sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As seis principais lendas sobre Lampião


1)Testículos na gaveta

Uma versão dessa lenda revelava que um sujeito estava cometendo incesto e foi flagrado por Lampião. O cangaceiro separou os dois irmãos e foi conversar com o rapaz. Ele falou para o homem que era para colocar os testículos na gaveta e fechar com chave. Lampião, então, colocou um punhal sobre o criado-mudo e disse: "- Volto em dez minutos, se você ainda estiver aqui eu te mato"-. “A crueldade de Lampião estaria em fazer a tortura e obrigar o sujeito a cortar sua masculinidade para continuar vivo”.

2) Crianças no punhal

Em outra estória lembrada pelo pesquisador, a população, com medo da fama de violento de Lampião, acreditava em todas as histórias sobre o cangaço. Uma delas foi criada com o objetivo de afugentar os sertanejos que ajudavam a esconder os cangaceiros, os conhecidos coiteiros. As volantes (polícia da época) espalharam que Lampião matava crianças com punhal. Segundo uma das histórias contadas pelos policiais, o cangaceiro jogava as crianças para o alto e as parava com um punhal.

3) Lampião macaco

Outro relato que se espalhou conta a história de que Lampião só conseguia se esconder na mata durante as perseguições das volantes porque subia nas árvores e fugia pelos galhos das copas. Isso foi publicado em um livro sobre o cangaço como se fosse verdade e muita gente ainda acredita nessa história, desmentida por especialistas. “Quem conhece a caatinga sabe que na região onde Lampião passou e lutou não havia árvores com copas.”

4) Você fuma?

Lampião teria sentido vontade de fumar e farejou o cheiro da fumaça de cigarro, ele caminha um pouco e encontra um sujeito fumando. O cangaceiro vai até o homem e pergunta se ele fuma. O indivíduo vira para olhar quem conversava com ele e, assustado por ver que era Lampião, responde com medo: "- Fumo, mas se quiser eu paro agora mesmo!".

5) Estória do sal

Outra lenda contada nas rodas de amigos no Nordeste até hoje é a de que Lampião chegou à casa de uma senhora e pediu que ela fizesse comida para ele e para os cangaceiros. Ela cozinhou e, com medo da presença de Lampião em sua casa, esqueceu de colocar sal durante o preparo. Um dos cangaceiros do grupo de Lampião reclamou que a comida estava sem gosto. O rei do cangaço, então, teria pedido um pacote de sal para a mulher. Ele despejou o sal na comida servida ao cangaceiro reclamante e o forçou a comer todo o prato. O integrante do grupo de Lampião teria morrido antes mesmo de terminar de comer.

6) Lampião zagueiro

Na década de 1960, uma empresa pesquisadora de petróleo no Raso da Catarina - BA, abriu uma pista de pouso para trazer os funcionários de outras regiões que iriam executar trabalhos de pesquisa. Vale salientar que não foi encontrado petróleo no local, apenas algumas reservas de gás. Na década de 1970, um estudioso do cangaço teria encontrado o campo de pesquisa parcialmente encoberto pelo mato e escreveu, em livro, que aquele seria um campo de futebol construído por Lampião. “O pesquisador ainda teria reportado, de maneira totalmente infundada, que o rei do cangaço teria atuado no time como zagueiro”,

Fonte: Glauco Araújo, do G1 em Paulo Afonso,BA

Fim de Lampião foi noticiado até pela Revista Time

Em 15 de agosto de 1938 os Norte-Americanos e talvez o resto do mundo, tomou conhecimento da morte e até mesmo da existencia do The Bandit Lampeão.
 Confira o link permanente nos arquivos da revista: Clique aqui

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Hino do município de Mossoró - RN


Acrescentado ao nosso set list do cangaço, apresentamos este Hino declarado oficial pelo Decreto n.° 1395, de 09 de novembro de 1995, é de autoria do professor José Fernandes Vidal, natural daquela cidade.

