terça-feira, 31 de maio de 2011

Mas cadê Geraldo e Dr. Leandro?

O povo quer notícias do Rio!

Ói os homi aí!
Ontem foi o prazo final! Já estava a me perguntar e sendo cobrado pelas notícias do seminário na ABL. Nenhum, dos nossos dois confrades de SBEC haviam  se manifestado, Cai em sí, - Tá! os cabra tão é curtindo a paisagem da cidade maravilhosa que só não é mais bonita que a do sertão, daqui a pouco eles desembanham os comentários... E de repente como se macomunados numa sincronia os amigos Dr Leandro Cardoso e Geraldo Ferraz enviaram emails com minutos de diferença.

Caros amigos do Lampião Aceso
Saudações!

Foi um momento muito importante para o estudo do Cangaço, que agora ultrapassa os umbrais da Casa de Machado de Assis. A presença de Geraldo e Vera também foi algo inusitado: o neto de um dos mais tenazes perseguidores de Lampião e a neta do próprio, neste momento de confraternização em prol da nossa História e da nossa Cultura. Na minha participação fiz questão de apontar para trabalhos referenciais da Literatura específica do Cangaço, como algumas obras dos mestres Amaury e Frederico Pernambucano. É a nossa SBEC mostrando força e vigor.
Grande abraço, Leandro Fernandes! 

Vamos ao resumo elaborado pelo assessoria de comunicação da Academia anexada por Geraldo. 


SEMINÁRIO ‘BRASIL, brasis’ DA ABL SOBRE  A RELAÇÃO ENTRE O CANGAÇO E A LITERATURA MOBILIZA INTERESSE DE INTELECTUAIS, ESTUDANTES E
PERSONALIDADES

Dois auditórios da Academia lotaram com um público que assistiu às quatro palestras. A professora Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita, veio de Aracaju e participou da Mesa. Também participou o escritor Geraldo Ferraz, neto do major Theophanes Ferraz, comandante das tropas contra o cangaceirismo que chefiou a luta contra Lampião e seu bando. Em sua opinião, "a Academia está fazendo história, ao reunir num debate os dois netos famosos com duas visões distintas, mas o mesmo interesse em torno da veracidade dos fatos".




O Teatro R, Magalhães Jr. e a Sala José de Alencar (esta com um telão) da Academia Brasileira de Letras (ABL) ficaram lotadas de acadêmicos, personalidades do mundo político, empresarial e da cultura, além de estudantes do ensino médio e universitários , para o debate em torno do tema "O cangaço e a Literatura", dentro do segundo Seminário “Brasil, brasis” de 2011,na quinta-feira, dia 26.


Geraldo Ferraz, Carlos Nejar e Leandro Cardoso
A coordenação geral foi do Acadêmico Marcos Vinicios Vilaça, Presidente da ABL, e a coordenação da mesa, do Acadêmico Carlos Nejar. Os conferencistas convidados foram Antonio Campos, Leandro Cardoso Fernandes, Felipe Fortuna e Geraldo Ferraz. Vera Ferreira também fez um depoimento a respeito das pesquisas que tem realizado em torno da trajetória de seus avós e a história do cangaço, tema que resultará em um livro a ser por ela proximamente publicado.

 "A ABL se rejubila com o interesse provocado pelo debate. O comparecimento maciço e o alto nível das discussões confirmam o rumo certo da Academia, ao abrir suas portas para discutir todo e qualquer tema que diga respeito ao interesse cultural da sociedade. Queremos trazer para esta Casa os saberes vários e todas as manifestações históricas e artísticas. O papel da Academia é o de preservar e valorizar a memória nacional: a língua como instrumento do conhecimento e da convivência; as letras como reveladoras e formadoras da identidade nacional, sem deixar de fora nada que é humano. E o Seminário “Brasil, brasis”, sobre “O cangaço e a Literatura”, nos revela também este lado humano”, afirmou o Presidente Marcos Vinicios Vilaça.

Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita e filha de Expedita, dedica-se exclusivamente à concretização de um de seus sonhos: escrever um livro baseando-se nas histórias que levantou ao longo de seus 27 anos de pesquisa. Vera disse que, desde criança, cresceu ouvindo contar histórias sobre seus avós e seu cotidiano. Fato que foi enriquecido pela companhia de pessoas que viveram as histórias deles e de outros cangaceiros.

Na Mesa, ela informou acerca de suas lembranças de fatos de ex-cangaceiros, ex-volantes, ex-coiteiros e pessoas que conviveram com eles." O que mais me marcou- afirmou - foi a confirmação de que meu avô era um homem de palavra e que minha avó, que faria em 2011 cem anos, era uma pessoa alegre. O convite da Academia me deixou muito contente, até porque estamos debatendo um assunto que me é apaixonante, o cangaço. Acho importante essa troca de informações num espaço onde temos pessoas que lêem, escrevem e ouvem", disse..
  
Vera Ferreira e Geraldo Ferraz

Os conferencistas

Poeta, advogado, editor e empresário, Antonio Campos está à frente do Instituto Maximiano Campos, organização não governamental voltada para a arte literária, e também da Editora Carpe Diem. Ele também é curador da Festa Literária Internacional de Pernambuco, a Fliporto, e autor de diversas obras, entre elas: “Diálogos no Mundo Contemporâneo: por uma Cultura de Paz”; “A reinvenção do livro”; e “Diálogos Contemporâneos”.

Médico cardiologista e ecocardiografista pela Escola Paulista de Medicina, Leandro Cardoso Fernandes é autor do livro “Lampião: A medicina e o cangaço”, em parceria com Antonio Amaury Corrêa de Araújo. Poeta, também é autor do folheto “Sinhô Pereira – o homem que chefiou Lampião. Articulista, colaborou com artigos sobre o cangaço com revistas e jornais, além de ser consultor em filmes e documentários.

Felipe Fortuna é poeta, ensaísta e diplomata. Mestre em Literatura Brasileira, colabora regularmente com os principais jornais dom país. Estreou com o livro de poemas “Ou vice-versa”, em 1986. Felipe Fortuna também publicou os livros “Curvas, ladeiras – Bairro de Santa Teresa” e “Visibilidade”, de ensaios. Traduziu a obra integral do poeta renascentista Louise Labé, no volume “Amor e loucura”.


Geraldo em momento de palestra
Geraldo Ferraz é formado em Administração de Empresas pela Faculdade de Ciências Humanas Esuda, de Pernambuco, em 1978. Em seguida, cursou pós-graduação em Administração Pública pela Faculdade de Administração de Pernambuco. Artista plástico e escritor é, também, autor do livro “Pernambuco no tempo do cangaço”. É integrante de muitas instituições literárias, entre elas a Academia de Artes e Letras do Nordeste, onde ocupa a Cadeira nº 29 e exerce, atualmente, a vice-presidência.

Antonio Carlos Athayde
Academia Brasileira de Letras (ABL)
Assessor de Imprensa
(21) 3974 2552
(21) 8622 2361
acathayde@academia.org.br
www.academia.org.br

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Cangaço em "Fogo Morto"

Por Cristiane Laudemar Rodrigues Assis e Thalita Doretto Brito

Monografia para Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo - FESPSP Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação. São Paulo Junho de 2010.


1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo analisar como o tema “cangaço” aparece na obra “Fogo Morto”, do autor paraibano José Lins do Rego.

Lins do Rego nasceu em 03 de julho de 1901, no município de Pilar, na Paraíba. Filho de João do Rego Cavalcanti e Amélia Lins Cavalcanti, foi criado pelo avô materno, José Lins Cavalcanti Albuquerque, em decorrência da morte prematura de sua mãe. Tal circunstância colocou-o, ainda menino, em contato com o ambiente que seria presença marcante em sua obra literária: a zona rural nordestina e o engenho de açúcar. Mais do que registrar tal contexto, Lins do Rego foi cronista coevo do processo de modernização pelo qual passou a produção açucareira nordestina, e da decadência que assolou boa parte dos donos dos antigos engenhos, que se viram preteridos pelas modernas usinas açucareiras, que alteraram significativamente o modo de produzir e as relações de trabalho no nordeste, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.

