terça-feira, 30 de junho de 2009

Cordel Sergipano

“GLÓRIA” Cantada em versos.

Um trabalho do meu conterrâneo de Estado, o poeta Jorge Henrique, vamos conhece-lo?

Nascido em Nossa Senhora da Glória-SE-Brasil. Licenciou-se em Letras pela Universidade Federal de Sergipe-2001. Especializou-se em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa (Lato sensu) pelo IBEPEX/FACINTER-2004. 

Funcionário público, professor de Língua portuguesa e Literatura Brasileira, desde 1989. Premiado em alguns concursos em Sergipe e Alagoas. Livros publicados (poesia): • Mutante in Sanidade. Cadernos Cultart de Cultura. Aracaju: UFS/PROEX, 2001. • Literatura de Cordel) “Glória” Cantada em Versos. Literatura de Cordel. Aracaju: Gráfica J. Andrade, 2008. Conto publicado: • Antologia de Contos: Autores contemporâneos. Rio de Janeiro: CBJE, 2005. Poemas publicados: • II coletânea dos Contistas, Cronistas e Poetas do Milênio. Aracaju: Armazém Literário, 2002; • 13ª Coletânea Brasileira dos Jovens Escritores. Rio de Janeiro: CBJE, 2004. • 17ª e 18ª Coletâneas Brasileiras dos Jovens Escritores. Rio de Janeiro: CBJE, 2005. • 22ª Coletânea Brasileira dos Jovens Escritores. Rio de Janeiro: CBJE, 2006. • Antologia do PRÊMIO BANESE DE LITERATURA. Aracaju: BANESE, 2004.

Essa publicação é parte das ações do projeto de mesmo nome que aprovei junto ao Programa BNB de Cultura - 2008, no qual me propus escrever um livreto em homenagem aos 80 anos de Emancipação Política do Município de Nossa Senhora da Glória - Sergipe.
Além da publicação de 5.000 cordéis e da sua distribuição gratuita aos alunos de escolas públicas de minha cidade, a proposta consistiu também na oferta de uma Oficina de Literatura de Cordel a quarenta desses alunos.
 

O livreto, composto de 80 estrofes em septilhas, descreve a trajetória do município em questão e contém ilustrações, em xilogravura, do artista plástico sergipano Elias Santos. Teve ainda revisão poética de três experientes autores de Cordel: Luís Alves da Silva (Gauchinho), João Rubens A. Rolim (João Rolim) e Luiz Carlos Lemos (Compadre Lemos).

Trechos selecionados das páginas 12 e 13 que fazem alusão a passagem de Lampião por aquele município:

Embora não tenha sido
Muito longa essa gestão,
Foi no mesmo ano dela
Que se fez a invasão.


Quem participou da história
Não apaga da memória
O bando de Lampião.


Em abril daquele ano,
Bem no meio de uma feira,
Lampião entrou em Glória.


Essa história é verdadeira!
Teve gente, apavorada,
Fugindo bem apressada
Com medo da cabroeira.


Mas Capitão Virgolino
Não fez jus à sua fama
De alma torpe, perversa.


Não matou, não criou drama,
Pegou dinheiro e animais,
Tendo enchido os embornais,
Foi juntar-se à sua dama.


Os que viram até contam
Que ele aqui comprou fazenda,
Que deu moeda às crianças,
Até parece que é lenda!


Sua barba foi fazer
E, antes de anoitecer,
Partiu sem criar contenda.


Valdemar Bispo dos Santos,
O pai que meu pai amou,
Que era homem da volante
E nunca se amedrontou,


Foi em muita diligência,
Mas graças à Providência
Com Lampião não topou!

Pelejas imaginárias

Livro retrata a vida de Lampião e "Dom Quixote"

O escritor e jornalista Francisco Cunha lança o livro "O Duelo de Lampião e Dom Quixote", no Centro Cultural Oboé (rua Maria Tomásia, 531 - Aldeota - fone: (85) 3264.7038), nesta quinta-feira, 2, às 19h30, em Fortaleza.

O lançamento literário acontece em data próxima à efeméride dos 112 anos de nascimento do capitão Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, nascido em Serra Talhada (PE), em 7 de julho de 1897, e morto em Poço Redondo (SE), em 28 de julho de 1938.

A edição do livro "O Duelo de Lampião e Dom Quixote" foi patrocinada pelo Programa Cultura da Gente, que apóia projetos artísticos desenvolvidos por funcionários da ativa e aposentados do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Cordel em prosa comedida, ficção atemporal e absurda

Capa
A definição de uma identidade cultural brasileira se arrasta desde o Império - do Indianismo Alencarino aos manifestos da Semana de Arte Moderna de 1922.

No Nordeste, a Arte Armorial, lançada oficialmente em Pernambuco (1970), tem na pessoa do poeta e escritor Ariano Suassuna seu principal idealizador. O Movimento propunha a construção de uma base cultural genuína a partir da arte popular.
Assim, a Heráldica de Suassuna permite resgatar a estética regional, mesclando o popular com o erudito, e servindo de respaldo às diversas manifestações do imaginário nordestino.

Na Música, com os tocadores de pífanos, ritmos e danças; na Poesia, com os cordelistas, repentistas e suas cantorias fantásticas; na Xilogravura, com as imagens vincadas na madeira, aliada à Escultura dos santeiros e talhadores; no Teatro, com os mamulengos e seus bonequeiros; além de uma estética transplantada para o Cinema.

É nesse pano de fundo que nasce o paralelo entre dois mitos populares: um da cultura regional, mito do Nordeste guerreiro; o outro, da cultura clássica universal, mito e anti-herói dos cavaleiros medievais.
A proposta só poderia resultar no caráter burlesco de personagens tão recorrentes. Obviamente, cada um guardando suas referências, numa ficção atemporal e absurda. Na verdade, um cordel em prosa comedida, com os disparates próprios da imaginação cômica e trágica.

Breve perfil profissional
FRANCISCO das Chagas CUNHA Filho é cearense natural de Massapê. Jornalista formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e funcionário do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), atuando na área de Comunicação Social.

Nos anos 1980 e 1990, trabalhou profissionalmente com ilustração e arte publicitária em Fortaleza (Terraço Comunicação e Marketing, SENAC, Casas Pernambucanas e Diário do Nordeste). Possui especialização em Comunicação e Mídia Contemporânea. Eventualmente, participa de exposições e concursos literários.

Patrocínio do Programa Cultura da Gente
A edição do livro "O Duelo de Lampião e Dom Quixote" foi patrocinada pelo Programa Cultura da Gente, que apóia projetos artísticos desenvolvidos por funcionários da ativa e aposentados do BNB.
Ação de desenvolvimento humano e responsabilidade social corporativa do Banco do Nordeste, o Cultura da Gente apóia projetos individuais ou coletivos, de autoria ou co-autoria de funcionários e aposentados da instituição, até o valor de R$ 7 mil, nas áreas de música, artes cênicas, audiovisual, artes visuais, literatura e cultura popular.

Coordenado pela consultora interna Rosana Gondim, o Programa é uma iniciativa conjunta dos Ambientes de Comunicação Social, Gestão da Cultura e Responsabilidade Socioambiental, e a Área de Desenvolvimento Humano do BNB.

Fonte: Paraiba.com.br

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Dona Mocinha, irmã viva do Rei do Cangaço

Parentes de Lampião vão a São Paulo conhecer única irmã viva de Lampião 
 

15 pessoas da família viajam nesta terça-feira e estão ansiosos pelo encontro.

