quarta-feira, 28 de abril de 2010

Divulgado...

...Divulgando
 

O artigo do confrade Rostand Medeiros Bastidores de uma Obra... como era de se esperar têm rendido muitos elogios que sobra até pra nosso veículo. Minha gratidão à honrosa citação de nosso espaço no Coluna do Herzog,  Blog do Carlos Santos leia abaixo o artigo depois visite na integra o "Açude" deste distinto Potiguar. Nosso muito obrigado!


Att Kiko Monteiro 

Lampião e sua trilha para Mossoró

Os amantes do tema "cangaço" têm um ano movimentado, com uma série de eventos sobre o assunto na região Nordeste.

Ao mesmo tempo, não faltam páginas na Internet com abordagem desse tipo de banditismo e suas variantes.

O Blog sugere hoje, por exemplo, a página "Lampião Aceso", postada a partir da cidade de Lagarto (SE).

Tem material especial do pesquisador Rostand Medeiros, sobre a trilha do bando de Lampião até alcançar Mossoró em 13 de junho de 1927.

Link:Blog do Carlos Santos

XII Fórum do cangaço em Mossoró

Lançamento oficial
 

O Primeiro foi em Paulo Afonso/BA no Seminário Centenário de Maria Bonita. Em Junho próximo quase às vésperas do Cariri Cangaço que ocorre em Agosto a agenda dos "cangaceirólogos" está fechada com mais um importante evento para a pesquisa, enfim para a interação. 

O presidente da SBEC Ângelo Osmiro Barreto nos enviou esta imagem como registro da coletiva de imprensa e praparativos para o esperado encontro na "Cidade de quatro torres". Ao seu lado o curador do fórum confrade Professor Lemuel Rodrigues.

Inaugurado hoje

Monumento Natural Grota do Angico
 
Aspectos da obra em fase de conclusão (Arquivo Lampião Aceso)

A área administrada pela Semarh foi preparada para proteger a Caatinga e o sitio histórico da Grota do Angico

O Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) vai inaugurar, nessa quarta-feira, 28, às 9h30, o 'Monumento Natural Grota do Angico', área situada na divisa dos municípios de Poço Redondo e Canindé de São Francisco. A data da inauguração marca o Dia Nacional da Caatinga.

O Monumento Natural Grota do Angico é uma unidade de conservação da natureza sancionada pelo governador Marcelo Déda, em 21 de dezembro 2007, para proteção de 2.138,00 hectares de Caatinga. Com um investimento de R$ 563.405,12, a infra-estrutura do Monumento Natural Grota do Angico contempla um conjunto de edificações com Pórtico, sede administrativa, escritório, mirante, laboratório e alojamento para técnicos e pesquisadores. As obras foram realizadas em parceria com a Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop).

A unidade de conservação tem como objetivo preservar o sítio natural existente na Grota do Angico e seus valores culturais associados, mantendo a integridade dos ecossistemas naturais da Caatinga para o desenvolvimento de pesquisa científica, educação ambiental, ecoturismo e visitação pública. Além da riqueza biológica, a área protegida do Angico é reconhecida pelo seu valor cultural e histórico, pois abriga a Grota do Angico, local onde ocorreu a morte de Lampião, de Maria Bonita e de parte do bando.

A partir da infra-estrutura serão realizadas diversas atividades de gestão e manejo de forma permanente e sistemática. De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Genival Nunes, o compromisso da Semarh é intensificar as atividades para que a área protegida seja reconhecida enquanto instrumento não somente de gestão ambiental, mas incentivadora do desenvolvimento sustentável.

“É o Governo de Sergipe promovendo a proteção ambiental com valorização das potencialidades culturais do Estado. A importância desse ato se amplia quando é observado que a Caatinga apesar de ser um bioma exclusivamente brasileiro é comprovadamente o mais ameaçado e o menos protegido”, justificou o secretário.

Assinaturas de atos

Durante solenidade de inauguração do Monumento Natural da Grota do Angico, o governador do Estado assinará os seguintes atos: sanção da Política Estadual de Educação Ambiental e o termo de Cooperação Técnica entre a Semarh e o Serviço Florestal Brasileiro/MMA para execução do Inventário Florestal Nacional em Sergipe.

Saudações ao confrade Marcelo Rocha que nos indicou esta matéria
Fonte: Portal Infonet

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Lampeão, sua história"

Objetivos da primeira biografia erudita do "rei do cangaço"

Por: José Romero Araújo Cardoso

Publicada no ano de 1926, pela Imprensa Oficial do Estado da Parahyba, o livro "Lampeão, sua história", de autoria do jornalista Érico de Almeida, é a primeira biografia erudita do "rei do cangaço".

Almeida militou anos a fio no Jornal paraibano "O Norte". Quando da ênfase às inovadoras políticas públicas encabeçadas pelo governo Epitácio Pessoa na presidência da República (1919-1921), engajou-se como funcionário do Ministério da Agricultura, lotado no Escritório deste órgão em Princesa (PB), cujo objetivo principal consistia em combater a lagarta rosada, a qual era sério problema para a cultura algodoeira, principal produto da pauta de exportações do Estado da Paraíba na época.

Quando do término do triênio Epitacista, houve total desestímulo dos esforços, empreendidos por parte do sucessor, o mineiro Arthur Bernardes, que escandalizado com a onda de corrupção que marcou o período anterior desestruturou as obras de açudagem e outros projetos importantes, incluindo a campanha contra as pragas que atingiam os algodoais.

Com o fechamento dos Escritórios do Ministério da Agricultura espalhados pelo Estado da Paraíba, inclusive o posto estabelecido em Princesa, Érico de Almeida ficou desempregado, como muitos outros, tendo gerado a sensibilidade do "Coronel" José Pereira Lima, que resolveu unir o útil ao agradável, talvez levando em conta o consórcio do jornalista com mulher da localidade, da família Duarte, de nome Rosa.

Devido ao ataque cangaceiro a Sousa (PB), pois antes Lampião desfrutava de proteção integral na região, graças ao acordo firmado com o "Coronel" Marçal Florentino Diniz e seu filho Marcolino, Zé Pereira se viu na contingência de desviar a atenção dos fatos através da ênfase à literatura voltada para a negação do óbvio.

O ofício de jornalista auxiliou bastante Érico de Almeida quando foi contratado para escrever o que seria a primeira biografia erudita de Lampião, pois o costume de anotar tudo quando do exercício de suas funções como funcionário do Ministério da Agricultura foi de fundamental importância para a elaboração de sua obra.

Os objetivos do livro são claros, pois negar a melindrosa relação de coiterismo que existia há tempos imemoriais na região de Princesa não era tarefa fácil. Lampião, sentindo-se traído, passou a berrar aos quatro cantos as facilidades e as serventias de sua "profissão" aos que estavam lhe perseguindo tenazmente devido à forma como se efetivou o ataque cangaceiro à cidade de Sousa.

No livro "Lampeão, sua história" há a defesa que as perseguições aos cangaceiros datavam de antes do "rei do cangaço" decidir enviar seus homens para levar avante a vingança pretendida por humilde bodegueiro da localidade de Nazarezinho (PB), então distrito de Sousa, contra importante oligarca local de nome Otávio Mariz.