Conviveu de perto também com o fenômeno social conhecido como cangaço, que só existiu no nordeste brasileiro, entre 1900 e 1940. Portanto, estas serão duas marcas registradas dos romances de José Lins do Rego: o cangaço e a decadência da antiga aristocracia açucareira nordestina, da qual seu avô fazia parte. Sua obra insere-se na escola literária do modernismo, com características regionalistas, onde destaca o Nordeste brasileiro. Nesse contexto, mostrava os problemas e desigualdades sociais de nosso país. Apresentava linguagem simples e coloquial, somente ocasionalmente desrespeitando a norma culta da língua portuguesa. Produziu duas séries de livros temáticos, uma dedicada à cana-de-açúcar e outra ao cangaço.

No ciclo da cana de açúcar publicou Menino de Engenho (1932), Doidinho (1933), Banguê (1934), Moleque Ricardo (1935) e Usina (1936). Esses romances apresentam o processo de decadência dos engenhos da Paraíba, substituídos pelas usinas mais modernas. Apesar do autor não considerar Fogo Morto (1943) um elemento desse ciclo, o declínio da aristocracia açucareira aparece retratado na obra. O segundo ciclo temático das obras de José Lins trata do fenômeno social denominado cangaço. Os títulos publicados foram Pedra Bonita (1938) e Cangaceiros (1953).


1ª edição

1ª edição

Como testemunha ocular do desenvolvimento desse movimento no sertão nordestino, o autor descreve a vida desses bandidos e suas crueldades e peripécias. Podemos afirmar que Fogo Morto também apresenta o assunto, mostrando as lutas entre o cangaceiro Antônio Silvino e o chefe da volante Tenente Maurício. Publicou outros romances sem temas interligados como Meus Verdes Anos, livro de memórias, Histórias da Velha Tetônia, literatura infantil, Pureza, Riacho Doce, Água Mãe e Eurídice.

2. O CANGAÇO 

2.1 Origens O termo cangaço vem de canga, que segundo DÓRIA (1982, p. 24) era “o nome dado ao armamento do indivíduo que andava de bacamarte passado sobre os ombros, tal qual boi no jugo, sobrecarregado ainda de uma quantidade de outras armas”.

O cangaço pode ser classificado como um movimento de banditismo social. Esse termo é utilizado para designar o indivíduo, membro de uma sociedade rural que, pelas injustiças sofridas ao longo da vida, torna-se um fora da lei perante o Estado e a elite latifundiária. Ele se torna um bandido e pratica crimes comuns, como assassinatos, estupros e outros tipos de violência. Seu diferencial é agir contra a as autoridades locais, encarnando uma espécie de justiceiro para as classes sociais menos favorecidas. Geralmente esse tipo de fenômeno acontece em sociedades rurais que passam por um momento de ruptura, que pode ser da mudança entre uma organização tribal ou de clã para uma forma mais moderna de associação como a sociedade capitalista.

Portanto, esses movimentos significariam uma resistência às mudanças sociais, econômicas e políticas de uma região. Geograficamente, o cangaço aconteceu em uma única região brasileira: o sertão nordestino. Originou-se entre as últimas décadas do século XIX e os primeiros anos de século XX. Em meados do século XIX, muitos destes homens eram moradores e/ou agregados de grandes latifundiários e proprietários de gado.

Como seus dependentes, esses jagunços contribuíam com a proteção desse território, cumprindo sempre os pedidos do seu senhor. Juridicamente eram civis, que em momentos específicos pegavam em armas para defender seu coronel ou vingar algum tipo de afronta. “Os bandos de homens armados não eram constantes e sim temporários, agrupando-se e desfazendo-se ao sabor das disputas e dos conflitos”. (QUEIROZ, 1997, p. 24).

Com o tempo, os bandos se tornaram independentes dos grandes latifundiários, especialmente em momentos de grandes calamidades, como períodos muito longos de seca. Nesse contexto, costumava ocorrer a migração do dono da terra e sua família para regiões não atingidas pela seca, abandonando temporariamente a fazenda e regressando posteriormente. Tal fenômeno fora registrado por vários autores, como Graciliano Ramos, em “Vidas Secas”. As alterações climáticas desorganizavam a economia sertaneja, forçando também a migração de parte da população residente. Neste contexto, roubar passava a ser uma opção perfeitamente plausível, e ser cangaceiro se tornava um meio de vida e sobrevivência.

2.2 Fatores 
As causas principais para a ocorrência do cangaço como fenômeno social podem ser divididas em estruturais e conjunturais1. Dentro dos fatores estruturais podemos apresentar três motivos: o tipo de sociedade formada na região, o oferecimento de poucos postos de trabalho e a resistência à instalação dos aparatos do Estado. Nas relações sociais no sertão nordestino, as comunidades eram formadas por grupos de parentela numerosa, unidas por laços de sangue ou de compadrio. No interior destes arranjos, brigas entre grupos familiares diferentes eram constantes, muitas vezes motivadas por honra e vingança. Tais circunstâncias criavam, para os latifundiários, a necessidade de recrutamento de um verdadeiro exército de jagunços, sempre a postos para os mais variados serviços. Segundo nomenclatura proposta por Queiroz (1997).

Contudo, a regra na caatinga era a escassez de postos de trabalho. E, com a seca, as pessoas se deslocavam para regiões mais prósperas, como a Zona da Mata. Quando essas regiões também se encontravam em dificuldades, os assaltos eram constantes. Após o advento da República no Brasil 2, inicia-se a instalação de todo um aparato político-administrativo estatal na região. Havia a necessidade de criar Câmara de vereadores, juizado e órgãos de cobrança de impostos, que nunca estiveram presentes na vida das pessoas que viviam nessa sociedade. Neste contexto, o cangaço é um movimento de resistência a tal “modernidade”. Existem muitos exemplos, citados por Queiroz (1997), sobre cangaceiros que cortavam as linhas de telégrafo, invadiam vilas para desmoralizar as autoridades ou impediam a construção de ferrovias.

É preciso compreender tais ações sob duas perspectivas. Por um lado, o comportamento dos cangaceiros correspondia à defesa natural de seus interesses, uma vez que quanto mais distante as forças repressoras estatais estivessem, mais livres estariam para agir como melhor lhes ocorresse. Por outro, é a reação a um governo longínquo, quase uma abstração, que só era reconhecido pela população em seus agentes repressores, os chamados volantes. Contudo, tais as características não servem, sozinhas, para explicar a ocorrência do cangaço, uma vez que muitas ainda persistem no Nordeste. Para descobrir, portanto, as causas mais prementes para o surgimento desse movimento, é necessário analisar as causas conjunturais, ou seja, os fatores mais imediatos e datados que justificam a origem do fenômeno.

Esses motivos seriam: crises constantes na produção açucareira, a modernização das usinas de açúcar, a falta de compradores para os produtos excedentes do sertão, redução sazonal da oferta de trabalho. A produção açucareira no Nordeste brasileiro foi implantada no século XVI, e foi decaindo a partir da concorrência com açúcar holandês, cultivado nas Antilhas Holandesas3, a partir da segunda metade do século XVII. Apesar disso, o produto nunca deixou de constar na pauta da produção nordestina. A partir de 15 de novembro de 1889.

3 América Central. 
Porém, a partir de 1850 a produção brasileira passou a sofrer muito mais com a concorrência internacional. Além de perder espaço no mercado dos Estados Unidos para a produção de Cuba e de áreas coloniais norte-americanas como Porto Rico, o açúcar brasileiro sofreu também forte concorrência do açúcar de beterraba produzido na Europa. O acirramento da competição no plano internacional foi consequência de vários fatores. Ao açúcar brasileiro era praticamente impossível concorrer em condições de igualdade com zonas produtoras tecnicamente mais avançadas, como as colônias européias na América Central e o sul dos Estados Unidos.

Além disso, tarifas alfandegárias protecionistas nos Estados Unidos e na Europa dificultavam o acesso a estes mercados. Tal situação, aliada ao surgimento de outras áreas produtoras com técnicas novas, como nas Ilhas do Caribe e Egito, elevou a qualidade e aumentou a quantidade do açúcar produzido. Com isso, os preços do produto caíram e o mercado mundial tornou-se instável para os brasileiros – dificultando qualquer tentativa isolada de investimento em maquinário moderno e alterações significativas na forma de se fazer açúcar. Sem conseguir acompanhar a rápida modernização mundial, o Brasil perdeu espaço no comércio internacional, voltando sua produção açucareira para o mercado interno. No caso nordestino, isso se traduziu em produzir, além do açúcar, a rapadura e a cachaça.

