quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Armas do cangaço


Por Fábio Carvalho

Me lembro bem quando ví estas linhas abaixo. Desprezadas em uma outra comunidade de Cangaço no Orkut e então pedi ao estimado confrade Fábio Carvalho que prestigiasse os tópicos da Grande Rei do Sertão com esse brilhante texto. Resultado de inúmeras pesquisas, esse baiano radicado em São Paulo é de fato o Senhor das armas, confîra.

Falando um pouco sobre armas de fogo nos primeiros ciclos do cangaço: na época de Lucas da Feira e cia, óbvio que as armas eram bacamartes e espingardas de antecarga.


BACAMARTE TURCO
Com cano de ferro cilíndrico, alargando para a boca, de ante carga, com fecho lateral de pederneira 
e cão do tipo de argola. Coronha em madeira com guarnições em latão. Séc. XIX. Dim. 68 cm.



Com sistema de pederneira e percussão. Posteriormente, depois da revolução ocorrida com a introdução do cartucho metálico as armas longas preferidas em linhas gerais (ou que as mais aparecem em fotos são as seguintes:

Winchester - modelo 1873 , cal. 44.

Carabina de origem americana, popularmente conhecida como Papo amarelo (por ter o elevador de munição em metal amarelo), foi durante muitos anos a espinha dorsal do cangaço. As mais usadas aqui geralmente tinham 20 polegadas com cano octogonal e 12 tiros. Era uma arma tão comum que podia ser comprada até em armazéns de secos e molhados, e segundo tive informações havia fazendeiros e coronéis que compravam caixas fechadas contendo diversas armas!!

  
Uma moderna réplica de Winchester - modelo 1873

Winchester - modelo 1892 cal. 44. 

Carabina de origem americana, mais moderna possuindo um sistema de fecho mais robusto, e sendo mais segura que a antecessora 1873. Era tão popular quanto (apelida de cruzeta) e se aplicam os mesmos comentários. As usadas aqui geralmente tinham 20 polegadas com cano redondo (cano fino, "cano de mamão") e capacidade (a depender do comprimento do cano) de 8,10 ou 12 cartuchos.
Depois de Março de 1926 com o fornecimento de armas por parte do próprio governo (para perseguir a coluna Prestes):


Winchester - modelo 1892 cal. 44. 

Fuzil e mosquetão Mauser 

Do modelo do contrato militar brasileiro de 1908, cal. 7 x 57mm de 5 tiros,


e Fuzil e mosquetão FN 1895 também cal. 7 x 57mm de 5 tiros. No começo da década de 30 chegam os Mosquetões FN 22. Algumas destas armas eram tomadas das polícias em combate. E um ou outro Fz Mauser “espanhol ”1893, estes geralmente de importação de coronéis ou milícias. Antes de padronizar a maioria do armamento no potente e preciso Mauser 1908, os cangaceiros usavam uma verdadeira miscelânea de armas : fuzis Comblains cal. 11 mm de (1 tiro)


Mauser 1894/95 de manufatura da FN Belga.


Comblain

Alguns Mannlichers 1888 a ''Manulixa'' que “debutou” com fracasso em Canudos, e depois descarregado pelo exército para as Forças Públicas Estaduais em cal. 8. Na verdade é uma lenda. Era um fuzil com ferrolho de Mauser, carregador tipo Mannlicher e desenhado por uma comissão (não por Mauser ou por Ferdinand Mannlicher) daí seu verdadeiro nome: Gewehr 88 (fuzil 88) ou internacionalmente em inglês Model 1888 Commission Rifle (fuzl da comissão de 88) É evidente que mais armas “exóticas” (alguns autores citam ainda carabinas Marlin e Colt lightning) podem aparecer, mas a falta de fotos de boa qualidade prejudica o reconhecimento e pesquisa.






Armas curtas :

Revólveres Colt: mod. Police, Police Positive etc, estes eram em 32 SW e 38 SPL, (44 SPL e 44-40 eram mais raros) e conhecidos pela alcunha de Colt cavalinho.



