terça-feira, 31 de julho de 2012

Encontros memoráveis


A entrevista de Glauber Rocha com Zé Rufino, o matador de Corisco.
Por Rostand Medeiros

O cangaceiro Corisco

Como um grande apreciador da sétima arte e um curioso sobre a história do cangaço, seria inevitável que um dia eu viesse a assistir as obras cinematográficas de Glauber Rocha, onde este baiano utilizou o cangaço como parte de suas temáticas.

Obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e o “Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, se não foram os primeiros filmes a mostrar este fenômeno de banditismo, certamente foram películas marcantes, principalmente fora do Brasil.



Jornal “Diário de Notícias”, edição de 21 de fevereiro de 1960

Eu sempre me perguntei de onde veio a inspiração para Glauber Rocha ter criado estas obras. Perguntava-me que tipo de envolvimento ele teve com livros clássicos sobre o assunto? Ou quantas outras películas cinematográficas sobre o cangaço marcaram a sua mente para realizar estes trabalhos?

Um tempo atrás chegou as minhas mãos a edição número 30, da “Revista da USP”, onde nas páginas 290 a 306, a professora Josette Monzani, da Universidade Federal de São Carlos, trás um interessante artigo intitulado “Glauber e a Cultura do Povo” e eu encontrei uma parte da resposta que desejava.

Glauber Jornalista?

A acadêmica aponta que para Glauber Rocha realizar as suas obras ele teria reunido um levantamento da visão popular do cangaço. O cineasta teria utilizado cordéis, recortes de jornal e cantigas para compor personagens marcantes como Corisco, interpretado por Othon Bastos e Antônio das Mortes, conduzido pelo ator Maurício do Valle.
 
 Glauber Rocha
Fonte - http://www.omni-bus.com

Além do material documental, a autora do artigo apontava que Glauber Rocha utilizou de “entrevistas” para criar seus trabalhos.

Mas que entrevistas eram estas?

Então descobri que em 1960, o irrequieto Glauber Rocha, então com 21 anos de idade, enfrentou os ainda duros trajetos em direção a cidade baiana de Jeremoabo, como repórter do jornal “Diário de Notícias”, de Salvador, onde realizou uma interessante entrevista com um dos mais eficientes caçadores de cangaceiros, o oficial da polícia baiana José Rufino.

Achei que realmente eu precisava ler este material.

Havia no artigo da professora uma reprodução fotográfica da reportagem do jornal “Diário de Notícias”. Mas, infelizmente, como é comum em obras de cunho acadêmico, a foto estava com uma resolução tão ridícula que impossibilitava a visualização. Assim desisti de conhecer momentaneamente um pouco mais daquele trabalho.


José Osório de Farias, o Zé Rufino.
Fonte - http://blogdodrlima.blogspot.com


Entretanto, mesmo sem ter acesso ao material, achei fantástico descobrir que Glauber havia largado o conforto da beira mar de Salvador e encarou poeira, sol, desconfiança e inúmeras dificuldades para entrevistar o próprio José Rufino, ou Zé Rufino, o comandante de volante que matou o cangaceiro Corisco.

Um Início com Muita Desconfiança

Tempos depois fui a Salvador, cidade que adoro, onde tive a oportunidade de procurar com calma o exemplar do jornal “Diário de Notícias” e finalmente foi possível ler e digitalizar a dita reportagem.




Igreja Matriz de São João Batista, em Jeremoabo, Bahia.
Fonte - Coleção do autor


Chama logo a atenção no texto que Glauber não seguiu para este trabalho jornalístico com no máximo um fotógrafo, como seria de esperar na função de repórter. Ele foi a Jeremoabo com mais três amigos.

Além do futuro diretor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, estavam juntos o cineasta Trigueirinho Neto, um paulista radicado na Bahia que naquele ano lançaria seu único longa-metragem, “Bahia de todos os santos”.[1]



O ator baiano Geraldo Del Rey.
Fonte - http://www.filmologia.com.br

Outro membro era o ator Geraldo Del Rey, um baiano da cidade de Ilhéus, que em 1960 já tinha participado de dois trabalhos cinematográficos e era considerado um dos mais promissores atores que atuavam no chamado “Ciclo Baiano” de cinema.[2]

Finalmente entre os membros da comitiva de Glauber em Jeremoabo estava o jovem acadêmico Antônio Guerra.[3]

Não é para menos que os quatro amigos fossem inicialmente recebidos com muita reserva e desconfiança por parte de Zé Rufino.

Enfim, depois de tudo que Rufino havia feito na vida de caçador e matador de cangaceiros, receber a visita de um grupo de quatro homens desconhecidos, certamente faria o ex-policial imaginar que aquilo poderia ter mais jeito de ser uma emboscada do que uma entrevista.[4]

A desconfiança foi desfeita quando Glauber falou que tinha como um amigo comum do antigo lutador das caatingas, um membro da família Sá, de forte influência e tradição política na região de Jeremoabo. A partir daí o guerreiro sertanejo “Deu confiança”, nas palavras de Glauber e desandou a contar sua incrível história.



Zé Rufino e a sua esquerda o ex-rastejador "“Bem-te-vi”, na década de 196.
Fonte - Coleção do autor

Rufino é descrito como sendo “Alto, queimado pelo fogo do sol nordestino, corpo rijo, dobrando a casa dos cinquenta (anos)”. Foram encontrar a lendária figura na salinha de sua casa, de calça, paletó sem gravata e fumando um cigarro atrás do outro. Afirmou o irrequieto cineasta que Zé Rufino era um homem bem estabelecido em Jeremoabo, “Com boas fazendas e duas mil cabeças de gado”.