Nas crônicas da gente brasileira,
Queremos um lugar prá Mossoró,
Cidade centenária e pioneira,
Desbravadora do ínvio Sertão;
Sofreram os seus filhos a canseira;
Viveram na esperança a vocação:

Mas assim se fez a sorte
Com inusitado amor;
A cruel gleba gleba domaram
E fluíram seu valor

ESTRIBILHO

Mossoró de Baraúnas a terra;
heróico sítio da Virgem Luzia;
Teu nome sonoro remonta a era
De indíos valentes das margens do rio
Que longe nasce no Oeste bravio.

II

Lembramos hoje teus anos de glória:
Ousada fôste sempre Mossoró;
Por ti começa, a senda da vitória
Na luta ao cangaceiro Lampião;
Precusora exemplar da Pátria História
Em abolir a negra escravidão:

Nem a sêca já temeste
Com seu infernal calor;
Encontraste a boa linfa
Que teu povo saciou

III

Bondosa se mostrou a Natureza
Em cumular de dons a Mossoró:
Das várzeas e do sol vem a riqueza,
O Sal, precioso sal, que o mar produz;
Nas matas da Caatinga ao estio acessa,
A nívea vela do Algodão reluz;

Vem a brisa do Nordeste,
Mensageira do alto Mar,
As carnaubeiras belas,
Sussurantes, embalar

IV

Ao povo, a seus feitos, à cidade,
Cantemos este hino de louvor,
Legado de esperança à mocidade
Em grandiosos dias no porvir;
Moldado desta forma se retrate
Como em gesso fiel nosso sentir:

Seja nosso grande lema,
Construindo pela Paz,
A conquista do Progresso
Que feliz o povo faz.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Armas do cangaço


Por Fábio Carvalho

Me lembro bem quando ví estas linhas abaixo. Desprezadas em uma outra comunidade de Cangaço no Orkut e então pedi ao estimado confrade Fábio Carvalho que prestigiasse os tópicos da Grande Rei do Sertão com esse brilhante texto. Resultado de inúmeras pesquisas, esse baiano radicado em São Paulo é de fato o Senhor das armas, confîra.

Falando um pouco sobre armas de fogo nos primeiros ciclos do cangaço: na época de Lucas da Feira e cia, óbvio que as armas eram bacamartes e espingardas de antecarga.


BACAMARTE TURCO
Com cano de ferro cilíndrico, alargando para a boca, de ante carga, com fecho lateral de pederneira 
e cão do tipo de argola. Coronha em madeira com guarnições em latão. Séc. XIX. Dim. 68 cm.



Com sistema de pederneira e percussão. Posteriormente, depois da revolução ocorrida com a introdução do cartucho metálico as armas longas preferidas em linhas gerais (ou que as mais aparecem em fotos são as seguintes:

Winchester - modelo 1873 , cal. 44.

Carabina de origem americana, popularmente conhecida como Papo amarelo (por ter o elevador de munição em metal amarelo), foi durante muitos anos a espinha dorsal do cangaço. As mais usadas aqui geralmente tinham 20 polegadas com cano octogonal e 12 tiros. Era uma arma tão comum que podia ser comprada até em armazéns de secos e molhados, e segundo tive informações havia fazendeiros e coronéis que compravam caixas fechadas contendo diversas armas!!

  
Uma moderna réplica de Winchester - modelo 1873

Winchester - modelo 1892 cal. 44. 

Carabina de origem americana, mais moderna possuindo um sistema de fecho mais robusto, e sendo mais segura que a antecessora 1873. Era tão popular quanto (apelida de cruzeta) e se aplicam os mesmos comentários. As usadas aqui geralmente tinham 20 polegadas com cano redondo (cano fino, "cano de mamão") e capacidade (a depender do comprimento do cano) de 8,10 ou 12 cartuchos.
Depois de Março de 1926 com o fornecimento de armas por parte do próprio governo (para perseguir a coluna Prestes):


Winchester - modelo 1892 cal. 44. 

