interesse pelos embates entre perseguidos e perseguidores do ciclo do cangaço (como é denominado o banditismo no Nordeste brasileiro) ainda é intenso neste início do século 21. Há uma imensa quantidade de trabalhos literários, históricos e jornalísticos (artigos e livros) sendo produzidos. Da mesma forma, esforços constantes são realizados por diversos setores sociais, no sentido de se perpetuar a memória dos fatos históricos, envolvendo os impetuosos embates entre os cangaceiros e as forças volantes. Nesse caso, é possível dimensionar tais esforços por meio dos seguintes aspectos envolvidos nas suas representações, com referência, a Lampião: danças folclóricas lhe facultam homenagens em solenidades; exposições exibem fotos, vídeos, objetos e matérias jornalísticas a seu respeito; promovem-se encontros mobilizando acadêmicos, diletantes e estudiosos (constantemente homenageados e adulados) para debater seus feitos considerados audaciosos, enquanto missas campais lhe são endereçadas - tão convenientes à indisfarçável vaidade

Visite
Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
Rua do Sol, 382. Centro - Maceió/AL - Tel.: (82) 3326-9719 E-mail: ihgal@hotmail.com

Saiba +

BONFIM, Luiz Ruben F. de A. Notícias sobre a morte de Lampião. Paulo Afonso: Graftech, 2010.
DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. Lampião entre a espada e a Lei: considerações biográficas e análise crítica. Natal: Cartgraf, 2008.
JASMIN, Élise. Lampião, senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro. São Paulo: Edusp, 2006.
MELLO, Frederico Pernambucano de. Estrelas de couro: a estética do cangaço. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.
ROCHA, Melchiades da. Bandoleiros das caatingas. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1988.

* Davi Roberto Bandeira da Silva é pesquisador do Programa de Estudos de Administração Brasileira da Universidade Federal Fluminense.

Pesquei em: Portal Ciência e Vida

sábado, 15 de setembro de 2012

Nesta terça - feira em Fortaleza

O coroné Osmiro realiza mais um lançamento


O Coroné e sua réplica. Foto By: Coroné Severo
Ei macho réi!!! 
Tu tá lembrado né? 

Nesta próxima terça, 18 de Setembro, apartir das 19:30 o pesquisador, escritor e presidente do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará - GECC autor de "Curiosidades do Cangaço" estará autografando seu mais novo trabalho ou seu mais novo rebento batizado de "Assim era Lampião e outras Histórias".  

Cangaceiro, coiteiro ou volante teje intimado à se fazer presente no auditório da EngExata Engenharia localizada na Rua Joaquim Nabuco 1950 bairro Aldeota, na capital cearense. 

Prestigie.

Seu convite virtual

O Cangaço em Apodi, RN

Um relatório oficial

Por Marcos Pinto - historiador apodiense.


Tenente Jacinto Tavares Ferreira.

Ao  receber  o  despacho  exarado  pelo  diretor,  datado  de  20 de Setembro de 1928, logo  no  dia  seguinte  o  Capitão  Jacinto  datilografou  o  seguinte  documento, que  hoje  faz  parte  do  acervo  do  Arquivo  Público  Estadual:                                                           

Departamento  da  segurança  Pública.  
                                                                                               
Informação. 

Ao  Exmo. Sr. Dr. Diretor  Geral  da  Segurança  Pública.
Cumprindo  o  despacho de  V. Excia, exarado  na  petição  de  Tilon  Gurgel, que  a  esta  acompanha, tenho  a  dizer  que  é  em  parte  inexacta  a  narrativa  do  facto  dela  constante, como  passo  a  expor.                                                                                  

Permita-me, porém, V. Excia, ligeira  digressão  sobre  antecedentes:  Ao  ser  nomeado  para  o cargo  de  Delegado  Especial  de  Polícia  em  Apody,  disse-me  o  Exmo. Dr. Governador  confiar-me  a  missão  mais  árdua  da  polícia, no  interior, pois  se  tratava  de  extirpar  o  cangaceirismo  que  alí  se  estava  implantando.  

De  facto, chegando  ao  Apody, encontrei  a  população  alarmada  com as  ocorrências  delictuosas que  se  vinham  sucedendo, praticadas  por  um  grupo  de  maus  indivíduos  chefiados  por  Benedicto  Saldanha  e  Décio  Sebastião  de  Albuquerque, vulgo  Décio  Holanda, genro  e  amigo  de  Tilon, que  por  meio  do cangaço  esperava  ser  um  dos  chefes  políticos  do  Apody. 