O cineasta nascido em Vitória da Conquista afirmou que a patente do pernambucano Zé Rufino era a de major e assim o designou durante toda a entrevista.

E o major foi logo adiantando que;

-Conheço esse mundo com a palma da mão. Tirava 18 léguas na perna e nunca soldado meu se deitou para fazer fogo. A briga era em pé e eu gostava de lutar com o velho – o velho é Lampião, cuja a sombra lendária continua a desfilar pelas serras e campos do Nordeste-

Um Repórter, ou Diretor de Cinema?
Apesar de fazer a função de repórter, Glauber sempre foi um cineasta e nas letras da reportagem ele já qualificava Zé Rufino como um “-Um ator perfeito”.

A conversa fluía aberta e franca e o entrevistador viajava com a mente de cineasta diante da verdadeira lenda viva. Para ele, a narrativa de Zé Rufino foi totalmente realizada na melhor linguagem de um autêntico “Western” e deixaria um John Ford “Suspirando de emoção”.[5]

Esta emoção vinha principalmente da qualidade do narrador. Rufino descrevia os combates com voz vibrante, repassando detalhes dos campos de luta, narrando biografias e voltando sem receio a um passado em que muito sangue jorrou no sertão.

A cores: Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião

Interessante foi que Zé Rufino descreveu que na sua juventude detestava a polícia e os policiais. Comentou que isso se devia à violência que alguns militares praticavam de forma desenfreada contra os civis. Por conta desta opinião, mesmo tendo vários parentes como membros do aparato de segurança do Estado, Rufino quase chegou a fazer parte do bando de Lampião, cujo nome real era Virgulino Ferreira da Silva.

Para o antigo guerreiro havia uma admiração pelo seu maior inimigo, que Rufino descreveu como sendo “-Magro, boa estatura, sempre de óculos, com uma lágrima escorrendo no olho quase cego e usando dois galões de capitão nos ombros”.

Ele narrou que em algumas ocasiões se encontrou com Lampião frente a frente. Em um destes momentos, quando o chefe cangaceiro estava acompanhado com cerca de 80 homens, Lampião  vez chamou Rufino para lhe acompanhar pela terceira. O convite foi assim descrito:
-Rufino, já duas vezes lhe chamei para ser meu cabra e você nunca quis. Agora é hora Rufino!
Rufino afirmou que em um primeiro momento recusou, mas viu que Lampião não havia gostado nada de sua decisão. Para sair daquela situação disse que seguiria com o “Rei do Cangaço”, mas não naquele momento. Informou que tinha “Uns negócios” para resolver junto a sua mãe. Por incrível que pareça, a demonstração de responsabilidade de Rufino em relação a sua genitora fez o cangaceiro refrear seu ímpeto e Lampião deixou o jovem seguir seu caminho.

O ex-militar afirmou a Glauber que o grupo partiu devagar, com Lampião transmitindo ordens aos seus chefes de subgrupos para que partissem ordenadamente, tal como uma força militar tradicionalmente organizada.

O próximo encontro entre os dois valentes pernambucanos seria de fuzil na mão e cada um do seu lado mandando bala.

Guerra nas Caatingas

Glauber Rocha recordou (sem referenciar) o paraibano José Lins do Rêgo, que dizia que no Nordeste daqueles tempos “Quem não era cangaceiro, soldado, ou beato, padecia na seca, ou sofria de fome, ou de violência”.


Zé Rufino, o primeiro em pé e a esquerda, 
junto com os membros de sua volante na época do cangaço.
Fonte - Coleção autor

Rufino afirmou que preferiu ser policial a cangaceiro. Pois estes “Faziam miséria com o povo, tendo o fuzil na mão e o nome de Deus na boca”.

Narrou sem desassombro que deu muito prejuízo a Lampião e seus cangaceiros, pois quando pegava um deles “Cortava a cabeça, botava num saco e trazia nas costas para Jeremoabo”.


Atual Delegacia de Polícia Civil de Jeremoabo, o antigo aquartelamento de Zé Rufino.
Fonte - Rostand Medeiros

Afirmou que nesta época a cidade baiana tinha cerca de 800 policiais de prontidão. Segundo o ex-militar, Lampião esteve em uma serra próxima, mas não entrou em Jeremoabo.[6]



Zé Rufino, o primeiro a direita, junto a antigos companheiros de lutas.
Fonte - Coleção do autor

Quando saía para a luta Rufino afirmou que sempre a frente de sua volante de policiais seguia o rastejador “Bem-te-vi”, que nunca perdia o rastro. Havia longas caminhadas, com os espinhos dilacerando tudo, rasgando roupas, mas logo que a volante topava com os cangaceiros a luta era dura.

Para Rufino seus soldados deveriam de lutar em pé, mesmo que fosse a cinco metros de distância dos oponentes. Tinham de mostrar valentia, pois os inimigos eram fortes, conheciam o terreno e nos confrontos os cangaceiros pareciam fantasmas saltando para fugir das balas, com as suas “Cabeleiras voando”.


Membros do bando do cangaceiro Corisco
Fonte - Coleção do autor

Em uma ocasião, no meio da refrega violenta, um policial gritou e caiu no chão. Os cangaceiros recuaram, o tiroteio diminuiu gradativamente de intensidade e finalmente cessou. Ao retornar para junto dos companheiros, Zé Rufino narrou que sentiu alguma coisa mole no rosto e nos braços. Eram os “miolos”, a massa encefálica do soldado caído. O morto era seu primo carnal, que havia levado um balaço de fuzil bem no meio da testa.