Episódios conhecidos da história do cangaço, como a morte de Meia-Noite nos grotões ermos do saco dos Caçulas, foram deturpados propositalmente a fim de eximir de culpas importantes personagens que fizeram a história do movimento, como Manuel Lopes Diniz, conhecido por Ronco grosso, homem da inteira confiança dos "Coronéis" José Pereira Lima, Marçal Florentino Diniz e de Marcolino.

O livro de Érico de Almeida não cita que Lampião passou meses sendo cuidado nos Patos de Irerê por dois médicos, depois que foi ferido gravemente no tornozelo pelos disparos feitos pelos volantes comandados pelo Major Teófanes Ferraz Torres, da força pública pernambucana.

João Suassuna, presidente paraibano na época, é elevado à categoria de verdadeiro santo protetor, exponencializando consideravelmente a campanha deflagrada pelo gestor paraibano contra os cangaceiros. A forma como Érico de Almeida trata Suassuna em seu livro levou literatos de peso a afirmarem categoricamente que se tratava de um pseudônimo utilizado pelo presidente paraibano para se autopromover.

Elpídio de Almeida afirmou que era Suassuna o real autor do livro, enquanto Mário de Andrade, sutilmente, em "O Baile das Quatro Artes", enfatizou que havia comentários de que realmente era Suassuna o autor da primeira biografia erudita de Lampião.

Em contato com pessoas que conheceram o jornalista, quando de sua estadia em Princesa, a exemplo dos senhores Zacarias Sitônio, sua esposa Hermosa Goes Sitônio e Belarmino Medeiros, todos residentes em João Pessoa (PB) na época do resgate do livro de Érico de Almeida, encontramos provas suficientes sobre a real existência do autor, como a certidão de casamento e fotografia em que aparece discretamente o jornalista.

Entrevistado em Limoeiro do Norte (CE), quando da fuga alucinada depois da tentativa de ataque a Mossoró (RN), no ano seguinte à publicação do livro de Érico de Almeida, Lampião destilou ódio contra o "Coronel "José Pereira Lima, chamando-o de falso e mentiroso, pois havia se beneficiado com todos os favores de sua "profissão" e depois o havia traído.

Após a revolução de trinta, o livro de Érico de Almeida foi sendo gradativamente esquecido, colocado entre os malditos, fruto de uma estrutura carcomida que precisava ser apagada em prol da edificação de uma nova ordem econômica, política e social.

Com o apoio indispensável do senhor Zacarias Sitônio,que apresentou-nos o livro raro escrito pelo jornalista Érico de Almeida, conseguimos resgatá-lo, no ano de 1996, após matéria publicada no jornal paraibano "Correio da Paraíba", datado do dia 12 de agosto de 1995, sendo reeditado, setenta anos depois, pela editora universitária da UFPB, que se responsabilizou pela terceira edição em 1998.

Não obstante os profundos vínculos com as estruturas de poder dominantes na República Velha, era imprescindível que o livro "Lampeão, sua história" saísse do ostracismo ao que foi relegado pelos novos mandatários que assumiram o poder com a vitória dos revolucionários em outubro de 1930, pois cessando os exageros existem informações preciosas sobre o ciclo épico do cangaço e sua época que não podem ficar ocultas dos historiadores e dos que apreciam as velhas coisas sobre o semiárido do nordeste brasileiro.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Central, Mossoró/RN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UERN)

Curiosidade mórbida

Quanto tempo a gente permanece consciente após ter a cabeça decepada?

Por Sarchel Necesio 


... Quando degolaram minha cabeça / passei mais de dois minutos / vendo meu corpo tremendo...Sangue de bairro - Chico Science
Em um momento na história, a decapitação era um dos métodos preferidos de execução, em parte graças à guilhotina. Embora muitos países que executam criminosos tenham acabado com este método, ele ainda é usado por certos governos, terroristas e outros. Não há nada mais final do que arrancar a cabeça de alguém. A guilhotina surgiu devido ao desejo de uma morte rápida e relativamente humana. Mas quão rápida ela é? Se sua cabeça fosse cortada fora, você ainda seria capaz de ver ou movê-la, mesmo que por alguns segundos?

Em julho de 1793, uma mulher chamada Charlotte Corday foi executada pela guilhotina pelo assassinato de Jean-Paul Marat, jornalista radical, político e revolucionário. Marat era adorado por suas ideias, e a massa que esperava a guilhotina estava ansiosa para ver Corday pagar. Depois que a lâmina desceu e a cabeça de Corday caiu, um dos executores a pegou e deu um tapa em sua bochecha. De acordo com testemunhas, os olhos de Corday viraram e olharam para o homem, e seu rosto mudou para uma expressão de indignação. Depois desse incidente, pessoas executadas pela guilhotina durante a Revolução eram incitadas a piscar na sequência, e testemunhas afirmaram que a piscada ocorria por até 30 segundos.

O médico francês Gabriel Beaurieux testemunhou a degola de um homem chamado Languille. Ele escreveu que imediatamente após a decapitação, "as pálpebras e os lábios... moveram-se em contrações rítmicas irregulares por cerca de cinco ou seis segundos". Beaurieux chamou o nome de Languille e disse que as pálpebras dele "abriram-se devagar, sem qualquer contração espasmódica" e que "suas pupilas se focaram". Isso aconteceu uma segunda vez, mas na terceira vez que Beaurieux chamou por Languille, não obteve resposta.

A cabeça do cangaceiro "Pajeú"
Essas histórias parecem dar credibilidade à ideia de que é possível para alguém permanecer consciente, mesmo que por alguns segundos, depois de ser decapitado. Contudo, os médicos mais modernos acreditam que as reações descritas acima são, na verdade, movimentos reflexos dos músculos, em vez de movimento consciente e deliberado. Separado do coração (e, por consequência, do oxigênio), o cérebro imediatamente entra em coma e começa a morrer. De acordo com Harold Hillman, a consciência é "provavelmente perdida entre 2 e 3 segundos, devidos à rápida queda do bombeamento do sangue intracraniano.


Açude Lagartense.com.br

domingo, 25 de abril de 2010

XII Fórum do Cangaço

Programação começa a ser definida


De 08 à 10 de Junho de 2010 na UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - Campus de Mossoró-RN 

Coordenação Geral:  
Lemuel Rodrigues da Silva

Comissão Organizadora: 
Alexsandro Donato Carvalho; André Victor Cavalcanti Seal Cunha; Emanuel Pereira Braz; Lemuel Rodrigues da Silva; Paulo Medeiros Gastão.
Realização: 
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Grupo de Pesquisa em Ensino de História e Geografia – GPEHG/DHI/FAFIC/UERN
Organização: 
Associação Nacional de História – Núcleo Rio Grande do Norte - ANPUH-RN
Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
Contatos:
Lemuel Rodrigues da Silva (84) 8868-0950 / 3315-2142 – lemuelrsilva@hotmail.com

Apoio Institucional

  


Objetivo Geral

Constituir-se em local privilegiado para as discussões em torno do Cangaço e como essa temática é discutida nos mais variados níveis do ensino, seja na rede pública ou privada do país, bem como o debate sobre questões que envolvem a produção historiográfica em especial os livros didáticos. 
Metodologia

A Estrutura do evento contará com:
01 conferência versando sobre a questão do conhecimento histórico em relação ao cangaço e a prática do historiador e do professor de história em sala de aula;
02 atividades de campo: os participantes terão a oportunidade de visitar o Museu do Sertão, Capela de São Vicente e Memorial da Resistência, e participar de debates em torno dos lugares de memória. 
03 mesas-redondas – com três participantes cada;
Atividades culturais – voltados para a aliança entre diversão e reflexão históricas.
Público estimado: 300 pessoas. 
 