Porém, tal mercado era limitado e não impediu a decadência da produção açucareira nordestina. O período do cangaço (1900-19040) coincidiu com esta crise, e com a tentativa de modernizar a produção através da implantação de grandes usinas, que serviram de catalizador da ruína dos engenhos tradições sem, contudo, proporcionar melhorias nas técnicas de plantio da variedade e tampouco nas relações de trabalho que vigoravam no campo. Assim, rareavam os trabalhos possíveis no sertão e, em períodos de seca, havia o desespero dos que precisavam de alguma ocupação para se sustentar.

Queiroz (1997, p. 61 e 62) resume assim as principais causas para o ingresso das pessoas no cangaço: “Menor produção, menor ganho, rebaixamento do nível econômico, maior tempo livre para aventuras e conflitos, era o resultado para o sertão, de crise da cana e do algodão, que se estendeu por todo o começo do século XX”.

2.3 Mito do bom cangaceiro
Os bandos de cangaceiros proliferaram pelos sertões nordestinos. Três personagens principais entraram para a história: Antônio Silvino, Lampião e Corisco. Esses homens se tornaram mitos, e foram transformados pela literatura, cinema e outros instrumentos da arte em justiceiros, lutadores e preocupados com os pobres e oprimidos. Mas será que esses bandidos foram realmente defensores dos necessitados de toda ordem? Os pesquisadores na área afirmam que não.

Essa visão de que o cangaceiro é bom justificou-se porque ele seria um fruto de uma injustiça social e portanto, sensível a elas ao longo de seu percurso como bandido. Segundo Queiroz (1997), os cangaceiros eram somente defensores de seus próprios interesses, sem levar em consideração as necessidades do outro. Para tanto, a autora arrola uma série de características colhidas desses homens por cronistas coevos, que nos dão uma boa idéia de quem eram, na realidade, esses homens. Desta forma, os cangaceiros eram cruéis e sanguinários com todas as classes sociais, não se importando com a miséria do sertanejo mais pobre ou com a fortuna do grande latifundiário. O dinheiro que era roubado não era distribuído aos pobres.

Essa repartição do roubo era feita entre os membros do bando e entre os coiteiros fiéis a eles. Todos os “rivais” eram mortos, sem distinção. Mesmo na literatura de cordel, onde o mito do cangaceiro bom é muito forte, percebemos vozes dissonantes que demonstram que a realidade não é como a arte a recriou. Curran (2003 p. 61 e 62), afirmou o seguinte sobre esse mito: Mais do que em qualquer outro tema do cordel, vê-se aqui o processo folclórico de idealizar a realidade, convertendo-a em mito ou lenda. (...) Virgulino Ferreira, que aterrorizou o Nordeste durante vinte anos, converteu-se totalmente em mito: suas ações sangrentas foram quase esquecidas, e o matador feroz transformou-se em vítima de uma sociedade injusta.

Essa visão romântica do cangaceiro teve sua origem, segundo Queiroz (1997), na década de 50, como figura que demonstrava a nacionalidade do povo brasileiro. Esse é um fenômeno que surge entre intelectuais brasileiros nesse momento histórico. Desta forma, esses pensadores contrapuseram o Nordeste legitimamente nacional e pobre e o Sul do país que era estrangeiro e rico. O cangaceiro torna-se o herói humano e justiceiro, em oposição aos entreguismos ao capital estrangeiro vigente na época. Esse discurso do cangaço retirou a sua realidade, idealizando-o de forma exagerada.

Curran (2003, p. 75 e 76) observa a representação desse fenômeno na literatura de cordel: Os cinquenta anos seguintes [após o fim do cangaço] trarão ainda muitas histórias novas – algumas baseadas em velhos folhetos, outras totalmente ficcionais, ampliando o mito do cangaço. Esse fenômeno tornou-se a epopéia moderna do Nordeste e o cangaceiro, arma política utilizada pela esquerda para disseminar sua visão da política. Chandler (1986, p. 15) demonstra como a realidade do cangaceiro é transformada em mito: Nas sociedades rurais subdesenvolvidas, o banditismo sempre captou o interesse e a fantasia do povo. Na verdade, o fascínio que estes bandidos exercem e a criação de lendas sobre eles (...) parecem ter sido universalmente difundidos.

O homem, ou ocasionalmente, a mulher, que vive fora da lei como um celerado errante, aparentemente livre de qualquer restrição da sociedade, desperta uma fibra de nossa imaginação, principalmente quanto mais remotas forem sua colocação no tempo e no espaço (...) As vidas destes homens serviam de assunto a trovadores e a outros contadores de histórias populares, cuja tendência era a de mitificá- los, exagerando alguma boa ação que por acaso tivessem feito, mas omitindo a realidade histórica.

3. O CANGAÇO EM FOGO MORTO

Em Fogo Morto, o cangaço aparece através da figura do bando do cangaceiro Antônio Silvino, perseguido na região da Paraíba pelo chefe das tropas “volantes”, Tenente Maurício. Apesar da narrativa sobre o tema ser secundária, ela demonstra a visão de José Lins do Rego sobre o assunto. Como filho e neto de senhor de engenho, ele demonstra, ao desenrolar da história, a mesma visão apontada pelos estudiosos sobre o assunto, o cangaceiro cruel e sanguinário, que amedronta boa parte da população, encanta alguns membros das classes sociais mais baixas e manipula a ação dos poderosos da região. Os personagens apresentam comportamentos diferenciados sobre o tema. Mostramos abaixo as principais reações a esse fenômeno.

3.1 José Amaro
O seleiro, que vivia de favor na fazenda de Seu Lula, era um homem amargo e vítima de muitas injustiças. Seu drama pessoal no decorrer do romance é o de ter uma família que não o aceita. Sua esposa, d. Sinhá e sua filha, Marta, parecem seres estranhos para esse homem, que se sente solitário e injustiçado. Amaro é admirador do cangaceiro Antônio Silvino, mesmo sem nunca tê-lo visto. Desta forma, ele demonstra uma idealização do personagem, demonstrada nas seguintes passagens: Em diálogo com o coiteiro Alípio, José Amaro demonstra sua adoração pelo cangaceiro: E foi assim que se viu com um tipo bem perto dele parado. Quis correr para que não o visse, mas não o fez, chegou-se mais para perto.
-Boa noite. É mestre Zé Amaro? 
-Ás suas ordens.  
-Não é nada não, mestre, mas estou aqui a mando do capitão Silvino. O bando está acoitado na Fazendinha, e o capitão me mandou por aqui para saber da tropada Tenente Maurício. Falaram que os macacos passaram o dia de ontem no Santa Rosa.

O mestre estremeceu com a palavra do homem. O nome de Antônio Silvino exercia sobre ele um poder mágico. Era seu vingador, sua força indomável, acima de todos, fazendo medo aos grandes. Quando o aguardenteiro Alípio.  
-È você Alípio?
-Sou eu mesmo, mestre Zé. Eu gosto do capitão. Não vou para o bando dele por causa da minha mãe que ainda tem filha para casar. (Lins do Rego, 1980 , p.57)

Em outra passagem do romance, Zé Amaro demonstra sua admiração por Antônio Silvino: (...) O seleiro não escutava o negro. O capitão Antônio Silvino voltava a tomar conta de seus pensamentos. Admirava a vida errante daquele homem, dando tiroteios, protegendo os pobres, tomando dos ricos. Este era o homem que vivia na sua cabeça. Este era seu herói . (Lins do Rego, 1980, p. 66)

Desta forma, no decorrer da obra, o seleiro se transforma em coiteiro, fazendo alpargatas para o bando ou comprando alimentação para o cangaceiro. Também faz o papel de informante, observando as movimentações do Tenente Maurício.

O homem se foi ,e na casa do mestre José Amaro ficou o terror na sua mulher, e uma sinistra alegria no coração do seleiro. Ele matava galinha e dava para o Capitão Antônio Silvino que mandava em toda cambada de senhores de engenho .Cazuza Trombone,de Maçangana, mudara-se com medo para cidade com medo dele. O velho José Paulino dera um banquete ao Capitão Antônio Silvino. Disseram até que a filha do grande servirá a mesa ,como se fosse ama dos cangaceiros. Sinhá torrara duas frangas para o homem que ele mais admirava neste mundo. (Lins do Rego, 1980, p. 72).