O próprio rastejador de Zé Rufino, o veterano “Bem-te-vi” estava presente no encontro com os quatro rapazes vindos da capital baiana. Este demonstrou um enorme respeito pelo feroz adversário. Disse que era mentira em relação a uma versão que afirmava ter sido Lampião ser um “Matador de crianças”. O rastejador disse que Lampião “Tinha remorso de atirar em passarinho, nunca de matar um sujeito ruim”.




Corisco, o primeiro a esquerda, tendo ao seu lado a companheira Dadá 
e integrantes do seu grupo.
Fonte - Coleção do autor

“Bem-te-vi” mostrava um respeito sincero pelos seus adversários. Como só os verdadeiros guerreiros que participaram da boa luta, da luta valente, do combate realizado frente a frente, no campo da honra dos nossos sertões.

Interessante foram as afirmações de Rufino em relação à força da religiosidade entre os cangaceiros e mesmo entre seus camaradas de farda. Todos eles sempre tinham “O nome de Deus na boca”. Reconheceu que “Entre todos aqueles que botaram o fuzil no ombro, não tinha um que não se benzia”. Os lutadores foram em suas declarações “Um povo beato até os fios dos cabelos”.

Mas indubitavelmente para o major Zé Rufino, o seu maior feito na luta contra os cangaceiros foi a morte de Corisco.

A Caçada e Morte do “Diabo Louro”

Zé Rufino começou a sua narrativa afirmando que “Não queria matar Corisco”. Disse que o eliminou porque foi alvejado primeiro. Tanto assim que, mostrando suas intenções, não deixou que seus homens exterminassem Dadá, onde garantiu a sua vida até Salvador, onde ela foi tratada.



Para o antigo caçador de cangaceiros, Corisco e Dadá eram definidos como “Um casal bonito”.

Ele via Corisco, conhecido como “Diabo Louro”, como um homem de fibra e achava que ele “Morreu feliz”, pois era um valente que não aguentaria viver em uma penitenciaria. Corisco era uma figura que Zé Rufino nutria um enorme respeito, mesmo passados quase vinte anos do confronto que havia provocado a sua morte e o ferimento que fez Dadá perder parte de sua perna direita.

Dadá era uma “-Mulher linda e valente” aos olhos de Rufino. Em sua opinião a companheira de Lampião era “Pequena” diante de Dadá.
 
 Corisco e Dadá, um "casal bonito" na opinião de Zé Rufino
Fonte - Coleção do autor

Glauber aproveita a fundo a conversa com José Rufino, principalmente a descrição do porte físico do cangaceiro e da indumentária, que muito lhe ajudariam no futuro a compor um dos principais personagens de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.

Na reportagem Zé Rufino, talvez com exagero,  diz que “Os cabelos de Corisco eram grandes, e quando ele jogava as mechas por cima dos ombros pareciam duas bandeiras amarelas. Quando Corisco cortou os cabelos, cada pedaço dava para fazer uma grande trança”.

Se havia respeito e admiração a distância, tudo se acabava quando os canos dos fuzis ficavam frente a frente. Rufino afirmou que deu muito fogo, muito combate, contra Corisco e que este era doido para lhe matar. Aparentemente nos momentos finais do chefe cangaceiro, que gostava de ser tratado como “capitão”, este não reconheceu Zé Rufino e lhe perguntou o nome. Desejava ir para a eternidade sabendo quem o derrubou. O antigo major afirmou a Glauber Rocha que no momento que Corisco soube quem o pegou, este nitidamente demonstrou irritação e deu o último suspiro.

Glauber transcreveu a afirmação do major Rufino contando este fato, e colocou esta parte com destaque no início da reportagem;



-Estou ferida meu velho – gritou Dadá pulando no ar, baleada na perna. Mais fortes são os poderes de Deus – respondeu Corisco e fez fogo feroz contra o Major Rufino. O Major continuava correndo e disparava seguidamente no Diabo Louro que fugia para o horizonte. Uma bala rompeu os intestinos, as tripas de Corisco saltaram. O Major se aproximou, viu o homem no chão, calmo, sem medo, sem dores: – Por que você não se entregou Corisco?Sou homem de morrer, num nasci pra ser preso. Cumé seu nome? – José Rufino. Então o rosto do capitão se contorceu e ele mordeu os lábios com fúria. Eram 5 da tarde em ponto, no mês de maio, 1940-

O que o militar José Osório de Farias, o Zé Rufino se esqueceu de comentar com Glauber Rocha foi que Cristino Gomes da Silva Cleto, o famigerado Corisco, natural de Matinha de Água Branca, nas Alagoas, estava praticamente aleijado de ambos os braços naquele combate. Sua deficiência era fruto de balaços que havia recebido anteriormente.

Fraco e debilitado, ele tentava com sua mulher Dadá, como era conhecida entre os cangaceiros a jovem Sérgia Ribeiro da Silva, alcançar discretamente o sul da Bahia, acompanhados do cangaceiro Rio Branco e da mulher deste.