Público Alvo

Docentes universitários, pesquisadores das áreas de história e ciências sociais, professores da rede pública nas esferas municipal e estadual e da rede privada, alunos dos Cursos de Graduação em História das universidades estaduais, federais e particulares da região Nordeste.

Datas Importantes

01 a 30/05/2010: Período de inscrições 
Taxa: R$ 10,00 + 1 kg de alimento não perecível
08 de junho das 07:30h às 11:30 e 14:00 às 18:30: Credenciamento 
08 a 10 de junho: Evento 

Cronograma de atividades

 
Dia 08/06/10 – Terça-feira.

 
19:15h. Solenidade de abertura
Local: Auditório da FAFIC/UERN

20:00h. Conferência de abertura

Cangaço: entre o saber histórico e o conhecimento escolar.
Conferencista: Prof. Ms. Honório Fernandes de Medeiros (UNP/SBEC)
Coordenação: Ângelo Osmiro Barreto (Presidente SBEC)

 


Dia 09/06/10 – Quarta-feira

 
08:00h. Atividade de campo
Local: Museu do Sertão
Exposição: Prof. Dr. Benedito Vasconcelos Mendes (DGE/FAFIC/UERN)
Debatedor: Prof. Dr. Hélder do Nascimento Viana (DHI/UFRN/ANPUH-RN)
Coordenação: Prof. Ms. Alexsandro Donato Carvalho (FE/UERN/ANPUH-RN)
Horário de saída e local: 7:00h. (Memorial da Resistência) 



19:15h. Mesa redonda: Historiografia do Cangaço 
Local: Auditório da FAFIC/UERN
 
Debatedores:
Prof. Antônio Vilela de Sousa (Rede Pública de ensino do Estado de Pernambuco/SBEC)
Prof. Esp. Marcílio Lima Falcão (DHI/FAFIC/UERN)
Prof. Dr. Lemuel Rodrigues da Silva (DHI/FAFIC/UERN/SBEC)
Coordenador: Prof. Ms Francisco Linhares Fonteles Neto (DHI/FAFIC/UERN)


 Dia 10/06/10 – Quinta-feira
 

08:00h. Atividade de campo: 
Visita a Capela de São Vicente e Memorial da Resistência 
 
Mesa Redonda: Lugares de memória e suas influências na construção do discurso de cidade libertária. 
Local: Capela de São Vicente:
 
Debatedores:

Prof. Esp. Fernando César Câmara (Rede Pública de ensino do Estado do Rio Grande do Norte) 
Escritor Antônio Kydelmir Dantas de Oliveira (SBEC) 
Escritor Geraldo Maia do Nascimento (SBEC) 
Coordenador: Prof. Ms. Alexsandro Donato de Carvalho (FE/UERN/ANPUH-RN) 
 
15:30h. Assembléia Geral da SBEC
Local: Auditório da FAFIC/UERN 

19:15h Posse da nova diretoria da SBEC
Local: Auditório da FAFIC/UERN
 
19:30h MESA REDONDA:
"O Cangaço e a construção da identidade regional e seus reflexos no processo de ensino e aprendizagem".

Debatedores: 

Prof. Esp. José Jadson Arnaud Amâncio  
(Rede Pública de ensino do Estado do Rio Grande do Norte e DHI/FAFIC/UERN) 
Prof. Ms André Victor Cavalcanti Seal da Cunha  
(DHI/FAFIC/UERN) 
Prof. José Paulo Ferreira de Moura (SBEC) 
Coordenador: Prof. Ms. Emanuel Pereira Braz (DHI/FAFIC/UERN) 
  
22:00h ENCERRAMENTO
Programação Cultural; Espetáculo Chuva de bala no País de Mossoró
Local: Capela de São Vicente

sábado, 24 de abril de 2010

A SBEC lembra

Inscrevam-se, participem...
 

Olá, pessoal:

A cidade que viu vir ao mundo a Majestade do Cangaço está pronta para vivenciar um dos momentos mais importantes no fortalecimento de sua identidade cultural, com a realização do I FESTIVAL DE MÚSICAS DO CANGAÇO.

A música cangaceira, que teve sua origem nos bandos de bandoleiros que povoaram os sertões nordestinos nos anos vinte do século passado, foi divulgada por nomes expressivos da MPB, como Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, Amelinha, entre outros lendários, agora é trazida a tona pelos novos talentos da música, num dos eventos mais concorridos da região, atraindo intérpretes, compositores e músicos de todo Brasil.
Será no próximo sábado, dia 1º de maio/10, às 21 horas, no Clube Campestre O Batukão, em Serra Talhada, sertão do Pajeu.

Para fechar o círculo desse momento festivo, SANTANA - O CANTADOR estará fazendo um show pra estremecer o sertão e cabra macho nenhum botar defeito.

Arrume seu matulão, pegue a estrada e venha brindar conosco este momento, que nos é patrocinado pela Chesf/Governo Federal, Fundarpe/Governo de Pernambuco, SEBRAE/PE, CDL, Prefeitura Municipal e outro tanto de gente que nos ensina que quem acha ser loucura investir em cultura, é por que não sabe o preço da ignorância.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

1ª Chamada

XII Fórum do Cangaço em Mossoró
 

CONVITE

 
A SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço convida os sócios para o lançamento do XII FÓRUM DO CANGAÇO 
que ocorrerá entre os dias 08 e 09 de junho de 2010, na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte.

A coletiva à imprensa ocorrerá neste sábado (24/04/10) às 10:00h na TCM Canal 10 - Mossoró.
 

Solicitamos aos sócios que divulguem o convite entre jornalistas, blogueiros, radialistas, publicitários, etc.

 
Comissão Organizadora
Mossoró, RN 23 de Abril de 2010.

Cangaço em pauta

Série de TV desvenda mistérios que envolvem a história do Brasil

Por: Vladimir Maluf do Portal UOL

Os apresentadores da série "Detetives da História" André Guerreiro e Renata Imbriani 
(Foto divulgação)

O canal de TV por assinatura History Channel anuncia sua primeira série de TV produzida no Brasil: “Detetives da História”, que estreia dia 4 de maio. Por seis terças-feiras, a produção mostra dois investigadores em busca de desvendar mistérios de pessoas comuns que se misturam à história do Brasil.

A série sempre exibe dois casos por episódio. Na estreia, os detetives querem saber a verdadeira origem de uma espada utilizada por um jardineiro, que pode ser, na verdade, uma arma da Guerra do Paraguai. O segundo caso investiga a veracidade de um documento que coloca em xeque a origem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Um registro encontrado pelo programa contesta a informação de que a obra tenha sido um presente dado pelos franceses.