Fuzil e mosquetão Mauser 

Do modelo do contrato militar brasileiro de 1908, cal. 7 x 57mm de 5 tiros,


e Fuzil e mosquetão FN 1895 também cal. 7 x 57mm de 5 tiros. No começo da década de 30 chegam os Mosquetões FN 22. Algumas destas armas eram tomadas das polícias em combate. E um ou outro Fz Mauser “espanhol ”1893, estes geralmente de importação de coronéis ou milícias. Antes de padronizar a maioria do armamento no potente e preciso Mauser 1908, os cangaceiros usavam uma verdadeira miscelânea de armas : fuzis Comblains cal. 11 mm de (1 tiro)


Mauser 1894/95 de manufatura da FN Belga.


Comblain

Alguns Mannlichers 1888 a ''Manulixa'' que “debutou” com fracasso em Canudos, e depois descarregado pelo exército para as Forças Públicas Estaduais em cal. 8. Na verdade é uma lenda. Era um fuzil com ferrolho de Mauser, carregador tipo Mannlicher e desenhado por uma comissão (não por Mauser ou por Ferdinand Mannlicher) daí seu verdadeiro nome: Gewehr 88 (fuzil 88) ou internacionalmente em inglês Model 1888 Commission Rifle (fuzl da comissão de 88) É evidente que mais armas “exóticas” (alguns autores citam ainda carabinas Marlin e Colt lightning) podem aparecer, mas a falta de fotos de boa qualidade prejudica o reconhecimento e pesquisa.






Armas curtas :

Revólveres Colt: mod. Police, Police Positive etc, estes eram em 32 SW e 38 SPL, (44 SPL e 44-40 eram mais raros) e conhecidos pela alcunha de Colt cavalinho.



Além dos Smith e Wesson, o vulgar “schmit oeste “, nos mesmos calibres (e mais o 44 Russian), e uma infinidade de suas cópias espanholas como os OH, Omega, BH, etc .

 

Nos anos 20 as pistolas semi-automáticas se popularizaram, sendo as FN/Browning 7,65 mm as preferidas dos cangaceiros.


Nos anos 30 se difunde entre eles o uso da pistola "Parabellum" (Luger) o “parabelo” mod. 1906 e 1908, nos calibres 9 mm e 7,65.


Pistola Luger 1908 com a ação aberta,
pode-se ver claramente por quê se chama “ação de joelho”.

Lampião portava uma 1908 em 9 mm como esta acima quando foi abatido.

Lampião portava uma do modelo 1908 em 9 mm quando foi abatido. Esta arma é famosa até hoje no nordeste, tendo as histórias de sua potência ("fura olho de enxada") entrado para o imaginário popular. Outras pistolas certamente de diversas origens, podiam ser encontradas, principalmente as belgas (muitas da marca FN ) e espanholas (sendo estas últimas mais comuns as do tipo “Ruby” ). Ocasionalmente ninguém cita, mas creio, que poderia se achar armas de bolso dos tipos Velodog e Bulldog em cal. 5,5mm,22 Lr,320 ou 380, pois eram tremendamente pupulares e não há motivo para não se pensar que um ou outro as usasse com 3ª ou 4ª arma (reserva).


Armamento das Polícias:

O armamento das tropas estaduais era padronizado normalmente no Fuzil e mosquetão Mauser do modelo do contrato militar brasileiro de 1908 , cal. 7 x 57mm de 5 tiros, e Fuzil e mosquetão FN 1895 também cal. 7 x 57mm de 5 tiros, posteriormente mosquetões FN 22 e Mauser 1935. Algumas Forças Públicas eram mais carentes, não comprando armamento de modo particular dependendo das doações de material do exército, de forma que por vezes até fuzis Comblain de tiro simples ainda eram usados

As submetralhadoras comuns eram as Bergmann modelos de 1918, 1928 e 1934 variando o calibre de 7,63 Mauser a 9mm Luger. A metralhadora leve mais usada pelas volantes pela facilidade de locomoção, embora necessitasse de 2 homens para correto manejo, era a francesa Hotchkiss 1921 (Fuzil Metralhador) cal. 7 mm com carregador lateral do tipo fita rígida para 32 cartuchos 




É imprescindível a correção do nome, repetindo que com o devido respeito ao trabalho do autor(es) que cometeu um equivoco absolutamente compreensível , próprio talvez d quem não conheça bem o mundo das armas:

1º) A grafia correta é Hotchkiss, é um nome próprio, e não um apelido para a arma, quem ouviu o nome ser “ beijo quente” usou uma grafia fonética, que de fato parece ser isto, mas está totalmente incorreto. Era fabricada pela companhia fundada pelo americano Benjamim Hotchkiss (Société Anonyme des Anciens Etablissements Hotchkiss et Cie).