Apesar de toda a admiração que Zé Amaro demonstra por Antônio Silvino, ele acaba por desiludir-se no final do romance, posto que acaba preso e torturado pela volante do Tenente Maurício e o cangaceiro não aparece para salvá-lo e vingá-lo. Nesse trecho, exprime sua angústia, sobre não saber o paradeiro de seu herói. : “Não tinha quem o protegesse. Só esperava alguma coisa do Capitão Antônio Silvino ,que só ele era homem para ajudar um pobre em sua situação. Onde estava ele aquela hora?”(Lins do Rego. 1980 p.268).

Depois de deixar a cadeia, triste e amargurado, o seleiro volta para casa, mas já não existe motivo para sua existência. A mulher a qual ele acusava de seus infortúnios na vida, foi embora, cuidar da filha doente. Aquele no qual depositava todas suas esperanças o havia abandonado quando ele mais precisava. O mestre desiste da vida e com a faca de cortar sola (seu instrumento de trabalho) se mata, desistindo assim de esperar o “salvador da pátria”.

3.2. Coronel Lula de Holanda 
Personagem decadente do sertão nordestino, o coronel Lula não simpatiza com o cangaço e não aceita as ameaças de Antônio Silvino. Mesmo depois do cangaceiro mandar- lhe recado para que não expulsasse José Amaro de sua propriedade, Lula de Holanda não lhes dá ouvidos. Quando o cangaceiro Antônio Silvino invade sua propriedade, em busca do ouro deixado por herança por seu sogro, o latifundiário não cede e acaba tendo uma grave crise de epilepsia, doença que o acompanha ao longo do romance. É sua esposa, D. Amélia, que acaba por interagir com os cangaceiros, afirmando que a propriedade é pobre. E voltando-se para o velho:  

- Coronel, eu sei que o senhor tem muito dinheiro. 
- Como? 
- Não é preciso esconder leite, coronel. O dinheiro é seu. Mas para que esconder?
- Capitão, aqui nesta casa não há riqueza.
- Minha senhora, eu sei que tem. Soube até que muita moeda de ouro. Eu vim buscar um pedaço para mim.

(Lins do Rego, 1980, p. 224) 3.3 Capitão Vitorino Carneiro da Cunha Vitorino Carneiro da Cunha era pobre, mas aparentado com senhores de engenho rico (Coronel José Paulino) e metido com política coloca-se completamente contrário ao cangaço. Afirma em seus longos discursos, que a culpa do fenômeno é do governo, como expressa nesse trecho: “Quem é? ora quem é...O governo, tenente. Se eu fosse governo não havia cangaço.”(Lins do Rego. 1980 p.263).

Quando o Santa Fé é invadido pelo capitão Antônio Silvino, ele mais uma vez lembra a seu primo José Paulino que a culpa de tudo aquilo é dele: “De tudo isto o culpado é você mesmo. Deram gás a este bandido.”(Lins do Rego. 1980 p.260).

Em outro momento, enfrenta o cangaceiro dizendo: “O que eu lhe digo, Capitão Antônio Silvino é o que digo a todo mundo .Eu Vitorino Carneiro Cunha ,não me assusto com ninguém.” (Lins do Rego. 1980 p.256).

Por essa ousadia é espancado, chamado de louco, pois poucas pessoas se atreviam a expressar sua opinião a um cangaceiro como Antônio Silvino sem ser morto. Sua fama em toda região de maluco, sonhador, alienado é um dos motivos que impede sua morte; tanto tropa quanto os cangaceiros o viam como uma pessoa inofensiva.

3.4 – Outros Personagens
Alguns personagens demonstram medo quando o assunto é abordado. É o caso das mulheres, como sinhá Adriana, esposa de Vitorino ou D. Sinhá, mulher de Zé Amaro. “(...) A sua mulher temia com o pavor das notícias do Capitão Antônio Silvino. Marta já de pé, perguntou-lhe o que queria dizer tudo aquilo”. (Lins do Rego. 1980, p. 71).

Outro trecho que demonstra o medo desses personagens pode ser expresso nesse trecho: “O homem se foi, e na casa do mestre José Amaro ficou o terror na sua mulher, e uma sinistra alegria no coração do seleiro”. (Lins do Rego. 180, p. 72).

O Coronel José Paulino, que aparece pouco no romance, mas que acaba mostrando sua influência ao longo do texto, pagava para que o cangaceiro não perturbasse a sua fazenda rica e próspera. Portanto, fazia com que o cangaceiro fosse um aliado, para que suas terras não fossem invadidas. Era inevitável sua aliança com os cangaceiros, pois se houvesse algum atrito entre eles toda sua safra poderia ser saqueada ou mesmo seu engenho.

Os grandes latifundiários como José Paulino, alimentaram muitos anos os cangaceiros ,oferecendo-lhes dinheiro em troca de proteção. “Quer dinheiro capitão? A figura do coronel José Paulino encheu a sala de respeito” (Lins do Rego. 1980, p.258).

Oferecer dinheiro a alguém , é uma forma de mantê-lo sob controle .Enquanto o cangaço fosse útil ao mesmo ,valeria a pena o investimento.


Poster do Filme

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O cangaço é tema presente e recorrente na história do Nordeste e também do Brasil. Surgido entre o século XIX e o século XX, foi um fenômeno que causou um impacto muito grande entre pobres e ricos do Sertão, modificando as relações sociais. Com as constantes secas e catástrofes naturais, o cenário do semi-árido nordestino presenciou o agrupamento de grupos de bandidos, injustiçados pelas mazelas sociais e que incorporavam os valores daquele povo, onde a violência e a honra são temas muito importantes. Contudo, os cangaceiros se tornaram um mito, reiterado constantemente pela arte popular (literatura de cordel) e pela arte burguesa (filmes e livros). Representante da nacionalidade brasileira, o bandido violento e cruel, que não respeitava classe social e que não dividia seus roubos com os mais pobres, se torna um justiceiro, herói do povo que representa. Com essa transformação, percebemos mudança da figura histórica e da figura mítica dos cangaceiros.

Em Fogo Morto, José Lins do Rego mostra tanto o lado mítico, idealizado pela figura de José Amaro, quanto mostra seu lado violento, ao descrever os ataques ao Pilar e à fazenda do Coronel Lula. Esse conhecimento da realidade do cangaço se deve à convivência, em sua infância, com esse fenômeno. Por isso, Lins do Rego acaba desmistificando o cangaço perante o olhar do leitor, mostrando, no final do seu romance, o abandono de José Amaro, que morre sem a salvação de cangaceiro algum.

Referências bibliográficas 

CURRAN, Mark J. História do Brasil em Cordel São Paulo: EDUSP, 2003.
DÓRIA, Carlos Alberto. O cangaço São Paulo: Editora Brasiliense, 1982. (Coleção Tudo é História). FACÓ, Rui. Cangaceiros e Fanáticos: Gênese e Lutas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972. FAUSTO, Boris História do Brasil São Paulo: EDUSP, 2004 (Coleção Didática).
LINS DO REGO, José. Fogo Morto São Paulo, Editora Klick, 1980.
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de História do Cangaço São Paulo: Global, 1997 (Coleção História Popular).
RODRIGUES, Alfredo O cangaço na obra de José Lins do Rego Tese de Livre Docência. UNESP Araraquara, 1984.

Pescado em : Slideshare
Capas dos livros em: www.tertuliabibliofila.blogspot.com

domingo, 29 de maio de 2011

Flagrantes:

Lançamento do livro " O canto do Acauã
Por Ivanildo Silveira
Formatação: Kiko Monteiro 

No último dia 26/05/11 (Quinta-feira) estivemos na cidade do Recife, onde o memorial da medicina de Pernanmbuco acolheu as "Memórias do Cel. Manoel de Souza Ferraz", e assim foi lançada a terceira edição da excelente obra, da escritora pernambucana, Dra. Marilourdes Ferraz .
 

Evento muito prestigiado, cobertura da imprensa local, presença de pesquisadores, professores, estudiosos, dentre outras pessoas que simplesmente gostam do tema "Cangaço".
 
 

 Tem inicio a sessão de autógrafos
 

 Prof. Pereira e Dr. Paulo Britto (filho do cel. João Bezerra - matador de Lampião )

  
Da esq. p/ direita: Fabiano Ferraz (filho de Marilourdes); Ivanildo Silveira e Dr. Paulo Britto.