A cangaceira Dadá ferida junto a Zé Rufino.
Fonte - Coleção do autor

Mas em um sábado, 25 de maio de 1940, Zé Rufino e seus homens apareceram em um sítio em Brotas de Macaúbas e a história se desenrolou.[7]

Final de Um Grande Encontro

Independente dos fatos reais eu creio que esta parte da narrativa realizada pelo antigo caçador de cangaceiros, mexeu de verdade com a cabeça do cineasta baiano. Pois muito do que está descrito nesta reportagem publicada no jornal “Diário de Notícias”, edição de 21 de fevereiro de 1960, um domingo, Glauber Rocha reproduziu magistralmente em suas obras cinematográficas.


 Zé Rufino em uma foto feita provavelmente por Glauber Rocha 
ou algum companheiro de entrevista.
Fonte - Coleção do autor

Consta que a entrevista entrou pela noite adentro. Logo a matéria aponta que o Geraldo Del Rey mostrava que havia material suficiente para uma trilogia, só com as memórias de Zé Rufino.

Trigueirinho Neto convida então o antigo combatente das caatingas para ser ator. Logo “Bem-te-vi” também é convidado a fazer parte do elenco do filme. Zé Rufino afirma na sequência, em um diálogo que demonstra camaradagem  e tranquilidade, que vai chamar os antigos perseguidores dos cangaceiros ainda vivos para participarem da película, com a intenção que tudo seja reconstituído “Como reza a verdade e o mito”.

E a entrevista se encerra.




Foto principal do cartaz do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.
Fonte - http://www.pop4.com.br

Hoje quem percorre os aproximadamente 380 km que distancia Jeremoabo e Salvador, seguindo pela BR-110, realiza o trajeto uma boa estrada asfaltada e com conforto.

Mas quando Glauber, Trigueirinho, Geraldo Del Rey e Antônio Guerra realizaram esta viagem a 52 anos atrás, aparentemente o caminho que ligava Jeremoabo a Salvador era todo, ou em grande parte de barro. Talvez já houvesse luz elétrica devido a proximidade com a Usina de Paulo Afonso, mas as notícias eram através dos velhos rádios valvulados. Ou seja, o sertão não era igual ao do tempo de Lampião, mas apenas 20 anos de diferença ainda não havia mudado tanto a triste realidade daquela gente sofrida.


O personagem Antonio das Mortes, interpretado pelo ator Maurício do Valle, 
baseado em Zé Rufino.
Fonte - http://npdorlandovieira-aju.blogspot.com

Em meio a todo este cenário, tão distinto do belo litoral Soteropolitano, Glauber ficou fascinado com aquela narrativa.

O interessante é que apenas no final da reportagem, e em mais nenhuma outra parte da matéria, o cineasta baiano afirma que, além do trabalho jornalístico para o “Diário de Notícias”, aquela viagem seria também para realizar uma avaliação do que havia de interessante, de belo, de produtivo no sertão baiano no sentido de desenvolvimento cinematográfico.

Certamente que ao viajar com amigos que participavam do movimento cinematográfico baiano do início da década de 1960, Glauber já tinha mil ideias funcionando dentro da sua cabeça e logo o vulcão que ele era, seguiria despejando grandes obras de arte cinematográficas, que chamariam atenção principalmente na Europa.

Tudo isso resultaria na criação de um movimento chamado Cinema Novo e alavancaria a carreira de um cineasta que era antes de tudo ousado, determinado e genial nas suas abordagens.

Não sei proporcionalmente o quanto o contato com Zé Rufino e “Bem-te-vi” contribuiu para a realização, quatro anos depois, do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.

Mas certamente a ida daqueles quatro amigos ao sertão não foi em vão.

Notas e referencias
[1] Este filme apresentava um painel político e social do país na era do governo Getúlio Vargas, seria intensamente aclamado pela crítica, ficando marcado pela expressiva fotografia Guglielmo Lombardi e estrelado pelo ator Geraldo Del Rey.

[2] Geraldo Del Rey consegue projeção nacional e internacional ao participar ao lado de Leonardo Villar e Glória Menezes no filme de Anselmo Duarte, O Pagador de Promessas (1962), que seria premiado com a Palma de Ouro em Cannes. Mas é sob a direção de Glauber Rocha e sob as lentes do Cinema Novo que o ator de olhos verdes, chamado por alguns de Alain Delon tupiniquim, finca para sempre o seu nome no cinema brasileiro, participando dos antológicos e históricos filmes de Glauber. Geraldo Del Rey integrou o núcleo fundador do Festival de Cinema de Gramado, em 1973, dando muito de seu prestígio e apoio para que o evento ganhasse repercussão nacional. Em 2004, em reconhecimento a essa colaboração o 32º Festival de Cinema de Gramado prestou uma Homenagem Especial pela sua participação e contribuição ao cinema nacional. Faleceu de câncer no dia 25 de abril de 1993. Fonte – http://virtualia.blogs.sapo.pt

[3] Posso estar enganado, mas acredito que o Antônio Guerra relatado pelo diretor de cinema na matéria de 1960, não é outro se não o advogado e ex-procurador-geral do Estado da Bahia, Antônio Guerra Lima, mais conhecido como “Guerrinha”, grande amigo de Glauber Rocha e de sua família.

[4] Consta que em muitas publicações sobre o cangaço a patente de Zé Rufino seria a de coronel. Entretanto decidi deixar conforme está no texto de Glauber Rocha.

[5] John Ford (1894-1973) foi um diretor de cinema norte-americano de grande sucesso. Tendo atuado entre as décadas de 1930 a 1960, conhecido principalmente pelos seus westerns. Em 51 anos de carreira, Ford dirigiu 133 filmes.

