quarta-feira, 23 de maio de 2018

Sai o Samurai, Entra o Cangaceiro

Cangaço Overdrive mostra que o Nordeste também é cyberpunk pra ca...

Ao invés de simplesmente adaptar o futuro distópico das grandes metrópoles e corporações e fazer um Neuromancer tupiniquim, o novo lançamento da Editora Draco mistura Blade Runner, Chico Science e Patativa do Assaré

“O cyberpunk é agora”. Foi com esta frase que a gente abriu a nossa semana especial sobre o tema, a tempo da estreia da adaptação hollywoodiana de Ghost in the Shell. Mas com o lançamento do gibi nacional Cangaço Overdrive, dá pra fazer uma ligeira e necessária alteração na expressão: “o cyberpunk é aqui”.

Várias vezes a gente já falou no JUDAO.com.br, ao discutir cultura pop de nicho, que fazer obras originais de gênero aqui no Brasil requer muito mais do que apenas trocar o nome de “Nova York” pra “São Paulo” e aceitar os super-heróis flutuando pelos céus da cidade. Tem toda uma questão cultural única do nosso país que, se for devidamente considerada e trazida pra conversa, dá um sabor que torna não apenas tudo mais factível, mas também mais relacionável com o universo do leitor/espectador. São os orixás tomando o papel dos deuses nórdicos na temática kirbyana de Hugo Canuto. Ou o palhaço do mal ganhando contornos de artista de rua, ao som de música brega, no universo slasher de Condado Macabro.

Zé Wellington, natural de Sobral, interior do Ceará, faz roteiro pra quadrinhos há quase uma década e meia — e já foi, inclusive, premiado com um HQ Mix por seu Steampunk Ladies: Vingança a Vapor. Mas depois de brincar com os clichês dos vigilantes uniformizados em plena realidade nua e crua da favela em Quem Matou João Ninguém?, ele resolveu brincar com o cyberpunk. E também sacou muito bem o que é isso do sabor cultural local, fazendo o cyberpunk ser LITERALMENTE aqui.



Tamos falando de um Ceará num futuro próximo, enfrentando sua maior seca em séculos. E aí que, numa terra esquecida pelo governo e dominada pelos interesses dos conglomerados empresariais, um lendário cangaceiro e um impiedoso coronel são reanimados para continuar a peleja que deixaram no passado. Enquanto isso, uma comunidade autogerida tenta manter a independência ao defender sua terra de um ataque da polícia orquestrado por uma grande corporação.

É cyberpunk? Noir futurista, com tempero distópico, implantes cibernéticos pra lá, conexão neural com uma imensa rede de transmissão de dados pra cá, hackers, inteligência artificial? É sim. Mas é Brasil PRA CARALHO.

“O historiador Eric Hobsbawm escreveu um livro inteiro sobre vários casos de bandidos, no sentido de pessoas que estavam à margem da lei, que eram idolatrados pelas comunidades das quais faziam parte. Lá no livro ele escreve que este tipo de banditismo é uma forma bastante primitiva de protesto social organizado”, explica Zé, em entrevista ao JUDAO.com.br.

“O cangaço é um destes exemplos que chegam a ser paradoxais. Enquanto cruzavam um Nordeste esquecido pelo estado, Lampião e outros cangaceiros famosos roubavam e aterrorizavam a população. Mesmo assim, este período é lembrado com certo saudosismo, sendo o cangaceiro uma das figuras culturais mais relacionadas à região da caatinga”, define. Uma explicação para isso seria o entendimento de que, tão errado quanto o bandido, é o ambiente que o fez surgir. “A partir de uma história de deslocamento, imaginando um cangaceiro reanimado num futuro distópico, Cangaço Overdrive quer mostrar como o contraste social pode também tornar frágeis os limites entre bem e mal. Como dizia Chico Science: o medo dá origem ao mal”.

Por falar no Chico, bom, fã de longa data da animação Samurai Jack, aquela do Genndy Tartakovsky, o roteirista sempre pensou com seus botões de que forma poderia criar algo que tivesse a mesma pegada. “Mas já temos bastante samurais no futuro: Samurai Jack, Ronin (do Frank Miller), Afrosamurai... Se fosse para ser feito no Brasil, era preciso um personagem do nosso imaginário e o cangaceiro caía como uma luva”, conta ele.

E é aí que o profeta do manguebeat entra no conversa. Porque, além de coisas como o icônico Neuromancer de William Gibson e o universo de Blade Runner do Philip K. Dick, ele também se inspirou no disco Da Lama ao Caos, obra-prima de Chico Science ao lado da Nação Zumbi. “Foi uma das coisas mais cyberpunk que eu encontrei no Nordeste, com o Chico imaginando uma Recife caótica e denunciando uma exploração desregrada dos recursos do mangue. Para engrossar o caldo político, encontrei os cordéis do poeta popular Patativa do Assaré, que são quase cânticos de guerra pela reforma agrária, um tema que surgiu naturalmente na história”.