Durante o evento foi servido um coquetel aos presentes, tendo a animação do trio de "Agostinho do acordeon", da cidade de Floresta/PE, como o seu " forró de raiz"
 

O amigo " sgtº Narciso ", se deslocou de João Pessoa, PB e também se fez presente ao evento.
 

Da esq. p/ dir.: Paulo Britto, Ivanildo Silveira, filho de Paulo, e a Sra. Ane Ranzan (esposa de Paulo). Família muito simpática e atenciosa. 
 

Da esq. p/ dir.: major João Bezerra da "Nóbrega"; Sgt. Narciso e Ivanildo Silveira. Convém salientar, que em breve, o major Nóbrega estará lançando o livro; “Lampião e o cangaço na Paraíba".
 
 
 
Dra. Marilourdes, após autografar meu exemplar gentilmente, posa ao nosso lado registrando-se um momento ímpar, pois, não é todo dia que se ocorre o lançamento de uma obra, da qual somos admiradores...
 

Numa análise superficial da obra, constatamos, o seguinte :
 

- Foram inseridas, muitas fotos e documentos inéditos
- N
ovos capítulos, tornando a obra muito densa;
- Adicionados desenhos e mapas, mostrando os detalhes estratégicos de alguns combates realizados entre os policiais e cangaceiros. 
 

Reafirmo com plena convicção, ser este livro indispensável na biblioteca dos estudiosos do tema cangaço. Em breve, informaremos aos nossos amigos rastejadores (fone, email, valor... etc..), para a aquisição do mesmo.

Um abraço a todos.

Ivanildo Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Rubens Antonio

"Mais um garimpeiro da marca azeda"

Confira algumas das imagens e respectivas manchetes de jornais ripadas pelo confrade Rubens Antonio em suas "rastejadas" pela Bahia.

As fotos são escaneadas de jornais deste estado. Infelizmente ainda não conseguimos a nitidez desejada. A intenção é para que nossos leitores constatem que semelhantes a estas há outras imagens que permanecem perecíveis na fragilidade dos jornais e ainda não estão devidamente recuperadas e reproduzidas nos livros.

Quem é este elegante cidadão? 
Esta foto foi "batida" em 1940 na cidade de Salvador quando o ex cangaceiro "Jurity" já em liberdade após um ano e meio de ter se entregado foi visitar os velhos companheiros, cangaceiros do bando de "Labareda", que estavam detidos após as ultimas entregas. Compare com  a sua figura na época do cangaço em foto de 1936.


Os visitados

 Jandaia, Patativa, Labareda, Saracura e suas mulheres, com e Deus-te-guie, no centro ao fundo. As meninas eram Zephinha, de Jandaia; Maria Eunice, de Patativa; Flauzina, de Saracura e Ozana, de Labareda.


Sargento José Miranda Mattos
Morreu assassinado pelo rei do cangaço junto com o tenente Geminiano em Tucano, Bahia.


05 de junho de 1932, no “A Tarde”: (Grafia da época)

"É presa a companheira de um bandido de Lampeão

Dentre os bandidos do grupo de Lampeão, que infelicita os sertões nordestinos, figura o de alcunha “Ferrugem”, que é um cabra destemido e bem disposto.

A policia tem estado por varias vezes na eminencia de captural-o, não o logrando por causa da sagacidade e dextreza do caibra. Mesmo assim não houve esmorecimento por parte dos perseguidores.
Ha dias, foi capturada ali, a rapariga Maria da Conceição, que tinha nos braços uma criança. Interrogada, confessou ser amante do perigoso “Ferrugem”.

Hontem, Maria da Conceição chegava a esta cidade pelo trem do horario, sendo recolhida ao xadrez da delegacia auxiliar, de onde, pela tarde de hoje vae ser mandada para a detenção.

Maria que é cabocla forte e sadia, ao ser inquerida pela reportagem de “A Tarde” nada quiz responder. Não sabia contar os combates.
Só “Ferrugem” que é homem do cangaço – disse rindo-se bastante, deixando á mostra os seus dentes alvos e certos."

Para quem não consegue enxergar o Cangaço em muitas das suas dimensões... aqui uma delas... Uma foto de um soldado morto em Outubro de 1933.


Pedro Emygdio de Oliveira pernambucano, com 36 anos de idade, morto devido a ferimento em confronto com cangaceiros, sendo enterrado no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador, Bahia.
Causa-mortis no laudo cadavérico: "sceptcemia grangrenosa, em consequencia de fractura do femur por projectil de arma de fogo."

Já do ladro negro da força: Os despojos de Alagadiço,SE.

 O que restou dos cangaceiros Zé Baiano, Demundado, Chico Peste e Ascelino. 
Foram assassinados por civis em 1936 no Povoado Alagadiço, município de Frei Paulo, SE. Para facilitar a escavação os corpos foram enterrados em um "formigueiro". Após a exumação Zé Baiano teve a cabeça cortada, mas não foi levada. Foram novamente enterrados, alguns ossos estão expostos no Memorial que fica no mesmo local deste massacre.

Corpo de Zé Baiano e a sua cabeça sob o mesmo.

Detalhe da face da "pantera negra dos Sertões".  
Choca? Agora imaginem esta foto em cores!

Postadas originalmente nas comunidades do Orkut : Cangaço, Discussão Técnica
e Lampião, Grande Rei do Cangaço

Ultimos dias? Avía macho!

Centenário de Maria Bonita é comemorado em Vila Velha, ES.

Por Patrick Monteiro (redacao@eshoje.com.br)




Em 2011 é comemorado o centenário de uma das figuras mais marcantes do Brasil, Maria Bonita, esposa de Lampião. A nordestina lutou ao lado do marido durante o período conhecido como cangaço no sertão nordestino. Maria Bonita que nasceu em oito de Março, dia posteriormente conhecido como "Dia Internacional da Mulher", é um ícone feminino no país. Para a comemoração, uma exposição foi montada no Shopping Praia da Costa, em Vila Velha.

A 1º Vila Velha Arte Cult, está montada na praça de eventos do shopping de Vila Velha, e conta contará a história da cangaceira, ao lado de seu marido, através de uma galeria de fotos que irão demonstrar os costumes e vestuário dos anos 20. Também haverão peças artesanais da região, condimentos e culinária típica nordestina: bijous, rapadura, tapioca, gamelas de madeira.

Para recepcionar, uma Maria Bonita em tamanho natural feita de cera. Também faz parte do calendário capixaba de comemoração, a presença do historiador, João de Sousa Lima, que especializado em estudos do cangaço. O especialista receberá os participantes para um bate-papo sobre a época e autografará seus livros sobre o assunto.

Serviço:
1º Vila Velha Arte Cult
Período da exposição: até 02 de Junho.
Local: Praça de Eventos, no piso L1 do Shopping Praia da Costa.
Informações: (27) 3320-6000


Açude: EShoje

27 de Maio de 2011

71 anos da morte de Corisco e "fim" do Cangaço "Lampiônico"

quinta-feira, 26 de maio de 2011

“O cangaço e a literatura” é tema do “Seminário Brasil, brasis” que acontece Hoje na ABL.



A Academia Brasileira de Letras promove o segundo “Seminário Brasil, brasis” deste ano, apresentando o tema “O cangaço e a literatura”.

Sob coordenação geral do Acadêmico e presidente da ABL Marcos Vilaça, e coordenação do Acadêmico e poeta Carlos Nejar, o seminário contará com as presenças de Antonio Campos, Felipe Fortuna, Geraldo Ferraz e Leandro Cardoso Fernandes, como expositores.

"A ABL está sempre disposta a debater todo e qualquer tema que diga respeito ao interesse cultural da sociedade. Queremos sempre trazer para esta Casa os saberes vários e todas as manifestações históricas e artísticas. O papel da Academia é o de preservar e valorizar a memória nacional: a língua como instrumento do conhecimento e da convivência; as letras como reveladoras e formadoras da identidade nacional, sem deixar de fora nada que é humano. E o Seminário “Brasil, brasis”, sobre “O cangaço e a Literatura”, nos revela também este lado humano”, afirmou o Presidente Marcos Vinicios Vilaça.