[6] Ao visitar a cidade de Jeremoabo em 2010, esta história do respeito de Lampião pela localidade foi largamente comentada. Já a elevação onde ficaram os cangaceiros foi a Serra da Cruz. Percebe-se igualmente em Jeremoabo um enorme respeito em relação à memória da figura de Zé Rufino.

[7] Rufino transmitiu a Glauber a raiva que sentiu em relação a um jornalista baiano que afirmou que ele “Havia roubado o ouro de Corisco”. O antigo caçador de cangaceiros revidou a este repórter afirmando que Corisco levava “Um quilo” de metal precioso e que entregou tudo a Dadá, que estava viva na época “Para confirmar”. Comentou que sua promoção para major veio “Devagar” e foi a última a ser efetivada na escala hierárquica da Polícia Militar da Bahia daquele período. Talvez este episódio anterior com a imprensa explique a animosidade e desconfiança de Zé Rufino no início da entrevista com Glauber Rocha.

Pescado no Tok de História
É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Filme completo

O cangaceiro Trapalhão



Um filme brasileiro de 1983 do grupo de comediantes brasileiros "Os Trapalhões". Inspirado na história do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva.

Severino do Quixadá, (Renato Aaragão) pastor de cabras, salva Capitão (Nelson Xavier) e seu bando de cangaceiros de uma emboscada do tenente Bezerra. Na confusão, os amigos Mussum e Zacharias fogem da cadeia e todos se encontram no esconderijo dos cangaceiros, onde Gavião (Dedé Santana) é homem de confiança do chefe.

Observando sua semelhança com Severino, Capitão lhe dá uma missão, que acaba revelando-se uma emboscada. Com a ajuda de Aninha, (Regina Duarte) sobrinha do prefeito, conseguem fugir e, no caminho, encontram uma misteriosa bruxa-fada...

In Wikipedia



Açude em que pesquei: Painelbinaton's channel/YouTube

domingo, 29 de julho de 2012

Teje intimado!!!

Próxima Terça, 31, Melquiades Pinto Paiva em noite de autógrafos

Encaminhamos aos sócios e amigos do GECC (Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará) Convite para o lançamento do livro "Cangaço: Uma Ampla Bibliografia Comentada".


 Clique para ampliar

Att Angelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE


Te alembra...
Que você pode adquirir agora mesmo esta edição de luxo com capa dura e papel especial,  incluídos os Volumes: I - II - III - IV e V da série "Bibliografia Comentada do Cangaço", mais o volume  VI, inédito. Portanto são (6 em 1) que somam 392 páginas. Com peso de 1,2 kg.com o valor especial de R$ 85,00 (Oitenta e cinco reais) "Frete incluso". Envie email para franpelima@bol.com.br ou se preferir ligue (83) 9911 8286.

sábado, 28 de julho de 2012

O Tenente Bezerra invadiu o Angico...

E Lampião, foi-se à 74 anos




A Sugestão da poesia foi do confrade Jorge Remígio, sócio Fundador do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do cangaço.

Para descontar o impacto da foto, fazer jus ao título do artigo e homenagear o amigo Jorge "cangaceirólogo" e musicólogo desde que usava fraldas" Espie aqui ,que tal uma bela cantiga?

Apreciem a interpretação do "Cacai Nunes Quinteto" para um clássico da música nordestina "Tenente Bezerra" do saudoso "Gordurinha". Pescado na página do Grupo no YouTube



quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Sociedade do Cangaço anuncia...

Fazenda Angico - Poço Redondo - SE - Brasil





Maiores informações: lampiao.maria@gmail.com

Depois da derradeira hora

“Ritos de Passagem” foi lançado em Feira de Santana

Novo longa-metragem em animação do diretor Chico Liberato, baseado em dois personagens que compõem o imaginário do sertão nordestino, foi lançado na Celebração das Culturas dos Sertões



O cineasta e ilustrador Chico Liberato, responsável pelo primeiro longa-metragem em animação feito na Bahia (e o terceiro no Brasil), “Boi Aruá” – inspirado na literatura de cordel em 1983 -, lança seu novo longa-metragem de animação, “Ritos de Passagem”, no dia 8 de maio, às 19h, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana. O filme foi realizado a partir do Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais de Longa-Metragem, edição 2008, do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Secretaria da Fazenda (Sefaz).



A animação narra o encontro do líder espiritual Antonio Conselheiro com o cangaceiro Lampião, rebatizados, respectivamente, como o Santo e o Guerreiro. A história retrata os acontecimentos trágicos do sertão do final do séc. XIX e início do séc. XX e começa a ser contada no momento em que os dois personagens morrem e entram na Barca de Caronte, que remete à mitologia grega, na qual as almas atravessam o perigoso rio da morte, o Aqueronte, às margens do inferno. “Através da lembrança de seus ritos de passagem – nascimento, batismo, transição da juventude para a idade adulta, morte e transcendência – os personagens vivem um processo de auto-análise e refletem sobre os acontecimentos que viveram no sertão”, revela o autor.



O filme conta com a ajuda das cantigas populares, flora, fauna, costumes, trajes, vocabulário e sotaques da região para dar vida à história destes já míticos personagens. Para o cineasta, é necessário valorizar essas expressões culturais tão presentes no dia a dia do povo nordestino.  ”A cultura sertaneja, é de extrema importância e não é mostrada como deveria, há uma super valorização do que vem de fora, e a população local acaba se excluindo de uma riqueza que está tão próxima de si, por isso toda minha obra é baseada na cultura sertaneja, cujo objetivo é conscientizar o povo brasileiro”, afirma.