A única irmã de Lampião ainda viva recebe uma homenagem especial. Maria Ferreira de Queiroz, 102 anos, vai conhecer todos os parentes. Ela mora em São Paulo e, nesta terça-feira (30), seus netos e sobrinhos desembarcam na cidade para encontrá-la. A viagem foi planejada durante um encontro de confraternização da família.

“Paulo Estrada e os Dois do Nordeste”, tocando “Mulher rendeira”, deram o tom que marcou o encontro da família Ferreira no domingo (28)

Vídeo da reportagem

Quinze parentes de Lampião almoçaram juntos. “A intenção é confraternização em família. Nós queremos passar um pouco da nossa história para os mais jovens, para que a geração mais nova possa conhecer a avó e conhecer outra face de Lampião”, diz Kátia Ferreira, sobrinha-neta do cangaceiro.

Maria Ferreira, a irmã de Lampião, era chamada carinhosamente por todos de 'Mocinha'. Suas visitas a Pernambuco, onde nasceu, eram constantes. Nas fotos, sempre aparece com amigos e parentes. A última vez que ela veio ao estado foi em 1997. Rafael Ferreira, 11 anos ainda não havia nascido. Agora, ele não vê a hora de conhecê-la e fazer um monte de perguntas.”Perguntar como é ser da família de Lampião, saber mais sobre ele”, diz.

Rafael faz parte da mais nova geração de uma família, que não esconde o orgulho de suas origens. Sertanejos, parentes de um homem que se transformou num mito, Virgulino Ferreira da Silva, que nasceu em 4 de junho de 1898, no sítio Passagem das Pedras, em Vila Bela, Serra Talhada.

José Ferreira é outro que enche o peito para falar do nome que carrega. “O pai dele [Lampião] se chamava José Ferreira. Eu tenho muito orgulho de representar a família de meu tio no Nordeste”, diz.

Os que já conhecem a irmã de Lampião, também seguem em viagem, para um reencontro. E são só elogios. “Ela é uma pessoa meiga, carinhosa, que trata a família muito bem”, disse Clarisse Ferreira, nora de Maria Ferreira.

Fonte: PE 360 GRAUS

sábado, 20 de junho de 2009

Nobres ações

Livros de Chico Pinto vão para Universidade de Feira 

Por Vitor Hugo Soares

A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) tem mais um bom motivo para sentir orgulho, além da qualidade reconhecida de seu ensino: será, a partir de agora, a guardiã da biblioteca do ex-prefeito e ex-deputado Chico Pinto, falecido em fevereiro de 2008. Os livros do culto e bravo guerreiro de Feira , que sempre esteve ao lado das mais dignas lutas políticas e sociais travadas na Bahia e no Brasil nos últimos 50 anos, foram doados à UEFS por Thais Alencar, viúva do ex-prefeito e ex-parlamentar Francisco Pinto.

O acervo de 3 mil volumes é dos mais ricos e diversificados em termos de conteúdo: literatura, política, história, documentos raros, relatos de um tempo e de uma trajetória única da política baiana e nacional. Sem falar nos volumes de uma das maiores predileções de Chico em suas horas de leitura: o conhecimento sobre a vida, combates e estratégias de Virgulino Ferreira, o Lampião, Maria Bonita e os cangaceiros do bando nordestino.

Leitor assíduo e confesso de tudo que se escrevia sobre estes legendários personagens, os livros sobre o cangaço foram os últimos a frequentar o móvel de cabeceira do notável parlamentar no hospital, em seus dias de despedida.

Ver e ler os livros de Chico Pinto na UEFS, eis mais um bom motivo para ir a Feira de Santana.

A atuação feminina nos tempos difíceis do Cangaço

A vida, o dia a dia, as aventuras, os personagens marcantes da história mais lembrada do Sertão alagoano

Por João de Souza Lima (Foto)

O Historiador João de Souza Lima fala tudo sobre do Cangaço, e como a força da mulher foi inserida no princípio, e por muito tempo de sua existência, o cangaço, pela brutalidade que o envolvia, era um mundo único e exclusivo dos homens, sobretudo homens destemidos. A mulher era figura descartada nesse meio. Quase todos os grandes cangaceiros que atuaram antes de Lampião tiveram mulheres e filhos, porém, as "esposas" não acompanhavam seus "maridos".

A mulher permanecia sempre em um lugar fixo e com a identidade resguardada, esperando que um dia pudesse ver, mesmo que só por alguns minutos, seus amores guerreiros.

Para alguns cangaceiros a entrada das mulheres nos bandos foi vista como a decadência e desgraça do cangaço; para outros, as mulheres vieram aplacar a fúria assassina e o desejo sexual disforme que tanto feriu e humilhou as famílias nordestinas. Com a chegada e a permanência feminina, os cangaceiros adquiriram mais respeito com as mulheres, diminuindo consideravelmente os terríveis estupros.

O cangaceiro Sebastião Pereira da Silva, o famoso Sinhô Pereira, único cangaceiro que chefiou Lampião, fez a seguinte declaração: "Eu fiquei muito admirado quando soube que Lampião havia consentindo que mulheres ingressassem no cangaço. Eu nunca permiti, nem permitiria. Afinal, o padre Cícero tinha profetizado: Lampião será invencível enquanto não houver mulher no seu bando".

Já o ex-cangaceiro Balão declarou em uma entrevista para o jornal Estado de São Paulo que, enquanto não apareceu mulher no cangaço o cangaceiro brigava até enjoar. Depois disso, os mesmos passaram a evitar os tiroteios e os bandos batiam logo em retirada para que fosse resguardada a integridade física das companheiras. As mulheres tinham a resistência e a valentia dos homens, mas, muitas vezes, atrapalhavam nas fugas e andanças por ficarem doentes ou grávidas.

Exposição em Paulo Afonso sobre Maria Bonita e a interferência feminina entre os cangaceiros.
Apesar de todos esses contratempos, a mulher conseguiu transpor as barreiras impeditivas que as afastavam do cangaço. A pessoa de Maria Gomes de Oliveira, primeira mulher a fazer parte de um grupo de cangaceiros e por ser a companheira do chefe supremo do bando, coube-lhe a alcunha de "Rainha do Cangaço".

Com a entrada de Maria Gomes, tantas outras Marias seguiram as estradas desconhecidas do cangaceirismo, tais como Mariquinha (de Ângelo Roque), Lídia (de Zé Baiano), Adília (de Canário), Catarina (de Nevoeiro), Nenê (de Luiz Pedro), Naninha (de Gavião), Durvinha (de Moreno), Sila (de Zé Sereno), Inacinha (de Gato), Aristéia (de Catingueira), Dulce (de Criança), Maria (de Juriti) e Maria (de Pancada).

Os fatores que levaram tantas mulheres a seguirem esse modo vivendis precisam urgente de uma nova análise histórica; uma nova busca nas fontes e informações das pessoas que viveram aquele conturbado período; um tempo de luta e tristeza, tudo acontecido nos carrascais do nosso Sertão nordestino.

Contatos com João de Souza Lima :
(75) 8807- 4138
ou escreva para:
Rua Canadá, 194 - Caminho dos lagos
CEP 48605-280-
Paulo Afonso-BA.

Hoje em dia é assim...

O amor comanda o cangaço

Daniel Schenker
Especial para o Jornal do Brasil

Com o projeto do documentário O altar do cangaço, Wolney Oliveira faz um duplo resgate. O primeiro é referente ao cinema centrado no universo do cangaço, lembrado nos últimos anos apenas através de produções esparsas. O segundo diz respeito a dois personagens do filme – o casal formado por Moreno e Durvinha, remanescentes do bando de Lampião, que passaram 66 anos escondidos com medo de serem mortos.