Os investigadores que apresentam a série são Renata Imbriani e André Guerreiro. Renata é especialista em arte e cultura popular brasileira, atriz e produtora de TV. André é diretor de teatro, formato em Rádio e TV e também é ator.

“A série terá casos de pessoas comuns que nos ajudam a recuperar a memória do Brasil”, diz Renata, que conta que se emocionou ao gravar os episódios. “Chorei muito”, admite ela, que filmou, por exemplo, em uma cela onde escravos eram torturados antes da abolição da escravatura. “É terrível imaginar que naquele lugar pessoas eram trancadas e torturadas por outras iguais a elas.”

Apesar de concordar com a carga de emoção que envolve a gravação do programa, André diz que precisou ser mais contido, como na investigação para descobrir a autenticidade de um par de óculos que podem ter sido do cangaceiro Lampião. “Conversei com o neto do inimigo de Lampião. Não pegaria bem começar a chorar”, descontrai.

Junto com a série, o canal de TV irá lançar um site para que telespectadores possam sugerir mistérios para serem desvendados em futuras temporadas. “Ainda não sabemos se haverá continuação, mas, se houver, já temos 60 mistérios que vamos estudar se podem entrar para a série”, afirma o produtor executivo Belisário Franca.

“Detetives da História”
Onde: History Channel
Quando: terças-feiras, a partir de 4 de maio
Horário: às 21h

Açude: UOL

Matéria indicada pelo confrade Augusto da comunidade "Lampião, Grande Rei do cangaço" 

Métodos de sangramento utilizados por volantes e cangaceiros

Entrevistas com o Coronel Manuel Arruda de Assis (Pombal - PB)

 

Por: José Romero Araújo Cardoso


O sangramento era um dos crimes mais hediondos cometido no sertão nordestino no tempo do cangaço, praticado tanto por tropas volantes, as quais dispunham de "sangradores oficiais", como por cangaceiros.
Símbolo de uma cultura forjada pela colonização erigida sob a ênfase da força e da violência, responsável pelo extermínio dos índios que habitavam a hinterlândia, a "técnica" de sangramento foi aperfeiçoada ao máximo. A razão econômica da penetração interiorana exigia que o gado criado de forma ultra-extensiva fosse, necessariamente, abatido para o consumo de uma minoria privilegiada da população, principalmente a do litoral canavieiro. No sertão, se tornou um "trabalho de mestre" matar sangrando a jugular ou a carótida.
  

As carótidas são duas artérias, a comum direita e a comum esquerda, sendo que a comum direita é originária do tronco braquiocefálico e a comum esquerda é originária do arco aórtico. A ruptura dessas artérias significa morte certa. A hemorragia violenta na via arterial do fluxo de sangue da aorta se encarrega de tudo.
  
Quando o soldado João da "mancha", considerado inclusive por seus antigos colegas de farda, como um psicótico, extravagante sangrador das forças volantes paraibanas, rompeu, com um bisturi pertencente ao medico Luiz de Góes, a carótida do advogado João Dantas, assassino do presidente João Pessoa, quando de sua detenção na penitenciária do Recife (PE). 

João Dantas estava preso na companhia do cunhado, o engenheiro Augusto Caldas, também assassinado com a mesma "técnica". O "serviço" fora feito por um profissional macabro que conhecia muito bem o seu "ofício". O militar sabia milimetricamente onde iria romper a artéria, visto que a luta corporal travada entre o intrépido advogado João Dantas e os seus algozes impediu o seccionamento no ponto exato, como pretendia Dr. Luiz de Góes. Conforme Arruda, só alguém que estava profundamente em contato com a "arte" de sangrar poderia ter feito um "trabalho" com tamanha perfeição.
  
As veias jugulares, outras que também eram preferidas pelos "sangradores" das lutas do cangaço nordestino, são de extrema importância para o organismo. A veia jugular interna é a principal. Ao rompê-la é quase impossível de haver qualquer possibilidade de salvação, a não ser que haja modernas técnicas de reversão, como presença de médicos e hospital, praticamente inexistentes nos ermos esquecidos dos sertões de outrora, embora ainda hoje encontremos tal situação em diversos lugares espalhados pelo nordeste e pelo Brasil afora.
  
Com o comprometimento da veia braquiocefálica, poucas chances de vida havia às vítimas desse suplício macabro promovido por solados e bandidos no sertão do cangaço, principalmente quando do apogeu de Lampião. Essa veia se anastomisa com a veia braquiocefálica direita, formando a veia cava superior, de fundamental importância à manutenção da vida.
  

Lampião era expert nesta técnica, dispondo para isso de imenso punhal de setenta centímetros de lâmina. Tarimbado na lida do campo, sobretudo no que diz respeito à pecuária, fornecendo peles e couros ao "Coronel" Delmiro Gouveia, com quem a família Ferreira negociava, o "rei do cangaço" inovou e utilizou-a profusamente quando de sua chefia no cangaço (1922 - 1938).
  
A veia jugular externa, quando rompida, representa morte certa. Essa veia é constituída da junção da veia retromandibular com a veia auricular posterior, e, após vários estágios de grande importância, desembocará, mais frequentemente, na veia subclávia.
  
Segundo o Coronel Manuel Arruda de Assis, (Foto abaixo) sobre quem há registros históricos indeléveis, tendo marcado de forma extraordinária a história das lutas do povo do semi-árido nas primeiras décadas do passado século, outro método bastante utilizado por ambas as partes envolvidas nas lutas, consistia em perfurar a clavícula, introduzindo-se, com violência, o instrumento perfuro-contudente diretamente na aorta, junto ao coração.
  
Depois da hecatombe de Piancó (PB), ocorrida no mês de fevereiro do ano de 1926, cuja participação do velho guerreiro das hostes volantes, natural do município de Pombal (PB), fora decisiva e marcante, houve aprisionamentos de militares da coluna Prestes, bem como da cozinheira da milícia que pregava novos rumos. Era uma baiana conhecida entre os revoltosos por tia Maria. Apenas um escapou da triste sina, devido aos apelos de muitos no sertão, inclusive do Padre Cícero.
  
Conforme ainda o entrevistado, um prisioneiro quando do sangramento pelos militares comandados pelo Coronel Elísio Sobreira, revelou ter feito muito isso quando da marcha da coluna, entre os diversos combates que travou.
  

Ainda em Piancó (PB), Arruda relembrou a chacina do barreiro, a qual vitimou o Padre Aristides Ferreira e diversos camaradas que lutaram bravamente para tentar conter o avanço da coluna. Todos foram sangrados por membros da coluna, consternados com as mortes dos cavalarianos que formavam a vanguarda da Coluna Miguel Costa - Prestes, os quais chegavam na cidade de Piancó (PB), e terminaram alvejados pela pontaria certeira do então sargento Manuel Arruda de Assis.

  
Entrevista Pessoal: ASSIS, Manuel Arruda de Assis. Pombal (PB), 27 de abril de 1989.
Adendo: Coronel Arruda nasceu em 1898, na cidade de Pombal, e morreu em 1991, sem nunca ter casado.
 