O roteirista conta ainda que trazer os temas do cyberpunk para o Nordeste possibilitou alguns paralelos interessantes. Por exemplo, qual é o cenário comum das histórias cyberpunks? Cidades sem vida e interesses das grandes corporações sobrepujando interesses sociais, com ricos muito ricos e pobres em situação de extrema pobreza. “Veja só, foi num cenário parecido com esse que surgiu o cangaço, no século XIX. O produto final é um legítimo cyberpunk, mas sem perder a regionalidade. Os cangaceiros, um dos assuntos preferidos dos cordelistas, viviam em seu próprio mundo pós-apocalíptico — e aí eu penso agora que esse apocalipse começou para o Nordeste quando o Brasil foi descoberto”, analisa. “A luta de classes que representa o PUNK do cyberpunk possibilitou alguma relações interessantes com o banditismo social”.

O argumento principal foi discutido e rediscutido entre ele, o desenhista Walter Geovani (seu contemporâneo, que trabalhou no gibi gringo da Red Sonja e agora está envolvido num encontro entre a guerreira e o Tarzan, com direito a roteiro de ninguém menos do que Gail Simone) e a editora. Na fase inicial de imersão do projeto, o Zé tava buscando uma voz específica para o trabalho. “Mesmo depois de ler romances como Grande Sertão: Veredas, Vidas Secas e Os Sertões, ainda sentia um certo formalismo na minha escrita: ainda parecia um cyberpunk escrito fora do país”. E foi neste momento que a literatura de cordel cruzou o caminho do escritor.

“Dei de frente com alguns experimentos do cordelista e quadrinista Klévisson Viana, entre eles adaptações de cordéis clássicos para quadrinhos, respeitando integralmente o texto original. Funcionava muito bem. Já havia na história uma personagem no futuro que tinha uma forte relação com a cultura popular e pensei: e se ela fosse a narradora da história e o fizesse como cordel?”.



Quem colabora com o Geovani nos desenhos é o Luiz Carlos B. Freitas, que faz sua estreia em Cangaço Overdrive. A maior parte das cores são da maranhense Dika Araújo, mais conhecida pelos desenhos da série Quimera (Pagu Comics). Já as cores dos flashbacks ficaram por conta do goiano Tiago Barsa (Justiça Sideral). E foi este monte de gente doida pra fazer o projeto mas tendo que priorizar outros trabalhos que, de fato, pagavam as contas, que fez com que o Zé buscasse uma alternativa diferente ao financiamento coletivo, que tem sido assunto recorrente quando falamos de publicação de gibis brasileiros aqui no site.

“O Catarse é um lugar muito bacana para quem tem uma HQ pronta, no ponto para imprimir e distribuir, dois aspectos onde o crowdfunding se apresenta com uma boa solução”, conta ele. “Sendo apenas roteirista, busquei o edital do Governo do Estado do Ceará porque desejava contratar toda a equipe e acelerar a produção. Como a temática regional me parecia algo que poderia atrair a comissão que analisa a liberação destes recursos, pensamos que era o melhor caminho”. E foi. :D

Um edital é uma espécie de concurso, segundo o autor explica: um regulamento (no caso, o tal do edital) é publicado pelo governo (municipal, estadual, federal) e vários projetos disputam um valor determinado. “Minha experiência com as leis de incentivo é que três fatores pesam muito para que um projeto seja selecionado: os currículos dos envolvidos, a qualidade do projeto e a habilidade (e paciência) do artista de conseguir sintetizar essas coisas num projeto atraente”. Mas antes que você, autor iniciante, se empolgue, calma que a ralação é mais ou menos a mesma e a aprovação é apenas o começo. “Os prazos são apertados e é preciso cabeça fria para o mar de burocracia até que a grana caia na conta. No fim, para mim vale muito a pena. Mas passei anos tentando até ganhar pela primeira vez”.

O Zé explica que esta seria a única forma de trabalhar num projeto adiantando o pagamento dos envolvidos. “O número de editoras de quadrinhos no Brasil que banca adiantamento para os autores é risível. A imensa maioria dos quadrinhos nacionais que se vê à venda hoje teve os autores trabalhando por meses ou anos antes de receber qualquer centavo por ele. É um modelo comercial que não faz sentido”, desabafa. Segundo ele, a única explicação para quadrinhos ainda saírem dessa forma é o imenso desejo que o autor tem de contar sua história. Só que, enquanto isso, os boletos continuam chegando...

Fonte: judao.com.br

Novidade na praça

Anildomá Willans, lança em Serra Talhada mais um livro sobre Lampião



O pesquisador e escritor Anildomá Willans de Souza, um dos maiores conhecedores do cangaço do Nordeste, lança na próxima sexta-feira, 25, mais um livro sobre o tema. A publicação “Lampião e o Sertão do Pajeú” vai ser apresentada em evento no Museu do Cangaço, na Estação do Forró de Serra Talhada, a partir das 19h30.