2º) A arma era fabricada na França e não na América.3º Foi usada e muito popular no Brasil pelas PMs e pelo exercito em 3 versões Mod.1914 (metralhadora pesada), 1921 (fuzil metralhador Benet- Mercier) e Mod.1922 (fuzil metralhador, este último muito usado nas caatingas).

Os soldados via de regra não portavam armas curtas mas quando o faziam levavam consigo revólveres Nagant cal. 44, Girard em cal. 38 curto, Colt ou SW em 38 SPL , ou ainda pistolas de dois canos (as garruchas- as infames “dois tiros e uma carreira'') em cal. .320, 380 ou .44. Os graduados e oficiais além das armas curtas citadas poderiam optar por uma pistola alemã Mauser 712 "fogo rápido" (Schenellfeur) calibre 7,63 mauser, com seletor para fogo automático (“rajada”), chamadas de "mausa caixa de pau" por causa do coldre/coronha. Ou ainda a sua congênere espanhola, a pistola metralhadora Royal de características semelhantes em calibre 7,63 mauser, além de usarem em menor número as pistolas Parabellum 1906 cal. 7,65mm P, estas eram de uso oficial do exercito Brasileiro.


Revólver Nagant calibre 44, muito encontrado em mãos de civis,
provavelmente usado por policiais e cangaceiros.

A garrucha Lerap em calibre .320





Foto anterior apresenta a matriz 712, estas duas bichinhas 
aí eram fabricadas pela Royal, MM 31e MM 34.

Complementando as armas de fogo, sempre se usava um longo punhal a "Adaga Paraibana (diga-se de passagem, objeto de desejo de 9 entre dez aficcionados pelo cangaço), de folha estreita e longa (+ou- 60 cm de lâmina) portado pela maioria dos cangaceiros. Era usada para "sangrar" os "cabra safado" e macacos das volantes" (sangrar era enfiar a adaga no pé da garganta ou clavícula, atingindo coração e pulmões, como se faz com porcos).



Era a arma dos combates corpo a corpo e resolvia as questões pessoais...Aumentando a lenda , diziam que alguns tinham no processo de fabricação a lâmina em brasa mergulhada não na água, mas em veneno,recebendo uma têmpera mortal, que infeccionava os ferimentos, se é verdade não sei dizer, mas ouvi muito disso. Pessoalmente vi uma destas, que me disseram ter pertencido a um dos membos do bando de lampião, não me lembro mais o nome do "cabra" pois já tem muitos anos, não era dos integrantes mais famosos, me disseram que tinha 100 mortes nas costas daquela lâmina!!!

Arma dos Coronéis

Fazendo parte do universo intricado da sociedade nordestina, os Coronéis eram senhores da vida e da morte no sertão. Fazendeiros ricos e chefes políticos importantes, arrogantes e truculentos com suas patentes compradas à extinta Guarda Nacional (mas também havia Majores e Capitães, pois a compra da patente dependia do poder aquisitivo do interessado). Suas propriedades e interesses eram defendidos por vezes por centenas de homens armados (os "jagunços"), daí serem grandes seus arsenais!!!

Por vezes contratavam o "serviço" de cangaceiros ou bandos armados para eliminar os desafetos. Na região da Chapada Diamantina/Ba, dizem que Horácio de Matos tinha a seu serviço, quase um milhar de mineradores/jagunços. O famoso episódio do Pega do Cochó, que durou quase um mês, com "serenatas numa noite de 100 tiros de Comblain" e dezenas de mortes, só se resolveu com a chegada de tropas estaduais, e muita intervenção e mediação política.