Wolney Oliveira
Wolney Oliveira começou a registrar toda essa história em 2006. Contou com a ajuda do pesquisador João de Souza Lima (autor do livro Moreno & Durvinha – Sangue, amor e fuga no cangaço), que localizou cangaceiros, volantes (os patrulheiros que caçavam os fora-da-lei) e coiteiros (que davam abrigo aos cangaceiros). O levantamento das informações trouxe constatações interessantes.

– O homem humilde do campo tinha poucas opções: enveredar pelo cangaço, tornar-se volante ou viver na dependência de algum coronel. Vários viraram cangaceiros motivados por uma necessidade de vingança pessoal, já que a justiça não resolvia – explica Wolney, citando como exemplo o caso de Moreno.


– Ele foi injustamente acusado de ter roubado um carneiro na época em que morava em Brejo Santo e levou uma surra. Durvinha entrou para o cangaço aos 14 anos, depois de se apaixonar pelo cangaceiro Virgínio. Ele morreu e ela passou a viver com Moreno, com quem teve um filho, Inácio, no final da década de 30.

Perseguidos, entregaram o bebê (com apenas 29 dias de vida) para ser criado pelo padre Frederico, em Tacaratu, sertão de Pernambuco. Seguiram viagem e se estabeleceram em Augusto de Lima, interior de Minas Gerais, e depois partiram para Belo Horizonte. Tiveram mais cinco filhos e adotaram nomes falsos. E só reviram Inácio muitos anos depois, em 2005. Não foi um reencontro fácil. Inácio e uma de suas irmãs, Neli, não mediram esforços para viabilizá-lo.

– Mandei cartas para o programa Porta da esperança, do Silvio Santos, mas nunca consegui que colocassem minha história no ar. Neli ligou para Tacaratu, mas eu morava no Rio de Janeiro desde 1956 – lembra Inácio.

Depois de alguns desencontros, Inácio foi localizado. Apresentou-se à própria família por telefone. E marcou de ir até Belo Horizonte encontrar pais e irmãos em 10 dias. Mas não aguentou a ansiedade e antecipou a viagem. Levou receios na bagagem.

– Eu pensava: “Será que vão me aceitar como irmão? Como meu pai, cangaceiro, reagirá ao fato de eu ser policial?” – enumera Inácio, que embarcou rumo à capital mineira com o filho, Eudse, também policial.
Felizmente, os temores logo se dissolveram.

– Fui muito bem recebido. Quiseram, inclusive, que fosse morar com eles. Até tenho vontade de ter um espaço por lá. Mas fiz minha vida aqui no Rio – diz Inácio, que, além de Eudse, é pai de Marilane.
Moreno está com 99 anos. Durvinha morreu ano passado, aos 93. Inácio não se envergonha de ser filho de cangaceiros.

– Não tenho culpa do que os meus pais foram. O passado deles não me importa – sublinha, explicando que não foi registrado com o nome de Durval Gomes de Sá, escolha de seus pais, mas como Inácio Carvalho de Oliveira, em homenagem a Santo Inácio de Loyola. Os sobrenomes são do padre Frederico e de dona Senhora, a governanta que ajudou a criá-lo.

Com planos de lançar o filme em 2010, Wolney Oliveira pretende viajar para Paris. Afinal, O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, saiu vitorioso do Festival de Cannes, onde foi representado pela atriz Vanja Orico. A partir daí, o cangaço se tornou um gênero à parte.

– A febre começou no fim dos anos 50. A década de 60 foi marcada pelo chamado nordestern, espécie de faroeste nordestino cuja matriz é o western americano – destaca a jornalista Maria do Rosário Caetano, responsável pela organização do livro Cangaço – O nordestern no cinema brasileiro. – Glauber Rocha despontou como uma exceção neste contexto. Em seus filmes, a figura do cangaceiro é quase metafísica – complementa.

Maria do Rosário chama a atenção, porém, para a diluição dos filmes de cangaço nas décadas seguintes.

– Nos anos 70, surgiram as pornochanchadas baseadas no cangaço. No entanto, houve algo digno de nota: a experiência de diretores no Globo repórter. É o caso de Hermano Penna, que assinou A mulher no cangaço, mostrando como jovens encontravam no cangaço a sensação de libertação de contextos familiares opressores. Nos anos 80, a produção nacional quase abandona a vertente. E, de acordo com Rosário, há poucos destaques no cinema da retomada.

– Baile perfumado revitaliza a tradição, ao mostrar o cangaceiro aburguesado – elogia, referindo-se ao filme de Paulo Caldas e Lírio Ferreira.

FONTE: JBonline

quinta-feira, 18 de junho de 2009

De Virgolino a Lampião em 2ª edição

A novidade foi anunciada no site da Sociedade do Cangaço.

O livro é uma biografia que conta como Virgolino Ferreira da Silva tornou-se Lampião. Através de um apanhado dos mais importantes acontecimentos da trajetória desse homem, a narrativa histórica em ordem cronológica visa situar o leitor no tempo e facilitar o entendimento evolutivo dos fatos sociais.

Para a construção do livro os autores Vera Ferreira e Antônio Amaury realizaram pesquisas e contaram com depoimentos de ex-cangaceiros, volantes, Coronéis, coiteiros entre outras pessoas que testemunharam o marco Lampião no movimento do Cangaço.

A primeira edição, patrocinada pela Dana Corporation em 1998, teve uma tiragem de seis mil exemplares. O livro foi lançado em sete capitais brasileiras. A segunda edição, com uma tiragem de 1000 exemplares, foi patrocinada pelo Banco do Estado de Sergipe – BANESE juntamente com o BANESE CARD.

Algumas mudanças de formatação e diagramação da página farão parte do layout da segunda edição do livro. Novas fotos e desenhos configuram a proposição das mudanças gráficas, as quais tiveram a finalidade de favorecer a leitura e interação visual com o livro por parte dos leitores.

Prévia: Leia a Introdução desta obra, Formato: PDF, Tamanho: 6.346kb

Fonte: Sociedade do Cangaço

Cangaço de barro, 2















quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cangaço na TV

Lampião e Maria Bonita


Você sabia que a minissérie "Lampião e Maria Bonita", de 1982, foi a primeira a ser produzida pela Rede Globo? Apesar de sua profunda base histórica e de ser protagonizada por personagens reais, os autores, Aguinaldo Silva e Doc Comparato, optaram por uma trama ficcional. Para retratar o cangaço e a realidade do sertão, a equipe escolheu a dedo as locações: todos os locais por onde Lampião e Maria Bonita passaram com o seu bando.

Nos papéis principais estavam os atores Nelson Xavier e Tania Alves. O enredo era baseado na vida do cangaceiro mais famoso do Brasil, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião.
  
Ficha Técnica
Autoria: Aguinaldo Silva e Doc Comparato
Direção: Paulo Afonso Grisolli e Luís Antônio Piá
Produção do núcleo: Paulo Afonso Grisolli
Período de exibição: 26/04/1982 – 05/05/1982
Horário: 22h15
Nº de capítulos: 08


Elenco / Personagens:
Nelson Xavier - Lampião
Tania Alves - Maria Bonita
Roberto Bomfim - Sargento Libório
Regina Dourado - Joana Bezerra
Cláudio Corrêa e Castro - Secretário do Interior Da Bahia
José Dumont - Tenente Zé Rufino
Gilson Moura - Tenente Zé Batista
Jofre Soares - Coronel Pedrosa
Helber Rangel - Linfolfo Macedo
Michael Menaugh - Steve Chandler
John Procter - Mr. Fry
Antônio Pompeo - Sabonete
Marcus Vinícius - Gavião
Silvio Correia Lima - Corisco
Lu Mendonça - Dadá
Marco Antônio Soares - Telegrafista
Jurema Pena - Mariinha
Jomba - Manoel Severo
Hileana Menezes - Alice
Maria Alves - Mabel
Ilva Niño - Odete
Arnauld Rodrigues - Motorista de Steve Chandler

Trama:

- Obra pioneira, Lampião e Maria Bonita inaugurou um novo formato de programa na Rede Globo, o de minisséries, levando para a tela um dos mais conhecidos episódios da história nacional.