Só um tiquim



Para a realização do longa, foram contratados cerca de 90 profissionais, entre técnicos, artistas e equipe de apoio. Dentre os componentes, participa a esposa do cineasta, Alba Liberato, que é a roteirista do longa. “Alba fez discursos maravilhosos e emocionantes, com toque de realismo incrível”, elogia Chico. O projeto contou ainda com artistas importantes, como Jackson Costa, Ingra Liberato, entre outros que emprestaram suas vozes aos personagens, além da participação especial da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) na trilha sonora com duas peças sinfônicas: “Veredas” e “Ritos”. No longa o maestro Eduardo Torres é responsável pela regência da Orquestra na peça “Veredas”, que teve solo de violão do compositor João Omar. Já na peça “Ritos”, o próprio compositor, João Omar, assumiu a regência da Orquestra.

Trailer



Sobre o autor: Vida e obra de Chico Liberato

Nascido na cidade de Salvador, em 1936, o cineasta e artista plástico Chico Liberato iniciou sua carreira em 1963, como artista plástico, numa coletiva de alunos de Ivan Serpa e Domenico Lazarini, no MAM – Rio de Janeiro. Já no cinema sua trajetória começou em 1972 com o desenho animado de curta duração “Ementário”. A partir daí, até 1979, entre ficções e animações, produziu um curta a cada ano, um dos mais lembrados e premiados é “Boi Aruá”, inspirado na literatura de Cordel. O desenho tem traços e cores fortes, retratando a vida do interior nordestino, mostrando a cultura das comunidades da caatinga. Esse filme de animação foi premiado pela UNESCO e participou da I Jornada Internacional de Cinema, se tornando um marco para o desenho animado no estado. Ele é considerado um dos mais significativos artistas baianos, consagrado no Brasil como pintor, escultor, desenhista, artista multimídia e cineasta. Ainda na adolescência, Liberato foi morar em uma comunidade indígena no sul da Bahia. Após cinco anos, agregando conhecimento e valores culturais a sua vida e arte, ele retorna com bagagem suficiente para dar continuidade a sua empreitada. Inspirado na cultura popular, ele evidencia em seu trabalho símbolos de caráter tradicionais, utilizando materiais naturais como madeira, folhas e sementes de açaí.

Pesquei em Dimas Bahia.Gov

e no  Blog do Longa

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estreia hoje!!!


O Massacre de Angico - A morte de Lampião


Um dos capítulos mais complexos da História do Brasil, os últimos dias da saga de Lampião, é a peça teatral  da autoria do pesquisador do cangaço, Anildomá Willans de Souza, direção de José Pimentel, no município de Serra Talhada.  A produção é da Fundação Cultural Cabras de Lampião, que teve o projeto aprovado pela Funarte / Ministério da Cultura.

A temporada irá acontecer no período de 25 a 29  de julho, na Estação do Forró. O diretor já está no município de Serra Talhada em longas jornadas de ensaios com os atores e atrizes, além de figurantes e técnicos. O papel de Lampião será vivenciado por Karl Marx, a Maria Bonita terá vida pela atriz alagoana Roberta Aureliano. O elenco que se destaca está assim composto:

Lampião..............................Karl Marx
Maria Bonita......................Roberta Aureliano
Dona Bela..........................Gorete Lima
Giboião...............................Gilberto Gomes
Padre Cícero......................Taveira Júnior
Getúlio Vargas...................Feliciano Félix
Zé Saturnino......................Taveira Júnior
Assistente I..........................Beto Filho
Assistente II......................... Marcos Fabrício
Assistente III........................Humberto Cellus
Pedro de Cândido...............Carlos Silva
Soldado...............................Taveira Júnior
Luiz Pedro...........................Diógenes de Lima
Zé Sereno............................Carlos Amorim
Sila....................................... Karine Gaia
Enedina................................Danúbia Feitosa
Dulce....................................Leandra Nunes

O massacre de Angico – A morte de Lampião retratará os últimos momentos dos cangaceiros chefiados por  Lampião, arranchados no leito de um riacho seco, na fazenda Angico, Sertão de Sergipe, onde foram massacrados juntamente mais dez companheiros, entre eles, sua mulher, Maria Bonita,  no dia 28 de julho de 1938. Mas na construção do enredo são mostradas cenas do passado marcantes na história do Rei do Cangaço, como suas desavenças com o primeiro inimigo José Saturnino, seu encontro com Padre Cícero para receber a patente de capitão do Exercito Patriótico, uma das cenas será no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sede presidencial da época,  onde o presidente Getúlio Vargas determina o fim do cangaço, várias outras cenas ligadas ao imaginário popular, com a cabroeira dançando xaxado, a traição de Pedro de Cândida, até culminar com a morte do casal mais famoso do cangaço, fazendo o expectador mergulhar na história, com uma arrojada trilha sonora, efeitos de luz e efeito especiais.

Um espetáculo que vai reafirmar o estado de Pernambuco como o palco dos maiores espetáculos teatrais do Brasil. E, nesse caso, um grande autor, um consagrado diretor, para contar essa história de TRAIÇÃO, AMOR E ÓDIO, que tem como palco, os confins do sertão, na primeira metade do século passado.