O livro expõe a saga de Lampião no contexto do Sertão do Pajeú, entre o período em que ele ingressou no cangaço, em 1920, até a travessia do Rio São Francisco, em 1928, para atuar nos estados do Sergipe e Bahia.

Nas páginas estão depoimentos de ex-cangaceiros e ex-volantes, bem como declarações de pessoas que presenciaram algum fato ou passagem de Lampião e seu bando. Os leitores terão acesso a histórias sobre invasões de cidades, vilas e fazendas, tiroteios, os protetores do cangaceiro, matérias de jornais da época e telegramas.

A obra com 210 páginas já pode ser adquirida no Museu do Cangaço, localizado na Estação do Forró; na Casa da Cultura, no bairro São Cristóvão e através dos números (87) 3831 3860 e (87) 99918 5533.

Da redação do Blog Alvinho Patriota

terça-feira, 15 de maio de 2018

Casos de família...

A separação de Maria com Zé de Neném e o ‘aprochego’ com o "Rei do Cangaço"
Por Sálvio Siqueira

Maria Gomes de Oliveira, segunda filha do casal José Gomes de Oliveira, José Felipe e de dona Maria Joaquina Conceição de Oliveira, Maria Déa, como toda moça no desvirginar da adolescência, sonha em casar e ter seu ‘príncipe encantado’ ao seu lado por toda a vida.

Nos sertões nordestinos esses sonhos eram, na maioria das vezes, uma maneira de fugir, escapar, do modo, maneira, ao qual eram tratadas as meninas pelos pais.
A criação não era nada fácil para um casal de agricultores, vivendo exclusivamente do que a roça lhes oferecia. O maior temor de um pai, ou uma mãe de família, naquela época era ter sua filha vendendo seu corpo nos cabarés das cidades. Principalmente a mãe, pois o machismo reinante faziam-na exclusivamente culpada. Com esse receio, em vez de educar, mostrando o fato, como a coisa se dava, e assim ela própria teria tempo para construir uma forte ‘muralha’ como defesa, os pais faziam eram manter suas filhas como escravas, ensinando, quando ensinavam, como ser obedientes em tudo ao marido. Logicamente, como em toda regra tem exceção, nessa também teve a sua.


O Casório…
Como em toda adolescência faz-se os grupinhos de moças e rapazes, com particulares e ‘segredos’ entre eles, naquele tempo, também tinha. Nos anos que se seguiram, Maria foi ‘ganhando’ uma ruma de irmãos, e fazendo amizades com algumas primas e primos. Logicamente todo mundo teve sua, ou seu, confidente, e Maria Gomes, Maria de Déa, tinha sua prima Maria Rodrigues de Sá como tal. Nas festividades, sambas e forrós que tinham na região, nas cidades de Santa Brígida, Santo Antônio da Glória e Jeremoabo, todas no Estado baiano, as quais ficavam mais perto de seu lugarejo, Malhada da Caiçara, pelos cálculos da época, como suas primas e amigas, Maria de Déa arrumou namoricos com um ou outro rapaz. 

Quis o destino que Maria se apaixona pela primeira vez por um de seus primos chamado José Miguel da Silva, por todos conhecido como Zé de Neném, da mesma localidade em que nascera, na Malhada da Caiçara, tendo uma espécie de ‘atelier’, ou um quarto de trabalho, um local para trabalhar, em Santa Brígida, onde exercia sua profissão de sapateiro.


A FOTO DE ZÉ DE NENÉM - MARIDO DE MARIA BONITA
Zé de Neném

"(…) Zé de Neném era filho de Pedro Miguel da Silva conhecido por todos na região pela alcunha de Pedro Brabo e Maria Conceição Oliveira, apelidada de Neném. O parentesco do sapateiro com Maria de 'Déa' vinha por parte da sua avó, Generosa Maria da Conceição, uma senhora que era conhecida pelo apelido de Juriti e que era irmã de Zé Felipe, pai de Maria (…).” (“A trajetória guerreira de Maria Bonita – A Rainha do Cangaço” –LIMA, João de Sousa. 2ª Edição. Paulo Afonso, BA, 2011)


A FOTO DA CASA DOS PAIS DE MARIA BONITA
Foto da casa dos pais de Maria Bonita.

Como a família de Maria Gomes, a família de Zé de Neném era bastante grande. Naquela época não havia os meios contraceptivos atuais e, com toda certeza, fazer, fecundar, filho era como se fosse um investimento para o futuro, erroneamente pensavam assim os catingueiros. No futuro eles iriam ajudar os pais nas lidas diárias das fazendas, essa, e simplesmente essa, era a razão. Dentre as irmãs do sapateiro, destacamos Mariquinha Miguel da Silva, que, em determinada época, deixa seu marido, Elizeu, que era proprietário da fazenda Ingazeira onde moravam, e dana-se no mundo sombrio e incerto do cangaço com o bandoleiro Ângelo Roque, chefe de um dos subgrupos do bando de Lampião, que tinha a alcunha de ‘Labareda’.
Maria e José casam-se.