- O enredo é baseado na vida do mais famoso cangaceiro do Brasil, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, um pernambucano nascido em 1899, que se transformou no mais forte símbolo do cangaço. Lampião era conhecido como o rei do cangaço. Praticamente cego do olho direito, andava manquejando, devido a um tiro que levou no pé esquerdo durante um conflito no sertão. Em suas andanças, conheceu Maria Bonita, a primeira mulher a fazer parte de um grupo de cangaceiros, com quem teve uma filha, Expedita. A história de Aguinaldo Silva e Doc Comparato acompanha os últimos seis meses de vida de Lampião e Maria Bonita, período até hoje um tanto obscuro na história. Apesar da extensa e cuidadosa pesquisa histórica, a minissérie não pretende ser extremamente fiel aos acontecimentos, trazendo à narrativa elementos ficcionais.

- A trama tem início com o seqüestro do geólogo inglês Steve Chandler (Michael Menaugh) pelo bando de Lampião (Nelson Xavier). Para negociar o resgate com o governo da Bahia, o cangaceiro usa Joana Bezerra (Regina Dourado) como intermediária. Em um bilhete, Lampião exige 40 mil contos de réis em troca da vida do geólogo. O papel cai nas mãos do sargento Libório (Roberto Bonfim), a autoridade política de Geremoabo, que passa a notícia para o governador da Bahia. Junto com a embaixada da Inglaterra, o governo do estado da Bahia decide enviar tropas comandadas pelo tenente Zé Rufino (José Dumont), tradicional perseguidor de Lampião, para capturar o bandido. Apesar de pedirem sigilo absoluto, a notícia do seqüestro acaba vazando, e o jornalista Lindolfo (Helber Rangel) começa a explorar o fato.

- A partir daí, acompanha-se as negociações entre Lampião e o governo da Bahia e as inúmeras perseguições e fugas do bando, durante as quais o grupo vive momentos de grande tensão. Em outras seqüências, quando se sentem seguros, a minissérie mostra Lampião e Maria Bonita (Tânia Alves) em um clima tranqüilo, visitando sua filha, Expedita (Adriana Barbosa), que é criada por uma família da região. A narrativa procurava mostrar os lados sanguinário e apaixonado de Lampião. Mas a tensão é sempre maior do que os momentos de diversão e paz, tanto pelos embates com a polícia, como pela presença de Chandler.

- A situação se agrava com o desaparecimento de Maria Bonita. Com a ajuda de Dadá (Lu Mendonça), a mulher de Corisco (Silvio Correia e Lima), ela se afasta do bando para fazer um aborto, sem que Lampião saiba. Quando volta, está com febre alta e fortes dores pelo corpo. Maria Bonita consegue melhorar graças a Chandler, que, percebendo a gravidade do caso, oferece um remédio para a cangaceira. Ele passa a cuidar de Maria Bonita e, inesperadamente, sente-se atraído por ela, gerando um conflito com Lampião.

- O governo e a embaixada inglesa oferecem recompensas a quem fornecer pistas sobre o paradeiro do bando, e o cerco se aperta. O consulado rejeita qualquer possibilidade de pagar o resgate e propõe que aprisionem alguém da família de Lampião para forçá-lo a se entregar. Enquanto isso, Zé Rufino consegue encontrar Maria Bonita, que está acampada com parte do bando. A batalha é acirrada, mas ela consegue escapar. No entanto, um dos cangaceiros é aprisionado e levado para Salvador. Lá, o antropólogo Eustáquio (Rubens Araújo) decide fazer a medição de seu crânio, no intuito de comprovar sua tese de que o banditismo é resultado de uma degenerescência racial.

- Após inúmeras buscas e tentativas de negociação, a história de Lampião chega ao fim. Em 28 de julho de 1938, antes do nascer do sol, na margem sergipana do rio São Francisco, soldados da polícia liderados pelo tenente José Batista (Gilson Moura) descobrem o esconderijo dos cangaceiros. Lampião e Maria Bonita, apanhados de surpresa, são metralhados na *Serra de Angicos junto com outros integrantes de seu bando, sem qualquer possibilidade de reação.

Produção:

- Para produzir a série, autores, diretores e produção visitaram as regiões em que o cangaço imperou, percorrendo de Geremoabo, na Bahia – município onde nasceu Maria Bonita –, até Angicos, em Sergipe, onde os dois foram mortos.

- A minissérie foi gravada em diversas cidades do Nordeste: Piranhas, Olho D’Água do Casado, Salvador, entre outras. Outras cenas foram feitas nos estúdios da Rede Globo e em Maricá, no Rio de Janeiro. As locações no sertão foram escolhidas a dedo: todos os locais por onde Lampião e Maria Bonita passaram com seu bando. Cerca de cem profissionais da TV Globo ficaram um mês no Nordeste para realização da minissérie. Para que o equipamento suportasse o calor e as árduas condições de trabalho, foram montadas duas unidades portáteis: uma de supervisão e outra de manutenção. Uma das unidades estava sempre revendo os equipamentos.

- O projeto de Lampião e Maria Bonita foi tratado com muito cuidado em todas as etapas da produção. Para a maquiagem, foi convidado Jaque Monteiro, profissional conhecido por trabalhos no cinema, como os brasileiros Dona Flor e seus dois maridos, Dama do lotação e Rio Babilônia, e Fritzcarraldo, do alemão Werner Herzog. Foi o primeiro trabalho do maquiador em televisão.

- Para a criação do figurino, a visita ao Museu Antropológico do Ceará foi extremamente importante. Lá estão expostas as indumentárias de Lampião e Maria Bonita, e a equipe de produção pôde fotografar todo o material, privilegiando os detalhes. Através da pesquisa da indumentária, a equipe constatou que os cangaceiros eram muito vaidosos. Suas roupas mostravam suas glórias, eram carregadas de enfeites, até mesmo suas armas eram enfeitadas. As roupas eram todas bordadas e o artesanato que produziam em couro era extremamente sofisticado.

Curiosidades:

- Lampião e Maria Bonita foi o primeiro resultado de uma nova proposta de linguagem dentro da teledramaturgia da Rede Globo: as minisséries. Com três núcleos de produção, comandados por diferentes diretores – Daniel Filho, Paulo Afonso Grisolli e Walter Avancini –, a TV Globo inaugurou mais um formato em sua programação.

- Apesar da sólida base histórica, o texto de Lampião e Maria Bonita é uma obra de ficção. Embora se tenha realizado uma pesquisa minuciosa, em que autores, diretores e produtores percorreram a região do cangaço, onde foram feitas investigações e inúmeras entrevistas sobre os protagonistas da história e suas origens, os autores optaram por ter liberdade ficcional.

- Lampião e Maria Bonita foi premiada com a medalha de ouro do Festival de Filmes e Televisão de Nova York.

- A minissérie foi vendida para a Guatemala, Itália, Irlanda, Peru, Portugal e Uruguai.

- Reapresentada em março de 1984; em 1990, no Festival 25 anos, em versão compacta de cinco capítulos; e em junho de 1991, no Vale a pena ver de novo.