Além dos Smith e Wesson, o vulgar “schmit oeste “, nos mesmos calibres (e mais o 44 Russian), e uma infinidade de suas cópias espanholas como os OH, Omega, BH, etc .

 

Nos anos 20 as pistolas semi-automáticas se popularizaram, sendo as FN/Browning 7,65 mm as preferidas dos cangaceiros.


Nos anos 30 se difunde entre eles o uso da pistola "Parabellum" (Luger) o “parabelo” mod. 1906 e 1908, nos calibres 9 mm e 7,65.


Pistola Luger 1908 com a ação aberta,
pode-se ver claramente por quê se chama “ação de joelho”.

Lampião portava uma 1908 em 9 mm como esta acima quando foi abatido.

Lampião portava uma do modelo 1908 em 9 mm quando foi abatido. Esta arma é famosa até hoje no nordeste, tendo as histórias de sua potência ("fura olho de enxada") entrado para o imaginário popular. Outras pistolas certamente de diversas origens, podiam ser encontradas, principalmente as belgas (muitas da marca FN ) e espanholas (sendo estas últimas mais comuns as do tipo “Ruby” ). Ocasionalmente ninguém cita, mas creio, que poderia se achar armas de bolso dos tipos Velodog e Bulldog em cal. 5,5mm,22 Lr,320 ou 380, pois eram tremendamente pupulares e não há motivo para não se pensar que um ou outro as usasse com 3ª ou 4ª arma (reserva).


Armamento das Polícias:

O armamento das tropas estaduais era padronizado normalmente no Fuzil e mosquetão Mauser do modelo do contrato militar brasileiro de 1908 , cal. 7 x 57mm de 5 tiros, e Fuzil e mosquetão FN 1895 também cal. 7 x 57mm de 5 tiros, posteriormente mosquetões FN 22 e Mauser 1935. Algumas Forças Públicas eram mais carentes, não comprando armamento de modo particular dependendo das doações de material do exército, de forma que por vezes até fuzis Comblain de tiro simples ainda eram usados

As submetralhadoras comuns eram as Bergmann modelos de 1918, 1928 e 1934 variando o calibre de 7,63 Mauser a 9mm Luger. A metralhadora leve mais usada pelas volantes pela facilidade de locomoção, embora necessitasse de 2 homens para correto manejo, era a francesa Hotchkiss 1921 (Fuzil Metralhador) cal. 7 mm com carregador lateral do tipo fita rígida para 32 cartuchos 




É imprescindível a correção do nome, repetindo que com o devido respeito ao trabalho do autor(es) que cometeu um equivoco absolutamente compreensível , próprio talvez d quem não conheça bem o mundo das armas:

1º) A grafia correta é Hotchkiss, é um nome próprio, e não um apelido para a arma, quem ouviu o nome ser “ beijo quente” usou uma grafia fonética, que de fato parece ser isto, mas está totalmente incorreto. Era fabricada pela companhia fundada pelo americano Benjamim Hotchkiss (Société Anonyme des Anciens Etablissements Hotchkiss et Cie).

2º) A arma era fabricada na França e não na América.3º Foi usada e muito popular no Brasil pelas PMs e pelo exercito em 3 versões Mod.1914 (metralhadora pesada), 1921 (fuzil metralhador Benet- Mercier) e Mod.1922 (fuzil metralhador, este último muito usado nas caatingas).

Os soldados via de regra não portavam armas curtas mas quando o faziam levavam consigo revólveres Nagant cal. 44, Girard em cal. 38 curto, Colt ou SW em 38 SPL , ou ainda pistolas de dois canos (as garruchas- as infames “dois tiros e uma carreira'') em cal. .320, 380 ou .44. Os graduados e oficiais além das armas curtas citadas poderiam optar por uma pistola alemã Mauser 712 "fogo rápido" (Schenellfeur) calibre 7,63 mauser, com seletor para fogo automático (“rajada”), chamadas de "mausa caixa de pau" por causa do coldre/coronha. Ou ainda a sua congênere espanhola, a pistola metralhadora Royal de características semelhantes em calibre 7,63 mauser, além de usarem em menor número as pistolas Parabellum 1906 cal. 7,65mm P, estas eram de uso oficial do exercito Brasileiro.