Não demoraria muito para que se começassem as incompatibilidades.


A Separação…
Maria era por demais ciumenta e seu esposo, Zé de Neném, um verdadeiro ‘pé de forró, não saindo dos sambas.


Certa feita, estando Zé em um dos vários botecos, bebendo com alguns conhecidos, chega Maria e arma o maior escarcéu. Zé se defendia das acusações de Maria até quando pode, porém, a baiana encontra em um de seus bolsos uma lembrança de uma ‘amiga’, um pente com o nome da mesma. Nisso o pau quebrou pra valer. E a já conturbada vida a dois entre Zé e Maria, pelo fato de Maria não engravidar, desmorona-se de vez.


maria bonita
Maria Bonita – Fonte – http://umas-verdades.blogspot.com
“(…) Maria encontrou um pente em um dos bolsos do marido, com o nome de uma moça gravado no objeto (…). Este tipo de discussão e separação tornou-se uma constante e marcou significativamente o relacionamento dos dois (…). O casal não chegou a ter filhos. Alguns amigos confirmam a esterilidade do sapateiro Zé de Neném, que não chegou a engravidar nenhuma das mulheres com quem viveu (…).” (Ob. Ct.)

Pois bem, nessa, como em tantas outras ‘separações’, Maria Gomes correia a procura dos braços acalorados e protetores de seus familiares, apesar de seu pai, Zé Felipe, não concordar com tais separações, ela assim procedeu por várias vezes.
E Chega Lampião!!!


Em uma dessas separações, já se indo alguns dias, mais ou menos quinze dias de Maria estar na casa de Déa, sua mãe, ela, por um acaso conhece o “Rei dos Cangaceiros”. Achamos, particularmente, que num ímpeto, Maria deixa aflorar seu ego, e permitiu que se falasse o cupido. Tanto Maria, quanto Lampião sente alguma coisa dentro deles de cara. A atração foi dupla e contagiante. Lampião, que tanto fez arapuca, tanta emboscada aprontou, caiu de quatro pela armadilha que o destino lhe fez. A morena da Malhada da Caiçara acabou de domar uma fera nascida e criada na região pernambucana do Pajeú das Flores. Não podendo mais esconder sua paixão, Lampião inventa de inventar uma encomenda, vários bordados em lenços de seda, simplesmente para ter a desculpa, de vindo ver se tinha algum lenço pronto, vir mesmo era Maria. Sabedora dos planos de Virgolino, Maria, logicamente aceita a encomenda e trata de, também, curtir aqueles raros momentos.

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“(…) Era uma sexta-feira, Lampião pisou o batente da casa de Zé Felipe e Maria Déa. Odilon Café apresentou ao cangaceiro uma das filhas daquele casal, que no momento se encontrava ali, por estar separada do marido.
 

Novos sentimentos renasceram naqueles minutos seguintes. Depois de uma rápida conversa, lampião pergunta a Maria:
– Você sabe bordar?
– Sei!
– Vou deixa uns lenços pra você bordar e volto daqui a duas semanas pra buscar!
Este foi o primeiro diálogo realizado entre Lampião e aquela que seria a sua grande companheira e eterna paixão, até o fim da vida (…).” (Ob. Ct.)A FOTO DE DONA DÉA MÃE DE MARIA BONITA

A partir de determinado tempo, ou de um dos encontros entre eles, não teve mais volta. O pai de Maria Gomes, Zé Felipe, não aprovava o namora entre ela e Lampião. Já por outro lado, sua mãe, Maria Déa, parece que até ‘cortar jaca’, cortou, para que eles se encontrassem.

Violência Policial Contra A Família De Maria Bonita
Naquele tempo, a casa que recebesse com maior constância visita de cangaceiro, com toda certeza, logo, logo receberia a visita de alguma das volantes que caçavam os grupos. Então, rastejando os vestígios dos cangaceiros, as volantes terminaram fazendo, também, várias ‘visitas’ a casa da fazenda do pai de Maria Gomes, Zé Felipe. Com o aperto que deram no velho patriarca, cacete nele e sua família, até Zé de Neném foi pra debaixo da madeira, Zé Felipe resolve mandar sua filha para casa de um parente na fazenda Malhada, nas Alagoas. Para que assim, as volantes os deixassem em paz. Ao saber disso Lampião vai e dá um ultimato para Zé Felipe, ou ele manda buscar sua Filha em terras alagoanas ou ele destrói a fazenda com tudo que nela existia. Sem ter, novamente, uma saída, Zé Felipe manda alguém buscar Maria, sua filha.



Maria Bonita
Maria Bonita – Fonte – blogs.ne10.uol.com.br
Ao retornar, Maria Gomes percebe o quanto sua família estava envolvida numa encrenca desgraçada por seu romance com o ‘Rei do Cangaço’. Nesse momento, ela toma uma decisão importante que mudaria a vida de muita gente, principalmente a do pernambucano fora-da-Lei, para que a Força Publica deixasse seus familiares em paz. Quanto da localidade de onde Maria Gomes resolvera seguir com Lampião, não fora na fazenda onde nascera, a Malhada da Caiçara, e sim, numa outra localidade, onde cuidava de sua avó materna, Ana Maria, que estava enferma, denominada Rio do Sal.