João da "mancha": 
O soldado sangrador "oficial" da tropa volante do Tenente Ascendino Feitosa - 
Entrevista com o Coronel Manuel Arruda de Assis (Pombal - PB)
 
Embora fosse soldado contratado da Polícia Militar do Estado da Paraíba, João da "Mancha" serviu, particularmente, às intrigas pessoais do Tenente Ascendino Feitosa contra membros da família Dantas, naturais de Mamanguape (PB), mas radicados na serra do Teixeira (PB).
 
Conforme o Coronel Manuel Arruda de Assis, o temperamental oficial que servia à causa do presidente João Pessoa, ferrenho inimigo de um sertanejo de nome Silveira Dantas, para quem levou grande desvantagem numa briga em certa ocasião, nutria atenção especial pelo humilde e perverso soldado. De acordo com o entrevistado, esse militar de baixa patente era o braço executor dos sangramentos perpetrados, sobretudo, pela volante do Tenente Ascendino. Ele tinha uma mancha escura no rosto, razão pela qual foi-lhe dado esse apelido.
 
Outro militar paraibano a quem João Pereira de Sousa, o sangrador João da "mancha", serviu, foi ao Tenente João Maurício da Costa. Arruda revelou que foram inúmeros combates contra cangaceiros, de cuja participação desse soldado fôra registrada, algumas marcantes. Manuel Arruda de Assis revelou que em certa ocasião esse soldado foi condecorado, ganhando divisa de cabo, mas devolveu-a e preferiu voltar a ser soldado raso.
 
A notoriedade desse militar foi granjeada no ensejo da tomada da penitenciária em que se encontravam presos o Dr. João Duarte Dantas e seu cunhado Augusto Caldas, o primeiro, assassino do presidente João Pessoa e, o segundo, uma inocente vítima das intrigas políticas.
 
  Arquivos de Ivanildo Silveira


 Após assassinar o carismático chefe do executivo paraibano, em Recife (PE), o filho do "Coronel" Franklin Dantas, executor confesso do crime, cujo ato cheio de fúria fôra presenciado por diversas pessoas, era ameaçado constantemente pelos revoltados paraibanos. Ameaçaram sangrá-lo assim que a revolução triunfasse e a Aliança Liberal chegasse ao poder.
 
Quando as tropas comandadas por Juarez Távora, ativo integrante da Coluna Prestes, chegaram ao Recife, o primeiro local visado pelos militares paraibanos foi a casa de detenção onde se encontravam presos João Dantas e Augusto Caldas , os quais se tornaram alvos preferenciais dos comandados por Ascendino Feitosa, estando entre estes João da "mancha" e o médico Luiz de Góes. Conforme o entrevistado, esse médico era capaz de tudo, regido por verdadeiro espírito sanguinário.
 
Dominados os prisioneiros, Luiz de Góes apontou a Ascendino a carótida. João Dantas entrou em luta corporal com seus algozes, sendo atingido na sobrancelha. Com precisão invulgar, João da "mancha" recolheu o bisturi e aplicou certeiro golpe no local indicado, pondo fim à vida de João Dantas. O entrevistado revelou que o corpo do advogado foi profanado de diversas maneiras, mesmo quando estertorava. Em seguida, o engenheiro Augusto Caldas teve o mesmo fim, morrendo implorando para que o deixassem cuidar da família.
 
 Arquivos de Ivanildo Silveira (Clique para ampliar)


Segundo Manuel Arruda de Assis, era comum solicitar a presença de João da "mancha" quando cangaceiros eram aprisionados. No combate de 1923, quando o sucessor de Sinhô Pereira foi ferido no tornozelo, no qual pereceram Lavandeira e Cícero Costa, dois cangaceiros de importância fenomenal no bando de Lampião, ambos foram sangrados pelo frio soldado volante que se aperfeiçoou em matar usando o extremo da covardia e da perversidade.


Entrevista Pessoal: ASSIS, Manuel Arruda de. Pombal (PB), 25 de abril de 1989.
  

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor da UERN.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Relíquia fotográfica

Grupo de Isaias Arruda  
Por: João Bosco André 

Grupo de Jagunços de Isaias Arruda

Temos a satisfação de postar uma foto inédita de Grupo de Isaias Arruda, o grande coronel de Aurora e Missão Velha; o principal protagonista do plano de ataque a cidade de Mossoró, pelo Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira Lampião em junho de 1927. Foi em sua fazenda Ipueiras que os líderes do ataque planejaram a empreitada e foi também em Aurora que houve o famoso episódio da traição do próprio Isaias Arruda a Lampião, quando enviou alimentação envenenada e manteve sob cerco, de seus homens e as forças cearenses do Major Moisés, o mesmo Virgulino; fugido do frustrado ataque à capital do oeste potiguar.

No Cariri Cangaço 2010, teremos visita técnica ao município de Aurora, contemplando os principais palcos dessa grande epopeia ligada a Isaias Arruda e Lampião.

NOTA CARIRI CANGAÇO: Nossos agradecimentos ao pesquisador e historiador, professor João Bosco André, pela gentileza da seção da fotografia e por confirmar seu nome entre os Conferencistas do Cariri Cangaço 2010.

Nade à vontade no açude do Coroné Severo: Cariri Cangaço

Cinema X Cangaço

Do clarão dos tiros ao escuro do cinema
Estudo preenche lacuna na bibliografia cinematográfica ao passar em revista filmes sobre o cangaço

Por: Manuel Alaves Filho
manuel@reitoria.unicamp.br



Cangaço, um tipo de banditismo social ocorrido na região Nordeste do Brasil entre 1870 e 1940, constituiu- se em um dos mais autênticos gêneros do cinema nacional. Ao longo do tempo, o movimento histórico foi retratado de diferentes formas em inúmeros filmes, sendo que alguns deles marcaram a produção brasileira na área e obtiveram repercussão internacional. Os dados constam da tese de doutoramento em Multimeios de Marcelo Dídimo Souza Vieira, apresentada ao Instituto de Artes (IA) da Unicamp.

O trabalho, orientado pelo professor Március Freire, surge para preencher uma lacuna da bibliografia cinematográfica brasileira, que até então reservara ao cangaço breves referências. Graduado na área de informática, Dídimo conta que sempre teve interesse em pesquisar aspectos ligados ao cinema nacional, particularmente o tema do cangaço.

No trabalho de mestrado, também desenvolvido no IA, ele investigou o gênero no contexto da chamada retomada do cinema brasileiro, ocorrida na década de 90. Dessa forma, o estudo concentrou-se em três produções: O Cangaceiro (1997), remake de uma obra rodada originalmente em 1953; Baile Perfumado (1997) e Corisco e Dadá (1996). Durante a elaboração da dissertação, o pesquisador constatou que praticamente inexistiam documentos bibliográficos sobre o movimento histórico no cinema.