Revólver Nagant calibre 44, muito encontrado em mãos de civis,
provavelmente usado por policiais e cangaceiros.

A garrucha Lerap em calibre .320





Foto anterior apresenta a matriz 712, estas duas bichinhas 
aí eram fabricadas pela Royal, MM 31e MM 34.

Complementando as armas de fogo, sempre se usava um longo punhal a "Adaga Paraibana (diga-se de passagem, objeto de desejo de 9 entre dez aficcionados pelo cangaço), de folha estreita e longa (+ou- 60 cm de lâmina) portado pela maioria dos cangaceiros. Era usada para "sangrar" os "cabra safado" e macacos das volantes" (sangrar era enfiar a adaga no pé da garganta ou clavícula, atingindo coração e pulmões, como se faz com porcos).



Era a arma dos combates corpo a corpo e resolvia as questões pessoais...Aumentando a lenda , diziam que alguns tinham no processo de fabricação a lâmina em brasa mergulhada não na água, mas em veneno,recebendo uma têmpera mortal, que infeccionava os ferimentos, se é verdade não sei dizer, mas ouvi muito disso. Pessoalmente vi uma destas, que me disseram ter pertencido a um dos membos do bando de lampião, não me lembro mais o nome do "cabra" pois já tem muitos anos, não era dos integrantes mais famosos, me disseram que tinha 100 mortes nas costas daquela lâmina!!!

Arma dos Coronéis

Fazendo parte do universo intricado da sociedade nordestina, os Coronéis eram senhores da vida e da morte no sertão. Fazendeiros ricos e chefes políticos importantes, arrogantes e truculentos com suas patentes compradas à extinta Guarda Nacional (mas também havia Majores e Capitães, pois a compra da patente dependia do poder aquisitivo do interessado). Suas propriedades e interesses eram defendidos por vezes por centenas de homens armados (os "jagunços"), daí serem grandes seus arsenais!!!

Por vezes contratavam o "serviço" de cangaceiros ou bandos armados para eliminar os desafetos. Na região da Chapada Diamantina/Ba, dizem que Horácio de Matos tinha a seu serviço, quase um milhar de mineradores/jagunços. O famoso episódio do Pega do Cochó, que durou quase um mês, com "serenatas numa noite de 100 tiros de Comblain" e dezenas de mortes, só se resolveu com a chegada de tropas estaduais, e muita intervenção e mediação política.

Até o governo temia estes poderosos latifundiários, que financiavam toda a política da velha república. Eram mais poderosos no Nordeste, mas existiram coronéis em todo o Brasil. Meu bisavô Teófilo Carvalho, chegou a ser compadre de um destes coronéis, ele andava com uma dúzia de jagunços, distinguidos pelo lenço vermelho no pescoço, ao chegar na porteira da fazenda de meu bisavô a ordem era “abaixar as carabinas”. Lá pelos anos 40 meu finado tio Zeca trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira Bahia/Minas Gerais, ele me contou que na casa da sede, tinha caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum além de outras armas curtas !! 

Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa, hoje se o sujeito tiver um canivete cai na porrada e vai preso!!! Com um poderio político destes, não é de se estranhar que alguns coronéis fossem fornecedores de armas a bandos de cangaceiros, sem serem incomodados pelas autoridades. Seu poderio declinou devido ao natural progresso e após a Revolução de 1930, o governo federal ordenou que se desarmassem e desmantelassem os bandos de jagunços a serviço dos coronéis.