Até o governo temia estes poderosos latifundiários, que financiavam toda a política da velha república. Eram mais poderosos no Nordeste, mas existiram coronéis em todo o Brasil. Meu bisavô Teófilo Carvalho, chegou a ser compadre de um destes coronéis, ele andava com uma dúzia de jagunços, distinguidos pelo lenço vermelho no pescoço, ao chegar na porteira da fazenda de meu bisavô a ordem era “abaixar as carabinas”. Lá pelos anos 40 meu finado tio Zeca trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira Bahia/Minas Gerais, ele me contou que na casa da sede, tinha caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum além de outras armas curtas !! 

Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa, hoje se o sujeito tiver um canivete cai na porrada e vai preso!!! Com um poderio político destes, não é de se estranhar que alguns coronéis fossem fornecedores de armas a bandos de cangaceiros, sem serem incomodados pelas autoridades. Seu poderio declinou devido ao natural progresso e após a Revolução de 1930, o governo federal ordenou que se desarmassem e desmantelassem os bandos de jagunços a serviço dos coronéis.

Para ter uma pálida idéia do arsenal destes homens, só na região das Lavras Diamantinas/BA foram apreendidos cerca de 35.000 fuzis Mausers, 376 quilos de munição, 236 mil cartuchos, 2 fuzis-metralhadores e 2 máquinas para fazer cartuchos,e todas as operações de desarmamento desta natureza, se espalharam pelo Brasil inteiro na época.Quantos milhões de armas foram apreendidos?

Por fim vamos falar sobre a origem das duas armas mais populares a primeira é a pistola Semi-Automática "Parabellum".

Começa quando o Jovem George Luger (daí a ser também conhecida como Luger) foi contratado pela firma DWM e aperfeiçoa o desenho da pistola de Hugo Borchadt diminuindo seu tamanho e peso, e em 1898 a nova “Parabellum” (" para a guerra" em latim, este era o endereço telegráfico da DWM) estava pronta. O primeiro país a adotar Lugers foi a Suíça - eles adotaram a Luger modelo 1900 em calibre 7.65mm Luger. Em 1902 a DWM, junto com o inventor Luger, a pedido da Marinha alemã desenvolve um cartucho de maior poder de parada: o 9mm Luger.

Esta arma se tornou padrão no exército alemão em 1908, lutou na primeira guerra mundial ao lado de diversas nações, e participou discretamente da 2ª. O exército do Brasil adotou esta arma em calibre 7.65mm em 1906, sendo substituida pelas pistolas Colt .45 em 1935. Esta arma é famosa até hoje no nordeste, tendo as histórias de sua potência ("fura olho de enxada") entrado para o imaginário popular. Aqui se acham mais vulgarmente as miltares do mod. 1906 e comerciais pós guerra do Modelo 1908, nos calibres 9 mm e 7,65. Era uma elegante pistola semi-automática, bem feita com um brilhante acabamento azulado (1906) com comprimento do cano de 10,3 Cm (mas também podia ter 152 mm,203 mm e até 203 mm nas versões carabinas comerciais), carregador destacável para 8 cartuchos. Peso na versão P08: 868 g.


contrato nacional de 1906

A luger é um fetiche entre colecionadores e leigos, mas na época áurea do nazismo ela já havia sido destronada pela Walther P-38 como arma regulamentar.



Mas sua silhueta jamais será confundida! Apesar de todas as peculiaridades ruins e pouca funcionalidade para arma militar que ela tinha...
Mais uma foto da "parabellum " com a ação aberta!! - Ah antes que eu esqueça! por favor prestigiem a nossa Vitrine da Armaria

Agora um pouco mais sobre o mosquetão Mauser 1922 , em comparação com o fuzil Mauser 1908 (dados deste em parênteses) estas armas fabricadas em sua totalidade pela Fabrique Nationale D’armes de guerre de Hertal, (FN) Bélgica , eram basicamente carabinas com cano de 19 pol (29 pol) compr. De 100 cm ( 124 cm) , capacidade de 5 cartuchos 7 mm, alavanca de manejo curva (reta) , alça de mira calibrada até 1400 m (de 200 a 2000m) . Estas armas mais modernas, tinham a culatra cerca de 5 mm mais curta, e design ligeiramente diferenciado do Mosquetão Mauser 1908 mas o ferrolho e mecanismo em geral eram o do Fz 1898.