Verifiquei ser  a  residência  do  Tilon,  em  Pedra  de  Abelhas, um  dos  antros  onde se  reuniam  os  bandoleiros  para  combinar, com  o placet  deste,  as  desordens  que deviam  cometer.

Residencia de Tilon Gurgel em Pedra de Abelhas, atual Felipe Guerra.

Assim, após  múltiplas  peripécias,  em  que  Tilon, seu  genro  Décio  e  apaniguados   tudo  fizeram  para  amesquinhar as  autoridades  e  o  governo, achava-me  naquela  cidade,  quando, na  noite  de  26 de  Dezembro  de  1925, compareceram  à  Delegacia  Especial  dois  indivíduos  armados  de  rifles e  apresentaram-me  Manuel  Delfino, preso  à  ordem  de  Tilon  Gurgel  que  mandara  trazê-lo   ao  Dr. Juiz  de  Direito  e  ante  a  ausência  deste  foram  entregá-lo  ao  Delegado.  Interrogados, declararam  em presença  de  diversas  pessoas  que  Manuel  Delfino  nenhum  crime  ou  desordem   cometera:  Que  Tilon  lhes  dera  os  rifles  municiados, que traziam, e  mandar  prender  a  Manuel  Delfino  e  que,  chegando  à  casa  deste,  encontraram-no  calmo, no  convívio  dos  seus, ficando surpreso  ao  receber a  ordem  de   prisão.

Tilon Gurgel do Amaral, (1881 - 1968)

Efecctivamente  nada  autorizava  esse  facto.  Não  era  possível  homologasse  a  polícia  actos  abusivos  de  quem  quer  que  fosse, menos  ainda  de  quem  notoriamente  se  conhecia  como  fomentador  de  ataques  de  cangaceiros  e  procurava  sobrepor-se  pelas  armas,  às  auctoridades  constituídas, das  quais  assim  menoscabava,  aparentando  interesse  na  repressão  a  um  delicto  imaginário.

Videnciado  o facto, a  improcedência  da  prisão, não  tive  dúvidas  como  auctoridade, em  desarmar  aqueles  indivíduos  portadores  de  armas  proibidas, e, assim, contraventores  do disposto  no  artigo  377  do  Cód. Pen. da  República.                      

Feita  a  apreensão  e  lavrado  o termo  respectivo, remetí-os  a  auctoridade  judiciária  local,  para  os  fins  de  direito. Algum tempo  depois, fiz entrega  à  Repartição  Central  da  Polícia, nesta  capital, das  mencionadas  armas, o que, de  certo, constará  do  livro  competente, salvo  equívoco,  no  mês  de  Junho  de  1926. 

É  o que  me  cumpre  informar  a  V.  Excia. Julgo, entretanto, conveniente, acrescentar  que  dias  depois, fazia-se  notório em  Apody,  que  a  indébita  prisão  de  Manuel  Delfino  se  fizera  porque  procurava  mudar-se da  propriedade  do seu  acusador, Tilon  Gurgel, por tentar  este  seduzir  pessoa  de  sua  família,  em  cuja  defesa  resolvera  tomar  essa  atitude, reveladora  de  dignidade e  de  prudência.

Como  vê  V.  Excia,  nenhum  fundamento  tem  a   pretensão  do  requerente, cujas  informações  não  correspondem  a  verdade  dos  factos.

Natal,  21  de  Setembro  de  1928.

Jacinto  Tavares  Ferreira.
Capitão  -  Polícia  Militar.".

Pesquei no blog Potyline

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

João de Sousa "in Tour" de paletras

Apartir de amanhã: As mulheres no Cangaço

As palestras acontecerão nas cidades de: Juazeiro do Norte - Ceará; Serra Talhada - Pernambuco; Água Branca nas Alagoas; Paulo Afonso - Bahia; Porto da Folha e Aracaju, no Sergipe.


 





Realização: Cintilante Produções. 
Apoio cultural: Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC e Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará - GECC
 

Participem, divulguem, apoiem a cultura nordestina.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Relançado um clássico da HQ

Aventuras no cangaço n.1 traz de volta antigo personagem de Gedeone Malagola

A cooperativa de Quadrinhos Júpiter II tem como uma de suas propostas resgatar estilos e personagens das Histórias-em-Quadrinhos do passado, alegrando os velhos fãs e apresentando o personagem a jovens e novos leitores, tornando-o mais conhecido – ou menos desconhecido – do público brasileiro.

Por isso este lançamento que relembra uma temática muito corriqueira no passado: na literatura, no cinema, nas HQs, as histórias tendo o cangaço como pano de fundo, histórias por vezes realistas, por vezes aventurescas – não que ainda não seja um tema apreciado por muitos artistas e historiadores, mas muito menos do que era nas décadas passadas.