Para ter uma pálida idéia do arsenal destes homens, só na região das Lavras Diamantinas/BA foram apreendidos cerca de 35.000 fuzis Mausers, 376 quilos de munição, 236 mil cartuchos, 2 fuzis-metralhadores e 2 máquinas para fazer cartuchos,e todas as operações de desarmamento desta natureza, se espalharam pelo Brasil inteiro na época.Quantos milhões de armas foram apreendidos?

Por fim vamos falar sobre a origem das duas armas mais populares a primeira é a pistola Semi-Automática "Parabellum".

Começa quando o Jovem George Luger (daí a ser também conhecida como Luger) foi contratado pela firma DWM e aperfeiçoa o desenho da pistola de Hugo Borchadt diminuindo seu tamanho e peso, e em 1898 a nova “Parabellum” (" para a guerra" em latim, este era o endereço telegráfico da DWM) estava pronta. O primeiro país a adotar Lugers foi a Suíça - eles adotaram a Luger modelo 1900 em calibre 7.65mm Luger. Em 1902 a DWM, junto com o inventor Luger, a pedido da Marinha alemã desenvolve um cartucho de maior poder de parada: o 9mm Luger.

Esta arma se tornou padrão no exército alemão em 1908, lutou na primeira guerra mundial ao lado de diversas nações, e participou discretamente da 2ª. O exército do Brasil adotou esta arma em calibre 7.65mm em 1906, sendo substituida pelas pistolas Colt .45 em 1935. Esta arma é famosa até hoje no nordeste, tendo as histórias de sua potência ("fura olho de enxada") entrado para o imaginário popular. Aqui se acham mais vulgarmente as miltares do mod. 1906 e comerciais pós guerra do Modelo 1908, nos calibres 9 mm e 7,65. Era uma elegante pistola semi-automática, bem feita com um brilhante acabamento azulado (1906) com comprimento do cano de 10,3 Cm (mas também podia ter 152 mm,203 mm e até 203 mm nas versões carabinas comerciais), carregador destacável para 8 cartuchos. Peso na versão P08: 868 g.


contrato nacional de 1906

A luger é um fetiche entre colecionadores e leigos, mas na época áurea do nazismo ela já havia sido destronada pela Walther P-38 como arma regulamentar.



Mas sua silhueta jamais será confundida! Apesar de todas as peculiaridades ruins e pouca funcionalidade para arma militar que ela tinha...
Mais uma foto da "parabellum " com a ação aberta!! - Ah antes que eu esqueça! por favor prestigiem a nossa Vitrine da Armaria

Agora um pouco mais sobre o mosquetão Mauser 1922 , em comparação com o fuzil Mauser 1908 (dados deste em parênteses) estas armas fabricadas em sua totalidade pela Fabrique Nationale D’armes de guerre de Hertal, (FN) Bélgica , eram basicamente carabinas com cano de 19 pol (29 pol) compr. De 100 cm ( 124 cm) , capacidade de 5 cartuchos 7 mm, alavanca de manejo curva (reta) , alça de mira calibrada até 1400 m (de 200 a 2000m) . Estas armas mais modernas, tinham a culatra cerca de 5 mm mais curta, e design ligeiramente diferenciado do Mosquetão Mauser 1908 mas o ferrolho e mecanismo em geral eram o do Fz 1898.

Mauser 1922



*Aurelino Fábio Carvalho Costa é baiano de Itapetinga, 43 anos, oplólogo autodidata e historiador amador, especializado em Armamento leve sendo estudioso de armas de fogo e balística há mais de 20 anos. Já exerceu as funções de consultor técnico voluntário do Museu da Polícia Militar de São Paulo, e sempre batalha pela conservação da memória e da oplologia na história do Brasil. Acesse o perfil do cabra no Orkut a foto é mera coincidência, como dizem no Ceará "O cabra é cão!


Gostas do assunto? Consulte outras excelentes pesquisas, imagens e informações adicionais com o confrade Fábio acessando Vitrine da armaria

17 comentários:

jorge disse...

tenho um punhal da epoca de lampiao esta a venda contato 81 86450297

Clovis Batebola disse...