Ao contrário do que pensou, planejou Maria de Déa, a Força Pública não se afastou da casa de seus familiares, pelo contrário, as visitas tornaram-se mais constantes e violentas, tendo como alvo principal o velho Zé Felipe, seu pai.
Estando já a não aguentar mais tanta pressão e cacete, Zé Felipe recebe a visita de um dos soldados da volante, que era seu amigo Antônio Calunga, dizendo-lhe que o comandante da volante recebera ordens superioras de acabar totalmente com a fazenda Malhada da Caiçara, matando todos que naquela ribeira moravam.


A FOTO DE ZÉ FELIPE PAI DE MARIA BONITA
Zé Felipe, pai de Maria Bonita.
Zé Felipe agradece ao amigo, junta sua família, desce rumo às águas do “Velho Chico” aluga uma embarcação, coloca todos dentro e passa para o solo alagoano. Vai montar residência no sítio chamado ‘Salgado’, no município de Água Branca. Porém, sua estada nele é curta. Pega suas trouxas novamente, levanta acampamento, junta seus familiares e parte rumo ao local denominado ‘Salomé’, o qual, hoje é a cidade de São Sebastião.

Nessa agonia, tendo de deixar suas terras por serem perseguidos e maltratados, constantemente, pela volante, um de seus filhos, conhecido como Zé de Déa, resolve juntar-se ao cunhado, Lampião. Lá estando, conta por tudo que seu pai, sua mãe, seus irmãos e irmãs passam. Lampião ordena que se façam as vestes, bornais, cartucheiras, em fim, toda a tralha de um cangaceiro para seu ‘cunhado’, e separar-se, também, as armas para o mesmo usar. No entanto, Maria sua irmã, não permiti que ele use armas. Mesmo estando por mais ou menos oito dias no acampamento, Zé de Déa e sempre aconselhado pela irmã para não fazer parte daquela vida em que ela metera-se. Termina o irmão por ceder aos conselhos da irmã.


O “Rei dos Cangaceiros”, através da sua malha de informantes, sabe da fuga do sogro e sua família, assim como tem o conhecimento da ordem e do nome do policial comandante incumbido da tarefa de matar toda a família de Maria, sua amada, que seria o tenente Liberato de Carvalho.

Recado de Capitão para Capitão…


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Maria Bonita cangaceira

Certo dia chega a casa onde moravam Zé Felipe e sua família, uma volante policial. Começam a destruir as coisas, matam alguns animais que estavam soltos, mas, próximos a casa. Sem ninguém da família na casa para saciar a ira dos volantes, sobra para um morador das redondezas, que seria, segundo indicaram, um coiteiro, o qual é colocado debaixo de cacete e depois assassinado pela tropa.

“(…) Uma volante visitou a casa de Zé Felipe e não encontrando ninguém, quebraram as madeiras dos currais, destelharam e quebraram parte do telhado da residência, matando alguns animais. Menos sorte teve o coiteiro Manuel Pereira, conhecido como Manuel Tabó, que por não ter fugido acabou sendo espancado e morto pelos soldados (…).” (Ob. Ct.)

Lampião, sempre ardiloso, sabia que partir para enfrentar de cara a volante, indo a desforra, pelo que fizera nas terras da Malhada da Caiçara, usa de outra artimanha. Ordena a um de seus ‘cabras’’ que vá em determinado lugar, e peça a determinada pessoa para vir vê-lo. Essa pessoa já havia, em outras oportunidades, feito o mesmo que ele o enviaria para que fizesse.

Essa pessoa era conhecida pelo apelido de Tonico, e era irmão de Zé de Neném, ex marido de sua companheira Maria de Déa.


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Atual Delegacia de Polícia Civil de Jeremoabo, o antigo aquartelamento dos tempos do Cangaço – Fonte – Rostand Medeiros
Lampião escreveu uma missiva e determina que o jovem a leve ao Capitão João Miguel, em Jeremoabo, BA. Assim, o jovem após dar voltas e ter a certeza de não estar sendo seguido, parte rumo ao destino determinado. Lá chegando, procura o oficial no QG.

“(…) Tonico seguiu em direção ao quartel, sendo recebido por um sargento que fazia a guarnição e lhe perguntou:
-O sinhô qué fala cum quem?
-Com o Capitão João Miguel!
-Eu posso resolver?
-Não, tem que ser com o Capitão!
O sargento foi até a sala do capitão, retornou alguns minutos depois e pediu para que Tonico o seguisse até a sala do oficial (…).” (Ob. Ct.)
Tonico era frio, Lampião sabia escolher a pessoa certa para cada missão específica. E essa era bem difícil de ser cumprida, pois tinha que o colaborador entrar em um quartel militar. Chegando diante do capitão, esse dispensa o sargento e recebe o papel que lhe é entregue pelo portador.