Vera Ferreira, neta de Lampião – o famoso Virgolino Ferreira, um dos cangaceiros mais enaltecidos pela literatura e o cinema, também conhecido como o “Rei do cangaço” – e Maria Bonita, e filha de Expedita, dedica-se exclusivamente à concretização de um de seus sonhos: escrever um livro baseando-se nas histórias que levantou ao longo de seus 27 anos de pesquisa. Convidada pela ABL, Vera confirmou presença no seminário.

Vera disse que, desde criança, cresceu ouvindo contar histórias sobre seus avós e seu cotidiano. Fato que foi enriquecido pela companhia de pessoas que viveram as histórias deles e de outros cangaceiros:


Vera Ferreira. Foto: Arthur Garcia
"Tenho lembranças de fatos de ex-cangaceiros, ex-volantes, ex-coiteiros e pessoas que conviveram com eles. O que mais me marcou foi a confirmação de que meu avô era um homem de palavra e que minha avó, que faria em 2011 cem anos, era uma pessoa alegre. O convite da Academia me deixou muito contente, até porque estará debatendo um tema que me é apaixonante, o cangaço. Acho importante essa troca de informações num espaço onde temos pessoas que lêem, escrevem e ouvem", afirmou.

O pátio da Academia vai receber repentistas, violeiros, declamadores e poetas de cordel, que ilustrarão o seminário antes das palestras.

O evento, patrocinado pelo Bradesco, tem início às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., com entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal da ABL. 

Saiba mais

Antonio Campos
Poeta, advogado, editor e empresário, Antonio Campos, filho do escritor Maximiano Campos, nasceu no Recife, capital pernambucana. Está à frente da Campos Advogados, escritório de advocacia associada à Noronha Advogados e com atuação em diversos países, do Instituto Maximiano Campos, ONG voltada para a promoção da arte literária, e também da Editora Carpe Diem.

Currículo de Antonio Campos

Felipe Fortuna
Mestre em Literatura Brasileira pela PUC/RJ, é poeta, ensaísta e diplomata. Publicou diversos livros de poemas, a partir de 1986. Lançou, em 2005, Em Seu Lugar (Editora Francisco Alves), com a reunião dos livros de poesia já publicados e um conjunto novo de poemas.

Currículo de Felipe Fortuna

Geraldo Ferraz
O administrador, artista plástico e escritor Geraldo Ferraz é também Membro da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC (2005), Mossoró – RG, Membro da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais – UNEHS de São Paulo, Acadêmico da Academia de Letras e Artes de Gravatá e da Academia de Artes e Letras do Nordeste.

Currículo de Geraldo Ferraz

Leandro Cardoso Fernandes
Médico cardiologista e ecocardiografista pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP) e membro titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, cujo departamento de Hipertensão representa no Piauí.

Currículo de Leandro Cardoso


Cangaceiros cariocas liderados pelo capitão "Carlos Eduardo" "num me vão perder exta"

Açude:  ABL.org.br

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Epitácio Andrade no rastro do "Cangaceiro Romântico"

Coroné Severo, curador do Cariri Cangaço e Dr. Epitácio Andrade
na ocasião da ultima reunião extraordinária da SBEC em Fortaleza.
Imagem ripada no Blog da Folha Patuense.

Se o cangaço Lampiônico tem essa notória infinidade de amantes faço saber aos amigos que está se revitalizando e conquistando novos adeptos o Movimento dos "Jesuinistas" através do empenho do Dr Epitácio Andrade.

Vamos conferir uma de suas entrevistas concedida a Gilberto Cardoso dos Santos. O pesquisador relata os detalhes dos seus projetos e sobre a produção literária, musical, teatral, e audiovisual a respeito do cangaceiro Potiguar.

Dr. Epitácio! Fale-nos sobre sua pessoa, profissão e trabalhos que tem desenvolvido.
- Sou médico psiquiatra por formação. Pertenço ao quadro de saúde da Polícia Militar e do Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado, em Natal, onde resido. Trabalho em várias cidades do estado. Nasci em Catolé do Rocha/PB, “a praça de guerra”, como chama o conterrâneo Chico César, e fui criado no Patu, no médio-oeste potiguar, terra natal de Jesuíno Brilhante.

Desde quando surgiu seu interesse pelo fenômeno do cangaço e o que o motivou a estudar o tema com tanto empenho?
- Herdei o meu nome do meu pai Epitácio Andrade, ex-prefeito de Patu, que foi aluno do Professor Raimundo Nonato, no Colégio Diocesano de Mossoró. Doutor Raimundo Nonato é o autor de “Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico”, sendo, portanto, o principal biógrafo de Jesuíno. Na minha infância, os meus pais recebiam e acolhiam o Professor Nonato em nossa residência em Patu, quando ele vinha pesquisar no acervo da casa paroquial. Talvez por meu nome significar “ofício de estado”, sentia-me na obrigação de acompanhá-lo em suas investigações. Posteriormente, passei a entender o resgate da nordestinidade como um ofício de estado.

 Capa da 3ª edição produzido pela Fundação Vingt-Un Rosado

Fale-nos, em linhas gerais, sobre a figura do cangaceiro Jesuíno Brilhante e sobre o que mais chama sua atenção na pessoa dele. 
- Jesuíno Alves de Melo Calado, “Jesuíno Brilhante”, apelido para homenagear um tio, nasceu no Sítio Tuiuiú, na zona rural de Patu, no Oeste do Rio Grande do Norte, em 2 de janeiro de 1844, e morreu na Comunidade rural Santo Antônio, em São José de Brejo do Cruz, na fronteira paraibana, em dezembro de 1879. A sua capacidade de transformar a tragédia cotidiana sertaneja em questão política, acredito ser sua característica mais louvável.

Há alguma associação entre seus estudos na área da psiquiatria e o tema do cangaço? Do ponto de vista psiquiátrico, poder-se-ia dizer que Jesuíno Brilhante, mesmo tendo vivido uma vida tão fora do comum, fosse uma pessoa normal?
- A violência é o principal fator estressogênico na sociedade contemporânea. Estudar os seus determinantes sociais ajuda a compreender o sofrimento psíquico das pessoas. No “Banquete dos Signos”, o poeta de Brejo do Cruz diz assim: “Discutir o cangaço com liberdade é saber da viola, da violência...”, fazendo-nos acreditar que compreendendo conflitos familiares e outros determinantes do cangaço, poderemos elaborar mecanismos de superação da violência humana, com arte, com poesia, com música. Jesuíno era um sertanejo comum até ser vítima da violência, quando partiu para o cangaço. Neste caso é preciso parafrasear outro poeta: “De perto, ninguém é normal”.

Seus estudos são direcionados exclusivamente à saga de Jesuíno brilhante ou outros personagens e fatos relativos ao cangaço entram em pauta?
- Entrei para a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço a convite de Kydelmir Dantas, em 2005, quando apresentei a tese: “A Importância Histórico-social do Cangaço de Jesuíno Brilhante”, defendida numa sessão de estudiosos do cangaço, no museu Lauro da Escóssia, em Mossoró. Realizei pesquisa etnográfica sobre o cangaceiro Liberato Cavalcanti de Carvalho Nóbrega, contemporâneo de Jesuíno Brilhante, inspirando o Poeta Gil Hollanda a compor o cordel “O delegado que virou cangaceiro”. Produzi, em parceria com o Coronel PM/RN Ângelo Mário de Azevedo Dantas, o artigo: “O Fogo da Caiçara – Início da Resistência ao Bando de Lampião no Rio Grande do Norte”. No momento, estou empenhado na viabilização de lugares de memória do cangaço, uma consequência direta da aprovação da dissertação de mestrado da Professora Lúcia Souza, de quem fui coorientador.

Ripado em Pola Pinto

Do ponto de vista psiquiátrico, como analisa o desejo de justiça e vingança inerente ao ser humano que busca fazer justiça com as próprias mãos?
- A prática da vingança é a realização da justiça com as próprias mãos, que consiste na persistência de impulsos heterocidas primitivos do animal humano. Do ponto de vista social, é a manutenção da lei do Talião: “Dente por dente, olho por olho”. É a contramão dos caminhos civilizatórios.