Aventuras No Cangaço n.1 (no formato 21 cm x 15 cm, capa couchê colorida – autoria de Edu Manzano – com 24 páginas preto & branco) começa mostrando em seu primeiro número um personagem criado por Gedeone Malagola na década de 50 do século passado: Milton Ribeiro, baseado no ator, mais precisamente num personagem interpretado por este ator no filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto.








Mais informações sobre este personagem: AQUI

São reapresentadas nesta edição duas HQs lançadas originalmente na revista Vida Juvenil, editada por Mário Hora Júnior no ano de 1957. E aguardem mais surpresas nos próximos números! Personagens memoráveis a caminho! Pedidos para smeditora@yahoo.com.br (JS)

Pesquei em: Jupiter2HQ
e em Bodega do Leo

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Cangaço é...

Poesia

Por Gustavo Sandres

74 anos se passaram, desde o fatídico dia que findou o cangaço. Chega a ser irônico que um personagem de má índole seja o que mais povoa o limbo da poesia. Nada Tiradentes, D. Pedro, Zumbi, muito menos Cabral ou Antônio Conselheiro, Lampião, esse é o nome inspirador, que teve na poesia sua mais forte agência de publicidade, teve sua história contada pelo fantasioso mundo do sertanejo, muitas vezes tendo seus feitos exageradamente narrados, assim como sua valentia ou sua perversidade.


Desenho de José Rosa Filho

“Eu me chamo Lampião
mas é só de brincadeira,
acabe com essa besteira,
deixe de vadiação.
quem alumia é o tiro
que eu dou na escuridão,
mato andorinha voando,
quanto mais um gavião,
mato sargento e tenente,
coronel e capitão,
cabra frouxo de sua marca
mato até de bofetão.”

(Nertan Macêdo, Cancioneiro de Lampião, 1959).

Agora focando no tema do blog, que é a poesia, vamos enquadrar a ligação Cangaço com Poesia. Virgolino era um bom repentista, sabia fazer versos de improviso, nos momentos de descanso, em meio as festas nas cidadezinhas do nordeste ou no Raso da Catarina, que era um de seus esconderijos preferidos, entre uma dose de uísque Cavalo Branco e um pouco de xaxado, Lampião utilizava-se da poesia como ferramenta para narrar seus feitos, ironizar as volantes(força policial) e exaltar os que lutavam com ele. Aprendeu cedo a recitar, hábito comum naquela época no interior do estado, era fácil encontrar principalmente nas feiras homens recitando de improviso.  Quando alcançou a fama e seu nome alastrou-se pelos quatro cantos do Brasil, chegando a ser manchete no The New York Times, os cordelistas encontraram ali um personagem perfeito, um novo Heitor, para compor a Ilíada nordestina, mais sangrenta que a grega e com a fantasiosa visão de que se tratava de uma revolução entre oprimidos pobres x opressores ricos.

Detalhes nos cordéis da época eram curiosos, na capa de xilogravura, muitas vezes fazia-se referência a “imortalidade” do feroz cangaceiro, os poemas narravam as vitórias de Lampião sobre muitos Coronéis, dizendo que era graças à fé do nosso descomprometido Hobbin Hood, que ele vencia inúmeros batalhões, o dinheiro dos coronéis e a agressividade do próprio sertão.

“Corpo fechado” falava-se de Virgolino,  os mais fantasiosos contavam que ele se misturava com a caatinga, seus cabelos eram tão espinhosos quanto o facheiro,  seu corpo tão duro quanto o solo rochoso do sertão, um herói nascido da injustiça, tendo dentre suas fotos mais conhecidas uma que posa de joelhos com o bando, num momento de oração. Seu respeito pelo Padre Cícero é contado com ênfase, a fé aproximando o cangaceiro meticuloso, das pessoas comuns, dos simples agricultores, que também sofriam injustiças, só que nada podiam fazer.


Rodrigues Lessa : Lampião e Maria Bonita
“Sou  devoto e penitente
do padre Ciço Romão.
Creio na fé dos antigos
Que promete a redenção.
Os meu pés são mais velozes
Que as aves de arribação.”