Parabéns pelo ÓTIMO BLOG e pela riquesa das informações.
Sou designer gráfico e estou me especializando em Games. Pretendo criar um jogo contando um pouco sobre o Lampião e, posteriormente, uma escola gratuita de games para a criançada da comunidade. Vamos interagir. abajah@hotmail.com
abração

Kiko Monteiro disse...

Sr Clovis
Obrigado pea visita e pelo incentivo. Muito louvável sua iniciativa para a criação de um Game. Quando concluir o seu trabalho não deixe de nos enviar a boa nova que faremos a divulgação com muito prazer.

Abraçando!

Rafael disse...

cara muito bom esse estudo estamos montando um espetaculo sobre a vida de lampião e estas armas vão ajudar muito!!!!

Cultura Caipira Blog disse...

Olá! Utilizamos seu artigo como referência em nossa última postagem. Obrigado pelo esclarecimento!

Anônimo disse...

Muito bacana manter viva a memória da história do nosso Brasil, gostaria de mencionar que meu pai nasceu e viveu por um tempo em Pernambuco, serra talhada e na época com 5 anos viu algumas vezes quando lampião e seus cangaceiros chegavam na fazenda do meu avô para conversarem com ele e receber dele mantimentos como rapadora, farinha e alguns contos de Reis ( moeda da época ) meu pai me contava grandes historias da época, uma que me lembro foi a de um casal de idosos que ajudava lampião e certo dia dois jagunços por ordem de um coronel ( título adquirido por pessoas de posse nos cartórios da época ) de uma fazenda próxima os enviou para exigir ajuda com dinheiro e mantimentos ao chegar se apresentaram e fizeram suas exigências prontamente o senhor já bem idoso disse que já ajudava a lampião e não lhe sobrava nem dinheiro nem mantimentos os jagunços disseram que quando voltassem novamente ele teria que ter algo para dar-lhes.
Alguns dias depois os jagunços chegaram e ao saberem que não havia nada para eles de imediato desferiram um disparo no senhor que não teve como reagir, ao irem embora aquele senhor foi socorrido e lampião foi avisado do ocorrido, de imediato enviou alguns cangaceiros e lhes deu ordem para capturar e trazer os jagunços até ele, para encurtar ele lampião teve pessoalmente com os jagunços e mais tarde enviou para o coronel numa caixa as orelhas dos dois jagunços e mandou dizer que se qualquer um de seus jagunços ao fossem a casa de seus protegidos e lhes causasse qualquer importuno e ele soubesse iria acontecer com ele o mesmo que foi feito com os dois jagunços, sei que são atitudes cruéis mas não vou entrar neste mérito no serão Brasileiro assim como em outros lugares sempre imperou a lei do olho por olho dente por dente, então quem não respeitava as regras pagava um preço muito auto, outra história muito interessante foi a de um fazendeiro também de serra talhada muito bem sucedido após ter tipo uma colheita muito grande estando com sua mãe na sala contava os lucros e os guardava em tonéis de vinho usados, ao ver todo seu lucro conquistado em um momento de euforia falou a sua mãe, mãe ganhamos tanto dinheiro que não precisamos nem de DEUS e sua mãe o repreendeu, filho nunca diga isto DEUS é insubstituível e não importa se temos ou não dinheiro sempre precisamos de DEUS então seu filho foi mais além e replicou mãe ganhamos tanto dinheiro que somente uma chuva com gotas do tamanho de uma zabumba ( instrumento tipo pandeiro ) poderia nos quebrar, sua mãe novamente o repreendeu mas ele ficou irredutível.

primeira parte...

Anônimo disse...