Trace um quadro comparativo entre Jesuíno Brilhante e Lampião.
- Estou formulando um projeto de pesquisa que procura contextualizar a história das principais lideranças do cangaço (Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Lampião e Corisco) com a evolução do diagnóstico da personalidade psicopática. Estou com 45 anos e acredito que levarei até o resto da vida pra concluí-lo, se chegar a concluir. Este projeto permitiria desenvolver, como técnica de investigação científica, uma espécie de “necrópsia psiquiátrica”. Como tenho consciência que esta não é uma tarefa para uma pessoa só, estou recebendo o suporte teórico de autoridades do campo psiquiátrico e contatando Psicólogos para ingressarem no projeto; e vou solicitar a colega Psiquiatra Suzana Brilhante, da descendência de Jesuíno, uma colaboração para esta formulação científica. Utilizo este comentário para justificar a dimensão da complexidade da resposta a sua pergunta. Se fosse realmente traçar um paralelo entre Jesuíno e Lampião, apresentaria inferências históricas, não conseguiria, no estado atual do conhecimento científico, descrever, fidedignamente, suas personalidades.

O que, de seu conhecimento, já se produziu em termos de literatura culta ou popular e arte cinematográfica sobre a pessoa de Jesuíno Brilhante? Que trabalhos destacaria?
- Podemos dividir a produção literária sobre o cangaço de Jesuíno Brilhante em autores memorialistas, como Raimundo Nonato, José Gregório, Alicio Barreto, Frederico Pernambucano de Mello e Luiz da Câmara Cascudo, que fica na transição com os ficcionistas, como Rodolfo Teófilo e Gustavo Barroso. O menestrel Ariano Suassuna dedicou seu romance “A Pedra do Reino” a Jesuíno Brilhante. A literatura de cordel é extremamente significativa para a memória do cangaço, sendo cordelistas importantes: Rodrigues de Carvalho, autor do “ABC de Jesuíno”, Gil Holanda, Luiz Antônio de Malta e Zé de Alzerina. O comunicador Miguel Câmara Rocha editou dois números da Revista “Roteiros de Patu”, que narra o conflito dos brilhantes com os limões, com base no livro “Solos de Avena” de Alício Barreto, editado em 1905. O filme “Jesuíno, o cangaceiro”, do Cineasta ipanguaçuense William Cobbet, produzido em 1972, reveste-se de importância cultural para o Rio Grande do Norte por ter sido o primeiro, integralmente, rodado no estado e o trânsito dos atores, durante as filmagens em Natal, ter originado o nome da “Praia dos Artistas”. Destacaria duas produções culturais sobre o cangaço de Jesuíno: O espetáculo teatral “O Auto de Jesuíno”, do Dramaturgo Ricardo Veriano, editado no período de 2001 a 2008, durante a feira da cultura de Patu, e “Jesuíno Brilhante em História de Quadrinhos”, de Emanoel Amaral e Alcides Sales.


Flogão de Arievaldo Viana
Acha que se tem dado a devida importância à preservação da memória de Jesuíno ou o Rio Grande do Norte peca nesse aspecto?
- Não conheço iniciativas de governo voltadas para o desenvolvimento da memória do cangaço de Jesuíno Brilhante. Só conheço ações independentes, construídas com muitas dificuldades e, praticamente, sem apoio.

Qual a importância de se batalhar para manter viva a memória de uma pessoa com o perfil de Jesuíno Brilhante; seria apenas um hobby ou muito mais que isso?
- O desenvolvimento da memória do cangaço de Jesuíno permite o alargamento da compreensão de nossa história, da história do Sertão, do Brasil e dos fenômenos sociais, ampliando nossos horizontes culturais, favorecendo a criação de alternativas de desenvolvimento sustentável para uma das regiões mais pobres do mundo. Como também, possibilita a superação de ideias e comportamentos preconceituosos, melhorando a consciência política do povo, ajudando a formar massa crítica.

Que projetos tem em mente relativos à preservação da memória de Jesuíno Brilhante?
- Estou empenhado na viabilização de lugares de memória do cangaço, em dois epicentros principais: o município de Patu, lugar de nascimento de Jesuíno Brilhante, onde defendemos a criação de uma reserva ambiental que englobe o conjunto de serras do município, possibilitando a preservação das cavernas que o cangaceiro utilizava como esconderijo e desenvolvimento do turismo ecológico, adsorvendo-se ao turismo centrado no Santuário do Lima; e o outro epicentro é o município de São José de Brejo do Cruz, na Paraíba, lugar da morte do cangaceiro, onde defendemos a implantação de um parque temático do cangaço. Fora destas articulações políticas, estou ultimando a feitura do livro “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaceiro Jesuíno Brilhante”

O que se conseguiu resgatar dos objetos pessoais de Jesuíno e onde esse material pode ser visto?
- Recentemente, eu e Ricardo Veriano descobrimos uma relíquia que pode ter pertencido ao cangaceiro brilhante. No próximo dia 29 de abril de 2011, em Currais, numa pousada rural, estaremos apresentando o punhal de Jesuíno e estimulando um debate com estudiosos do cangaço para testar a autenticidade da descoberta. Na casa da cultura de Campo Grande/RN, encontram-se a moringa e a garrucha. No museu Lauro da Escóssia, em Mossoró/RN, está o bacamarte “Bargado”. E em Martins/RN, encontra-se o bacamarte de cano curto, pertencente ao acervo do autodidata Júnior Marcelino.

Fale-nos sobre o documentário que produziu sobre o local da morte do cangaceiro.
- Em 2005, produzi o Documentário: “O lugar da Morte de Jesuíno Brilhante”, que apesar das limitações técnicas subsidiou o projeto, que resultou na dissertação de mestrado da Professora Lúcia Souza. O roteiro da produção é centrado no depoimento do cidadão centenário Mário Valdemar Saraiva Leão, fundador da cidade de São José de Brejo do Cruz, que apontou em visita a localidade, chamada “Serrote da Tropa”, na comunidade rural Santo Antônio, como o lugar mais provável da morte de Jesuíno, ratificando as informações dos memorialistas. O documentário tem a participação do cancioneiro octogenário Chico Mota e do repentista Zé de Alzerina, conterrâneo do Sítio Tuiuiú. Uma dupla de descendentes de Jesuíno Brilhante entoa a música de domínio popular “Corujinha”, que era cantada por Jesuíno e seu bando. Ao som de grupos culturais do município, a benzedeira Francisca de Mica encenou um fechamento coletivo de corpos, tradição ritualística dos tempos do cangaço de Jesuíno Brilhante.

Ripada do Blog da Folha Patuense
 Conte-nos fatos relativos à vida de Jesuíno que fazem parte do imaginário popular mas não têm qualquer base histórica.
- O Professor Raimundo Nonato procurava, insistentemente, alguma certidão de casamento que constasse o nome de Jesuíno Brilhante como padrinho. Nunca conseguiu encontrar. Porém, na história oral do cangaceiro romântico constam inúmeras referências que ele reparava a honra de moças pobres seviciadas pelos filhos dos ricos fazendeiros da região, no seu processo de iniciação sexual, forçando-lhes o casamento. Os apologistas de Jesuíno afirmam que isso ocorria por uma questão puramente ética, que estava relacionada a moral inabalável de Jesuíno. Nossos dados apontam para a determinação econômica da ação do cangaceiro, ou seja, forçando o casamento não-programado, Jesuíno introduzia novos atores sociais na divisão da terra.

Para o senhor Jesuíno deve figurar como herói ou bandido? Por quê?
- Tem-se que contextualizar, historicamente, as ações cangaceiras de Jesuíno. Não devemos fixá-lo num ponto dessa polaridade herói-bandido. A palavra, que julgo mais adequada para a resposta é do antropólogo Roberto da Mata, relativizar.

Como diferencia o fenômeno do cangaço das gangues que controlam certas regiões pobres do Brasil?
- O cangaço é um fenômeno geo-histórico, que ocorreu da segunda metade do século XIX ao início da década de 40 do século XX, principalmente nas áreas rurícolas do Sertão do Nordeste Brasileiro. A alta delinquência é um fenômeno da contemporaneidade, que se espalhar nas grandes cidades, sobretudo, no espaço suburbano. No cangaço não havia intenções de tomada do poder político, simplesmente porque o líder cangaceiro era a incorporação do poder absoluto. Na marginalidade organizada, não há intenções de tomada de poder pela total ausência de um referencial ideológico. Poderíamos pensar várias outras diferenças.