“(…) O Capitão João Miguel, depois que leu o bilhete, falou: “Se você está numa missa dessa, não é preciso pedir segredo, pois você deve ser da confiança de Lampião”.
Os dois conversaram secretamente, trancados dentro da saleta. O Capitão João Miguel mandou a resposta: diga ao Capitão que pode mandar o sogro dele voltar, pois a partir de hoje não passará mais nenhum soldado na sua porta.  Na manhã seguinte, ao despertar, Tonico regressou da sua missão, trazendo consigo, a promessa positiva de que nenhuma volante iria mais importunar aquele pedaço de chão e sua gente V…).” (Ob. Ct.)


Vejam que Virgolino não só sabia manejar as alavancas das armas que usou, mas, também, com tinta, pena e papel, fazia suas defesas diante de uma guerra particular, imposta por ele mesmo, contra seus inimigos.

Uma das coisas que mais ocorreu no cangaço foi à traição, tanto do lado dos cangaceiros e coiteiros, como mesmo do lado daqueles que os davam combates. E essas atitudes, tomadas por dinheiro ou ‘favores’, foram mais um motivo para que Lampião prolongasse por quase vinte longos anos, seu reinado de sangue, lágrimas e mortes nas entranhas do sertão nordestino.

Fonte “A trajetória guerreira de Maria Bonita – A Rainha do Cangaço” – LIMA, João de Sousa. 2ª Edição. Paulo Afonso, BA, 2011. Foto Ob. Ct. Benjamin Abrahão

terça-feira, 8 de maio de 2018

O homem que prendeu Silvino

Theophanes Ferraz Torres e o raid vitorioso no Sertão pernambucano

*Por Maluma Marques


Visita do Dr. Eurico à cidade de Belmonte, quando da inspeção ao Sertão pernambucano. Foto tirada em frente à Prefeitura municipal, pelo fotógrafo Carcidio. Sentados, da esquerda para a direita: João Primo de Carvalho, Jacinto Gomes de Carvalho Santos, Theophanes Ferraz Torres, Eurico de Souza Leão, Melquiades Montenegro (juiz municipal), major Joaquim Leonel Pires de Alencar e Antônio Brandão de Alencar. Em pé e por trás de Theophanes e Eurico: tenente Arlindo Rocha. O capitão Nelson Leobaldo (delegado de Caruaru) encontra-se por trás do major Joaquim Leonel.
Foto doada ao autor pelo escritor e distinto amigo Valdir José Nogueira de Moura.

Mal se iniciava o ano de 1928 e o duríssimo combate contra o cangaço lampiônico não dava qualquer sinal de trégua. De acordo com informações do tenente da força pública de Pernambuco, Higino Belarmino, no dia 21 de janeiro, Lampião e seus asseclas estavam acoitados no Estado de Alagoas.

Quatro volantes pernambucanas, inclusive a comandada por Higino, buscando, desesperadamente, o paradeiro dos bandoleiros, conseguiram desalojá-los daquela zona. Theophanes, de posse desta importante informação, telegrafou para o Chefe de Polícia, Eurico de Souza Leão, informando-o que: “…se suas forças não tivessem atingido aquele Estado, Lampião iria se demorar muito mais tempo diante da proteção encontrada”.

Lampião, que, em anos anteriores, chegou a comandar 120 homens, estava, naquela oportunidade, com poucos elementos, desmuniciados e preocupados com a execução da “Lei do Diabo”, idealizada por Eurico de Souza Leão e que não poupava seus coiteiros. Com aquela lei, torceu-se, de vez, o parafuso no Sertão. Com o desaparecimento dos antigos acobertadores, os bandidos ficaram, assim, a correr dia e noite, sem encontrar um abrigo seguro e sem ver os velhos amigos que se tornaram inimigos.

Recebendo confirmação que, daquela vez, Souza Leão realizaria seu antigo sonho, que era mostrar a limpeza do flagelo do cangaceirismo, Theophanes informa-o que Vila Bela (atual Serra Talhada) – sede do comando geral das forças volantes – encontrava-se orgulhosa e entusiasmada, pois, era a primeira vez que um Chefe de Polícia iria visitar nosso sertão.

O roteiro traçado passaria pelas principais cidades sertanejas: Alagoa de Baixo, Afogados de Ingazeira, Flores, Triunfo, Vila Bela, Belmonte, Ouricuri, Salgueiro, Leopoldina, Petrolina, Boa Vista, Cabrobó, Belém e Floresta.

Daremos, entretanto, destaque especial para a cidade de Petrolina, que recebia, pela primeiríssima vez, a visita de uma autoridade do Governo do Estado e fez uma excelente cobertura jornalística.