(Francisco Carvalho, Um capitão chamado Virgolino, 1980)



Havia quem não simpatizasse nenhum pouco com o Capitão Virgolino, mas enquanto ele estava vivo nada era dito, sob o risco de uma retaliação fatal,  até que na noite de 27 ou 28 de julho de 1838, não tenho certeza agora, no meio da madrugada o acampamento é alvejado, Lampião morre, sua cabeça é decepada.  Ai nasce o mito do cangaceiro. Enfrenta o diabo no inferno, arromba as porteiras do paraíso, dá tapas na besta-fera, em São Pedro, no Cão Coxo e em qualquer um que cruze seu caminho, tudo isso graças a poesia, seus inimigos em terra finalmente criam coragem para fazer poemas a seu respeito insultando-o, ironizando e desmoralizando, mas não adianta mais, já surgiu o Heitor  sertanejo, com direito a um amor Helênico e tudo mais.

Na opinião do blogueiro sem juízo, Lampião foi menos que um herói e mais que um bandido,  Virgolino é um ser poético, e tudo que entra na poesia fica pra sempre encravado na cultura do povo. Ascenso Ferreira, Carlos Pena Filho, Murilo Mendes, são alguns dos poetas mais “refinados’ que citaram o cangaceiro em sua obra, outras centenas de desconhecidos também o fizeram. A globalização atingiu o sertão, mas não há nada que minimize o valor da figura do cangaceiro.


Os olhos de Lampião. By Rogério Fernandes

“É Lamp, É Lamp, É Lamp,
É Virgolino Lampião!

Batizou-se esse cabra,
No interior do sertão,
O rifle foi o padre,
O punhal o sacristão.

É Lamp, É Lamp, É Lamp,
É Virgolino Lampião!”

(Jayme Griz, Rio Una, 1951)




Pescado no: Blog do Gustavo Sandres

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Nota de falecimento

Morreu Arlindo Grande: Ex coiteiro de Lampião

Faleceu nessa madrugada de 10 de setembro de 2012  Arlindo Grande, o maior vaqueiro da região de Paulo Afonso e um dos grandes coiteiros de Lampião.


Arlindo residia no povoado Várzea, entrada do Raso da Catarina e foi nessa localidade que ele conheceu Lampião e seu grupo, era um menino de 7 anos deparou-se com Lampião, na estrada. Este lhe pediu que subisse na lomba do seu cavalo e o levasse até sua casa. Lá o ri do cangaço conheceu seu Avô João da Varje e seus pais Quinca e Aristéia e apartir deste encontro a sua residência passou a servir de coito e era sempre um dos lugares preferidos pelos cangaceiros para realizarem os famosos bailes.

O velho Arlindo lembrava com saudade que Lampião vinha semanalmente para descansar. "Toda vez que ele chegava tinha festa: Matava-se animais e o Cangaceiro que gostava de forró, logo organizava o baile".

Ele foi casado com dona Nina, irmã do cangaceiro "Bananeira". Em toda região ele ficou mais conhecido como o maior vaqueiro de todos os tempos. Em sua luta com o gado nunca deixou de trazer os animais perdidos dentro do Raso da Catarina, era exímio cavaleiro e entre as caatingas manejava com maestria suas montarias.


 Nossos confrades: Felipe Marques, Marcos Passos em ocasião de uma visita a Arlindo na Várzea. Pai e filho residentes em Macaé, RJ.


Informação e fotos: João de Sousa Lima

Outra de Seu João

Encontrada a última irmã da cangaceira "Moça".


Sinforosa Gomes dos Santos ou simplesmente "Zita", última irmã viva da cangaceira "Moça" companheira do cangaceiro Cirilo de Engrácia, vive hoje entre sua casa na Várzea da Ema (Centro do Raso da Catarina) e a casa de sua filha Niceia, em Água Branca, povoado de Jeremoabo.

Zita é de 1913, um ano mais jovem que sua irmã Joana Gomes que entrou no cangaço com apelido de Moça. Zita foi uma das testemunhas da história quando Lampião tocou fogo nas casa  e quebrou as telhas de outras residencias na Várzea da Ema por ser reduto do coronel Petro.

A Várzea da Ema tem ligação com a história de Canudos e a história do cangaço. Vários remanescentes de Canudos fixaram morada nessa povoação. Zita deixou informações importantíssimas sobre a irmã cangaceira que serão levadas a público no próximo livro de João de Sousa Lima.

 Mãe e irmã da cangaceira Moça.

 
 A Várzea da Ema em quadro de uma artista local.


Uma das casas incendiadas por Lampião hoje funciona como museu e guarda as lembranças do passado, assim como imagens das pessoas que viveram aquela época difícil.
 
 
Objetos no museu da Várzea da Ema.

Zita narra para João de Sousa Lima a passagem sangrenta do cangaço na Várzea da Ema e a entrada de sua irmã no meio dos cangaceiros.

 Pesquei no www.joaodesousalima.com