Trilha sonora:
- Responsável pela produção musical, Roberto Nascimento criou uma espécie de roteiro musical, sem se deter somente no aspecto regional do seriado. O compositor buscou a valorização de instrumentos regionais para criar uma música universal. A canção Mulher nova, bonita e carinhosa, de Zé Ramalho e Otacílio Batista, gravada por Amelinha, foi uma das músicas da trilha.

Fontes: Acervo Rede Globo, Site Memória Globo, Acervo Leo Ladeira, Site As Cantrizes.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O cangaço invade Goiania

Marcos de Oliveira expõe "Mistura bem temperada" no Museu de Arte.

Expressividade e a autenticidade são marcas em sua pintura que arredonda figuras e deforma a realidade sem perder a harmonia. Sempre com cores vivas, Marcelo retrata o simples, o cotidiano e figuras clássicas como na figura acima, o famoso cangaceiro brasileiro, Virgulino Ferreira da Silva Edy Matos, mais conhecido como Lampião.

Segundo o próprio cangaceiro, seu bando vivia em uma "aristocracia cangaceira". Tem suas regras, sua cultura e sua moda. As roupas eram desenhadas e confeccionadas pelo próprio Lampião, inspirado em heróis e guerreiros, como Napoleão Bonaparte. Bem como os chapéus, as botas, as cartucheiras, os ornamentos em ouro e prata, o que mostra sua habilidade como artesão.

Com cores chapadas, suas obras têm um visual contrastante. Marcelo é autodidata. Aprendeu o que sabe observando outros grandes ícones da pintura. Isto se mostra na ausência de profundidade e na sua maneira de lidar com as proporções entre as figuras que compõem sua obra.

SERVIÇO
A exposição "Mistura bem temperada" é gratuita e acontece de 5 a 30 de junho no MAG (Rua 01, 605, Bosque dos Buritis - Setor Oeste, Goiânia, Goiás).

domingo, 14 de junho de 2009

HQ Grátis

Mulher Diaba no Rastro de Lampião

De Ataíde Braz e Flávio Colin

Lampião é um nome mítico para todos os brasileiros. Justiceiro para uns, bandoleiro para outros, enfim, o mais famoso cangaceiro de nossa história. Suas aventuras foram cantadas em verso e prosa, em livrinhos de cordel e teses universitárias., inspirando dezenas de filmes, seriados de Tv e bons quadrinhos como este Mulher Diaba no Rastro de Lampião. 

Esta obra enfoca o período crítico da vida do rei do cangaço. Quando perseguido pelas “volantes” se ve cara-a-cara com uma mulher poderosa e possuidora de forças malignas. Uma história exótica que retrata com fidelidade o coronelismo no serão.
 

Qualquer obra que tenha o nome de Flávio Colin vale o dinheiro investido. Além de ter o melhor traço dos quadrinhos brasileiros (obviamente, um dos melhores do mundo), Colin também é um excelente roteirista. Certamente o grande mestre das HQs nacionais.
 

Mulher Diaba no Rastro de Lampião é a história de uma mulher que sai a caça do cangaceiro mais temido da região. Para tanto, faz um pacto com o demônio. Uma história de contexto histórico com uma boa dose de terror, gêneros nos quais Colin é mestre. Por fim, uma graphic novel digna de admiração.
 

Em Mulher Diaba no Rastro de Lampião, Colin junta seu traço ao roteiro de Ataíde Braz. Uma história bruta, violenta e, em alguns pontos, beirando a poesia. O texto de Braz é um prazer à parte. É necessário guardar um tempo para apreciar o texto e outro para a arte. Aqui não serve uma leitura superficial de uma ou de outra.

AVÍA MACHO, FAÇA O DOWNLOAD JÁ !Clique Aqui

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Cangaço é... Víciante

Baralho do Cangaço é um dos trabalhos apresentados na Bienal de Design Gráfico


Projeto original foi selecionado entre 1.226 inscritos Intitulado “Baralho do Cangaço”, o jogo de cartas criado pelo designer José de Ribamar Lins Jr. é um produto criativo e totalmente original que exigiu seis meses de pesquisa e um tempo relativo de elaboração.

O trabalho está exposto na 9ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, que aconteceu em maio, no Centro Cultural São Paulo.

O resultado foi algo surpreendente, que transmite sensação de artesanal, com desenhos de traços grossos e cores escuras, com cactos e chãos secos que remetem ao clima tórrido do cenário de onde a trama saiu. Personagens clássicos do baralho como rei, rainha, valete e coringa foram substituídos por Lampião, Maria Bonita, jagunços e soldados, dando um toque genuinamente brasileiro às cartas, adaptando armas, vestimentas e trejeitos da época do cangaço.

Como complemento ao jogo, Ribamar adicionou um pequeno livro de cordel - pequenas histórias contadas de forma rimada, que retratam o típico estilo de vida nordestino – escrito por Danilo Scarpa e com ilustrações do próprio designer.

Ribamar, juntamente com o “Baralho do Cangaço”, já recebeu o terceiro lugar no prêmio Max Feffer de design. “Estar entre os grandes do design e participar da Bienal ADG sempre foi um dos meus objetivos, e uma das coisas mais gratificantes é estar na mostra com um projeto autoral como o baralho” afirma diretor proprietário da A Fábrica Comunicação, José Ribamar.

Equipe: A Fábrica Comunicação
Direção de design e ilustração: José Ribamar Lins Souza Junior
Texto de Cordel: Danilo Scarpa
Impressão: Murc Editora Gráfica Ltda.

Lançamento em Cordel

Lampião e seu escudo Invisível marca mais uma parceria de Costa Senna com a tradicional Editora Luzeiro. 

A segunda história, "Lídia - Amor e tragédia no cangaço", mostra, numa narrativa vibrante recheada de diálogos dramáticos, o julgamento da companheira de Zé Baiano, o mais cruel cangaceiro do bando de Lampião. Lídia é um exemplo de coragem num tempo de supremacia masculina.

A obra, que reúne estes dois títulos, pode ser adquirida com o próprio autor por R$ 5,00 (cinco reais).

A capa é do consagrado poeta e ilustrador Arievaldo Viana.

Contatos:

Costa Senna
Fones: (11) 2552 - 2443 / 9448 - 2049
E-mail: costasenna@gmail.com  

Acesse: Baú do Cordel


Pesquei em: Varneci Cordel

Cangaço é Teatro

Cidades do Sul baiano recebem a peça Cangaço

O espetáculo teatral  "Cangaço" terá duas apresentações no Centro de Cultura Adonias Filho (Itabuna), nos dias 11 e 12 de junho, às 20h30. Vencedor do Edital Manoel Lopes Pontes, da Fundação Cultural do Estado da Bahia, o trabalho tem texto e direção de Pawlo Cidade e aborda o mundo sertanejo durante as duas últimas semanas do cangaceiro Lampião.


Depois de passar por Itabuna, ainda este mês, a peça segue para o Teatro Municipal de Ilhéus (dias 14 e 16), e em julho para as cidades de Jussari (dia 11 de julho), Arataca (dia 12), e Valença (dias 24, 25 e 26).
 

A montagem expõe o lado humano, o universo lúdico, os momentos de aflição, as decisões e a forma como o bando foi se desintegrando até a fatídica madrugada do dia 28 de julho de 1938, quando foi assassinado o Rei do Cangaço.

O texto de Paulo Cidade completa uma trilogia criada em 1994 para abordar o universo dos cangaceiros. A peça *Cangaço* tem um elenco formado por Kaique Cavalcante, Bruno Martinelli, Roma Góes, Andrea Bandeira, Val Kakau, Ciro Nonato, Rui Conceição e Ed Paixão. Em cartaz desde abril, a peça já esteve nas cidades de Aurelino Leal e Canavieiras.
 