De acordo com o Jornal de Petrolina “O Pharol” – periódico de publicação semanal, fundado em 1915, propriedade e direção de João Ferreira Gomes – , este destacava que “...na comitiva vinha o prezado amigo Theophanes, digníssimo comandante das forças em operações contra os bandoleiros”. Theophanes havia feito muitos amigos naquela cidade, pois, havia sido delegado de Petrolina entre dezembro de 1924 até o dia 23 de setembro de 1926, oportunidade em que foi nomeado comandante geral das forças volantes que agiam no Alto Sertão Pernambucano, com sede, inicial, em Salgueiro.





O então governador, Sérgio Loreto, pressionadíssimo pela imprensa local e opinião pública, faltando, apenas, 23 dias para o término do seu mandato, nomeia Theophanes para o comando no Alto Sertão, uma providencia que se impunha de há muito tempo. À medida que fosse limpando a região, o lendário militar seguiria para Floresta e, em seguida, Vila Bela.

Noticiava-se, inclusive, que aquele governador, durante os quatro anos de seu mandato nada fez de profícuo para livrar as populações sertanejas do seu maior flagelo. Corriam informações, verídicas, que ele, tendo noticia dos telegramas que as vítimas do banditismo tinham enviado ao futuro mandatário pernambucano, Estácio Coimbra, e divulgados pela imprensa do Rio, tinham despertado revolta e tocado bem fundo ao coração dos sulistas.

O Jornal do Recife, de 13 de novembro de 1926, afirmava que havia acontecido um encontro secreto, no palácio, entre o governador interino, Júlio de Melo, seu chefe de Polícia, Silva Rego e Theophanes, não sendo permitida a presença de nenhuma outra pessoa, cuja temática  versava sobre o combate sério, eficaz e verdadeiro ao banditismo que assolava os nossos sertões. Afirmava, também, que um alto figurão do Sergismo (acredito que tenha sido o próprio comandante da Força Pública, o coronel João Nunes) ficou sentado na antessala, durante hora e meia, esperando que a conferência terminasse.

Com o evidente prestígio de Theophanes, assegurava aquele periódico, que algum despeitado, do governo anterior, achava que isso era um desprestígio a pessoa altamente colocada na policia do Estado.

Em 15 de novembro de 1926, Theophanes assumiria, pela segunda vez, o comando geral das forças em operações no sertão. Agora a história do combate efetivo e direto contra o cangaceirismo era outra, não se tinha mais as intrigas políticas palacianas que afastaram aquele brioso oficial do comando em 1924, quando este quase liquidou, de vez, com o império de Lampião. Vide publicação neste jornal, no mês de março do corrente ano, intitulada: A vida de Lampião fica por um fio.

Theophanes, no dia 25 de novembro, desafiando, mais uma vez, a politicagem local, comunicava ao chefe de polícia que em Vila Bela, sede do comando, existia pessoas de representação muito amigos do bandido Lampião e que com ele se correspondiam em termos íntimo e reservado. Comunicava, ainda, que pelo prestigio que gozam, perante o mesmo, sempre sabem paradeiro do grupo e se entendem com os chefes intercedendo em benefício dos que caem no desagrado do celerado por qualquer pretexto. Afirmou que existiam na classe baixa, parentes e indivíduos outros que faziam o serviço de espionagem e se encarregavam de efetuar compras para o grupo dos bandoleiros. Afirmou, também, que estudava, desde que ali chegou, a situação daquele município. Theophanes finalizou sua comunicação asseverando que se encontrava com seu espírito revoltado com tanta baixeza de caráter e covardia prejudiciais a extinção do banditismo e que havia ordenado severas providências para ricos e pobres que confabulassem a facilitar as ações dos fora da lei.

No dia 12 de dezembro de 1926, Estácio Coimbra assumiria o governo de Pernambuco e, Eurico de Souza Leão, tomaria posse na Chefatura de Polícia.

Sobre o raid vitorioso, daquela histórica visita, vamos encontrar na edição, nº 19, de 08 de fevereiro de 1928, do jornal “O Pharol”, o seguinte:

“Foi um fato invulgar e por isto mesmo constituiu um acontecimento que a nossa terra não estava acostumada a presenciar – a visita do Dr. Eurico de Souza Leão, enérgico chefe de polícia, o primeiro auxiliar de Governo do Estado que se abalou da capital, pelo interior, visitando as principais localidades sertanejas de Pernambuco, fiscalizando as zonas flageladas pelo banditismo.

Pela primeira vez Petrolina assistiu cheia de júbilo, a entrada de carros da capital em ruas de nossa Urb, como a anunciarem que, com a vinda do Dr. Souza Leão, estava inaugurada uma nova era para esta terra tão esquecida dos nossos governos, isolada pela deficiência de transportes, sem estradas ao menos carroçáveis que facilitem a comunicação deste com outros municípios vizinhos, obra da má política e dos maus administradores.

Falamos em estradas neste momento, porque sendo Petrolina o último município de Pernambuco, o mais distanciado da capital, vive completamente alheio à vida Estado, parecendo um filho adotivo criado em casa do vizinho, que neste caso é a Bahia, que lhe exige muito do seu trabalho em troca das comodidades que lhe proporciona.