Passado um tempo comprou-se o dobro de tudo para um grande plantio e uma grande colheita, feito o plantio numa época muito boa tudo estava perfeito, chegando próximo da colheita estava o aquele fazendeiro sentado com sua mãe nas cadeiras de balanço e conversavam e se alegravam com a maior colheita que fariam, falava sobre os muitos planos que tinha após a colheita e os contava a sua mãe quando ao longe ele avistou uma coluna de nuvens negras como a noite que se aproximava da sua fazenda, comentou ele com sua mãe que ficou preocupada mas não se lembrava do que o filho havia dito, e aquela nuvem se aproximava cada vez mais da sua fazenda, quando já sobre toda a área de sua fazenda os raios começaram a pipocar por todos os lados o rapaz fazendeiro começou a se preocupar, mas nada pode fazer nunca ouve uma chuva local tão forte como aquela era uma chuva diferente continua, forte e arrastou tudo pelo seu caminho matando seu gato, cabras e dizimou todo seu plantio, no outro dia indo ele averiguar o prejuízo testificou que não sobrara nada para se aproveitar, passou alguns dias pensando, arrependido pelo que havia dito e não tendo outra solução colocou sua fazenda a venda.
Chamou seu empregado e lhe deu a ordem para que fosse ao cartório da cidade e anuncia-se a venda de sua fazenda, seu empregado tinha muitos filhos e tanto ele como seus filhos com idade trabalhavam para aquele homem já a muitos anos e guardavam todo dinheiro ganho, ali fez ele uma proposta ao seu patrão, quanto o senhor quer em sua fazenda, sabendo do valor ofereceu ao pobre homem uma entrada em dinheiro e assumiu as dividas com os bancos, o pobre homem vendeu sua fazenda ao seu empregado, juntou o que tinha e com aquele dinheiro foi para outra cidade pá perdeu todo seu dinheiro em negócios fracassados voltou para sua cidade indo morar de favor na fazenda que um dia fora sua.
Meu pai quando me narrou este fato foi enfático e disse meu filho estas mãos que você vê deram esmola a este homem que me relatou este ocorrido um homem que todos conheciam como fazendeiro rico e que passou a ser um pedinte...

É triste relatar casos como este mas não importa a religião DEUS é perfeito e maravilhoso ele não precisa do homem mas o homem precisa de DEUS se não queremos reverenciar DEUS é um direito de qualquer pessoa mas nossas palavras tem poder de criar bênçãos ou maldição aprendi que tudo que sai da nossa boca é importante, para mim e para todos meus familiares, amigos e qualquer pessoa que me relaciono seja com a família ou não, digo isto porque ha uma cultura que despreza este poder de criar em nossas palavras. espero ter contribuído com todos os amigos não somente com os fatos narrados anteriormente mais também de como podemos ser melhores e perfeitos a cada dia, fomos criados para sermos felizes, alegres, amáveis, sinceros, honestos, bons pais, bons filhos, somos vencedores os obstáculos são preciso para termos histórias para contarmos com alegria de como nós o transpassamos se eles não surgem certeza é melhor quanto maior o obstáculo a transpor maior é a nossa satisfação, tenho inúmeros obstáculos que superei mais aprendi algo muito bacana toda vez que usei a fé em DEUS a superação era sempre mais rápida e o resultado sempre era maior.
Que DEUS ilumine e abençoe a todos os amigos agradeço a DEUS por ter meu pai como um grande amigo e irmão hoje meus olhos se voltam para minha mãe pois meu pai não esta mais entre nós, outra dica é sempre que possível estarmos próximos e envolvidos com nossa família e criar um sólido relacionamento, pois um dia estaremos no mesmo lugar que nossos pais o tempo passa muito rápido. Por. Lemos.rj

Kiko Monteiro disse...

Prezado "anônimo", obrigado pela atenção e critica. Nós já recorremos ao confrade Fábio Costa para corrigir "os erros" que foram da minha autoria. Em 2010 por conta e risco fiz a edição das fotos devido a uma repentina expiração das imagens originais disponibilizadas pelo autor. Como não sou especiaista, acreditei nas legendas dos sites. Mais uma vez obrigado pelo alerta. E mais grato ainda ao inabalável e inquebrantável messier Fábio pela compreensão, gentileza e parceria de sempre.