“O espetáculo tem tido uma aceitação muito boa por onde tem passado. Quem não viu, esta é uma oportunidade de ver agora”, salienta a produtora Viviane Siqueira. 

O espetáculo tem início com a chegada do bando de Virgulino no começo da noite na casa de Antonio de Piçarra. O coiteiro acaba sendo seqüestrado pelo bando após Lampião descobri que ele entregou o bando para uma tocaia. “Se havia uma coisa neste mundo que Lampião mais detestava, essa coisa era a traição e com ele não tinha perdão”, comentou o diretor Pawlo Cidade. E completa:  
“Gosto sempre de frisar que Cangaço é sina; cangaço é destino. É obrigação para com os outros, obrigação que se vai criando pelos caminhos, pelas pedras e pelos espinhos das caatingas, escondido por trás das serras trovejadas de balas. A defesa puxou a morte e a morte puxou a fileira”.
Com apoio institucional da Fundação Cultural do Estado, Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Secretaria de Cultura e Governo do Estado da Bahia e com apoio local da Fundação Cultural de Ilhéus, Fundação Cultural de Cultura e Cidadania, Prefeituras de Ilhéus e Itabuna, Diário de Ilhéus, Discovery Idiomas, Imapel Cartonagem, “Cangaço” tem concepção e direção de Pawlo Cidade; Paulo Costa (Assistente de Direção); Viviane Siqueira (Produção); Justino Vianna (cenário e figurino); Du Moura (iluminação); Letto Nicolau (Trilha Sonora); Egnaldo França (Coreografia); Rui Conceição (Sonoplastia); André Elvas (fotografia) e Jorge Siqueira (contrarregra).

Incentivo público
O diretor Pawlo Cidade revela que é a primeira vez que vence um edital como proponente e considera uma oportunidade ímpar ser premiado através de concorrência pública. Para ele, é uma satisfação ter acesso a um incentivo do governo do Estado, que facilita aos artistas galgarem espaço no cenário cultural, através de um mecanismo que torna mais democrático o repasse de recursos para suas realizações.

Serviço
O quê: Espetáculo Cangaço
Onde: Centro de Cultura Adonias Filho (Itabuna). Tel.: (73) 3211- 6429
Quando: 11 e 12/06, às 20h30.
Quanto: R$ 20 e R$ 10
Realização: Pawlo Cidade



FONTE: A Voz da Região

terça-feira, 9 de junho de 2009

Grota do Angico


ASPECTOS GEOGRÁFICOS E ESTRATÉGICOS 

A Grota do Angico”, local onde morreu Lampião, Maria Bonita e mais 09 cangaceiros, em 28 de julho de 1938 dista aproximadamente, cerca de 800 metros da margem do rio São Francisco, do lado sergipano.

Após várias décadas do combate de angicos, alguns cangaceiros foram ouvidos pelos pesquisadores/escritores do cangaço, sobre a morte de Lampião, vejamos o que disseram alguns:

O cangaceiro "Balão" dizia que seu chefe ficara de "corpo aberto", por ter atravessado o rio e que a presença das mulheres enfraqueceu o cangaço. O cangaceiro "Criança" bastante comedido e econômico nas palavras, dizia que havia chegado o dia de Lampião.

Zé Sereno, por sua vez, sempre desconfiado do coiteiro Pedro de Cândido. A grande cangaceira "Dadá" muito pesarosa ao tocar no assunto, dizia " que até uma criança mataria Lampião naquele dia. simplesmente, seu dia havia chegado, como chega para todos.

A verdade é que "Joca Bernardes", o coiteiro que denunciou a presença de Lampião e seu grupo na região, foi o verdadeiro Judas de angicos. Por motivos pessoais Joca havia denunciado que um outro coiteiro, Pedro de Cândido, estava escondendo Lampião.

Os soldados torturaram Pedro de Cândido arrancando-lhe as unhas e furando-o a punha até obter as informações desejadas.

À direita, croqui do mapa do combate de Angicos, feito pelo ten. João Bezerra, e que se encontra ás fls. 102, do seu livro " Como dei cabo de Lampeão":

Vê-se, no mapa, que os grupos de Lampião; Zé Sereno e Luís Pedro, foram cercados pelas volantes comandadas por: ten. João Bezerra; aspirante Ferreira de melo; sgt. Aniceto; e por homens comandados por Juvêncio e o cabo Bertoldo. o cerco, bem planejado, foi quase perfeito, e quase não foi dado chance aos cangaceiros.

Foram utilizadas 04 metralhadoras; além de um bem planejamento cerco; e o elemento surpresa, que foi decisivo. a topografia do local (serras íngremes), também, foi altamente desfavorável aos cangaceiros, tanto na defesa, como nas correrias da fuga.

As forças volantes, eram em torno de 48 homens, divididos em quatro grupos. Cada grupo, portando uma metralhadora hotchkiss.

A imagen, postada acima, mostra de forma nítida, que a citada "Grota", esconderijo do rei vesgo, fica situada, no meio de um riacho, entre duas serras, altamente íngremes, de difícil escalada. Na opinião do cangaceiro "Corisco", o local era uma autêntica "ratoeira", pois quase não havia saída e possibilidade de fuga, em caso de um ataque das volantes ( e foi o que aconteceu ! ).


Para escaparem da emboscada, planejada pelo ten. João Bezerra, com a participação do aspirante Ferreira de Melo e do sgtº Aniceto, os cangaceiros só tinham duas opções de fuga:

 1ª) Descer pelo leito do riacho e dar de cara com a volante (inclusive portando metralhadoras);

2ª) Ou subir os paredões, de difícil acesso, das serras que contornavam a grota do angico, sendo alvo fácil para os tiros da volante ( foi o caso de Enedina - que levou um tiro, atrás da cabeça, e Candeeiro que levou um tiro no braço ).
Some-se a tudo isso, por ocasião do ataque, ainda, o "fator surpresa" em favor da força volante do ten. Bezerra, porque os cangaceiros tinham acabado de acordar (logo ao raiar do dia); estavam desequipados (desarmados), e não tiveram condições de reagir ao ataque, que foi apoiado por 04 metralhadoras, outros dizem que foram apenas 03. Sendo o "cerco" policial, muito bem feito no local onde se encontravam os cangaceiros, conforme vemos, no mapa, do combate.
 Encontravam-se no na Grota do Angico, trinta cangaceiros e mais cinco mulheres: Maria Bonita; Maria de Juriti; Dulce de Criança;, Enedina de Cajazeiras e Sila de Zé Sereno. Não estavam presentes os grupos de Corisco, de Labareda e de Canário, que haviam sido convocados para um encontro nesse local, mais ainda não tinham chegado.

A força volante havia subido na madrugada pelo leito do riacho, sendo a vanguarda composta pelos soldados Antonio Honorato, Antonio Ferro, Abdon, Zé Panta, e Pedro Barbosa. Segundo tudo leva a crer, aos primeiros tiros disparados pelos soldados, Lampião tombou morto e Maria Bonita foi atingida pelas costas.
O tiroteio foi intenso durante uns quinze minutos.

O cangaceiro LuiS Pedro que havia conseguido furar o cerco policial, ouviu a voz de Maria Bonita: " compadre Luis Pedro ! voce não prometeu para Lampião que quando ele morresse você morreria também ? "
Luis Pedro voltou e foi morto por um tiro certeiro de Mané Véio.