Mauser 1922



*Aurelino Fábio Carvalho Costa é baiano de Itapetinga, 43 anos, oplólogo autodidata e historiador amador, especializado em Armamento leve sendo estudioso de armas de fogo e balística há mais de 20 anos. Já exerceu as funções de consultor técnico voluntário do Museu da Polícia Militar de São Paulo, e sempre batalha pela conservação da memória e da oplologia na história do Brasil. Acesse o perfil do cabra no Orkut a foto é mera coincidência, como dizem no Ceará "O cabra é cão!


Gostas do assunto? Consulte outras excelentes pesquisas, imagens e informações adicionais com o confrade Fábio acessando Vitrine da armaria

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ivanildo no trem da História

Acabei de ripar da comunidade Lampião, Discussão Técnica - Confraria do amigo Jal Gomes da qual dividimos a moderação, este novo post, com a cobertura fotográfica da mais recente viagem do amigo Ivanildo à histórica Mossoró no Rio Grande do Norte.

É um FOTOBLOG, contendo 97 fotos, resultantes de uma visita de conhecimento, feita no dia 22/10/2008, para registrar os monumentos; exposições de banners etc.. que tem total ligação com o ataque de Lampião àquela cidade, ocorrido no dia 13 de junho de 1927.

Nessa oportunidade, foram visitados: Memorial da Resistência; Igrejas São Vicente e Santa Luzia; antiga estação ferroviária; Casa do prefeito Rodolpho Fernandes (atual prefeitura de Mossoró); Antiga cadeia municipal (atual museu Lauro da Escóssia); Cemitério São Sebastião (onde estão os túmulos do cangaceiro Jararaca e do prefeito Rodolpho Fernandes), além de outros monumentos que guardam relação com o fatídico insucesso do Rei do Cangaço.

A finalidade desse álbum, é expor para os colegas, uma visão do que foi a tentativa de invasão arquitetada por Lampião àquela importante cidade, o que resultou, num tremendo fracasso.

Ivanildo ressaltou com muita propriedade: Esse trabalho, (apesar de ter contado com assessoria de alguns pesquisadores, acrescenta este blogueiro), contém falhas, mas existe da nossa parte, a boa intenção de socializar as informações, para que todos os confrades e calouros da pesquisa, tenham uma visão, a mais próxima do real, do que foi realmente aquele magnifico combate. Agradecemos, antecipadamente, a atenção dos colegas e estamos abertos para críticas, sugestões e complementação das informações, aqui postadas.

Para acessar o" álbum" dê um click AQUI

Para consultas, visite o perfil deste cabra-bom-forrozeiro no Orkut

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mané Neto, o mais feroz matador de cangaceiros.

 O mais feroz matador de cangaceiros

Aqui vai trecho do livro (em destaque) LAMPIÃO, O CANGACEIRO E O OUTRO, A ÚLTIMA REPORTAGEM DO CANGAÇO! de Fernando Portela e Cláudio Bojunga. Sobre o encontro que tiveram com o célebre Manoel de Souza Neto, um dos, senão o mais, destemido dos "Nazarenos".
 
Magro, alto, elegante, todo vestido de azul-celeste, lá está o coronel Mané Neto. Se não fosse aquele Taurus 38, cano médio, na cintura, ele poderia ser definido como um velhinho simpático e indefeso.

Indefeso, jamais: quando me aproximei dele, um tanto bruscamente, brecando o caro a poucos metro a mão (fina, delicada) do coronel ameaçou puxar o Taurus da cartucheira. Mas um grito...
“É jornal, coronel! e do jornal!”
Guardou os reflexos do coronel para outra ocasião. Mas ele ainda desconfiou:
- Abra a porta do carro, meu filho. Vamos, desça, venha cá. Devagar.