Att Kiko Monteiro

Anônimo disse...

Boa tarde.
Já ouvi muitas histórias como as que você narra aqui, muito bom, cresci ouvindo que o "parabelo"furava enxada e que até pouco tempo havia uma enxada vazada por vários tiros na casa da minha avó: mas nunca à encontrei. Meu avô chegou a ter dois "parabelos". Penso que a munição usada na época era de TUNGSTÊNIO, que muito duro e pesado, comparável ao TITÂNIO em dureza. talvez assim possa furar enxada e cabeças de dez homens em fila.
Seu blog sempre será lembrado como onde a História sempre Vive.
Obrigado por ratificar tudo aquilo que meu pai aqui em MG sempre me contou e que depois de algum tempo passou a ser historinhas. Um tríplice e fraternal abraço.
Adalberto de Souza.

Kiko Monteiro disse...

Saudações Adalberto

Muito obrigado por vossa atenção e comentário que incentiva o nosso serviço!

Vou pedir um breve comentário, enfim um resumo sobre a real potencia da Luger ao nosso especialista Fabio Costa, vamos aguardar a resposta.

Abraço fraterno
Kiko Monteiro.

Anônimo disse...

Boa noite.
Relatei a meu pai sobre seu blog e ele se interessou muito em ver e ler as matérias. Ele me disse que existia uma lenda que se enfiasse uma lâmina de faca ou punhal em uma bananeira e deixasse lá de um dia pro outro a lâmina ficaria envenenada, e isso servia para "balas" de revolver e de fuzil também: não sei até que ponta isso é verdade, levando em conta a umidade penso que a munição deveria "estragar", mas atendia para a finalidade de ceifar vidas.
Não posso contribuir com muitas histórias, só com admiração e até espanto em alguns momentos mas gostei de ter respondido rápido ao meu comentário e aguardo o retorno sobre a real potencia e capacidade de dano de um tiro de "parabelo", isso levando todo um contexto de época, era uma arma de guerra e com carga talvez diferente da munição de hoje e o projétil também com suas especificidades próprias.
Obrigado.
Adalberto de Souza

Kiko Monteiro disse...

Adalberto a resposta do Fábio acaba de chegar, como sempre merece virar artigo e assim será, mas por ora ela estreia aqui para apreciação do amigo e demais interessados.

Caros amigos, compadre Kiko.

A dúvida do amigo Adalberto sobre a lendária potência da Parabellum é até bem comum. Algumas armas tem essa mística em torno de si, adquirida com o passar dos anos, e fruto dos comentários por vezes exagerados dos que as usaram.

Essa estória do Parabellum perfurar a cabeças de dez homens em fila é compartilhada com os fuzis. Mas a munição da Parabellum era de potência superior as dos revólveres do mesmo diâmetro de calibre usados na época (9mm/38) estando ao redor de 50 kgm.

Sobre o "parabelo" furar enxada, na verdade o pessoal dizia “olho da enxada” por ser a parte mais grossa da mesma. Não arriscaria um palpite de dizer que atravessava a folha da enxada, pois dar um veredito sobre o desempenho de projéteis sem fazer os testes é arriscado.

Existem até publicações americanas só sobre o assunto, e uma tem um sugestivo titulo que traduzido livremente poderia ser: projéteis sem noção, descrevendo casos em que projéteis perfuraram objetos duríssimos sem se deformar, e outros que se deformaram num tiro contra o abdômen (tecidos moles sem suporte ósseo).

Mas uma coisa é certa: a guinada (giro) proporcionada pela penetração do projétil, mesmo em fuzis, não possibilita em um tiro reto, atravessar « vários » homens (mas a munição 9 mm Parabellum a depender do ângulo do tiro, segundo mostra a experiência de combate, transfixa 2 homens).