Na grota do angico morreram duas mulheres: Maria Bonita , que teve sua cabeça decepada enquanto ainda esta viva, e Enedina, com um tiro na cabeça, quando tentava fugir, subindo as encostas da serra.
Também foram liquidados nove homens: Luiz Pedro, Mergulhão, Quinta-feira, Elétrico e outros.

Da volante, apenas o soldado Adrião foi morto. Ficaram feridos um soldado e o ten. João Bezerra, na mão e na coxa.

Jamais se saberá ao certo, o total de dinheiro recolhido, nem quanto de ouro e jóias que os cangaceiros possuíam. Durante a pilhagem aconteceram brigas entre soldados. Como comandante o ten. João Bezerra ordenou que todos colocassem num mesmo monte tudo o que haviam amealhado durante a trágica empreitada.

Nem todos obedeceram a essa ordem. Muito soldados conservaram para si, o que haviam tirado dos corpos. o próprio comandante ficou com grande parte do que foi pilhado dos cangaceiros, principalmente dos pertences de Lampião-Rei do Cangaço. Alguns dos cangaceiros que estavam em angicos, e que sobreviveram ao combate testemunharam que viram Lampião morto.

Pouco tempo depois do combate de Angicos, a maioria dos cangaceiros já haviam se entregado, permanecendo na ativa apenas os grupos de Labareda e de Corisco, sendo esse último morto no dia 25 de maio de 1940. Labareda entregou-se um mês antes.

Com a morte de Lampião morria, também, o Cangaço.

Colaboração de Ivanildo Silveira 
Natal/RN

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Preliminares do Cariri Cangaço

Caldeirão cultural marca festejos
Grupo de cangaceiros formado por crianças está entre as atrações da Festa do Padroeiro Santo Antônio. As atrações vão além do pau da bandeira.  

(Foto e reportagem: Antônio Vicelmo)



Barbalha. A Festa de Santo Antônio, padroeiro de Barbalha, não é somente o carregamento do pau da bandeira. Durante os 13 dias de festa, a cidade se transforma em um caldeirão cultural das mais expressivas tradições populares. São mais de 50 grupos folclóricos que, depois de participarem do desfile de abertura, realizado no último domingo, antes do carregamento do pau da bandeira, continuam se apresentando nos palcos montados em pontos estratégicos da cidade caririense.

Um dos mais emblemáticos símbolos do Brasil rural é o vaqueiro. O desfile de inauguração da festa é aberto por um grupo de vaqueiros que, em todos os anos, se apresenta na festa devidamente paramentado com perneira, chapéu e gibão, levando na frente uma pequena imagem do padroeiro, Santo Antônio.

Outra atração que desperta a atenção dos visitantes é o “pau-mirim”, que é transportado por crianças de 6 a 12 anos de idade. O pau é feito de papelão para não pesar nos ombros dos garotos que repetem os mesmos jargões e músicas dos adultos.

O amor ao folclore começa desde cedo. Um grupo de crianças representa os penitentes de Barbalha. Este ano, os penitentes-mirins homenageará o “decúria” Joaquim Mulato, líder do grupo de penitentes do Sítio Cabeceira, que morreu no último dia 23 fevereiro, vítima de atropelamento.

A figura lendária de Virgulino Ferreira da Silva, “Lampião”, que esteve em Barbalha, em 1926, de passagem para Juazeiro, a fim de receber a patente de “capitão”, também está sendo lembrada pelas escolas de Barbalha. Grupos de cangaceiros-mirins fazem parte do folclore do município.

Este ano, a carroça que transporta a chamada “Cachaça do Seu Vigário” está comemorando 36 anos. O carroceiro Cícero Apolinário, conhecido como “Federal”, está repassando o comando da carroça para filhos e netos. A cachaça é distribuída gratuitamente entre os devotos de Santo Antônio.

A dança folclórica do bumba-meu-boi é um dos traços culturais marcantes na cultura brasileira, principalmente na região Nordeste. A dança surgiu no século XVIII, como uma forma de crítica à situação social dos negros e índios. O bumba-meu-boi combina elementos de comédia, drama, sátira e também tragédia, tentando demonstrar a fragilidade do ser humano em comparação à força bruta de um boi.
Interação social

Pesquisadores da cultura popular apontam que o folclore é o resultado de uma interação contínua entre pessoas. Nasceu da adaptação do homem ao ambiente onde vive e abrange inúmeras áreas de conhecimento: crenças, artes, moral, linguagem, idéias, hábitos, tradições, usos, costumes e também artesanato.
Assim é a festa de Santo Antônio de Barbalha, um espelho da cultura do povo. Uma cidade que consegue ser, ao mesmo tempo, aristocrata e plebéia.

Contos

O DIA EM QUE LAMPIÃO ENFRENTOU "JOHN WAYNE"



Amanhecia. Um belo dia de céu azul sem nenhuma nuvem. Daqui a pouco o sol estará totalmente fora da serra. A noite fora fria, mas o dia prometia muito calor na pequenina Coité da Serra, perdida no Sertão seco e árido de Pernambuco. Hora para os cangaceiros, à frente Virgulino Ferreira, tomarem de surpresa a cidade. Nenhum aviso nem de um lado de do outro. Naquele momento Coité dormia depois de uma noite de absoluta tranqüilidade.Mas em cada esquina, a cabeça, depois o corpo todo suado e carregado de coisas, os cangaceiros.

Eles iam surgindo de três em três caminhando com cautela e de arma na mão.Os moradores dormiam a sono solto. Ninguém para testemunhar a invasão dos cabras de alparcatas comandados por Lampião. Pisavam de mansinho, olhos arregalados e ouvidos atentos. Pelo jeito de seus rostos vinham de longe. Cada passo era medido e todos em silêncio. Falar só o gestual. Em cada mão o rifle e o dedo no gatilho pronto para qualquer emergência.

Na outra rua, o grupo que caminhava com Lampião permanecia atento cobrindo o chefe como se fosse uma criança. Mesmo assim Lampião, que vinha mais atrás, não largava o parabelum engatilhado.No pátio coberto de relva já amarelecida pastavam alguns animais domésticos. Bois magros e bodes espertos.De repente, um cachorro vira-lata atravessa aos pinotes no meio da rua, latindo. Talvez assustado com a presença dos homens estranhos e silenciosos.

Os cabras quando viram o cachorro cada vez mais afoito puseram o dedo no gatilho pronto para abrir fogo. O animal ficou só rosnando e se defendeu correndo ladeira abaixo. Bastou um dos homens de Lampião bater o pé. Passado o susto continuaram a marcha lenta e cautelosa. No fim da primeira rua descobriram o bar. A porta estava ainda fechada. No alto uma placa desbotada indicava: "bar Ponto Alegre". Na frente, o salão com as mesas e lá atrás as de bilhar. Os homens se encontravam ali com as mulheres.

Era o baixo meretrício da cidade, depois ficaram sabendo.Lampião deu o sinal verde e todos de uma só vez estavam na rua principal, em cima do "Ponto Alegre". Na outra rua, a barbearia do seu Nozinho. Adiante, a farmácia de Odilon, também proprietário da "Funerária Adeus Amigos".

A esta altura os bandidos se juntaram no pátio aguardando a abertura do bar. A sede e a fome amoleciam aqueles corpos fortes e rudes carregando armas e apetrechos comuns a eles. Mas de cinqüenta quilos no lombo. Alguns exaustos se sentaram no chão. Outros ficaram de pé seguindo o chefe.No céu azul algumas aves à procura dos alimentos.