O Dr. Souza Leão deve estar convencido que um dos maiores fatores para a extinção do banditismo é inegavelmente o prolongamento da Central de Pernambuco, até aqui, pois a estrada de ferro cortando os nossos sertões mudará os hábitos do povo e modificará os costumes.

 A CHEGADA
          
Seriam 18 horas, do dia 28, quando ao acender das luzes, bombões e várias girândolas de foguetes anunciavam a entrada, na cidade, na Rua Souza Leão do carro em que viajava o Dr. Souza Leão, precedido de mais 3 carros em que viajavam as pessoas de sua comitiva.

A saudação oficial foi feita pelo nosso inteligente confrade Francisco de Barros, adjunto da promotoria pública em exercício, que saudou sua Excia. em nome de Petrolina.

Num belíssimo improviso Dr. Souza Leão, disse da sua missão pelo interior do Estado, isto é, fiscalizar a perseguição ao banditismo, esse grande mal que é a nossa maior vergonha; exigir a coadjuvação de todos os sertanejos para acabar com esse cancro que vem corroendo o organismo do Estado.

Em seguida dirigiu-se para a residência do Sr. Luiz Ignacio de Souza, chefe político local e seu particular amigo, onde foi hospedado.

O Major Theophanes Torres, digníssimo comandante das forças do interior, a quem em boa hora foi confiada a espinhosa missão de dar combate ao banditismo, o coronel Antônio Japiassú, chefe político de Rio Branco, o Dr. Antônio Freire, secretário do Dr. Chefe de polícia e o Capitão Nelson Leobaldo, foram hospedados no confortável edifício da “21 de Setembro”, previamente preparado para isso.

Depois de breve descanso teve lugar o banquete, oferecido a sua Excia. no vasto salão da Pensão Progresso. Na manhã do dia 29, o Dr. Souza Leão e sua comitiva visitaram o Colégio Dom Bosco e o nosso amado antístite Dom Malan. Às 15 horas, sua Excia. e ilustre comitiva foram ao Jockey Clube, que nesse dia dedicou-lhes um festival hípico.          

Ao Dr. Eurico e membros da comitiva foram conferidos diplomas de beneméritos da nossa banda musical “21 de Setembro”.

ALMOÇO AO MAJOR THEOPHANES

Amigos e admiradores do Major Theophanes, ofereceram-lhe lauto almoço na Pensão Progresso, no dia 29.

Usando da palavra o Dr. Pacífico da Luz ofereceu o almoço ao Major Theophanes como prova de estima e alto apreço de que goza nesta terra o bravo militar patrício; o nosso diretor por si e pelo “O Pharol”, Aureo Vianna pelo “O Momento”, brindando ambos ao valoroso oficial da nossa milícia.

O Major Theophanes, em breve palavras, transmitiu a palavra ao jornalista Antônio Freire seu amigo e companheiro de excursão, para manifestar os seus agradecimentos a todos, o que o Dr. Freire fez com muita felicidade, arrancando merecidos aplausos.

A nota mais importante do almoço foi a cordialidade e a intimidade reinante entre os convivas.

O REGRESSO

Por falta de estrada carroçável para Boa Vista, o Dr. Souza Leão e sua comitiva regressaram na manhã de 30, transportando os carros para Juazeiro e dali seguindo para Curaça, Boa Vista, Cabrobó, Belém e Floresta”.

Em sua breve estadia na cidade de Vila Bela, destaco que Eurico tornou-se compadre de Theophanes, ao batizar o filho daquele bravo e lendário militar, o menor Geraldo Ferraz de Sá Torres, vilabelense, nascido no dia 02 de janeiro de 1928.

Lampião seria escorraçado, definitivamente, pelas forças pernambucanas para o Estado da Bahia, em 21 de agosto de 1928, sendo acompanhado de Virgínio, seu cunhado, conhecido como Moderno, Ezequiel, seu irmão, apelidado de Ponto Fino, Luiz Pedro, compadre e homem de sua confiança, Mariano, que salvara o grupo do envenenamento na Fazenda Ipueiras/CE e, por último, Mergulhão.

Visita do Dr. Eurico à cidade de Salgueiro. Foto tirada pelo fotógrafo Carcidio, no oitão da casa do coronel Veremundo Soares.
Da esquerda para a direita, sentados: Américo Soares, Theophanes Torres, capitão Antônio Japyassu, coronel Veremundo Soares, Eurico de Souza Leão, dr. João Jugmann, Benjamin O. Soares (irmão do coronel Veremundo Soares) e capitão Nelson Leobaldo.
Em pé: Alberto Soares, Joaquim Araújo, Duperon Alencar, José Vitorino (pai de Suetônio Alencar), Lauro Soares (filho do coronel Othon Benjamin), Osmundo Bezerra, Raul Bezerra, Álvaro Soares, não identificado e Heitor Soares (filho do coronel Veremundo)

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