Sobre a dúvida da munição usada na época ser de tungstênio, na verdade era composta na camisa do projétil, por Maillechort (também chamada de ‘’Prata alemã’’ pela aparência prateada, na verdade uma liga de cobre, níquel e zinco), sendo o núcleo de chumbo e antimônio

Era usada em projéteis pela DWM e outras fábricas. Não é tungstênio, e tem gente que acha ainda que parece ser de aço.

Abraços e espero ter ajudado.

Fábio Costa

Anônimo disse...

Boa noite.
Meu Amigo, sua resposta muito me satisfez e elucidou dúvidas de "tempos". Papai ficou feliz, ele me disse que uma vez por descuido o meu avô disparou sua Luger e a "bala" atravessou ouma tora de lenha no fogão, o fogão, outra tora de lenha embaixo do fogão o assoalho da casa e adentrou mais de metro pro chão afora e ele com seu irmão escavaram e encontraram o projétil perfeito, debaixo da casa.
A seu compadre meus sinceros agradecimentos e a você KiKo felicidades muitas.
Att. Adalberto de Souza

Dafne Ativista disse...

Boa tarde.

Descobri que tenho um punhal da época do Cangaço. Gostaria de avaliar e vender. Tem interesse ou conhece alguém que tenha?

Aguardo contato.
dafne.jaune@gmail.com

Att,
Dafne - Santos (SP)

Anônimo disse...

Amigo eu gostei muito da matéria, esta quase perfeita, mas; vou lhe ajudar só farei uma pequena mas importante observação que você se esqueceu de citar sobre esta mortífera arma de guerra:Pois os fuzis FN mauser cal.7x57 mm.de fabricação germânica quando foram projetados pelos seus engenheiros , não apresentavam a "telha", aquela peça de madeira que cobre a a parte superior do cano.Só quando foi usado pela primeira em combate real, após ser efetuados sucessivos disparos, os atiradores que o usavam não conseguiam conduzi-lo em seus deslocamentos pois o aquecimento excessivo do cano, lhes queimavam a mão. Foi por tal motivo que seus
criadores os modificaram lhes acrescentando nas próximas remeças de fabricação, este artefato para
facilitar seu manuseio operacional que por sinal era de excelente precisão.Amigo não me leve a mal só quero lhe ajudar compartilhando nossos conhecimentos bélicos.

Anônimo disse...

Caro amigo "anônimo".

A respeito das suas interessantes considerações, gostaria de esclarecer o seguinte:

1. Os fuzis F.N. são na verdade de fabricação belga (pela Fabrique Nationale D’armes de Guerre, situada na cidade de Herstal). O desenho do fuzil Mauser é alemão. Isso se deve a F.N. naquele momento pertencer acionariamente ao conglomerado de empresas capitaneado pela firma alemã Ludwig Lowe, e depois a D.W.M. que comprou os ativos da Lowe. (estas duas empresas, aliás, também fabricaram este modelo e outros de desenho de Peter Paul Mauser).

2.A "telha aquela peça de madeira" na maioria das armas longas NÃO cobre a parte superior do cano. Aliás, neste nosso modelo citado (1894/95) o desenho deriva-se diretamente do modelo espanhol de 1893, que já tinha uma “meia-telha" cobrindo a parte superior do cano, logo a frente da alça de mira...

Sendo assim, a alegada modificação posterior da telha não existiu, pois esta arma já vinha assim desde os primeiros exemplares. Não conheço um Mauser 93 espanhol sem esta cobertura parcial na parte superior do cano. Mas caso o amigo conheça tipo espanhol sem telha (original de fábrica) mande uma foto, gostaria de conhecer certamente esta rara variante.

Em absoluto me ofendo com quaisquer comentários, pois em 30 anos estudando sobre armas, só de uma coisa: não sei quase nada, pois a cada dia se vê algo que não se sabia, um detalhe de um modelo, uma variação, uma encomenda de contrato especifica etc.

Abraços a todos.

Fábio Carvalho Costa.

Anônimo disse...

Eu tenho um fn 1922 em cal.7x57 mm zerado..... é uma reliqui esta na familia a mais de 50 anos ....