O sol estava alto. As primeiras janelas foram abertas timidamente. As pessoas quase apareciam ao mesmo tempo, mas recuavam ao ver o movimento inusitado de cangaceiros na rua. Há anos passaram por Coité da Serra alguns cabras de Lampião. Mas de passagem apenas.

No ar, os sons dos sinos da Matriz chamando os fiéis às orações. Porém poucos se atreviam diante do pessoal armado.

O bar, finalmente, abriu. Os cangaceiros se movimentaram rápidos. Quem estava sentado pulou de pé. Sempre com o fuzil na mão. Todos se dirigiram ao "Ponto Alegre". Água e comida, a primeira ação dos forasteiros. O bar rapidamente se encheu de homens mal cheirosos e famintos.Seu Cardoso, dono do estabelecimento, recebeu os cangaceiros com muita gentileza.

Chamou Tiãozinho e ordenou alimento e água para o pessoal de Lampião. Pão, queijo de coalho, ovos, salame, conhaque e muita água da jarra, recomendou. A algazarra era grande. Coité da Serra jamais ouviu tanta gritaria. A Cidade agora pertencia aos cabras de Lampião. "E tiro só se houver precisão!" - Avisou o Capitão.

Comeram e beberam fartamente. Uns pegaram cigarro e inundaram o salão de fumaça e cheiro de álcool. A cachaça foi servida em abundância.A delegacia de polícia não abriu as portas. Os dois únicos soldados que passaram a noite de plantão foram embora - informaram. O Capitão não gostou dessa história e mandou que cinco de seus cabras fossem buscar os soldados fujões. Custasse o que custasse.

E justificou a ordem: "macaco sorto não pode ficar. É armadia!" E saíram os cangaceiros atrás dos soldados. Outros ficaram ainda no bar comendo e bebendo à vontade.Lá fora, os comentários no pé do ouvido não eram poucos. Quase ninguém na rua. Os moradores cedo devem ter saído pelos fundos de suas casas com medo de violência.

Só depois do meio dia chegaram os cabras com os dois soldados amarrados, na presença do Capitão. Depois de ouví-los, ordenou: "Bota esses dois frouxos no xadrez, sem roupa, e traga a chave pra gente!" E falou mais uma vez: "Macaco sorto é causo de baruio. E como tamo aqui sem fazê baruio deixa os home no xilindró."Os cangaceiros saíram com os presos. Lampião e seu bando deixaram o bar prometendo retornar à noitinha pra conhecer as mulheres e os homens valentes do lugar.

Anoitecia quando Lampião e seus homens retornaram para o "Ponto Alegre". Antes, Virgulino passou pelo velho cinema que só funcionava duas vezes por semana, e era a alegria de boa parte da população. Quando chegou ao Cine Rex despertou a curiosidade o filme anunciado. Um faroeste com John Wayne. Não resistiu e avisou para seu lugar-tenente: "De noite vô vê esse caubói!".E saiu com seus cabras em direção ao bar. Sentaram-se, pediram conhaque e ficaram ali conversando enquanto planejavam a viagem de madrugada que iam fazer aos sertões de Alagoas.

Bem em frente ao Cine Rex Lampião parou. Muitas pessoas, inclusive meninos entravam tranqüilamente sem pensar nos cangaceiros que invadiram a cidade. Lampião entrou com alguns dos seus cabras. O filme começou com John Wayne brigando, dando tiros, quebrando tudo para prender os bandidos. O público vibra. Chegam a bater palmas. Lampião e os cangaceiros não desviam a atenção da tela.

De repente, a cena se transforma. É Lampião e John Wayne se enfrentando num duelo de vida e morte. Lampião de punhal na mão não teme a pistola. Um avança contra o outro. Tiros. Cavalo correndo. Tumulto. Lampião derruba o caubói. A poeira sobe. Os cavalos relincham. Um inferno dantesco.

Nesse exato momento, um cangaceiro que estava sentado ao lado de Lampião percebendo que o chefe dormia, bate no seu ombro e fala: "Capitão, capitão, acorda. O filme acabou. Tá na hora de agente preparar a viaje".

O chefe acorda assustado, já com a mão no parabelum, ainda sob o efeito do sonho que tivera com John Wayne, o mais famoso mocinho do cinema, matador de índios e bandidos, mas não de cangaceiros. O pessoal que estava no cinema saía comentando as façanhas de John Wayne com os fora-da-lei de Tombstone. Perdera o bonito cavalo branco, mas ganhara o amor de Mary, a garota mais bonita filha caçula do xerife Tom Bolling.

Antes do amanhecer Lampião deixa Cuité da Serra, com seus companheiros para nova caminhada em direção do sertão alagoano, mas ainda pensando no sonho que tivera no cinema.Coité da Serra ficou para trás. Calma e sonolenta à espera de outro dia sem cangaceiros.


Texto: Fernando Spencer, cineasta, crítico de cinema e escritor pernambucano.
Charge: Gilvan Lira.

Publicados no Jornal Cultural "O Galo", da Fundação José Augusto, Natal/RN., em fevereiro de 1997)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Denúncia

DESTRUIÇÃO DE ARMAS HISTÓRICAS

Com a destruição proposta pelo Exército Brasileiro, milhões de reais serão desperdiçados e mais uma vez pedaços importantes da história serão destruídos, contribuindo assim para que o Brasil continue sendo um país sem memória.


O Boletim do Exército nº 18/2009, datado de 08 de maio de 2009, traz uma Portaria (nº 258 de 30 de abril de 2009) que pode levar a destruição de milhares de armamentos e equipamentos considerados obsoletos e/ou inservível para utilização atual.
Basicamente a Portaria busca oferecer estas armas a entidades que cuidam da conservação do “acervo histórico” de nossas Forças Armadas, sendo na negativa destas entidades em receber as armas elas serão destruídas, e terão sua matéria prima (“sucata”) vendida.


Dentre as armas que serão destruídas estão milhares de espadas e baionetas, fuzis Mauser (mais de 20.000 itens), além de centenas de armas históricas como Thompsons, BARs, etc. Serão destruídas armas brancas e de fogo que são verdadeiro símbolo da evolução tecnológica da humanidade, mandando-se “ralo abaixo” diversos itens centenários.


Na opinião do MVB a destruição de tais armas significa verdadeira afronta ao art. 216 da nossa Constituição Federal, por jogar no lixo parte da História do Brasil e das Grandes Guerras.


Nunca é demais lembrar que há pessoas que são habilitadas legalmente a comprar tais armas por meio de certame público (através de licitação) que são os Colecionadores registrados e fiscalizados pelo próprio Exército. Aos Colecionadores registrados sequer foi ofertada a possibilidade de preservar esta importante parte da História do Brasil.


Além disso, por razões óbvias, a “matéria prima” decorrente da destruição das armas vale extraordinariamente menos do que as armas em si. Para se ter uma idéia um Fuzil Mauser 1908 enquanto “sucata” renderia ao Estado cerca de R$ 0,56 (peso de 4 quilos, preço base SP), sendo que em uma licitação pública a Colecionadores registrados chegaria a ser vendido por cerca de R$ 1.500,00!  


Há em nossa visão clara lesão ao patrimônio da União, um desperdício de milhões de reais que poderiam ser usados para reequipar o próprio Exército Brasileiro. Assim, o MVB convoca a Sociedade, nossos Deputados Federais, Senadores e demais autoridades a se oporem a esta medida que dilapida a História do Brasil e vai contra o princípio administrativo do trato com as coisas públicas.


Prof. Bene Barbosa – Presidente MVB
Daniel Fazzolari – Diretor Jurídico MVB


Acesse o link do site do Movimento "VIVA BRASIL" e conheça a relação do armamento a ser incinerado Clique aqui