Segundo ele, não havia um livro sequer que abordasse o assunto de forma aprofundada. “No máximo, o cangaço era tratado em um ou outro capítulo”, conta. Foi por causa dessa lacuna que Dídimo decidiu ampliar a pesquisa sobre o fenômeno histórico e cultural em sua tese de doutorado. No trabalho, foram catalogados perto de 50 filmes, entre documentários, curtas, médias e longas- metragens, cujas produções ocorreram entre as décadas de 20 e 90. O pesquisador esclarece que foram selecionadas apenas as obras que tiveram o cangaço como tema central ou que apresentaram personagens que participaram daquele contexto e influenciaram diretamente nas narrativas.

Dentre os filmes tomados para análise, explica Dídimo, alguns não existem mais, pois se perderam no tempo. Outros estão inacessíveis em acervos oficiais e cinematecas, em razão do seu precário estado de conservação. “Entretanto, consegui localizar 29 dessas obras, das quais fiz cópias e as analisei”, relata. De acordo com o pesquisador, o cangaço é retratado de diferentes formas nessas produções. No original de O cangaceiro, por exemplo, o integrante desse movimento rebelde tem a imagem associada à do caubói norte-americano. No longa-metragem, os cangaceiros aparecem montados em cavalos, animais que não faziam parte da realidade do sertão nordestino naquele período.

Em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), ambos de Glauber Rocha, o tema merece uma abordagem ideológica e simbólica. Já na década de 70, quando predominaram as produções classificadas como pornochanchadas, o cangaço é retratado de forma debochada. A figura do cangaceiro passa a servir somente como mote para as comédias eróticas brasileiras. Dídimo destaca que dividiu sua tese em seis capítulos. No primeiro, ele aborda o que chama de “primórdios” dos filmes de cangaço, realizados no início do século 20, época em que o movimento ainda era praticado no sertão nordestino.

A primeira obra a fazer referência ao cangaço conforme o pesquisador, é Filho sem Mãe, produção pernambucana de 1925. Embora não possa ser considerado essencialmente um filme sobre o movimento histórico, ele mostra cangaceiros ao longo da sua narrativa. Desse período, assinala o autor da tese, somente as imagens de Lampião, o Rei do Cangaço, de Benjamin Abrahão, rodado por volta de 1936, sobreviveu ao tempo. É a única peça cinematográfica de que se tem notícia que traz cenas reais de Virgulino Ferreira da Silva. Abrahão, de acordo com Dídimo, era um mascate libanês que atuava como secretário do padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”.

Em razão de suas atividades, ele mantinha inúmeros contatos, tanto com coronéis quanto com cangaceiros. Por conta desses relacionamentos, Abrahão finalmente conseguiu registrar cenas de Lampião e seu bando no sertão. As tomadas, que duram cerca de 15 minutos [não se sabe se ele conseguiu filmar por mais tempo], mostram os cangaceiros em situações cotidianas: comendo, cantando, escrevendo etc. Em 1937, a fita produzida pelo mascate libanês foi apreendida pela polícia, a mando do governo Vargas, por ser considerada uma afronta aos princípios da nacionalidade. Um ano depois, Lampião e Abrahão morreram. “O filme, então, desaparece e só é localizado em 1957. O sonho de Abrahão era filmar um combate entre os cangaceiros e os soldados da volante. Como isso não foi possível, o mascate pediu a Lampião que simulasse um confronto, que está registrado na película”, relata Dídimo.

No segundo capítulo, o pesquisador analisa os filmes produzidos sob a influência do western norte-americano. É nesse período, no entender de Dídimo, que o cangaço se estabelece como gênero cinematográfico. O marco dessa fase, como já foi dito, é O cangaceiro. No capítulo seguinte, o autor da tese trata das obras que trabalharam o movimento histórico de forma cômica. Nelas, a figura do cangaceiro é satirizada por comediantes como Ankito, Ronald Golias, Grande Otelo, Mazzaroppi e Os Trapalhões. Nesse segmento também estão incluídas asjá mencionadas pornochanchadas. O quarto quarto capítulo é reservado para os documentários históricos. Entre eles está contemplado o filme de Benjamin Abrahão.Embora tenha feito somente dois filmes sobre o cangaço, Glauber Rocha merece todo o quinto capítulo da tese de Dídimo.

“Ele, como ninguém, soube trabalhar o cangaço de forma simbólica e alegórica, sendo considerado um dos realizadores mais entusiastas do Cinema Novo”, justifica o autor. O último capítulo aborda as produções dos anos 90, no contexto da chamada retomada do cinema brasileiro. “Nessa fase, a temática do cangaço volta às telas através de releituras sobre o assunto e de outros filmes que abordaram essa questão em épocas passadas”, afirma o pesquisador. De modo geral, reforça Dídimo, o cangaço não foi retratado de uma única forma nos filmes analisados. “Se num primeiro momento os integrantes desse movimento histórico eram mostrados como bandidos sanguinolentos, com o tempo passaram a criar certa humanidade.

Algumas obras, inclusive, destacaram o lado ‘nobre’ dos cangaceiros, associando-os, ainda que indiretamente, à figura de Robin Hood, o ladrão que roubava dos ricos para dar aos pobres. Em outras palavras, não há predominância de uma visão: o cangaço e os cangaceiros, segundo a cinematografia brasileira, não são nem completamente maus, nem completamente bons”.

 
Marcelo Dídimo Souza Vieira, autor da tese: catalogação de cerca de 50 filmes, entre documentários, curtas, médias e longas-metragens

Questões fundiárias originaram movimento


A expressão cangaço deriva de canga, peça de madeira que se coloca no pescoço do animal para puxar o carro-de-boi. O nome também foi atribuído ao conjunto de equipamentos que o bandido sertanejo carregava consigo, que era bastante volumoso. O cangaceiro, portanto, era o homem que andava “debaixo da canga” ou “vivia da canga”, tendo que estar sempre disponível ao seu senhor. Posteriormente, o cangaço passou a ser um modo de vida.

O cangaço teve como cenário o Nordeste do Brasil, no período compreendido entre 1870 e 1940. O movimento histórico tem suas origens em questões sociais e fundiárias da região, caracterizando-se por ações violentas de grupos que assaltavam fazendas, seqüestravam coronéis e saqueavam comboios e armazéns. Os cangaceiros não tinham moradia fixa. Viviam perambulando pelo sertão, praticando crimes e fugindo da polícia.

O primeiro bando independente foi formado no início da década de 1870, e teve como líder Inocêncio Vermelho. Este havia cometido um crime na Paraíba e fugido para a região do Cariri, no Ceará, onde se juntou a outro criminoso, João Calangro. Em meados de 1876, Inocêncio foi morto pela polícia e seu companheiro assumiu o comando do grupo. Calangro se orgulhava de ter cometido 32 assassinatos, sem que qualquer processo fosse tentado contra ele. O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também conhecido como “governador do sertão” e “rei do cangaço”. O codinome Lampião teria surgido após um combate do seu bando com os soldados da volante. Em razão dos tiros disparados durante o conflito, a espingarda de Virgulino teria emitido um clarão semelhante ao de um lampião.