Figurantes

Cangaceiros:

1.     Mannoel Lima
2.     Anderson Cristhian
3.     Gildo Alves
4.     Leandro Soares
5.     Marcelo George
6.     Bruno Vieira
7.     Franklin Gomes
8.     Gilberlanio Santos
9.     José Francisco de Souza
10.    Antonio Carlos Amaral
11.    Sandino Lamarca
12.    Genésio Ferreira
13.    Odair José
14.    Kaká Ericsson
15.    Cícero Alves
16.    Freddye Pichôty
17.    Miguel Taveira
18.    Givanildo Pereira
19.    Diego Adriano
20.    Markfon Dantas

Mascarados:

1.     Carlos Silva
2.     Gorete Lima
3.     Juliana Guerra
4.     Karina Santiago
5.     Adriana Morais
6.     Victor Ferraz
7.     Gilberto Gomes
8.     Milena Raquel
9.     José Adriam
10.   Vitória Lima
11.   Andriele Caroline


Realização
Museu do Cangaço
Ponto de Cultura Cabras de Lampião
Vila Ferroviária, S/Nº - Centro
CEP: 56.903-170
Serra Talhada - Pernambuco
Tel: (87) 3831 3860 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com
www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com

Açude: Ponto de Cultura Cabras de Lampião

terça-feira, 24 de julho de 2012

Novo livro na praça

Abram as cortinas para: "A casa de Santinha" um espetáculo que virou livro.


SINOPSE:

Para Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, diretor do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e Membro da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, prefaciador do livro, “Pawlo Cidade tem o dom dos alquimistas que percebem a vida de outra forma, compreendem o mundo e vêem as coisas com outro olhar; transformam em realidade, emoções e sentimentos. Assim nasceu “A Casa de Santinha”, sua mais nova obra de ficção, transformando em livro o sonho de nos trazer um pouco da vida de uma das sertanejas mais conhecidas do planeta”.

E acrescenta: “O talento de Pawlo Cidade traz para o teatro um recorte ficcional de um momento importante da vida de dois desses maravilhosos protagonistas das sagas nordestinas: A morena da terra do condor, a menina moça que abandonou sua casa, sua família e seu casamento para se tornar uma das Marias mais festejadas e famosas, que enfeitiçou o maior de todos os cangaceiros: O seu homem; Virgulino Lampião”.

A peça mostra uma outra Maria, “uma menina doce e sonhadora, vivendo a desilusão de um casamento infeliz e a euforia da descoberta de uma nova e misteriosa vida a partir de um grande e devastador amor, um dos maiores que o sertão já conheceu.” A produção é da Mondrongo, editora do Teatro Popular de Ilhéus, sob a editoração de Gustavo Felicíssimo.

Quanto? R$ 20,00 (Vinte reais) Com frete incluso
Contato para aquisição: pawlocidade@msn.com / (73) 9998.2555

Dados para depósito "Identificado":
Banco Bradesco
Agência 3519
Conta Poupança: 1001237-6
Pawlo Cidade

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Scans: Revista "A província nº 06 - Crato-Ce, Junho de 1994

“A saga de Sinhô e Luis Padre"

Recebi  do amigo Artur Carvalho, uma sensacional matéria do escritor cearense Hilário Lucetti,  a qual passo ao conhecimento dos rastejadores para um maior esclarecimento,  acrescentamos  " algumas  fotos ", para ilustrar  a excelente matéria...vejamô-la .

























Hagahús Araújo e Silva 
Deputado Federal, 1991-1995, TO, PMDB 


Um abraço a todos, e, mais uma vez, obrigado ao amigo "Artur"  pelo envio  desta excelente matéria.

Ivanildo  Alves  Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e Cariri-Cangaço
Natal/RN

Ops! nada de conclusões, confira os Adendos abaixo.

Por Jorge Remígio

Caros amigos. Interessante o texto do escritor Hilário Lucetti. Porém, faz-se necessário a correção de algumas datas e graus de parentesco de pessoas envolvidas nesta história que é uma verdadeira saga. A árvore genealógica dessas duas famílias que guerreavam no sertão, basicamente no Pajeú das Flores, torna-se complicada devido aos aos casamentos consanguíneos de Pereiras e Sá, como também, Carvalhos e Nogueiras. Não raro, a união por matrimônio entre membros da família  Pereira e Carvalho. Leve-se em conta também, o grande número de nomes iguais e repetidos, principalmente dos Pereiras. A seguir, algumas considerações sobre o texto postado:
" Sinhô Pereira e Luís Padre eram netos de Andrelino Pereira da Silva..."
Não, Luis Padre era neto e Sinhô, sobrinho neto. O avô de Sinhô, Aureliano Pereira da Silva, pai de Constância, era irmão de Andrelino, o Barão do Pajeú.

Na morte de "Né" Delegado em 1905, por Antônio Clementino de Carvalho, conhecido por Quelé, houve um incidente que precedeu ao fato, digno de relato. Cassiano Pereira da Silva (meu bisavô) e o meio irmão Cincinato Pereira, foram desarmar Quelé, invocando autoridade para esse ato. Quelé negou-se a entregar a arma em plena feira de Vila Bela. Manoel Pereira Maranhão, conhecido por Né Delegado e irmão dos dois, o qual havia sido Delegado anteriormente, achou esse ato uma desfeita e tomou as dores para ele, indo desarmar Quelé posteriormente na mesma feira, sendo assassinado.