A voz é pausada suavissima e quase uma sonata. Vamos manter o simpático na definição do coronel. Ou melhor: vamos chamá-lo de encantador. Mesmo quando ele, escudando-se em desculpas gentilíssimas, diz que não vai falar de homens sangrados, cabeças cortadas, atrocidades de um modo em gera.l Não ele não vai falar de jeito nenhum sobre a fama dele: o mais feroz e destemido caçador de cangaceiros de que já se ouviu falar. A opinião - de ex-cangaceiros e policiais da época - é unânime. O próprio Lampião dizia dele:
“Se os macacos vier sem Mané Neto é como se não fosse nada”
Ou:
“Se Mané Neto chegou procurem salvar metade da vida que a outra já foi”.
 
Os cangaceiros sobreviventes chegam a fazer caretas quando se toca no nome desta gentil criatura. Segundo eles, Mané Neto jamais poupou a população civil que, supostamente não lhe queria dar a direção de Lampião. Os colegas de Mané Neto elogiam a sua bravura, sem cair em detalhes.

...Então, a gente fica sem jeito acreditar que uma pessoa tão delicada, um velhinho de conversa agradável (ele deve estar com uns 60 e tantos anos) como este coronel azul-celeste, tenha um passado tão sanguinário. Uma coisa é verdade: aquele conjunto azul elegante cobre as marcas de mais de trinta balas. Daí o Taurus e o reflexo extraordinário para sua idade. Mas por que tantas balas?

Não se pode dizer que as brigadas na caatinga, entre policia e cangaceiro, pelo menos na primeira fase, até 1928, tenham primado por geniais esquemas táticos. Era um grupo na frente do outro, atirando e claro que, de vez em quando, um grupo ou outro armava um esquema de pegar o inimigo pela retaguarda. Mas será que essa obviedade pode ser chamada de tática? Muitas das 30 balas do coronel (Tenente, na época) Mané Neto foram recebidas pelo fato de ele não suportar ficar agachado, atirando. Era do tipo que se levantava, de peito aberto, para xingar os inimigos com os mais tradicionais palavrões.
E tome bala.

A guerra entre policia e cangaceiro tinha disso. Geralmente era o cangaceiro que se expunha, de pé, para perguntar:
- Com quem luto?
- Com Mané Neto, (um exemplo),
- Então vai ser um arrocho!

E tome bala.
Esses estranhos diálogos entre inimigos chegou a certos requintes quando, em 1926, o então Tenente Higino atacou um grupo usando pela primeira vez uma metralhadora. Os cangaceiros depois do susto gritavam:
- Nêgo safado (Higino era um tipo escuro acaboclado)
- Passe essa costureira pra cá!
- Venha buscar seu filho de uma....

O coronel Mané Neto não quer falar do passado. Nem aceita convites para fazer conferencias em escolas militares. Parece que o passado lhe dói muito. Ele tem uma fazendinha em Ibimirim, no sertão pernambucano, um jipe velho, quer o resto da vida em paz. Mesmo assim, o suave o coronel reforça uma observação do jornalista pernambucano Fernando Menezes, quando se mostra muito irritado com os caminhões de carga.

O jornalista observara que os caminhões que passam pelo sertão são os novos cangaceiros. Insinuantes, piscando mil luzes, enfeitados de todas as cores, dirigidos por um príncipe que conhece a fala das outras terras e gentes, os caminhões excitam e atraem as mulheres sertanejas. Aquela atração que o cangaceiros de cabelos longos, cheio de metais cintilantes e histórias heróicas, usavam para conquistar as Marias Bonitas da época.

- Esses caminhões... (diz o coronel com um toque sutil de irritação na voz )
- São umas desgraças. já levaram umas dez garçonetes daqui!

sábado, 25 de outubro de 2008

O livro chegou!


Minha humilde biblioteca está em festa com a chegada de seu mais novo e ilustríssimo componente.


Trata-se do rebento de Sérgio Augusto de Souza Dantas, " Lampião , Entre a espada e a lei" considerações biográficas e análise crítica.


Já vinhamos acompanhando os ultimos retoques para o esperado lançamento e agora os pesquisadores já podem ter em mãos a aludida obra.
A qualquer momento vamos postar comentários e maiores informações sobre este livro, do qual tivemos a honra de ter nosso nome incluso nos agradecimentos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Terra de cangaceiro


É sábio por muitos admiradores do cangaço que a cidade que mais “fabricou” cabras para as hostes de Lampião foi Poço Redondo aqui em Sergipe.