Depois de duas décadas de atividades no sertão nordestino, o cangaceiro foi morto no dia 28 de julho de 1938, em Angicos, Sergipe, por conta de uma emboscada. Com ele tombaram a sua mulher, Maria Bonita, e mais nove companheiros. Todos os corpos foram decapitados, e as cabeças expostas para observação pública. Depois, foram levadas para Maceió e Salvador. Até a década de 1970, os órgãos foram mantidos como “objetos de pesquisa científica” no Instituto Médico Legal da capital baiana.

Açude: CARI

Quando Lampião quase foi aniquilado

O COMBATE NA LAGOA DO VIEIRA

por: Rostand Medeiros


Nos primeiros meses do ano de 1924, o chefe cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, mantinha junto com seu bando uma intensa atividade de pilhagens, assaltos e ataque aos seus inimigos na região fronteiriça entre os estados de Pernambuco e da Paraíba. Neste setor não eram incomuns as notícias dos cangaceiros nas cidades de Princesa (PB), Triunfo e São José de Belmonte (PE). São deste período dois grandes ataques do bando de Lampião contra o ex-companheiro de cangaço, Clementino Furtado, ou o famoso “Clementino Quelé” (Foto).


Segundo o livro “Pernambuco no tempo do cangaço, Volume I”, de Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho (Recife,2002), em sua página 328, informa que segundo o Boletim Geral nº 05, da Polícia Militar de Pernambuco, as primeiras horas da manhã de seis de janeiro e 1924, dia dedicado aos Santos Reis, o chefe cangaceiro atacou um sítio próximo a vila de Santa Cruz, atual cidade de Santa Cruz da Baixa Verde, a apenas seis quilômetros de Triunfo, acompanhado de um grupo de cangaceiros calculado em sessenta homens.

Durante seis horas de nutrido tiroteio, Clementino Quelé suportou juntamente com outros membros de sua família, uma terrível provação. Mesmo tão próximo a cidade de Triunfo, somente as onze daquela manhã foi que o sargento Higino Belarmino, ordenou o deslocamento de sua tropa para salvar os sitiantes. Diante do fogo dos policiais, Lampião ordenou a retirada. Na casa ficaram três mortos, sendo um deles irmão de Quelé, e um ferido.

Não satisfeito pelo fato de ter conseguido matar o ex-companheiro de bando, o chefe Lampião retorna cinco dias depois a casa de Quelé, com igual número de cangaceiros, e reinicia o ataque. Aparentemente desta vez a tropa veio em socorro dos sitiantes mais rapidamente. Entretanto, como na ocorrência anterior novamente Quelé perdeu outros parentes e amigos.

Diante da situação, Clementino Quelé o homem que suportou is ataques de Lampião, cruzou a fronteira e seguiu para a cidade de Princesa, onde através da influência do “dono” do lugar, o coronel José Pereira, sentou praça na polícia paraibana. Ele recebeu a patente de sargento e tratou logo de montar uma força volante para caçar seu maior inimigo e o seu bando.

Diante da repercussão destes combates, as forças policiais dos dois estados aumentam a pressão contra os cangaceiros. Pelos próximos dois meses circulam notícias da presença do bando na proximidade da vila de Nazaré e informações de um assalto ao sítio São Domingos. (Ferraz, op. cit. Págs. 331 e 332).

Entre os oficiais da polícia pernambucana que desejavam capturar, ou abater, Lampião estava o major Theophanes Torres Ferraz (Foto abaixo) . Aos 30 anos de idade, este militar era considerado uma verdadeira lenda no seio da corporação em que atuava. Ferraz havia se notabilizado pela prisão do famoso cangaceiro Antônio Silvino, em Novembro de 1914, após o tiroteio ocorrido no sítio Lagoa da Laje, na zona rural do atual município pernambucano de Vertentes. Há algum tempo ele estava baseado na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, atuando no desbaratamento de grupos cangaceiros.


Considerado atuante, enérgico e determinado, o nome do major Ferraz é visto costumeiramente nas páginas dos antigos jornais conservados na hemeroteca do Arquivo Público do Estado de Pernambuco. Estes periódicos estampavam principalmente seus telegramas destinados a Eurico Souza Leão, então Chefe de Polícia de Pernambuco, cargo atualmente equivalente ao de Secretário de Segurança. Nestes relatos o major Ferraz dava conta da atuação da força policial no interior.

Em março de 1924, a frente de uma tropa de vinte e cinco policiais, o major Ferraz seguiu de Vila Bela para várias localidades da região do Pajeú pernambucano. Consta que uma das missões do major Ferraz era arregimentar o maior número de homens para formar uma grande volante destinada a combater os cangaceiros que assolavam a região.

Um dos locais para onde a tropa seguiu foi a Serra do Catolé, distante cerca de 30 quilômetros de São José de Belmonte. Este elevado maciço granítico, que possui altitudes que ultrapassam os mil metros, está fincada na região onde as fronteiras dos estados de Pernambuco, Ceará e Paraíba se encontram, tendo seu nome originado a partir da existência de uma grande quantidade de pequenas palmeiras conhecidas como coqueiro catolé. A força policial chegou à região da serra no dia 23 de março.

  
 
 Na capa do jornal recifense “A Notícia”, de 26 de março de 1924,com a narrativa do combate da Lagoa do Vieira feito pelo major Ferraz


Segundo João Gomes de Lira, ex-oficial da Polícia Militar de Pernambuco, antigo perseguidor de Lampião na década de 1930 e autor do livro “Memórias de um soldado de Volante” (Recife,1990), informa na página 129 que ao passarem pela serra, os policiais souberam que três cangaceiros montados em alimárias haviam seguido em direção a região da fronteira da Paraíba. Provavelmente o major Ferraz recebeu a informação que entre os membros daquele pequeno grupo de bandidos estava Lampião e partiu para a perseguição.

Antônio Amaury Correa de Araújo e Vera Ferreira, autores do livro “De Virgulino a Lampião” (São Paulo,1999), na página 96, informam que o chefe cangaceiro seguia com os companheiros que tinham a alcunha de Moitinha e Juriti. Para estes autores os celerados seguiram para a região da Lagoa do Vieira, na intenção de receberem uma encomenda feita a um coiteiro da região.

Durante a nossa visita a região (dezembro de 2008) a área apontada como sendo a Lagoa Vieira estava praticamente seca.

Por volta das dez horas da manhã os policiais vinham cautelosos ante a aproximação dos cangaceiros. Segundo Lira (op. cit. Pág. 129), o major Ferraz determinou que habitantes da região que buscassem o rastro dos fora das lei. Nesta movimentação os policiais ouviram a aproximação de alimárias, viram os três homens montados e o tiroteio começou.

Logo o animal que transportava o chefe cangaceiro caiu varado de balas e um destes disparos igualmente atingiu o calcanhar direito de Virgulino. O cavaleiro caiu ao solo, onde na seqüência a sua montaria tombou sobre seu pé ferido e Lampião ficou momentaneamente preso. Se não fosse a ação destemida de Moitinha e Juriti, provavelmente aquele seria o dia derradeiro do “Rei do Cangaço”.


Segundo o juiz de direito Sérgio Dantas, autor do livro “Lampião - Entre a Espada e a Lei” (Natal,2008), nas páginas 48 e 49, informa através do depoimento colhido junto a Vanderley Pereira Nunes, da cidade de Serra Talhada, que teria sido o próprio major Ferraz quem atingiu o chefe cangaceiro.