"O matador de Padre Pereira foi Luiz de França da família Carvalho"
Não, Luiz de França não era da família Carvalho. Este, juntamente com os cabras Manoel Tomé e Mariano Mendes emboscaram e mataram Padre Pereira a mando de João Nogueira, o qual era casado com uma irmã de Sinhô, Benvenuta, mas conhecida por Benuta. Não foi crime de vingança. João Nogueira insistia pela herança da esposa Benuta, mesmo o sogro estando vivo e Padre Pereira opinou contrariamente junto ao irmão Manoel Pereira da Silva, sogro de João Nogueira. Este passou a ter ódio de Padre Pereira.
" Sinhô, dono praticamente de muitas terras e gado, vendeu tudo barato para cuidar da vingança"
Sinhô era muito jovem em 1916, ainda ia completar 21 anos e era o caçula de vinte e dois irmãos O pai teve dois casamentos. Foi o escolhido pela família, porque era solteiro e muito valente. Quem custeava as finanças do bando era Antônio Andrelino Pereira da Silva, filho do Barão e também Manoel Pereira Lins, o Né da Carnaúba, primo em primeiro grau do pai de Sinhô. Importante esclarecer, que o Major José Inácio do Barro-CE, foi quem deu toda estrutura suficiente para concretização do bando. Dona Chiquinha era sobrinha do marido Padre Pereira. A sua mãe Maria Pereira era irmão de Padre Pereira, a qual residia no Barro com o filho Luís Padre, antes de 1916.
“Os Carvalhos além de numerosos, por serem duas grandes família ligadas por afinidade, estavam sempre de cima na política, o que vale dizer, ter a polícia à disposição”
Nem sempre. Vale salientar, que os três primeiros prefeitos de Vila Bela, foram: Andrelino Pereira da Silva, o Barão do Pajeú, Manoel Pereira da Silva Jacobina, (Padre Pereira) e Antônio Andrelino Pereira da Silva, filho do Barão. Os Pereiras eram correligionários de Rosa e Silva. Político que deteve o poder por muito tempo em Pernambuco. Na eleição de novembro de 1911, mudaram de lado e apoiaram o General Dantas Barreto. Os Carvalhos apoiaram Rosa e Silva, o qual venceu a eleição, mas não levou. Dantas Barreto impondo-se pelas armas, expulsou Rosa e Silva de Pernambuco, sendo o General, referendado como governador.

O Monsenhor Pequeno, amigo da família Carvalho, articulou politicamente a adesão dos Carvalhos ao partido de Dantas Barreto pós-eleição, inclusive, manipulando votos no diretório, conseguindo assim, maioria e consequentemente levando os Carvalhos a indicar pessoas de confiança em cargos estratégicos, havendo então, uma alternância no poder das famílias beligerantes a partir do ano de 1912.
Como é relatado no texto, Sinhô não assassinou Eustáquio Carvalho. O autor foi Manoel Pereira da Silva Filho, o Né Dadú, seu irmão mais velho. Em 1907, Sinhô tinha apenas 11 anos.
" Diz Zeca André em seu livro...  nos últimos meses de 1919, chegavam ao Barro no Ceará, Luís Padre e Sinhô" Sinhô Pereira formou bando no final de 1916 e Luís Padre já residia no Barro com a mãe, D.  Chiquinha. “No mês de dezembro de 1920, morria a mãe de Luís Padre"
D. Chiquinha  faleceu em 1918, acometida pela gripe espanhola. No mesmo ano, Luís Padre e Sinhô deixaram  o cangaço e viajaram separadamente para o Estado de Goiás. Sinhô sofre perseguição da polícia no Piauí e retorna ao campo de luta, permanecendo até a metade do ano de 1922.

Era o que eu tinha a dizer.
 
Att Jorge Farias Remígio
Funcionário público e pesquisador do cangaço e de quebra tem o sangue dos Pereiras de Villa Bella.
Custódia, PE

Adendo 2

Por Sousa Neto


Sensacional Matéria de A PROVINCIA. Graças ao amigo Professor Pereira, adequei esse e outros vários exemplares dessa revista. As observações do meu amigo “PEREIRA” Jorge Remígio foram precisas e por essa razão quero parabeniza-lo.

Gostaria de acrescentar que a questão entre Luiz Padre e Osório “Bezerra” não Maia, se deu pelo seguinte fato:

Osório Bezerra era casado com Isabel, irmã de Justino e Luiz Neco. Luiz Padre vivia maritalmente com uma bela mulher de nome Manuela apelidada de Manú. Luiz Neco jovem conquistador do sitio Carnaúba em Barro, lugar onde viviam os Pereira, conquista o coração da amante de Luiz Padre e a convence fugir com ele para longe.

Luiz Padre ao tomar conhecimento da fuga de Manú e Luiz Neco, tratou de procurar pistas que o levasse ao paradeiro dos dois. Foi informado que no município de Cajazeiras na Paraíba residiam familiares de Luiz, entre eles os dois irmãos. Sem demora rumou para o sitio Cipó com seus cangaceiros, na certeza de encontrá-los lá.

Ao chegar ao local tomou ciência que ninguém saberia do paradeiro dos fugitivos. Foi ai que cometeu tamanha atrocidade. Justino Neco que nada tinha com o caso foi castrado por Luiz Padre e Osório Bezerra teve a sua propriedade saqueada e incendiada pelo bando sanguinário. Para consolidar ainda mais a sua vingança, Luiz Padre levou Belinha que só foi devolvida ao esposo algum tempo depois por intervenção do Bispo de Cajazeiras.

Por essas bandas a musica era cantada da seguinte forma:
O riacho da Carnaúba
Já encheu e já secou
A mulher de Luiz Padre
Luiz Neco carregou.
Um abraço a todos!
Sousa Neto
Jornalista, Pesquisador e escritor do cangaço.
Barro, CE