Um título que orgulhava os jovens despojados, mas que em nada agradava os cidadãos de bem, pois geralmente eram vítimas de preconceito na capital, fama que perdurou por muitos anos.

Dos 9 cangaceiros mortos com Lampião e Maria, cinco eram filhos de lá, Enedina (companheira de Cajazeira ou Zé de Julião), os irmãos Moeda e Alecrim; Mergulhão (irmão de Sila) e Elétrico.

Com a colaboração do amigo escritor Alcino Alves autor de “Lampião além da versão: mentiras e mistérios sobre Angico” e “O Sertão de Lampião” detalhamos os nomes de todos esses cabras provenientes da terra que mais tarde seria palco do fim da saga do Rei do Sertão.

OS HOMENS
1. Sabiá
2. Canário
3. Diferente
4. Zabelê
5. Demundado (Cabra de Zé Baiano)
6. Bom bocado
7. Delicado
8. Coidado
9. Zé de Julião ou Cajazeira
10. Novo Tempo
11. Mergulhão
12. Marinheiro (irmão dos dois acima)
13. Elétrico
14. Penedinho
15. Bom - de - Vera
16. Santa cruz
17. Beija-flor
18. Cravo roxo
19. Cajarana
20. Quina-quina
21. Ponto fino
22. Zumbi
23. Alecrim
24. Sabonete (Secretário de Maria Bonita)
25. Borboleta (Há indícios de que este ainda esteja vivo em algum lugar do Mato Grosso).

AS MULHERES

26. Adília
27. Sila
28. Cinda
29. Enedina
30. Áurea
31. Rosinha
32. Adelaide

Cacto vira doce na terra dos Cangaceiros.

Coroa de frade é o ingrediente principal da iguaria inventada por cangaceiros,
Será?

Em Poço Redondo (SE), a receita de um doce está dando o que falar durante as celebrações pelos 70 anos das mortes de Lampião e Maria Bonita. É o doce de cacto. A iguaria é preparada com a coroa-de-frade, planta da família das cactáceas, muito comum na região da caatinga nordestina. Para quem olha o doce e sabe que é feito de cacto, a impressão inicial não é das melhores, mas assim que as pessoas provam, o sabor do quitute se revela surpreendente. Semelhante ao doce de mamão com coco ou até mesmo com uma cocada mole, tanto na apresentação como no sabor, o doce de cacto é um dos mais procurados na região.


Os moradores mais antigos contam que a receita, guardada parcialmente em segredo, foi segundo as crenças, elaborada por cangaceiros.

Luciana Rodrigues, 25 anos comerciante instalada na entrada da trilha de Piranhas (AL) para a Grota de Angicos, prepara o doce da seguinte forma: ela lava, tira os espinhos e depois corta a coroa-de-frade em pedaços. Em seguida, Luciana rala o cacto e lava tudo novamente com bastante água. Depois de seco, ela os coloca na panela para cozinhar por cerca de quatro a cinco horas. "O tempo depende da qualidade da coroa-de-frade. A gente já sabe, quando pega uma para fazer o doce, o tempo que vamos demorar para o preparo", disse.


Depois de parcialmente cozido, ela acrescenta o açúcar, a canela em pó e bastante cravo. "É este último ingrediente que dá o sabor um pouco ardidinho no final. Mas nem todos os ingredientes nós revelamos. É segredo de cangaceiro", brinca a comerciante.


Ela também não conta como se descobre o ponto exato do doce, que é servido em porções equivalentes a uma colher de sopa. Cada unidade sai por R$ 0,50. "É o doce que mais vendo aqui. Além dele, também vendemos muito a 'bala que matou Lampião', que é feito com doce de leite.


- Xiiiiiii com esse histórico deve ser bastante indigesta!

Autor: Glauco Araújo
Do G1, em Poço Redondo (SE) G1 -Globo


quinta-feira, 23 de outubro de 2008