Qual o papel e importância da leitura em sua vida, como se deu sua entrada no mundo dos livros e que autores o influenciaram?
- Comecei a ler influenciado por minha mãe Lourdinha Holanda e pela Professora Raimunda Cleonice Dantas, Dona Nice. Na infância, recebi a influência de Monteiro Lobato. Na adolescência, do médico Ernesto Che Guevara. Para desenvolver os estudos sobre Jesuíno Brilhante, a principal influência, foi, sem dúvidas, do Professor Raimundo Nonato. Já na fase adulta, percebo a influência de Euclides da Cunha, Josué de Castro e do Escritor peruano Mário Vargas Llosa. Quanto ao papel e a importância da leitura, não consigo identificar outro caminho que possa mais contribuir com a busca pela plenitude humana, que não seja o caminho das letras. Por outro lado, Seu João de Artur, que comanda um grupo folclórico e afirma que “a diversão é necessária”, diz que o homem deve ser “ou bem lido, ou bem corrido”.

Cite algum pensamento, trecho de livro ou poesia que aprecia muito.

Foto: polapinto.blogspot.com
Gilberto Cardoso dos Santos – Professor, Cronista e Poeta – Um dos fundadores da Associação Potiguar de Escritores de Cordel.

Pescado em polapinto.blogspot.com

terça-feira, 24 de maio de 2011

Não morda a língua

Não desperdiçe material, não confunda...



Amigos sei que falta muita, mas muita coisa. Avaliei os principais tropeços, reunindo nosso humilde conhecimento nos valendo de textos e respectivos autores de seriedade, e selecionamos essas informações.

Preciso dizer que o conteúdo do artigo parte do principio básico. É direcionado a quem precisa colher, corrigir ou está aplicando tais informações em determinado trabalho e ainda pode refazê-las. A sofistica é persistente são muitos os "erros primários" cometidos principalmente pela imprensa, revistas de variedades, música, cinema... por nós blogueiros inclusive etc.

Vamos aos deslizes menos técnicos.

Engana-se ou insiste no erro quem pensa que Lampião só se tornou cangaceiro com a morte do pai.

De fato, desde a briga com Zé Saturnino, que Virgulino e os seus irmãos Antônio e Levino já estavam vivendo uma vida nômade. Quando foram para Alagoas, juntaram-se ao bando dos Irmãos Porcino. Se os Porcinos já eram cangaceiros famosos no nordeste precisamente no sertão de Alagoas, e Virgulino se junta a eles, certamente já estava sendo cangaceiro.

Ou será que ele estava lá “catequizando” os bons irmãos?

Irmãos Ferreira e irmãos Porcino fizeram um assalto grandioso à Vila de Pariconha/AL, o que gerou a perseguição comandada pelo então Tenente José Lucena, e que veio a culminar com o assassinato do patriarca José Ferreira. Dona Maria Lopes a matriarca da família Ferreira não foi assassinada junto com seu marido. Morreu de infarto fulminante aos 47 anos de idade dia 22 de maio de 1921 na localidade de Engenho Velho próximo ao vilarejo de Santa Cruz do deserto/AL.

José Ferreira aos 48 anos no dia oito de Junho de 1921 é assassinado pela volante comandada por José Lucena Albuquerque Maranhão acompanhado do delegado Amarilio Batista e do sargento Manoel Pereira .

Zé Saturnino, sempre esteve ao alcance de Lampião, e esse, não desejou mais matá-lo, como também, ao grande inimigo Ten. José Lucena. O fato de Lampião deixar seus inimigos ( nºs 01 e 02 ), com vida, é para justificar perante a população nordestina, ou seja, pretexto para continuar no cangaço, matando, estuprando, sequestrando, extorquindo, além de outros crimes. Ele passou a gostar da vida errante, e do dinheiro que essa lhe rendia. O escritor Frederico Pernambucano de Mello, denomina isso de " ESCUDO ÉTICO ", em sua belíssima e recomendada obra: Guerreiros do Sol. Também, para justificar sua vida no cangaço, o rei vesgo invoca a morte do seu genitor, no sentido de vingança.

Zé Saturnino faleceu em sua fazenda, a 05 de Agosto de 1980, com a idade de 86 anos e já sem lucidez.

Quanto a Zé Lucena não temos a informação precisa só sabemos que viveu muitos anos depois da morte do "grande inimigo".

Lampião passa a ver no cangaço, " UM MEIO DE VIDA ", uma profissão, visando lucro, vejamos uma interessante passagem colhida por Frederico.

O facínora Pedro Barbosa da Cruz, vulgo "Pedro Miúdo", encontra-se com o bando de Lampião na Faz Riacho Fundo, perto de Antas, município de Águas Belas. O rei do cangaço, o convida para acompanhá-lo, ao que "Miúd"o lhe responde, que fora soldado de uma volante comandada pelo Ten. José Lucena, e o mataria por "cinco contos de réis". Surpreso, Lampião agradeceu a oferta com um raro gesto de prodigalidade: dá-lhe de presente, uma faca de cabo trabalhado. Em seguida, dirigindo-se ao cabra, devolve a surpresa com a seguinte confidência:

" Deixe isso. Essas questões já estão velhas". (Fonte: Livro - Guerreiros do Sol, pg123 ).

 José Lucena e Zé Saturnino.
Questões superadas.

...Que Lampião era cego em virtude de um Glaucoma. Errado.
Virgulino sofria com um Leucoma

De fato, Glaucoma é endurecimento e aumento do volume do globo ocular, causado por um aumento de pressão sanguínea naquela região. Leucoma, ainda segundo o Dicionário Aurélio, é o “embranquecimento ou turvamento da córnea que é transparente”. Até onde se sabe, Lampião já trazia o Leucoma desde a juventude, e se agravou em um combate com um grupo de nazarenos. Reza a história que David Jurubeba, após disparar um tiro, este atingiu uma moita de quipá (palmatória), e um espinho veio a atingir o olho de Lampião, provocando um agravamento de uma situação já preexistente.

... Que o  fato das volantes se trajarem igual aos bandoleiros era tática ou ordem oficial.
Governo nenhum deu determinação para que soldados se vestissem de Cangaceiros. Foi um uso que se formou com o tempo, tanto que em 1926, o Governador de Pernambuco Sérgio Loreto, fez baixar ‘Portaria’ exigindo o uso do traje militar para as tropas volantes.


Aqui é uma das forças volantes de "Nazaré" sob o comando de Euclides Flor.
Por conta das suas vestes as imagens dos Nazarenos em sua totalidade são quase sempre assimiladas aos cangaceiros. 

Encontrei diversos artigos ilustrados que fizeram os grandes chefes se revirarem no túmulo. 

... Que o cangaceiro José Leite de Santana, O Jararaca, "abriu a própria sepultura". 
Homero Couto, que foi o motorista do carro que levou Jararaca, desmente . Disse que o “buraco já estava aberto e que a ação não durou mais que dez minutos”. Ou dá pra se abrir uma cova nesse espaço de tempo?

 LEGENDAS E TERMOS

Não é gruta  
É GROOOOOOOOTA

Angico não é e nunca foi território Alagoano. 
A fazenda pertencia à antiga região de Campo-Santo do Morgado do Porto da Folha. Porto da Folha, também em Sergipe, é uma  cidade "vizinha" e permanece com este mesmo nome.


  Ambas cidades circuladas no canto superior

Não é Eronildes
É Eronides.

Não é Pedro de "Cândida". 
É Pedro de Cândido, seu nome completo era Pedro Rodrigues Rosa. A mãe de Pedro se chamava Guilhermina e o paí Cândido.


 Esta moça não é Maria Bonita é a cangaceira Inacinha
uma das companheiras do cangaceiro Gato. 


Esta também não é Maria. É "Nenêm"
compaheira de Luís Pedro.


 Á esquerda. novamente "Nenêm", ao centro "Luís Pedro"
seu esposo e a direita "Maria Bonita".


Este é o ator Chico Dias e não o cangaceiro Corisco". Ele interpretou o "diabo loiro" num longa de 1997. Foram detectados trabalhos incluindo esta foto de divulgação entre fotos originais de cangaceiros.


Lídia a cangaceira que fora assassinada pelo seu companheiro Zé Baiano não possui foto, mas vários livros apontaram por exemplo: Maria companheira do cangaceiro "Pancada" como sendo a respectiva cangaceira.


Pesquisa apartir de textos de: Sérgio Augusto de Souza Dantas, Ivanildo Silveira e Kydelmir Dantas. Os amigos podem colaborar sugerindo outras correções via comentário ou email para uma próxima edição.

Abraçando
Kiko Monteiro