De alguma forma Lampião se livra do peso do animal morto e mesmo ferido consegue reagir a altura da situação. Logo, segundo a nota publicada no jornal “A Noticia” ele e seus companheiros fogem em direção a uma serra, que o oficial pernambucano declara ser a “Serra da Catinga”, existente nas proximidades.

 Nas imediações desta árvore, neste mesmo antigo caminho de barro, segundo os moradores da região, foi o local onde se deu este combate do dia 23 de março de 1924. 

Segundo as pessoas que atualmente habitam a isolada região da Lagoa do Vieira, o local deste combate é demarcado pela existência de uma árvore do tipo “pau-ferro”, em uma parte mais baixa do terreno, próximo as margens desta lagoa. Em relação aos detalhes deste acontecimento, os atuais moradores não transmitiram muitas informações, mas foram categóricos em apontar o local do combate, através de relatos passados pelos mais velhos.

 
Outro imagem da área do combate, segundo informações dos moradores da região. 

O abundante rastro de sangue mostra o caminho para onde a tropa deve seguir. Ainda segundo a nota publicada no jornal recifense, a cerca de uma légua de distância, ou seja, seis quilômetros, na altura de um lugar chamado “Barro”, outros cangaceiros vieram em socorro do chefe e montaram o ponto de disparos. Logo a tropa é violentamente atacada em uma emboscada.
Neste ponto a tropa do major Theophanes Ferraz se encontra em desvantagem, o tiroteio cresce e logo claros são abertos no lado dos militares. Em pouco tempo três policiais são feridos, sendo dois com gravidade.

 As estradas da região próxima a Lagoa do Vieira são péssimas, mantendo a região ainda bastante isolada.  

Em sua nota na imprensa pernambucana, o major Ferraz informa que diante da situação dos dois feridos, os praças Manoel Amaro de Souza, que havia sido atingido no olho direito e de Manoel Gomes de Sá, baleado no braço esquerdo e na coxa direita, ele decidiu se retirar do combate para buscar um local apropriado para aplicar os primeiros tratamentos, além de conseguir a remoção dos mesmos para Belmonte e Vila Bela. Ainda segundo o oficial, os homens atingidos gravemente foram transportados nas costas dos seus companheiros de farda até uma propriedade denominada Montevidéu. O soldado João Demetrio de Souza, o terceiro ferido, este sem gravidade, consegue seguir por seus próprios meios.


Da parte dos cangaceiros, o ferimento no pé de Lampião preocupa. O cangaceiro paraibano Cícero Costa de Lacerda propõem conduzir o chefe para o alto a Serra das Panelas, que ficava nas proximidades.
Vendo seu ferimento melhorar Lampião Imaginava que, juntamente com seus cangaceiros, todos estavam bem protegidos no alto da grande serra, mas logo ele teria um encontro com um dos seus mais terríveis inimigos, Clementino Quelé

 No alto da Serra do Catolé, São José de Belmonte, Pernambuco. A esquerda o Ceará, a direita a Paraíba. 

 Na altitude de mil metros da Serra do Catolé: A partir da esquerda para a direita a equipe participante, Alex Gomes, Solón Almeida Netto (Fotógrafos), os nossos guias na região Luiz Severino dos Santos (Morador do Sítio Catolé, no alto da serra e neto do cangaceiro Luís Padre, primo do mítico chefe cangaceiro Sinhô Pereira), Antônio Antas (Grande amigo e verdadeira biblioteca ambulante sobre o cangaço na região, de Manaíra-PB) e o autor deste artigo.



Abraços 
Rostand Medeiros 
Natal/RN 

terça-feira, 20 de abril de 2010

Origens do termo

Cangaceiro, Cangaço e Canga 

Por: José Peixoto Júnior


Há na literatura cangaceira entendimento pacífico de que o termo cangaço, no sentido de banditismo, decorreu de a imagem do facínora conduzindo a arma de fogo de cano comprido atravessada sobre a nuca lembrar boi de canga.

“Esses bandidos independentes receberam o nome de cangaceiros. Palavra que se origina de canga, o conjunto de arreios que amarra o boi ao carro.” “Levavam os clavinotes passados pelos ombros, tal qual um boi no jugo, isto é, na canga”.

O salteador pernambucano Cabeleira, enforcado em 1776, e o malfeitor baiano Lucas da Feira, enforcado em 1849, ambos comandantes de comparsas, não foram denominados cangaceiros.O termo cangaceiro “bandido do sertão nordestino brasileiro” teve o seu primeiro registro em 1899, porém cangaço “já em 1834 se dizia de certos indivíduos que eles ‘andavam debaixo do cangaço.’

Ora, caçador com a sua espingarda de ouvido ao ombro, também roceiro com a sua enxada no caminho da roça às vezes as seguram sobre o pescoço; o aguadeiro com seu jogo de latas pendentes nas pontas de um pedaço de pau as conduzem com esse pau de través no pescoço; nem por isso a caçadores, roceiros, carregadores de água chamam-nos de cangaceiros. Os próprios bois de carro, de arado, de engenho nunca foram conhecidos por bois cangaceiros, e sim bois mansos. Ademais, a canga é suportada por dois bois, e não por um boi só, o que parece tornar mais afastada a comparação. Canga em bicho unitário só em porco ou miunça para não invadir roça. Essa canga é triangular.

Cangaço é termo independente de canga, respeitada a raiz morfológica “cang”, não é, como pode parecer, o aumentativo sintético de canga.Cangaço é esqueleto, ossada de animal ainda não desarticulada. No cangaço dos animais o arco de curvatura dos ossos das costelas destacam o esqueleto oferecendo visão macabra. Nas grandes secas tinham-se essas visões marcantes amiúde, marcantes não apenas por expressar prejuízo, também por espelhar a morte. Às vezes, via-se no bojo da caixa torácica de um cangaço urubu a bicá-la.

O bandido usava cartucheira à cintura e a tiracolo. Esse artefato de couro atravessado de lado do pescoço para a outra banda do corpo, se cartucheira dupla, encruzava-se no peito. Arqueava-se e, tendo em vista o encostelado dos cartuchos com suas reentrâncias e saliências, projetava a imagem estereotipada de costelas. Ora, costelas destacadas sem carne aderente são costelas de esqueleto, costelas de cangaço. Acrescente-se a essa imagem o medo provocado pelos usuários.

Por alusão, a expressão “andar debaixo do cangaço” guardava a figura do urubu na caixa torácica da carniça, dentro do cangaço.A meu ver, a palavra cangaceiro vem de cangaço, porém cangaço carniça.Quanto a expressão “debaixo de canga”, usada por coronéis de barranco relativamente a agregados, não remete à peça atreladora de bois, mas à canga instrumento de suplício, figurativo de sujeição dia e noite. A canga dos bois é instrumento de trabalho, só de trabalho.

José Peixoto Júnior, escritor
Brasília DF

Texto gentilmente enviado por Ângelo Osmiro escritor presidente da SBEC -Sociedade brasileira de estudos do cangaço.
Foto pescada no açude de compadre Severo Cariri Cangaço